PROPÓSITO DO - PENSAR! -
Antes de tudo lembro aos leitores do Ponto Crítico o propósito que une os integrantes do grupo ? PENSAR! ?, qual seja de expor o CÁLCULO ECONÔMICO e a efetiva RELAÇÃO CAUSA/EFEITO das propostas e decisões tomadas pelos governantes, em todos os níveis.Daí a razão para que o Ponto Crítico destine, vez por outra, espaços para publicação de conteúdos produzidos pelos membros do - PENSAR! -.O PENSAMENTO DO IVES
Como Ives Gandra Martins faz parte do time de PENSADORES, e, recentemente, em entrevista concedida à -De Biasi em Revista- fez críticas fundamentadas quanto aos gastos com o funcionalismo público, à carga tributária e aos encargos trabalhistas (superiores aos dos demais países emergentes), fato que representa um alto custo empresarial e tira a competitividade da indústria, eis o que disse o tributarista:CUSTO BRASIL
- A presidente Dilma Rousseff investiu R$ 41 bilhões em 2011, ante os R$ 46 bilhões do governo Lula em 2010. E, enquanto Lula gastou R$ 182 bilhões em despesas de custeio pessoal e com a Previdência, principalmente do funcionalismo, Dilma gastou R$ 195 bilhões.CARGA BUROCRÁTICA
Houve, portanto, um aumento expressivo do custo operacional e de pessoal e uma redução dos investimentos federais. É fácil ver que, enquanto não se reduzir a carga burocrática, que consome os tributos, dificilmente se fará a reforma tributária.RETROCESSO
No governo Dilma, lembra Ives, o Brasil retrocedeu ao mesmo nível do governo Café Filho. Quando Juscelino Kubitschek o sucedeu, em 1956, o nível de industrialização do Brasil era rigorosamente igual ao atual. (?)Foi o pior ano para a indústria.APAGANDO INCÊNDIO
Como se vê, a grande causa do processo de desindustrialização do Brasil é o custo governamental, elevadíssimo. Como o governo se recusa a atacar a CAUSA, a política de desoneração que o governo lançou a poucos dias só tem uma serventia: apagar o incêndio que atinge o setor industrial.UMA ÚNICA REFORMA
A rigor, a única medida que Dilma tomou para tentar reduzir o Custo Brasil foi a aprovação do Regime de Previdência Complementar ao Servidor Público da União. Com um porém: a medida, que merece aplausos, só será sentida no longo prazo, com a redução do número de aposentados pelo regime atual, que recebem salário integral.PRODUTO
Produto é o bem que o seu idealizador cria na expectativa de que os consumidores se interessem por ele. Acreditando nesta possibilidade (risco do negócio), o produtor tem pela frente a aquisição da matéria prima, remunerar o processo de transformação, definir a margem de ganho e, principalmente satisfazer o extraordinário apetite dos governos (federal, estadual e municipal).CHANCES DE VENCER
Depois de fazer os cálculos para definir o preço do seu produto, o produtor ainda precisa verificar quais as chances que possui para vencer os eventuais competidores, caso exista um similar fabricado no exterior.O MAU PARCEIRO
Pois é exatamente aí que mora o perigo. Tudo porque aquilo que está ao alcance do produtor para superar o concorrente externo não basta, porque o governo não abre mão de coisa alguma da sua imensa participação. Aliás, a estupidez governamental brasileira é de tal ordem que, para não sacrificar a parte que tem a receber prefere que o produto não exista, ou que deixe de ser fabricado. Pode?COMPRAS NO EXTERIOR
Desta forma, motivados por esse péssimo comportamento dos nossos governantes, de todos os níveis e poderes, os brasileiros só têm uma saída: fazer compras no exterior.Massacrados por uma extraordinária carga tributária, tão logo tomam conhecimento dos preços praticados em qualquer canto dos EUA, por exemplo, nem malas carregam na viagem de ida: só compram a passagem e, chegando no destino correm imediatamente aos mais diferentes shoppings e/ou outlets, considerados os grandes parques de diversões dos brasileiros no exterior.VANTAGEM INCOMPARÁVEL
Dependendo do quanto é adquirido, se comparado com os mesmos produtos ofertados no Brasil, o custo da viagem (ida e volta) é nulo. Mesmo depois de incluir passeios, hospedagem, alimentação e entretenimento. É duro, não? Ah, o curioso é que praticamente todos os produtos ofertados nos EUA são fabricados na China. Os mesmos, aliás, que são ofertados também no Brasil.DESCOBRINDO O PANAMÁ
Com a chegada de novas empresas aéreas internacionais ao Brasil, como é o caso da Copa Air Lines, muitos brasileiros estão descobrindo o Panamá, como foi o meu caso no retorno da viajem que fiz ao oeste dos EUA. Quem imagina que o Panamá é o mais novo paraíso das compras precisa saber que isto é falso. Nos EUA tudo é bem mais em conta.INVESTIMENTO
A Cidade do Panamá, só para concluir, tem como atração turística principal a visita ao Canal, que liga o Atlântico ao Pacífico. Aliás, graças ao faturamento que fica entre sete a oito milhões de dólares/dia, o pequeno país de três milhões de habitantes não para de crescer. Até pouco tempo atrás grande parte dos investimentos era de origem colombiana. Hoje, entretanto, os venezuelanos sufocados pelo ditador Hugo Chávez estão transferindo boas somas para o Panamá.BRASIL MAIOR?
Os leitores/assinantes do Ponto Crítico, certamente, devem ter em mente as observações que fiz por ocasião do lançamento do programa Brasil Maior. Na ocasião comentei que os políticos e empresários de todas as entidades e segmentos, lá se dirigiram para aplaudir, apoiar e cumprimentar a presidenta Dilma e demais governantes pelas propostas protecionistas. Muitas delas, diga-se de passagem, sugeridas pelos próprios líderes empresarias.NOVO BRASIL?
Ao invés de levarem as propostas do governo para serem analisados pelas áreas de economia de cada uma das suas entidades, as quais são montadas exatamente para tanto, os empresários se deslumbraram com o que ouviram. E saíram dali dando entrevistas convencidos de que estavam diante de um novo Brasil, bem Maior.TIRO NO PÉ
Pois, a euforia daquele momento, pelo som da voz rouca do mercado, desapareceu. Só que agora é tarde, porque as chances do governo voltar atrás são praticamente zero. Nesta semana, por exemplo, vários economistas que à época ficaram calados, disseram, finalmente, em debate promovido pela Tendências Consultoria, tudo aquilo que o Ponto Crítico não titubeou: que o governo está dando um TIRO NO PÉ com a política industrial atual, ao ACEITAR o discurso de federações de empresários contra os juros altos e o câmbio valorizado, sem atacar o problema estrutural de perda de competitividade do setor.Eles acreditam que as medidas de INCENTIVO (?) tomadas agora agravarão a falta de produtividade nas fábricas e deverão reduzir a capacidade da economia de crescer sem pressionar a inflação. Viu só? É bom deixar claro que não sou adepto da quiromancia, gente...A DESINDUSTRIALIZAÇÃO É REAL
Para o economista Samuel Pessôa, da própria Tendências, - o processo de desindustrialização é real e não poderia deixar de existir dentro de um modelo de crescimento econômico liderado pela demanda, no qual, motivada por ganhos substanciais de renda, a sociedade prefere consumir em detrimento da poupança. Bingo, gente. Acertei de novo. Admitindo que nem sempre as críticas editadas no Ponto Crítico sejam aceitas, quem sabe as mesmas observações, vindas de outra fonte, possam contribuir para o convencimento. Portanto, sob a ótica de Pessôa o cenário é adverso ao crescimento da indústria, que prospera em locais onde o custo do trabalho é baixo, mas vai de encontro à vontade da maioria das pessoas. A indústria, portanto, segundo sua visão, deve continuar na berlinda.QUESTÃO ESTRUTURAL
Mais: - Não é tsunami monetário, não é guerra cambial, é uma questão estrutural de uma sociedade que escolheu ter uma poupança muito baixa, afirma o economista, para quem os preços robustos das commodities, produtos que lideram a pauta de exportação brasileira, também deixam a indústria em segundo plano. O desenvolvimento da indústria hoje significa deixar de utilizar os ganhos de termos de troca, cortar o crescimento do salário mínimo, fazer uma série de políticas que a sociedade não quer.Nesse ambiente, a desoneração da folha de pagamento de setores específicos da indústria, -dá uma certa isenção - para alguns ramos beneficiados, mas gera confusões a respeito do sistema tributário, já complicado. No mesmo sentido, medidas para taxar o capital externo, desvalorizar o câmbio e encarecer importações fecham a economia e provocam um repique inflacionário, além de piorarem a eficiência da indústria doméstica.DESASTRE
Vejam, também, a opinião de José Márcio de Camargo, economista-chefe da Opus Gestão de Recursos e professor da PUC-RJ: - o que foi feito até o momento para incentivar a indústria é UM DESASTRE para o crescimento de longo prazo, já que as medidas tomadas reduzem a poupança ? no Brasil financiada por recursos externos ? e desencorajam a inovação em favorecimento de setores tradicionais.Essa agressividade contra o capital externo é muito complicada (PÉSSIMA, no meu entender), porque nossa taxa de poupança, de 16% do PIB, é muito baixa, opina. Sem um nível maior de poupança, diz ele, é muito difícil crescer de forma sustentável.Outra questão levantada pelos participantes do debate e que vai contra a indústria é a falta de preocupação do governo em relação à educação, problema deixado de lado pelas federações industriais. Essas entidades estariam empenhadas somente em combater entraves de curto prazo para o setor, essencialmente a moeda valorizada e o juro alto.Segundo Camargo, a marginalização desse tema é uma herança da era do presidente Getúlio Vargas, quando a qualificação foi separada da educação, com a criação de cursos técnicos que não exigiam nível básico de ensino. Além disso, discutir esse tema não está na pauta das associações de empresários porque eles estão visando aumentar a produção no curto prazo.AS CAUSAS PERMANECEM INTACTAS
Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda e sócio-diretor da Tendências, acredita que o debate para salvar a indústria está organizado em torno de juros altos e câmbio valorizado porque estes são exatamente os pontos nos quais o governo pode atuar com maior facilidade, ao contrário de questões mais relevantes, como a reforma tributária e trabalhista e investimentos mais eficazes em educação. Em suma: o governo atacou, mais uma vez, a consequência, deixando intactas as causas. Pode?QUINTAL DA ECONOMIA
Suponho que a partir das últimas notícias a respeito do esgotamento do endividamento das famílias brasileiras, o grupo dos mais céticos vai diminuir. Até porque está mais do que evidente que a farta plantação de CRÉDITO que os governos Lula e Dilma semearam no quintal da nossa economia está contaminada por um índice crescente de inadimplência.SOLO ECONÔMICO
Um dos males que esta COLHEITA oferece, pra lá de conhecida pelo mercado, é o enfraquecimento do solo econômico, que por sua vez reserva enormes dificuldades na proposição do crescimento das atividades no médio e longo prazo.PESQUISA
A atual inadimplência, como informa a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), identifica que o número de famílias paulistanas com contas em atraso é o maior desde setembro de 2007, segundo nota expedida pela Fecomércio-SP.ESGOTAMENTO
De acordo com levantamento, 21,8% dos moradores da capital, o equivalente a 782,8 mil famílias, estavam inadimplentes em abril. Em setembro de 2007, o total de famílias com contas atrasadas era de 23,5%.DOSES DE CRÉDITO NAS VEIAS
Ao perceber que a encrenca promete se avolumar, o governo socialista brasileiro entendeu que inadimplência se cura com aplicações de fortes doses de crédito nas veias. Daí o corte dos juros dos bancos estatais, que possibilitará uma renegociação dos débitos a taxas menores, além de estimular a tomada de novos empréstimos.BOMBA
Nada mais óbvio, portanto, de que estamos diante de uma bomba de efeito nem tão retardado. Como as famílias já estão pra lá de endividadas, quanto mais o governo estimular a concessão de crédito, tanto maior será o estrondo. Pode?MODELO DE CRESCIMENTO
Como bem diz o professor Bergamini (Grupo Pensar), todo modelo de crescimento baseado no aumento do crédito passa por esse tipo de esgotamento. Como o governo está tentando fazer um subprime de juros no Brasil, para aumentar a capacidade de endividamento das famílias, em algum momento esse modelo explode.ILHA DE PROSPERIDADE
Mais: o Brasil já passou esse tipo de crescimento (excesso de crédito) no período dos governos militares, com um crescimento médio na base de 10% ao ano. À época, os governantes afirmavam que o Brasil era uma ilha de prosperidade cercada de crises por todos os lados. Quando a crise chegou ao Brasil, no início da década de 1980, ficamos patinando na maionese por mais de 20 anos (com inflação e crescimento baixo). Que tal?ELEIÇÕES NA FRANÇA
Nada há de mais importante neste momento do que a vitória do socialista François Hollande, eleito ontem como novo presidente da França. Principalmente, porque as decisões dos destinos da União Europeia dependem quase que exclusivamente das vontades de dois países: Alemanha e França.MAIOR TRIBUTAÇÃO
Com a vitória de François Hollande, o socialismo volta a dominar o país, que tem grande peso político na região. Isto significa que, entre tantas incertezas que a eleição de um novo presidente normalmente promove, uma coisa parece muito certa: a tributação vai aumentar.PROMESSA
Enquanto os franceses ainda vão precisar aguardar alguns dias para ver esta providência se confirmar, uma outra o novo presidente já havia prometido, quando disse que após a confirmação de sua vitória enviaria um memorando aos presidentes de todos os países da União Europeia pedindo a renegociação do tratado fiscal europeu. Foi o bastante para deixar os mercados bastante nervosos.REUNIÃO DE CÚPULA
Isto significa que François Hollande não vai esperar a reunião de cúpula da União Europeia, prevista para os dias 28 e 29 de junho, em Bruxelas. Ainda não se sabe como os demais países vão reagir. Mas é sabido que a Alemanha não vai concordar, o que já é um grande problema.PACTO FISCAL
É pra lá de sabido que a negociação do Tratado Fiscal (considerado uma Lei de Responsabilidade Fiscal) foi extremamente difícil embora necessária para garantir a existência do Euro. Mesmo que o pacto seja mantido, só o fato de Hollande querer flexibilizar o que foi acordado já basta para deixar as economias em alerta.PRETENSÕES PERIGOSAS
Como é de praxe, os presidentes de quase todos os países que são regidos pela democracia do voto já parabenizaram o novo presidente da França, pela vitória nas urnas. Isto, no entanto, não significa que todos estão de acordo com as declarações de Hollande sobre suas malucas e perigosas pretensões.A ORIGEM DA CRISE
Ninguém pode discordar que exatamente por falta de austeridade a Europa mergulhou nesta imensa crise. Ora, como o socialista Hollande disse ontem, no seu primeiro pronunciamento, que reduzirá medidas de austeridade, a lógica nos conduz a um raciocínio claro: o novo presidente da França gosta de crise e não quer que ela vá embora tão cedo. Nada disso surpreende. Afinal, todo socialista adora ver a economia destruída, não?VIAGEM ATÉ NAPA VALLEY
Satisfeito o sonho de consumo (do tipo que se faz uma única vez) trato de aproveitar o tempo restante para rever alguns pontos deste lado do país. Assim, depois de uma longa viagem, pela A5, chego a Napa Valley, importante região dos vinhedos dos EUA.IRRIGAÇÃO
Ao longo da A5, que liga Los Angeles a Napa Valley, pelo interior, são mais de 600 km onde a paisagem é praticamente a mesma: enormes fazendas dedicadas à agricultura e à pecuária, todas servidas por sistemas de irrigação. Cansei de ler as placas informativas do tipo: NO WATER, NO JOB. Que tal? O que dói é o fato do Brasil ter sido descoberto no mesmo momento que os EUA sem o mesmo resultado.VINÍCOLAS
Como disponho de pouco tempo para visitar mais do que duas vinícolas escolhi, de forma aleatória, a Domaine Carneros by Taittinger, e a Castello di Amorosa Winery. Como mero apreciador, os vinhos e espumantes que degustei foram ótimos. Ah, um detalhe: perguntei ao enólogo se os produtores da região tinham em mente pressionar o governo dos EUA, com o propósito de impor uma reserva de mercado para o vinho americano. Além de não responder, o enólogo ainda fez uma cara estranha, sugerindo que a minha pergunta tinha sido estúpida. O que, aliás, tem muito sentido. Menos no RS, certo?GRAN FINAL
Para concluir esta deliciosa viagem de retorno a Los Angeles, de onde sigo para o Brasil, não deixo de passar por Sausalito e San Francisco. E reservo a última parte, como gran final, para percorrer a maravilhosa A1 (estrada costeira), que passa por Monterrey, Carmel e Santa Bárbara. Entendo que escrever sobre estas maravilhas do litoral do Pacífico é procurar inveja por todos os lados. Aí, o que me resta é sugerir que façam a viagem. Entretanto, desde já adianto: é bom demais, gente...CONFISSÃO
Confesso, com toda humildade, que a cada viagem que faço, mais aumenta a minha vontade de nunca mais voltar ao Brasil. Pode parecer estranha esta declaração, mas é isso mesmo. Não fossem as barreiras impostas pela imigração, com certeza já teria desertado do Brasil, junto com toda a família. Além de poder exercitar, cotidianamente, a CIDADANIA também ficaria livre da exploração tributária, de tanta corrupção e de tanto desperdício de dinheiro público.INFRAESTRUTURA
Quem viaja pelas inúmeras e fantásticas estradas dos EUA percebe o que é, de fato, a tal de infraestrutura rodoviária, que simplesmente não existe no nosso pobre Brasil. Mais: em todas as estradas, os viajantes tem à disposição uma fantástica estrutura turística, como shopping centers, hotéis de todas as bandeiras, restaurantes de todos os tipos de comida e diversos postos de combustíveis. Algo que, infelizmente, não veremos no Brasil, sem qualquer ironia, nos próximos 100 anos.VEÍCULOS IMPORTADOS
Ah, só para concluir: a quantidade de veículos importados existentes nos EUA é simplesmente astronômica. E nem por isso o governo pensa em propor cotas de importação. Incrível, não? Pois é gente, aqui nos EUA, se os consumidores dão preferência por produtos importados é porque a indústria nacional não produz aquilo que o mercado quer, nem o que oferece mais satisfação.