Espaço Pensar +

NÃO DESISTIREMOS! - 30.10.26


Ótimo texto do jornalista e ecnomista Silvio Lopes

 

        O voto não é simplesmente uma ação inerente às democracias, mesmo naquelas em que(caso da  nossa), a democracia seja  relativa(?), se é que me entendem. O voto é(ou deveria ser), o símbolo mais nobre e objetivo dela(em tese). A Grécia antiga jamais sancionaria uma democracia que sequer cogitasse submeter ao voto "um ser tão abominável e sem caráter" como tem acontecido num país do extremo Sul da América. Impensável.

      Isso acontece por estas bandas, pela simples razão de que a idiotice se reproduz na amplidão do povo eleitor. Não por nada, Franz Kafka foi categórico: " Um idiota é um idiota; dois idiotas são dois idiotas; milhares de idiotas formam um partido político". E seus eleitores, acrescento.


       Por acurada premonição, pelo visto, o escritor alemão Franz Kafka (1883-1924), já antevia o surgimento de um certo partido político de trabalhadores bem ao sul da linha do Equador!.

      Impossível deixar de lembrar do livro Casa Grande & Senzala, de Gilberto Freire, um clássico de nossa literatura. Se lá atrás o objetivo era combater a escravidão braçal e de cor, hoje o Brasil padece da "escravidão mental" de vasta parcela de seu povo. E essa é, aqui prá nós, muito mais complicada de extirpar. Quando dela nos libertar(Deus nos ajude nessa empreitada!), aí sim estaremos abrindo o caminho para tornar este país numa verdadeira grande nação.

      O resultado da eleição recente nos dá a dimensão exata do desafio que enfrentamos. Um povo inculto e carente de valores éticos e morais, (como o brasileiro), jamais elevará à glória sua própria nação, senão que à exporá ao ridículo e a condenará a ser eterna pária entre todas as nações. Como, aliás, tem sido há décadas. É a triste realidade que mais essa eleição expôs pro mundo.

        Ás vezes dá um desânimo imenso! Mas jamais iremos deixar de lutar. Somos a parcela sadia da sociedade, e isso, por si só, nos conforta ao saber que sairemos vencedores. O bem vence o mal! É bíblico.


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RECUAR PARA CONTINUAR - 29.10.26


 Por Dagoberto Lima Godoy

 

Há momentos em que a coragem exige permanecer; em outros, sobreviver para prosseguir na luta. 
Em 622, Maomé deixou Meca sob perseguição e estabeleceu em Medina a comunidade que sustentaria a expansão do Islã. Séculos depois, refugiado no castelo de Wartburg, Lutero traduziu o Novo Testamento para o alemão, ampliando o alcance da Reforma. Bolívar encontrou no Haiti apoio para retomar suas campanhas pela independência. Em 1940, de Gaulle partiu para Londres e organizou a França Livre. Oliver Tambo conduziu do exterior parte essencial da luta contra o apartheid. O Dalai Lama preserva no exílio a voz e as tradições de seu povo. 
São causas e trajetórias distintas, mas todas ajudam a compreender que uma retirada pode preservar a capacidade de resistência.
Rui Barbosa buscou no exílio proteção contra a perseguição política durante o governo de Floriano Peixoto. De Londres, continuou a defender as liberdades e a criticar os rumos da República nos textos reunidos em Cartas de Inglaterra. Fernando Henrique, ameaçado após 1964, encontrou no exílio condições para continuar seu trabalho intelectual. Ao regressar, participou da luta pela redemocratização e chegou à Presidência.
O refúgio, por si só, não demonstra coragem nem covardia. Seu significado se revela no que vem depois. Quando a retirada permite reconstruir a ação pública e manter o compromisso com o bem comum, ela se torna expressão de resiliência cívica: a capacidade de atravessar a adversidade sem abandonar a responsabilidade perante a comunidade.


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OS VIRTUOSOS DO NAUFRÁGIO - 23.10.26


Por Alex Pipkin

 

Existe um barco chamado Brasil. No convés superior, a elite estatal, acadêmica e artística discursa sobre igualdade enquanto, evidente, tranca suas cabines. No porão, o povo recebe migalhas do eterno pai dos pobres e agradece por continuar remando. O segredo é muito simples. O lulopetismo precisa que os pobres permaneçam filhos.
A academia, convertida em catedral da consciência superior, decidiu que democracia é a vitória permanente de suas ideias. Se a esquerda vence, o povo decidiu; se perde, o povo foi enganado. Para essa aristocracia do Lattes, aprovar uma lei conservadora é autoritarismo; aparelhar o STF e silenciar divergentes são apenas “cuidados contra o fascismo”.
Cármen Lúcia sintetizou a fórmula, declarando inadmissível a censura “sob qualquer argumento”, para logo chancelá-la sob a justificativa de uma “situação excepcionalíssima”. A liberdade tornou-se concessão temporária do Estado.
O populismo escrachado vai muito além. Lula anunciou que a mobilização de estudantes, mulheres e trabalhadores o obrigará a adotar “um novo jeito de governar”. No idioma demagógico, a rua deixa de pressionar o poder e passa a servir de salvo-conduto. Uma eleição autoriza governar sob a Constituição, não reinventá-la em nome da multidão. 
Bingo. Golpes raramente se anunciam como tal; apresentam-se como participação popular, a expressão da “democracia”.
A grande imprensa é a orquestra do navio. Enquanto o casco estala, enxerga ameaças à direita com microscópio, mas fica míope quando o autoritarismo vem por bombordo. Não informa; escolta.
Na ponte, benefícios são distribuídos como presentes pessoais. Comprar votos com dinheiro público? Jamais. Chama-se sensibilidade social. A conta fiscal chega depois; o voto chega antes. É caridade e a virtuosa sinalização de virtude com o bolso alheio.
Cada grupo imagina ter um bote exclusivo. O funcionalismo confia no contracheque; o militante, na causa; o artista, no edital; a burguesia culpada compra indulgência na primeira classe. E o pobre? Ah, o pobre recebe um colete furado para reverenciar o capitão que o afunda.
Essa coalizão privatiza as benesses e socializa o naufrágio. O casco, porém, é um só.
Quando a água cobrir o convés, os virtuosos prenderão quem apontou o furo, a orquestra culpará o mar e o capitão chamará o afundamento de vitória da democracia.
Domingo, o Brasil decidirá se tapa o rombo ou agradece ao capitão pela água.


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A FARSA DO DESCONDENADO - 21.10.26


Por Alex Pipkin 

 

Luiz Inácio não foi absolvido do mérito das acusações. Suas condenações foram anuladas pelo STF. Claro, claro, foi reconhecida a suspeição do juiz em processos da Lava Jato.
Agora, depois dessa epopeia jurídica, apresenta-se como professor de moralidade republicana. Sua primeira lição? Só abre os próprios sigilos se o adversário abrir os dele.
A autorização foi protocolada. A condição também. O “pai dos pobres”, pelo visto, inventou a transparência por correspondência, em que primeiro cobra do outro, depois decide o que mostrar da própria vida.
É uma concepção bastante adaptada de prestação de contas. A alma mais honesta desse mundo transforma sua responsabilidade em desafio eleitoral, como se a obrigação de dar explicações pudesse ser terceirizada ao adversário. Uma inovação e tanto na arte de exigir virtude alheia.
A claque conhece a deixa: “Flávio tem que abrir!”. Que abra, dentro da lei. Mas desde quando o sigilo de Flávio substitui uma explicação de Lula?
Lula tenta fabricar um fato novo, tirar o foco de sua desastrosa gestão e transformar transparência em espetáculo eleitoral. O velho truque de quem prefere fiscalizar a consciência alheia a responder pelas próprias escolhas. Aliás, extremamente conhecidas.
Se a intenção é passar o país a limpo, melhor não economizar detergente.
Vamos examinar as contas do Instituto Lula? Apurar eventuais suspeitas fundamentadas envolvendo laranjas e operadores políticos? Investigar, dentro da lei, os negócios de Lulinha, o conhecido “Ronaldinho dos negócios”? Nada de condenações por insinuação, mas também nada de absolvições por devoção partidária. Documentos na mesa. A fé fica para os templos.
Enquanto isso, Lula continua devendo explicações sobre sua incompetente gestão. Contas públicas, entraves à produção, insegurança nas ruas e serviços de saúde não melhoram com discursos sobre virtude. Depois de quase duas décadas de governos petistas, a promessa de “tirar os pobres da pobreza” continua sendo anunciada como novidade. Será que nós brasileiros somos mesmo palhaços?
O eterno “agora vai” do próximo mandato. É a retórica que alimenta a dependência estatal enquanto vende emancipação em prestações eleitorais.
Cobrar transparência da oposição é legítimo. Mas Lula continua devendo uma resposta elementar: quais informações serão efetivamente examinadas, por quem e com que alcance?
Ele pode escolher o adversário, o discurso e a ocasião para posar de exemplo republicano. O que não pode é transformar a própria disposição de prestar contas em prova de inocência ou superioridade moral.
No Brasil da moralidade seletiva, até a transparência se transformou em espetáculo de conveniência.
Lula quer aplausos por anunciar o que deveria demonstrar. É a velha especialidade da casa da cor do sangue, onde se vende virtude no discurso e se deixa a comprovação para depois.
Eita, Brasil! Por aqui, até para prestar contas o sujeito apresenta as contas dos outros. E ainda quer reconhecimento pela republicana demonstração da própria honestidade.


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EXTERMINANDO O FUTURO ECONÔMICO DO BRASIL - 19.10.26


A propósito, eis aí o irretocável texto do pensador e jurista Ives Gandra Martins:

 

Diante do descalabro da atual gestão de Lula no que diz respeito às finanças públicas, resolvi reforçar um alerta que vem sendo feito por economistas, jornalistas, professores, juristas e especialistas: o governo que assumir os destinos do Brasil em 2027 terá de aplicar um choque econômico dramático sobre o povo brasileiro.
O presidente Lula entregará o poder ao próximo presidente ou, se for reeleito, enfrentará uma gestão absolutamente descompassada do ponto de vista financeiro. A dívida do Brasil está crescendo cada vez mais, e a atividade econômica, caindo progressivamente. Os juros estão sempre altos, e não há condições de serem reduzidos.
O Brasil hoje deve o equivalente a 83% do PIB nacional, e isso terá de ser pago. Calcula-se que esse número deverá aumentar até 2029, se o país continuar nesse ritmo.
O governo anterior, do presidente Bolsonaro, deixou as contas com um superávit de R$ 54 bilhões, que o atual governo Lula fez desaparecer já no primeiro ano. Ao continuar gastando compulsivamente, o Executivo vem gerando déficits sucessivos. Isso mostra que esse descompasso, este desgoverno, este descalabro e essa desastrosa política financeira de gastar sem controle e sem receita correspondente vão gerar um imenso caos.
Se o Congresso Nacional e a sociedade civil não impuserem barreiras firmes à gastança desmedida e à erosão da responsabilidade fiscal, o Brasil continuará a ser o país do futuro que nunca chega – condenado a pagar eternamente a conta do populismo
Na Assembleia Nacional Constituinte, participei da comissão que tratou do setor financeiro e fui ouvido em diversos momentos, particularmente no que diz respeito ao Título VI da Carta Magna (da Ordem Financeira e Tributária). Nós, que integramos a comissão, especialmente o jurista Décio Miranda, dizíamos: “Agora não haverá mais déficit, porque a Constituição estabeleceu que nada pode ser feito sem os recursos devidos; é preciso ter as fontes necessárias”.
Entendíamos, pelo texto dos artigos 165 a 169 da Constituição Federal, que o endividamento seria uma exceção. Jamais imaginamos um endividamento de tal proporção quanto o que existe hoje, transformado em algo tão normal, natural e corriqueiro a ponto de crescer continuamente. Esse quadro se reflete na Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que atingiu 82% do PIB recentemente (82,9% do PIB, equivalente a R$ 11,1 trilhões, em agosto de 2026, segundo dados oficiais divulgados pelo Banco Central) e deve ultrapassar 83% até o fim do ano.
Cabe recordar aqui as palavras certeiras do embaixador e economista Roberto Campos, que sintetizou com precisão cirúrgica os perigos da hipertrofia estatal e da irresponsabilidade orçamentária: “O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar.” Quando os governantes se julgam acima dos limites aritméticos impostos pela realidade, o Estado deixa de ser o indutor do progresso para se tornar o grande devorador da riqueza nacional.
Essa marcha irresponsável rumo ao abismo fiscal demonstra o desapego com a matemática elementar e com o próprio bem-estar das gerações vindouras. A ilusão demagógica de que o Estado possui recursos infinitos para custear o voluntarismo político invariavelmente desemboca no confisco silencioso promovido pela inflação, na carestia do crédito e no empobrecimento generalizado da população mais vulnerável.

A restauração do equilíbrio fiscal não é apenas uma diretriz econômica fria ou uma exigência de mercados financeiros; é um dever moral e uma imposição pétrea do texto constitucional. Se o Congresso Nacional e a sociedade civil não impuserem barreiras firmes à gastança desmedida e à erosão da responsabilidade fiscal, o Brasil continuará a ser o país do futuro que nunca chega – condenado a pagar eternamente a conta do populismo de hoje com o sacrifício do amanhã.
Não é possível que o presidente Lula não tenha percebido – após ser alertado por todos os grandes economistas, juristas e editoriais dos principais jornais do país – que levou o Brasil para a beira do precipício.
É preciso considerar que, se ele for reeleito com essa mentalidade de gastar sem a devida cobertura orçamentária, a economia sofrerá uma desaceleração ainda maior, com queda do desenvolvimento, e mais empresas entrarão em recuperação judicial.
Ao optar por expandir o gasto público sem freios e priorizar soluções arrecadatórias em vez de cortar despesas, o governo Lula aposta em um modelo esgotado de crescimento via intervencionismo estatal. Essa escolha deliberada de ignorar a prudência fiscal e sufocar o setor produtivo com impostos corrói a confiança dos investidores, eleva os juros e transfere para as próximas gerações uma conta impagável. Trata-se de uma política econômica que sacrifica a estabilidade de longo prazo em nome do populismo imediato.
Estamos realmente vivendo um momento da nossa história que me lembra o título de um filme protagonizado por Arnold Schwarzenegger: O Exterminador do Futuro. O atual governo está EXTERMINANDO O FUTURO ECONÔMICO DO BRASIL.


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