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03 mai 2012

VIAGEM AOS EUA (2)


SEM CONSTRANGIMENTO

Até pouco tempo bastava alguém dizer que já viajou aos EUA para ser visto como exibido e presunçoso. Hoje, se alguém disser isto, é visto com certo descrédito, diante de tanta facilidade para viajar ao exterior. Assim, sem qualquer constrangimento, sinto-me bem à vontade para esses breves comentários e relatos.

ROUTE 66

Desta vez viajo aos EUA com o propósito de realizar um velho sonho de consumo: percorrer um trecho da histórica e romântica Rota 66 (Route 66). Como a extensão da Rota 66, que corta os EUA desde Chicago até Santa Mônica, em Los Angeles, é longa (de ponta a ponta são 2278 milhas, ou 3644 km) resolvi fazer um trecho reduzido, de 617 milhas, começando pelo fim, ou seja, de Santa Mônica até Flagstaff, no Arizona. As saídas da Route 66 ficaram por conta da vontade de passar por Las Vegas, para curtir dois bons shows (Le Rêve e Blue Man), assim como de ir mais adiante para visitar o incrível Grand Canyon.

CIDADES INTERMEDIÁRIAS

As cidades intermediárias nesse trecho da Route 66 são: Los Angeles, Victorville, San Bernardino, Barstow, Amboy, Needles (estas na Califórnia), e Kingmann, Hackberry, Seligman, Williams (no Arizona). Todas elas mantém as características da época, só que com asfalto de excelente qualidade.

MUSEU MCDONALD S

Em São Bernardino visitei o museu do McDonald´s, no mesmo local onde os irmãos Richard e Maurice McDonald abriram a primeira loja Fast Food, em 1948, para vender hambúrgueres a 15 cents de dólar. A ideia surgiu em razão da necessidade de fazer comidas rápidas para quem passava pela cidade.

MOTHER ROAD MUSEUM

Já em Barstow se encontra o novo Mother Road Museum (Museu da Route 66), instalado na Casa del Desierto Harvey House, que foi totalmente reformada obedecendo o padrão original da antiga sede da histórica estação de trem da Santa Fé Railway, que em 1886, inaugurava a via férrea que ligava San Bernardino a costa oeste. Um show.

FINAL DOS ANOS 1800

Ao longo deste trecho, histórico, que passa pelos desertos de Mojave e Arizona, com suas belas montanhas peladas, são vários os pontos de atração turística que remontam ao final dos anos 1800, quando o governo americano abriu a rota com o propósito de promover o desenvolvimento do oeste dos EUA. O romantismo está nas conservadas General Stores (que, tal qual bolicheiros, sobrevivem da venda de souvenirs), dos antigos Saloons, dos bares e restaurantes e das Estações de Trens, que fazem o charme e produzem a curiosidade de andar pela Rota 66.

HOMENAGEM AO GPS

Antes de tudo não posso esquecer de prestar a minha grande homenagem ao inventor do GPS. Este maravilhoso e indispensável equipamento tecnológico, além de imprescindível, transforma qualquer viagem em prazer e isenta de stress dos mapas impressos. Entre as diversas atrações que o trajeto oferece, uma delas, imperdível, é Calico, cidade fantasma do velho oeste, (Ghost Town) que data de 1851 e está localizada no condado de San Bernardino. Ali eram extraídos a prata e borax. Em 1950, Walter Knott, o empreendedor do belo parque de diversões Kontts Berry Farm, localizado em Buena Park, CA, (perto de Los Angeles), comprou a cidade de Calico e transformou em parque de visitação paga. Vale a pena. Detalhe importante: centenas de motociclistas, a maioria pilotando belas Harley Davidson, fazem o constante vai e vem da ROTA 66. Em grupo ou individualmente. Continua amanhã...

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02 mai 2012

VIAGEM AOS EUA (1)


DESCONTRAÇÃO

Espero que os bravos assinantes do Ponto Crítico, já acostumados com editoriais repletos de conteúdos e opiniões sobre economia e política, basicamente, também se deixem levar pela descontração desta viagem que faço pelo fascinante lado oeste dos EUA. O termo ? fascinante - fica por conta das histórias contadas nos filmes do velho faroeste. Assim, mãos à obra, ou melhor, pé na estrada...

MARCANDO PRESENÇA

Antes de tudo suponho que todos têm em mente que não é preciso encomendar uma pesquisa científica para saber o que leva tantos brasileiros a viajar para o exterior. Mesmo que Miami e New York liderem a preferência dos brasileiros, em todas as principais cidades europeias os turistas de todos os cantos do Brasil marcam presença.

CARREGADOS DE SACOLAS

Se os motivos para sair do país são os mais diversos, um deles, porém, é absolutamente comum e interessa a todos: comprar o máximo de produtos e serviços. Basta entrar em qualquer loja, shopping ou mesmo nas ruas e já se avista um grande número de brasileiros carregados de sacolas.

MUITO EM CONTA

É óbvio que a valorização do real contribuiu sobremaneira para estimular o consumo fora do país. Entretanto, mesmo que o real se desvalorize 50% frente ao dólar, tudo fica ainda muito em conta. Se existem mil motivos para explicar esta situação, duas são indiscutíveis: a nossa carga tributária e a ganância empresarial brasileira.

A CIDADANIA COMO BÔNUS

Pois, além de aproveitar, correta e justamente, os preços bem mais baixos de todos os bens de consumo praticados nos EUA, os brasileiros ainda têm a possibilidade extra de constatar, de forma abundante, algo que, infelizmente, ainda não chegou ao Brasil: a CIDADANIA.

DIREITOS E DEVERES

Aliás, nem precisa ser bom observador para entender que ser CIDADÃO é a simples possibilidade de poder exercer direitos e deveres individuais. Algo que qualquer americano começa a entender enquanto está usando fraldas. A partir de então o papel de cidadão é exercido de forma direta, simples e automática, dia após dia.

TRÂNSITO

Um dos pontos que reflete claramente o espírito de cidadania, o qual chama a atenção dos turistas brasileiros tanto na condição de pedestres quanto de motoristas, é o respeito ao sinal de transito, por exemplo. Se o sinal estiver fechado para o pedestre ele não avança; quando aberto, ai do motorista que não respeitá-lo. Já o turista brasileiro que dirige pelas estradas, ou mesmo nos centros urbanos, precisa ter em mente que nos cruzamentos sem semáforos, a preferência é de quem chegou primeiro. Na dúvida, ou em caso de coincidência, a preferência é de quem está posicionado à direita. A partir daí a ordem para avançar é, sempre, um de cada vez, de forma intercalada, portanto. Mais: nos congestionamentos ninguém usa o acostamento para ganhar posições. Continua amanhã...

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30 abr 2012

AULAS DE ECONOMIA


JUROS

Ainda sobre juros e crédito, assunto que vem dominando os noticiários do país nos últimos tempos, principalmente depois que o governo resolveu mandar o COPOM plantar batatas, aproveito para publicar o texto produzido pelo economista Ricardo Bergamini, membro do Grupo PENSAR! Eis:

SPREAD

Se o Spread Bancário no Brasil fosse ZERO, o juro mínimo de mercado seria de 33,78% ao ano. A razão para esta afirmação é a seguinte, tomando como premissas básicas a média do ano de 2009: 1 ? Custo de carregamento da dívida da União: 10,69% ao ano (Fonte: Ministério da Fazenda) 2 ? Percentual do depósito compulsório total (remunerado e não remunerado): 68,35% (Fonte Banco Central).

DUAS OPÇÕES

Se um banco tivesse a quantia de 100 dinheiros disponíveis para aplicação ele teria duas opções: A - Comprar títulos do governo federal, nesse caso seria isento do depósito compulsório e receberia no final de um ano 10,69% de 100 dinheiros, ou seja: 10,69 dinheiros. B - Emprestar ao público (empresas e famílias), nesse caso o banco teria que recolher ao Banco Central 68,35% dos 100 dinheiros disponíveis, ou seja: 68,35 dinheiros, ficando com apenas 31,65 dinheiros para emprestar.

GANHO

Para obter o mesmo ganho que teria na aplicação de títulos públicos de 10,69 dinheiros no ano, o banco teria que emprestar os 31,65 dinheiros restantes a uma taxa correspondente a 3,1596 (1 : 0,3165) vezes maior do que a taxa de aplicação nos títulos públicos, de 10,69% ao ano. Nesse caso seria a uma taxa de 33,78% ao ano.

RESUMO

Resumo do exemplo hipotético: I - Aplicação em títulos federais - 100 dinheiros a 10,69% ao ano daria um rendimento de 10,69 dinheiros em um ano. II ? Aplicação de 31,65 dinheiros a uma taxa de 33,78% ao ano daria um rendimento de 10,69 dinheiros em um ano.Em vista do acima demonstrado, se o Spread bancário no Brasil, hipoteticamente, fosse igual a zero, o custo financeiro de mercado, na média de 2009, teria sido de 33,78% ao ano.

O SPREAD E AS DESPESAS

Spread Bancário é composto das seguintes despesas: administrativa, inadimplência, custo com depósito compulsório sem remuneração, tributos, impostos, taxas e lucro. O percentual varia em função de cada tipo de operação, bem como de banco para banco.

A OPINIÃO DE ALFREDO PERINGER

Ao ler o texto de Bergamini, um outro economista, também membro do -PENSAR!-, Alfredo Peringer, faz a seguinte observação: - O cálculo do Bergamini está perfeito, ARITMETICAMENTE. Economicamente, não! Economicamente, nós, adeptos da escola econômica austríaca, defendemos depósitos compulsórios de 100% (sem remuneração!). O cálculo do Bergamini, ainda que perfeito aritmeticamente, não dá um destaque para o fato de que as 31,65 unidades monetárias são de TERCEIROS. A ideia, para evitar as crises, é a de que os BANCOS TÊM QUE TRABALHAR, COMO AS DEMAIS EMPRESAS, COM O CAPITAL PRÓPRIO. Ganhar dinheiro em cima dos capitais de terceiros é imoral, se for sem ou com baixíssimo risco, como é o caso do sistema financeiro Mesmo no mundo, esse método de trabalho, com capitais de terceiros na sua quase totalidade, só ocorre no sistema bancário. E precisa acabar, pois são o fulcro das crises econômicas que ocorrem no mundo. Outro ponto, os ganhos de rentabilidades tem que ser calculados sobre os capitais próprios, não sobre os capitais de terceiros, a não ser para medir a alavancagem financeira dos ganhos (o cálculo do Bergamini permite isso!). Em resumo, Ludwig Von Mises, no seu -Return to a Sound Currency-, ensina da seguinte maneira: - No bank must be permitted to expand the total amount of its deposits subject to check or balance of such deposits of any individual customer, be he a private citizen or the U.S. Treasury, otherwise than by receiving cash deposits in legal-tender banknotes from the public or by receiving a check payable by another domestic bank subject to the same limitations. This means a rigid 100 percent reserve for all future deposits; that is, all deposits not already in existence on the first day of the reform.- Pp. 491 (The Theory of Money and Credit)

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27 abr 2012

PARA SALVAR A DEMOCRACIA


EXISTE SAÍDA?

Tenho recebido mensagens de vários leitores do Ponto Critico, perguntando se existe alguma saída para nós, pobres cidadãos (eleitores), ficarmos livres de tantos equívocos que tornam o Brasil um país excessivamente caro, tanto para quem produz quanto para quem consome. Isto sem falar no preço da corrupção, que cada dia se mostra mais alto.

ALGO NOVO

Pois, é gente. Como a decantada democracia brasileira não vai além do insignificante voto eleitoral, que, infelizmente, não garante coisa alguma ao eleitor enganado, é preciso buscar uma nova saída. Quem sabe através da responsabilização dos partidos pelas atitudes de seus candidatos? Vamos tentar?Se nada é tão simples, pelo menos já temos algo novo que precisa ser analisado e avaliado. A ideia é a seguinte:

CONHECIMENTO POLÍTICO

Partindo do pressuposto, de que qualquer cidadão que trabalha no setor privado, empresarial ou autônomo (profissional liberal), sabe o quanto é importante o CONHECIMENTO TÉCNICO (para poder elaborar um bom produto ou serviço); e o CONHECIMENTO HUMANO (para poder se relacionar melhor com o mercado, cujos consumidores estão cada vez mais exigentes); chegamos a conclusão de que falta CONHECIMENTO POLÍTICO.

PARTIDO POLÍTICO

Como, historicamente, quem faz o produto não se preocupa (diz que não tem tempo) com o conhecimento político, para fazer valer seus anseios de obter, junto aos governantes, um menor custo fiscal e uma maior produtividade, precisa de alguém que o represente. É aí que entra o papel do partido político, que até hoje não foi exigido pela sociedade.

DIALOGAR COM OS PARTIDOS

A sociedade organizada, na forma de associações de todos os tipos, para não ficar refém dos interesses e da vontade do candidato eleito precisa dialogar com os partidos. Cabe exigir dos mesmos a escolha correta de pessoas com capacidade notória em cada setor, para, se eleitos virem a lutar pelos reais interesses da sociedade.

TERMO DE GARANTIA

A pressão dos eleitores precisa ser iniciada, portanto, bem antes do pleito, junto aos partidos políticos. Eles precisam se responsabilizar pelas atitudes de seus filiados, da mesma forma como fazem, por exemplo, as concessionárias de veículos ao colocarem seus veículos à venda. É o chamado termo de garantia.

MANUAL DOS PARTIDOS

Para que a democracia do voto seja útil e autêntica, considerando que o voto é secreto, é preciso que todos os cidadãos recebam o MANUAL DOS PARTIDOS E SEUS CANDIDATOS, com a devida forma de acesso ao SAC. Só assim os cidadãos poderão reclamar, junto ao PROTEL, órgão de Proteção ao Eleitor, caso os eleitos não entreguem e/ou cumpram o que ficou acertado com os eleitores.Esta é uma ideia. Como tal precisa ser avaliada e melhorada, para que produza bons resultados. O que se sabe, por enquanto, é que do jeito que está não há salvação. Que tal?

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26 abr 2012

O ALARME ESTÁ SOANDO


FRUTO DAS CONVICÇÕES

Não é recente o meu alerta sobre a preocupante inadimplência que vem crescendo de forma firme, gradual e segura no nosso pobre país. Vejo, inclusive, que esta minha insistência não é bem aceita por um bom número de leitores, que não veem grandes riscos para a nossa economia. Entretanto, como só tenho compromisso com a minha consciência, tudo que escrevo nos meus editoriais é fruto exclusivo das minhas convicções. Quem não concorda, para ser feliz basta se manter fiel ao seu pensamento.

GIRO DO MOTOR

Antes de tocar mais uma vez nesse árido assunto é sempre bom lembrar que os americanos sempre foram muito criticados pelos neo-socialistas brasileiros, pelo fato dos EUA serem uma sociedade de consumo. E, como tal, sempre foi movida pelo crédito, que quanto mais injetado no sistema, maior o giro do motor da economia.

CAPITALISMO AMERICANO

Pois, para felicidade geral da Nação Brasileira, não é que esse governo, que mais atacou o capitalismo americano, movido a crédito, resolveu fazer o mesmo aqui no Brasil? De uns anos para cá, inclusive, o governo petista resolveu abrir as torneiras do crédito sem restrições. E, ao perceber a alegria irradiada pelo povo, simplesmente deixou de lado o tamanho do comprometimento da renda per capita (que ainda é baixa). Assim, quem quer crédito basta pedir.

FILME REPRISADO

Este filme já passou em todos os cinemas do mundo todo, certo? Daí que é sempre oportuno repetir: a bolha imobiliária americana nasceu, cresceu e estourou, simplesmente porque o governo Clinton determinou que fossem multados os bancos que negassem crédito a quem quisesse adquirir um imóvel. Principalmente para os menos aquinhoados. Deu no que deu.

BRINDE

Aqui, a coisa está ficando muito parecida. Como os bancos públicos federais (Banco do Brasil e Caixa) já detêm mais de 40% do bolo de crédito do país, e o governo quer aumentar ainda mais este volume para não deixar a economia desaquecer, a impressão que deixa é de que basta passar em frente de qualquer banco público para ser brindado com um financiamento. Caso recuse tem grande chance de ser multado.

POLÍTICA FROUXA

Este afrouxamento ?perigoso- da política monetária do governo, certamente vai deixar os consumidores pra lá de emocionados e prontos para qualquer produto durável. Como tudo tem limite e parece que muita gente já está bem além dele, poucos poderão pagar o que devem.

PROVISÕES

Observem que alguns bancos privados, como é o caso do Itaú Unibanco e Bradesco, principalmente, estão aumentando significativamente as provisões para devedores duvidosos. Ontem, o próprio vice-presidente executivo do Itaú, Alfredo Setubal, foi taxativo: - Temos de ficar atentos a qualquer tipo de bolha. Ora, se muita gente por esse mundo afora se sentiu traída por falta de alertas a respeito do crescimento da bolha, que acabou na atual dificuldade que enfrentam os países mais desenvolvidos, imagino que aqui, no Brasil, deste mal ninguém vai sofrer. Pelo menos para aqueles que leem o Ponto Critico. A exuberância, como se vê, está se complicando.

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25 abr 2012

A VERDADE NUA E CRUA


ARTIGO DE ROBERTO CAMPOS

Considerando que a Comissão da Verdade, montada pelo Estado Socialista Petista, faz de tudo para que a sociedade brasileira apoie a busca de transparência de um único pedaço da história (aquele que lhe interessa), o artigo escrito pelo saudoso Roberto Campos, publicado há 14 anos (19/04/98) nos jornais Folha de São Paulo e O Globo, sobre o Livro Negro do Comunismo, cai como uma luva.Principalmente, porque os personagens comunistas são grandes ídolos dos petistas e similares. Eis:

LIVRO NEGRO DO COMUNISMO

LE LIVRE NOIR DU COMMUNISME (Edições Robert Laffont, Paris, 1997), escrito por seis historiadores europeus, com acesso a arquivos soviéticos recém-abertos, é uma espécie de enciclopédia da violência do comunismo. O chamado SOCIALISMO REAL foi uma tragédia de dimensões planetárias, superior em abrangência e intensidade ao seu êmulo totalitário do entreguerras - o nazifascismo.Ao contrário da repressão episódica e acidental das ditaduras latino-americanas, a violência comunista se tornou um instrumento político-ideológico, fazendo parte da rotina de governo.

SISTEMATIZAÇÃO DO TERROR

Essa sistematização do terror não é rara na história humana, tendo repontado na Revolução Francesa do século 18 na fase violenta do jacobinismo; na industrialização do extermínio judaico pelos nazistas; e, na inquisição da Igreja Católica, que durante séculos queimava os corpos para purificar as almas.O LIVRE NOIR me veio às mãos num momento oportuno em que, reaberto na mídia e no Congresso o debate sobre a violência de nossos ANOS DE CHUMBO nas décadas de 60 e 70, me pusera a reler o BRASIL NUNCA MAIS, editado em 1985 pela Arquidiocese de São Paulo. Comparados os dois, verifica-se que o Brasil não ultrapassou o abecedário da violência, palco que foi de um miniconflito da Guerra Fria, enquanto que o LIVRE NOIR é um tratado ecumênico sobre as depravações ínsitas do comunismo, este sem dúvida o experimento mais sangrento de toda a história humana. Produziu quase 100 milhões de vítimas, em vários continentes, raças e culturas, indicando que a violência comunista não foi mera aberração da psique eslava, mas, sim, algo diabolicamente inerente à engenharia social marxista, que, querendo reformar o homem pela força, transforma os dissidentes primeiro em inimigos e, depois, em vítimas.

ARITMÉTICA MACABRA

A aritmética macabra do comunismo assim se classifica por ordem de grandeza: China (65 milhões de mortos); União Soviética (20 milhões); Coréia do Norte (2 milhões); Camboja (2 milhões); África (1,7 milhão, distribuído entre Etiópia, Angola e Moçambique); Afeganistão (1,5 milhão); Vietnã (1 milhão); Leste Europeu (1 milhão); América Latina (150 mil entre Cuba, Nicarágua e Peru); movimento comunista internacional e partidos comunistas no poder (10 mil). O comunismo fabricou três dos maiores carniceiros da espécie humana - Lênin, Stálin e Mao Tse-tung. Lênin foi o iniciador do terror soviético. Enquanto os czares russos em quase um século (1825 a 1917) executaram 3.747 pessoas, Lênin superou esse recorde em apenas quatro meses após a revolução de outubro de 1917.

GALERIA DOS ASSASSINOS

Alguns líderes do Terceiro Mundo figuram com distinção nessa galeria de assassinos. Em termos de percentagem da população, o campeão absoluto foi Pol Pot, que exterminou em 3,5 anos um quarto da população do Camboja. Fidel Castro, por sua vez, é o campeão absoluto da EXCLUSÃO SOCIAL, pois 2,2 milhões de pessoas, equivalentes a 20% da população da ilha, tiveram de fugir. Juntamente com o Vietnã, Fidel criou uma nova espécie de refugiado, o BOAT PEOPLE - ou seja, os BALSEROS, milhares dos quais naufragaram, engordando os tubarões do Caribe. A vasta maioria dos países comunistas é culpada dos três crimes definidos no artigo 6º do Estatuto de Nuremberg: crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

DIREITOS HUMANOS

A discussão brasileira sobre os nossos ANOS DE CHUMBO raramente situa as coisas no contexto internacional da Guerra Fria, a qual alcançou seu apogeu nos anos 60 e 70, provocando um REFLUXO AUTORITÁRIO no Terceiro Mundo. Houve intervenções militares no Brasil e na Bolívia em 1964, na Argentina em 1966, no Peru em 1968, no Equador em 1972, e no Uruguai em 1973. Fenômeno idêntico ocorreu em outros continentes. Os militares coreanos subiram ao governo em 1961 e adquiriram poderes ditatoriais em 1973. Houve golpes militares na Indonésia em 1965, na Grécia em 1967 e, nesse mesmo ano, o presidente Marcos impunha a lei marcial nas Filipinas, e Indira Gandhi declarava um REGIME DE EMERGÊNCIA. Em Taiwan e Cingapura houve autoritarismo civil sob um partido dominante. O grande mérito dos regimes democráticos é preservar os direitos humanos, estigmatizando qualquer iniciativa de violá-los. Mas por lamentáveis que sejam as violências e torturas denunciadas no BRASIL, NUNCA MAIS, NUNCA MAIS, elas empalidecem perto das brutalidades do comunismo cubano, minudenciadas no LIVRE NOIR.

ESCOTEIROS

Comparados ao carniceiro profissional do Caribe, os militares brasileiros parecem escoteiros destreinados apartando um conflito de subúrbio... Enquanto Fidel fuzilou entre 15 mil e 17 mil pessoas (sendo 10 mil só na década de 60), o número de mortos e desaparecidos no Brasil, entre 1964 e 1979, a julgar pelos pedidos de indenização, seria em torno de 288, segundo a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, e de 224 casos comprovados, segundo a Comissão de Mortos e Desaparecidos do Ministério da Justiça. O Brasil perde de longe nessa aritmética macabra. Em 1978, quando em nosso Congresso já se discutia a LEI DA ANISTIA, havia em Cuba entre 15 mil e 20 mil prisioneiros políticos, número que declinou para cerca de 12 mil em 1986. No ano passado, 38 anos depois da Revolução de Sierra Maestra, ainda havia, segundo a Anistia Internacional, entre 980 e 2.500 prisioneiros políticos na ilha. Em matéria de prisões e torturas, a tecnologia cubana era altamente sofisticada, havendo RATONERAS, GAVETAS E TOSTADORAS. Registre-se um traço de inventividade tecnológica - a tortura MERDÁCEA, pela imersão de prisioneiros na merda. Não houve prisões brasileiras comparáveis a La Cabaña (onde ainda em 1982 houve 100 fuzilamentos), Boniato, Kilo 5,5 ou Pinar Del Rio. Com estranha incongruência, artistas, intelectuais e políticos que denunciam a tortura brasileira visitam Cuba e chegam mesmo a tecer homenagens líricas a Fidel e a seu algoz-adjunto Che Guevara. Este, como procurador-geral, foi comandante da prisão La Cabaña, onde, nos primeiros meses da revolução, ocorreram 120 fuzilamentos (dos 550 confessados por Fidel Castro), inclusive as execuções de Jesus Carreras, guerrilheiro contra a ditadura batista, e de Sori Marin, ex-ministro da agricultura de Fidel. Note-se que Che foi o inventor dos CAMPOS DE TRABALHO COLETIVOS, na península de Guanaha, versão cubana dos GULAGS SOVIÉTICOS e dos CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO do Vietnã. A repressão comunista tem características particularmente selvagens. A responsabilidade é COLETIVA, atingindo não apenas as pessoas, mas as famílias. É habitual o recurso a trabalhos forçados, em campos de concentração. Não há separação carcerária, ou mesmo judicial, entre criminosos comuns e políticos. Em Cuba, criou-se um instituto original, o da -periculosidade pré-delitual-, podendo a pessoa ser presa por mera suspeita das autoridades, independentemente de fatos ou ações. Causa-me infinda perplexidade, na mídia internacional e em nosso discurso político local, a ANGELIZAÇÃO de Fidel e Guevara e a SATANIZAÇÃO de Pinochet. Isso só pode resultar de ignorância factual ou de safadeza ideológica. Pinochet foi ditador por 17 anos; Fidel está no poder há 39 anos. Pinochet promoveu a abertura econômica e iniciou a redemocratização do país, retirando-se após derrotado em plebiscito e em eleições democráticas como senador vitalício (solução que, se imitada em Cuba, facilitaria o fim do embargo). Fidel considera uma obscenidade a alternância no poder, preferindo submeter a nação cubana à miséria e à fome, para se manter ditador. Pinochet deixou a economia chilena numa trajetória de crescimento sustentado de 6,5% ao ano. Antes de Fidel, a economia cubana era a terceira em renda por habitante entre os latino-americanos e hoje caiu ao nível do Haiti e da Bolívia.O Chile exporta capitais, enquanto Fidel foi um pensionista da União Soviética e, agora, para arranjar divisas, conta com remessas de exilados e receitas de turismo e prostituição. Em termos de violência, o número de mortos e desaparecidos no Chile foi estimado em 3.000, enquanto Fidel fuzilou 17 mil! Apesar de fronteiras terrestres porosas, o Chile, com população comparável à de Cuba e sem os tubarões do Caribe, sofreu um êxodo de apenas 30 mil chilenos, hoje em grande parte retornados. Sob Fidel, 20% da população da ilha, ou seja, algo que nas dimensões brasileiras seria comparável à Grande São Paulo, teve de fugir. Em suma, Pinochet submeteu-se à democracia e tem bom senso em economia. Fidel é um PhD em tirania e um analfabeto em economia. O LIVRE NOIR nos dá uma idéia da bestialidade de que escapamos se triunfassem os radicais de esquerda. Lembremo-nos que, em 1963, Luiz Carlos Prestes declarava, desinibidamente, - QUE NÓS, OS COMUNISTAS, JÁ ESTAMOS NO GOVERNO, MAS NÃO AINDA NO PODER... Parece-me ingenuidade histórica imaginar que, na ausência da revolução de 1964, o Brasil manteria apenas com alguns tropeços sua normalidade democrática. A verdade é que Jango Goulart não planejara minimamente sua sucessão, gerando suspeitas de continuísmo. E estava exposto a ventos de radicalização de duas origens: a radicalização sindical, que levaria à hiperinflação, e a radicalização ideológica, pregada por Brizola e Arraes, que podia resultar em guerra civil. É sumamente melancólico - porém não irrealista - admitir-se que, no albor dos anos 60, este grande país não tinha senão duas miseráveis opções: ANOS DE CHUMBO ou RIOS DE SANGUE...

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