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O POVO VOTA COM A BARRIGA - 30.06.22


por Alex Pipkin

 

Não tenho nenhuma brecha de dúvida de que a grande maioria do povo “vota com a barriga”.

Em última análise, o povo escolhe seu candidato à presidência em função da situação econômica.

Nesse sentido, e de acordo com alguns analistas políticos, as pesquisas eleitorais no Brasil têm refletido os efeitos da alta inflação, especialmente, e justificam a liderança do ex-presidente Lula da Silva.

Parece haver consenso de que a inflação é um fenômeno global, sobretudo em razão da pandemia da Covid-19 e dos desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

Penso que, sem dúvida, há variáveis globais que a explicam, porém, muitas vezes passam despercebidas as políticas implementadas por governos específicos, a fim de estacar a inflação e retomar a rota do crescimento.

Os EUA, por exemplo, vive uma alta da inflação inédita, com 8,6% em maio, reduzindo a renda e empobrecendo as famílias americanas, com grandes chances do país entrar em uma situação de recessão.

Os motivos desse panorama, devem-se as políticas do governo Biden de impulsionar enormes gastos governamentais, inclusive na condição pandêmica, e a demora no aumento das taxas de juros.

Aqueles dotados de conhecimento econômico efetivo, já haviam previsto o inferno na torre americana. Não importa, essa turma parece sempre colocar o foco no “progressismo social”, ao invés de por naquilo que tem que ser realizado prudentemente na esfera econômica.

Pelas bandas verdes-amarelas, embora se conviva com alta inflação, desemprego e fome, as políticas adotadas pelo PR e sua equipe de governo são, felizmente, outras.

O PR se posicionou contra a “festa dos lockdowns, e a economia a gente vê depois”, e na medida do possível, mesmo com o necessário auxílio emergencial, apoiou o incansável defensor do teto de gastos, o ministro Paulo Guedes.

Apesar da alta inflação, o país vem crescendo e, segundo Guedes, o Brasil poderá entrar em um ciclo de crescimento longo de 3% ao ano.

As previsões do Banco Central e de Guedes são de que a inflação começará a cair, e com isso, o país deverá crescer 2% neste ano.

De alguma maneira, a política fiscal demonstra uma queda nos impostos - que precisam ser simplificados -, além de um aumento significativo de arrecadação. O Brasil tem a seu favor o fato de ser vocacionado para o agronegócio, além de ser um polo atrativo para investimentos no setor de infraestrutura. Evidente que para tanto, é necessário melhorar a questão da segurança jurídica.

Muito embora a boa notícia seja a de que o desemprego esteja caindo, esse ainda é alto e, portanto, são necessárias uma série de reformas, que envolvem a transformação da educação e o estímulo ao envolvimento das empresas nacionais nas cadeias globais de suprimentos, por exemplo.

Sou totalmente contra a interferência do governo nas estatais - claro que é essencial privatizá-las -, mas o PR, centrado no problema das pessoas, “agitou” e logrou reduzir tributos, a fim de fazer baixar o preço dos combustíveis e da energia.

Sim, o povo “vota com a barriga”, a crise é real, porém, não se pode acreditar em Coelhinho da Páscoa e hipotecar o futuro do país.

O candidato ex-presidiário já verbalizou que se eleito irá acabar com o teto de gastos e impulsionará uma ampla agenda de gastos governamentais, justamente o oposto daquilo que o conhecimento econômico recomenda para o ajuste das políticas fiscal e monetária. O semianalfabeto e analfabeto econômico, não aprendeu nem com a cadeia.

Verdadeiramente, ele e os mais de Quarenta Ladrões, estão centrados nas “vitais questões progressistas”, tais como a regulação da mídia, as causas LGBTQIA+, o controle de armas, enfim. Claro, continuam com o encantador papinho morfético do “O Petróleo é Nosso”, e são contra as privatizações.

Não, não estamos bem, mas num mundo real, para lá das bravatas e dos devaneios, imaginem como ficaria a inflação e os preços dos bens, dos alimentos e dos combustíveis, com uma equipe de ignorantes econômicos e incompetentes - e alguns mal-intencionados - retornando a cena do crime.


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INDESCULPÁVEL - 27.06.22


Por Percival Puggina

 

“Eu gostaria muito de ter o direito de votar em alguém que corresponda à imagem que faço de um presidente”. (Opinião muito “fofa”, lida e ouvida por aí)

 

         Sinto muito, senhor, mas seu catálogo de príncipes perfeitos não está disponível.  O que a casa tem a oferecer está na mesa dos fatos. Aliás, saiba que o senhor não está só, infelizmente. O presidencialismo e semipresidencialismo têm produzido esse quadro ao longo das décadas mundo afora. Nos Estados Unidos, a eleição presidencial (onde os eleitores que decidem são os do colégio eleitoral) terminou com uma diferença de seis milhões de votos entre Biden e Trump. A abstenção chegou a 64 milhões!

 

Na Argentina, os ausentes, os nulos, os brancos, os aborrecidos e amuados somaram oito milhões de eleitores. Como resultado, o destruidor geral da nação Alberto Fernández venceu Macri por dois milhões de votos. No Chile, o comunista Gabriel Boric venceu a eleição por uma diferença de 6% sobre José Antônio Kast, com uma abstenção de 45%! No Peru, ausentaram-se oito milhões de eleitores e a esquerda venceu a eleição por 40 mil votos. Na Colômbia, 43% do eleitorado ficou no sofá e o guerrilheiro comunista Gustavo Petros, que vai dirigir o país, venceu o pleito por uma diferença de 3%.

 

A omissão não ensina, não protesta e nada muda. Não tira o omisso da lista de pagadores da conta. Subscreve, referenda e aceita, silenciosamente, o que outros decidiram. Na verdade, preserva ao omisso seu direito ao sofá de onde talvez nunca tenha saído.  

 

Enquanto esse eleitor acalenta seu aborrecimento, todo o ativismo midiático, judicial, funcional, educacional, cultural, corrupto e do crime organizado se articula em torno do candidato que quer retornar à cena do crime.


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Cada um “milita” no que quiser, mas Educação não é para isso - 21.06.22


Por Percival Puggina

 

A providência legislativa barrando a linguagem neutra nas escolas de Porto Alegre fazia-se mais do que necessária. Era uma questão de respeito à lei, aos colegiais e à tarefa de educá-los. Ninguém nega o direito de cada um “militar” nas causas em que crê. Mas Educação é coisa séria e o educando demanda responsabilidade de quem se propõe a fazê-lo sendo pago para isso.

A linguagem de gênero não é uma forma de comunicação moderninha nem um suposto avanço na dinâmica da linguagem como astutamente afirmam aqueles que a pretendem difundir. Longe de ser um fim em si mesma, ela introduz de modo prematuro e prejudicial a temática da ideologia de gênero nas escolas. Foi pensada como uma gazua estratégica para abrir o ferrolho estabelecido nas incontáveis vedações legislativas a essa ideologia nos três níveis de organização da Federação.

Não posso escrever sobre o assunto sem dizer que percebo a forma insidiosa como certas seitas políticas vão capturando fieis e fazendo cabeças, mesmo que, para profaná-las, seja preciso usar o privilegiado espaço das salas de aula durante inteiros anos letivos. As consequências são visíveis nos deprimentes resultados do nosso sistema de ensino e nos espaços em que tais seitas “militam”. Enquanto as estatísticas reafirmam isso em frequência anualizada, os pais o constatam nos problemas que estão enfrentando.

Na última sexta-feira, foi publicada no Diário Oficial a sanção do prefeito da capital gaúcha ao projeto que proíbe a linguagem neutra nas escolas e na comunicação da municipalidade.

O projeto tem a autoria dos vereadores, Fernanda Barth (PSC), Hamilton Sossmeier (PTB), Alexandre Bobadra (PL), Nádia Gerhard (PP), Ramiro Rosário (PSDB) e Tanise Sabino (PTB), Jessé Sangalli (Cidadania). Meu aplauso à maioria da Câmara Municipal, aos autores do projeto e ao prefeito.

É óbvio que os militantes não desistirão. Eles jamais desistem e é por isso que avançam em seus intentos valendo-se da passividade natural das famílias e das instituições.


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TENTATIVA E ERRO - 20.06.22


Por Roberto Rachewsky

 

Margareth Thatcher foi a melhor líder que o mundo ocidental viu governar desde que Calvin Coolidge presidiu os Estados Unidos da América entre 1923 e 1929. Governou o Reino Unido por 11 anos, tempo suficiente para livrar os britânicos do socialismo, ideologia que trouxe decadência moral e econômica. A Dama de Ferro, como era conhecida, tinha uma visão utilitarista da democracia. Afirmava que este sistema não garantia a condução dos melhores ao poder, mas permitia que os piores fossem tirados de lá. Democracia é uma espécie de aplicação política do método empírico de tentativa e erro, tentativa e erro, tentativa e erro. Aqui no Brasil, de tempos em tempos, temos tentado e errado, tentado e errado, tentado e errado. Por que o sistema democrático brasileiro não entrega resultados melhores como vemos acontecer em países mais desenvolvidos? Respondo a pergunta com uma citação da própria Thatcher: "Ser democrático não é suficiente, uma maioria não pode transformar o que está errado em certo. Para serem considerados verdadeiramente livres, os países também devem ter um profundo amor pela liberdade e um respeito permanente pelo Estado de Direito.". Infelizmente, o Brasil é um país cujo povo está conformado com o seu papel de vítima que sanciona seus algozes. O estado brasileiro tem se comportado como uma organização criminosa que se utiliza da força para controlar e espoliar aqueles que lhe concederam o monopólio da coerção, imaginando que seriam protegidos da violência. O governo em todas as suas instâncias e jurisdições tem violado direitos individuais que são inalienáveis. Os direitos à vida, à liberdade, à propriedade e à busca da felicidade que todo indivíduo é dotado, não podem estar à mercê de ninguém, nem daqueles que foram eleitos democraticamente para cargos no Executivo e no Legislativo, nem daqueles que têm poder contramajoritário para defenderem o Estado de Direito à revelia do que pensa a maioria da população, como é o caso dos integrantes do Supremo Tribunal Federal. Vamos seguir tentando e errando, tentando e errando, tentando e errando até o dia em que cada brasileiro amar a liberdade e os que detém o poder coercitivo por outorga do povo, entenderem que Estado de Direito é o império das leis, criadas para protegerem nossa vida, liberdade e propriedade.


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POSSO FALAR? 13.06.22


Por Percival Puggina

 

         Volta e meia essa pergunta se apresenta à minha mente quando escolho certos assuntos... É incerto o espaço de liberdade de que dispomos. Há autoridades que não convém contrariar. Elas estão convencidas de que, assim, protegem o Brasil de autoridades que não convém contrariar.

         1. A sociedade e a confiança nas urnas eletrônicas como elas são hoje.

Tenho diante dos olhos a pesquisa Datafolha, conforme publicada pelo site G1 (27/05) a respeito da confiabilidade das urnas eletrônicas. O resultado da pesquisa, apresentada sob o título “73% dos brasileiros confiam na urna eletrônica”, é arrasador: 42% confiam muito, 31% confiam pouco, 24% não confiam e 2% não sabem. A malandragem da informação está em relação ao lado para onde é contado o termo médio. Pelo viés oposto ao adotado, a manchete seria “55% dos brasileiros não confiam na urna eletrônica!”.

Confiar pouco na urna eletrônica é não confiar; confiar pouco na fidelidade da esposa é não confiar; confiar pouco em determinada empresa é caminho para o encerramento de suas atividades; confiar pouco num senador é certeza de voto em seu adversário; confiar pouco na urna eletrônica é sinal de pouca confiança.

Então, eu redigiria assim o título da matéria sobre a referida pesquisa (Datafolha, note-se bem): “Apenas 41% dos eleitores brasileiros confiam na urna eletrônica tanto quanto os ministros do STF”. Ainda que desconhecêssemos o significado real do termo médio, é importante observar que os 24% que confiam nadinha nos aparelhos atuais, representam 36 milhões de eleitores que irão às urnas.  

Devido a esse sentimento, diferente do que o STF expressa, sucessivas legislaturas têm aprovado projetos de urnas com impressoras que o STF derruba, direta ou indiretamente (como Roberto Barroso fez no ano passado).

         2. Voto é coisa que se conta.

Nelson Rodrigues diria que a frase acima é o “óbvio ululante”. Ela foi reiterada ontem pelo presidente ao afirmar a uma repórter que o contestara dizendo não haver prova de fraude nas eleições nacionais: “Não se pode provar o que não se pode auditar”, ou seja, não se pode contar. A auditoria em determinado percentual de urnas aleatoriamente escolhidas seria suficiente para mudar por inteiro a confiabilidade do processo de apuração e apaziguar o ambiente institucional do país.

         3. O que não falta nesse tema são agravantes.

Ao contrário do que o bom senso recomenda na voz das ruas e das praças, a insegurança em relação aos processos de nossa democracia se agrava com a imposição de silêncio sobre o tema. Se agrava com a ativa instrumentalização do inquérito das fake news. Se agrava com a conduta antagônica de pelo menos nove ministros do STF que não ocultam seu desejo de ver pelas costas o presidente da República. Se agrava, por fim, quando a condução do processo eleitoral é confiada ao mais iracundo ministro, indisfarçável inimigo pessoal do presidente.  

         4. Tudo que começa errado desencadeia erros em cascata.

É o caso. Todas as tentativas de estabilizar o que foi sendo teimosamente desestabilizado não fizeram mais do que ampliar a incerteza, a insegurança e a instabilidade.


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