EUFEMISMO
Dizer que há espertos na política é um eufemismo. E dizer que o povo é pateta é outro eufemismo. Isto não exclui, entretanto, que na política não tenha patetas. O governador do RJ, Sergio Cabral, por exemplo, de acordo com o que lhe convém, veste, ora a roupa de esperto ora a de pateta.LINCHAMENTO
Ontem, o Brasil teve a oportunidade de confirmar esta fantástica mistura de Esperteza, Patetice com Estupidez governamental. Ao reagir à votação na Câmara Federal, que altera a repartição dos royalties do petróleo, o esperto governador Sérgio Cabral fez papel de pateta. Pateta Chorão. Aos prantos disse que a aprovação foi um ato de linchamento. O seu linchamento.OLIMPÍADAS
À época em que o Rio foi escolhido para sediar as Olimpíadas de 2016, Cabral vestiu o terno de Esperto. Aí não teve choro. Só risos. Usando o mesmo argumento de Cabral, aí o grande linchado foi o povo brasileiro, o Grande Pateta de sempre. Afinal, o povo foi condenado a pagar a conta da festa que será realizada no Rio em 2016.FUNDO DE DESENVOLVIMENTO
Voltando ao assunto petróleo, certo ou errado a Constituição diz que se trata de um bem da União. Como tal, os royalties nem deveriam ir para Estados e municípios. O mais correto seria criar um Fundo de Desenvolvimento com os tais recursos, coisa que já acontece em vários países, cujos povos são bem mais inteligentes e, por consequência, menos patetas, como aqui.LÓGICA DA ESTUPIDEZ
Como em todos os níveis de governo, os mandatários pleiteiam recursos com o propósito de criar mais despesas correntes, os parlamentares votaram pela distribuição igualitária dos royalties. Dentro desta lógica estúpida dos governantes ainda é o mais correto.TÍTULO DESTA EDIÇÃO
Diante do resultado obtido com a votação na Câmara, a sociedade brasileira presenciou as situações colocadas no título desta edição, a saber: AEstupidez
dos deputados que não propuseram a criação de um Fundo específico para os royalties do petróleo;AEsperteza
de Sérgio Cabral, que tudo queria para o Rio;APatetice
eterna do pobre povo brasileiro que não sabe reivindicar coisa alguma; e, finalmente, O Pateta Chorão ? papel desempenhado pelo Esperto Cabral, com o propósito de sensibilizar idiotas.SEM CHORO NEM VELA
Fazendo, de novo, a comparação com as Olimpíadas de 2016, que foi vendida como uma conquista brasileira, o que é falso, o governador Cabral deu de esperto. Como os Jogos vão acontecer somente no Rio, os recursos públicos para bancar o evento vão para o seu Estado. Enquanto o RJ fica com o enorme bônus, os demais Estados e Municípios arcam, exclusivamente, com o ônus. Sem choro nem vela.LEITORES PASMOS
Depois que muitos empresários vieram a público manifestando total preferência eleitoral por Dilma Rousseff, inúmeros leitores/assinantes do Ponto Crítico não param de enviar mensagens mostrando total indignação. Para ganhar tempo com as respostas e/ou comentários faço uso desta edição.PERGUNTAS
Em forma de pergunta os leitores, atônitos, querem saber como é possível os empresários lamentarem, sistematicamente, o peso dos impostos, as taxas de juros, o câmbio valorizado, a burocracia absurda, o PNDH/3 e outros projetos bolivarianos e ainda assim preferem a candidata Dilma como presidente.DESCONHECIMENTO SOBRE ECONOMIA
A resposta, embora muito fácil, pode causar alguma surpresa pelo impacto. Tudo porque no Brasil ainda reina um forte desconhecimento sobre economia. O povo simplesmente desconhece que o sistema econômico em vigor no Brasil, desde a proclamação da República, é o Mercantilismo.SISTEMAS ECONÔMICOS
O Mercantilismo, para quem não sabe, é o mais legítimo conchavo estabelecido entre governo e empresários. E aumenta fortemente com o Nacionalismo. No Brasil, para esconder a nojenta cumplicidade, os interessados agentes públicos e privados espalharam uma mentira: rotularam a prática econômica de Capitalismo. Como repetiram isto à exaustão, o povo continua convencido de que o péssimo sistema adotado é o Capitalismo. Entretanto, o Capitalismo significa livre consumo individual onde há, também, livre concorrência. As atividades econômicas acontecem nesse ambiente de acordo com o simples desejo dos consumidores.SOCIALISMO
Embora convencido da dificuldade para mudar as cabeças equivocadas, ainda assim insisto: o Brasil ainda não teve o prazer de provar o Capitalismo e suas fantásticas vantagens. Enquanto a velha mentira permanece solidificada na mente do povo, já saturado com os efeitos obtidos com o Mercantilismo travestido de Capitalismo, mais ele fica tentado a conhecer, na prática, o Socialismo.PROGRAMA BOLIVARIANO
O governo atual, assim como será o próximo caso Dilma seja eleita, manterá a meta ideológica do PT: implantar definitivamente o Socialismo no Brasil. O discurso em defesa do crescimento do Estado é incontestável. Vem sendo, inclusive, repetido todos os dias, por Lula e Dilma. Bem de acordo com o programa bolivariano já em vigor na Venezuela, Cuba, Equador, etc.CONCHAVO
É inegável que existe um bom número de empresários arejados e totalmente favoráveis ao livre mercado. Mas a cumplicidade geral está a mil. Como ninguém quer ficar fora do conchavo, do Mercantilismo, a preferência está para a candidata Dilma. Até o momento em que o Estado assuma de vez a economia.Estamos perto de passar, enfim, para o Socialismo. Sem nunca ter conhecido o Capitalismo. Está respondido?SABIDO
Tanto para a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, quanto para as mais diversas entidades e os próprios cidadãos brasileiros, duas coisas já eram mais do que sabidas: 1- da existência do Custo Brasil; e, 2- do peso que ele representa para a produção interna.ANÁLISE CIENTÍFICA
Mas, para não ficar na eterna especulação numérica dos valores, relativos e absolutos, e querendo desvendar com clareza o tamanho da encrenca, a ABIMAQ foi além: encomendou um estudo científico para acabar com as dúvidas por ventura ainda existentes. Uma análise bem criteriosa do conjunto de fatores que contribuem para tirar a competitividade da nossa indústria, que há décadas nos incomoda.MATRIZ GLOBAL
Competitividade essa agravada, principalmente, depois que o Brasil aderiu à globalização, iniciada no governo Collor. Para quem não lembra foi quando o país resolveu se abrir para o mundo, ao invés de permanecer nas trevas como reza o atrasado programa nacional-desenvolvimentista.DECEPÇÃO TOTAL
Embora sabido que o Custo Brasil sempre foi alto, a decepção aumentou quando o estudo revelou o tamanho da brutalidade: o setor produtivo brasileiro tem custos 36,27% mais altos em comparação com as empresas dos Estados Unidos e da Alemanha.Eis os oito itens mais importantes, de uma lista de 30, que dificultam a vida de quem produz: os impostos, os altos juros, a burocracia, o excesso de regulamentações, a falta de investimentos em infraestrutura, os custos da energia e de insumos básicos e os encargos sociais e trabalhistas. Empresas daqui, assim como as de fora que operam no Brasil, repito, se defrontam há décadas com esses problemas. O estudo só esclarece o peso de cada um para uma comparação com a situação de duas potências mundiais.REVOLTA
O que mais me entristece, e me deixa revoltado, é que depois de divulgados números tão sérios e preocupantes os governantes permanecem insensíveis às mudanças. Ao contrário. Se já não bastasse o definitivo desinteresse por fazer reformas, o governo brasileiro vai mais além: para tornar ainda maior o insuportável Custo Brasil segue promovendo mais inviabilidade econômica competitiva.Vide o conjunto de propostas que estão sendo analisadas neste momento. Todas elas, como se sabe, elevam de forma brutal as já espetaculares despesas do governo. Como o Brasil já é pouco competitivo, com a aprovação das propostas a solução para financiar a estupidez é única: mais impostos.TONELADAS DE IGNORÂNCIA
Como o povo é provido de toneladas de ignorância, só por aí é perceptível a impossibilidade de entendimento da relação custo/benefício das propostas. E que a fonte de custeio é o tributo.O QUE INTERESSA
Como a estupidez já está gravada no DNA dos políticos e na ignorância da sociedade, que vibra com a gastança sem limites, ninguém vai se opor aos benefícios que estão sendo apreciados:Um novo programa de gastos para ser agregado ao Bolsa Família; o aumento de quatro para seis meses do período para a licença maternidade, obrigatório;
Enquanto isso apavora alguns poucos, a maioria do povo brasileiro só tem olhos para uma votação: aquela que elimina os participantes do BBB10. Pelo interesse do povo (mais de 70 milhões de votos) fica claro o que realmente interessa ao país.DISSIDENTE CUBANOS
Os amantes da liberdade de imprensa, ou simplesmente da liberdade e da democracia, estavam ansiosos por ler, na imprensa cubana, alguma notícia a respeito do dissidente Guillermo Fariñas, em greve de fome já há 14 dias no paraíso do Caribe. Principalmente, porque a morte de Orlando Zapata só foi divulgada seis dias depois, quando já restava somente o esqueleto do dissidente.DEU NO GRANMA
Ontem, finalmente, o Granma, conhecido como diário oficial de Cuba divulgou uma nota de esclarecimento. E, para não fugir à regra, bem de acordo com o regime que impera na Ilha. O governo ditatorial disse que Guillermo Fariñas era, além de agente dos Estados Unidos, um delinquente violento comum. Maravilha, não?LISTA NEGRA
A já esperada vontade do governo brasileiro, finalmente foi colocada em prática: saiu, ontem, a lista negra de produtos que deverão ser sobretaxados em retaliação aos subsídios empregados pelos EUA à produção de algodão.ÀS FAVAS
Ou seja, como o governo Lula-petista sempre teve em mente que deveria romper, de alguma forma, com os EUA, só faltava um motivo. Qualquer um. Como o algodão estava na prateleira das oportunidades para o ataque, a commodity acabou sendo usada como meio providencial para resolver o desejo do PT, de mandar os EUA às favas com repercussão mundial.ÓDIO E PRAZER
É possível, e natural, que muita gente entenda que neste caso o fundamento é comercial e não ideológico. Mesmo com uma boa ponta de razão, o peso do prazer, eternamente manifestado pelos petistas, falou mais alto na decisão. Uma soma, portanto, de prazer com ódio, sempre nutrido aos EUA.MAIS CARO
O resultado desta estúpida retaliação prometida já mostra o grande prejudicado: os consumidores brasileiros. Se ainda manifestarem interesse, ou necessidade, de adquirir os produtos atingidos pelas nova alíquotas vão precisar pagar muito mais caro.ESPORTE PREFERIDO
Para o governo, sempre insensível, isto é nada. Absolutamente nada. No entanto, caso a demanda ainda continue firme, a arrecadação de impostos será bem maior. Afinal, não é este o esporte preferido deste governo?Só para deixar claro: para os americanos o impacto da retaliação será, simplesmente ZERO. De novo: ZERO.DIA DA MULHER
Ontem, quando eu e minha esposa, Lúcia, conversávamos sobre a importância que a sociedade brasileira dá às homenagens que são prestadas aqui pela passagem do Dia Internacional da Mulher, mais uma vez ouvi ela repetir aquilo que pensa sobre o assunto.CONQUISTA OBTIDA
Mesmo sabedora do quanto conheço a sua forma de agir e pensar, ainda assim Lúcia fez questão de reafirmar, sempre de forma categórica, que cada um é livre para festejar o que bem entende. Considerando que vivemos na parte ocidental do mundo, Lúcia prefere não se incluir entre aquelas que discriminam a mulher atribuindo-lhe uma data comemorativa. Afinal, a sempre referida igualdade de direitos já foi conquistada. Há muito tempo.PRIVILÉGIO
Lúcia, antes de tudo, exige para as mulheres os mesmos direitos conquistados pelos homens. Exatamente por isto não aceita nem admite que cada direito adquirido se confunda e se transforme num privilégio. Daí a razão pela qual reprova, com unhas e dentes, que as mulheres tenham o privilégio, legal, de se aposentar com idade inferior à dos homens.APOSENTADORIA
O argumento de Lúcia é simples e certeiro: como a mulher vive, em média, bem mais do que os homens, não há razão para que o benefício seja concedido a partir dos 55 anos para as mulheres, enquanto que para os é 60 anos. Um duplo erro, portanto.PRECIFICADO
Para a Lúcia, e para todas as mulheres que têm discernimento e raciocínio, o salário das mulheres só é inferior ao dos homens porque as vantagens obtidas por lei acabam sendo precificadas. Ou seja: quanto maior o benefício concedido por lei, maiores os custos para o empregador. Coisa que, indiscutivelmente, precisa ser considerada na formação do salário.LICENÇA MATERNIDADE
O mesmo raciocínio usado no item aposentadoria, Lúcia também aplica à licença maternidade. Daí porque reprova o projeto que tramita no Congresso, que visa esticar, de forma obrigatória, de quatro para seis meses a licença absurda. O custo, obviamente, irá para a folha. Isto não é uma luta por igualdade. É uma luta para obtenção de um privilégio.PELA LIBERDADE
Concluímos, ao final da conversa, que não é a mulher que precisa ter uma data comemorativa. Aí fica parecida com o Natal, cuja data é esquecida tão logo os presentes são trocados e a ceia é servida. Quem precisa ser lembrada, dia após dia, é a humanidade. Independente de sexo, cor, religião e ideologia. Quem precisa mesmo ser lembrado é aquele ser humano que luta, ardorosamente, pela liberdade. Liberdade para que cada um faça o que bem entender. Desde que respeite os direitos e a liberdade do seu semelhante. Dito isto só me resta parabenizar todas as mulheres que lutam pela liberdade, pelos legítimos direitos humanos e pelo fim dos privilégios.AGOURENTO
Neste momento, o sujeito que ousar dizer que a economia brasileira já começa a enfrentar dificuldades passa a ser muito mal visto. Passa a ser tratado com antipatia e chamado de agourento, pessimista e, por consequência, do tipo que torce para que tudo dê errado.O FUTEBOL COMO EXEMPLO
Isto prova o quanto nós brasileiros somos ufanos e arrogantes. O futebol explica muito bem este tipo de comportamento, de soberba. Para mostrar o quanto isto é uma verdade basta insinuar que um outro país, qualquer que seja, está jogando um futebol melhor do que o nosso. A casa, simplesmente, cai em cima do insinuante.PAÍS DO PRESENTE
Desde o início de 2009, segundo as agências de notícias locais e internacionais, o Brasil deixou para trás o velho rótulo de País do Futuro. A crise mundial acabou por torná-lo o País do Presente, ocupando lugar de destaque na lista das grandes Nações mais confiáveis economicamente.GRANDE CAMPEÃ
Com o corpo e a mente da maioria do povo cada vez mais cheios de arrogância, de soberba e ufanismo, já entendemos que não bastava ser melhor no futebol e no carnaval. A nossa economia, pelo que as manchetes mundo afora diziam, também deveria desfilar na passarela como grande campeã.REFORMAS
Como o presente é o que realmente importa para os afobados, assim como entramos no ciclo da fartura de produção e de consumo movidos pela abundância de moeda e crédito, vamos encurtar o período de festas. Tudo devido à arrogância, que impede a realização das necessárias reformas. Reformas que poderiam dotar o país da pobre infraestrutura, além de torná-lo realmente competitivo.TERCEIRO MUNDO
Se a crise mundial foi quem nos colocou em situação de destaque, na medida em que ela vai sendo debelada, sem as reformas o Brasil será jogado para o lugar onde sempre esteve: terceiro mundo. E, como sempre, vamos procurar os culpados fora das nossas fronteiras. Como primeira culpada teremos a China, já muito comentada. Mas, certamente, não faltarão aqueles que sempre culpam os EUA por tudo que deixamos de fazer.PERDENDO FORÇA
Mesmo que venha a ser chamado de pessimista, ao menos serve de alerta a informação dada hoje pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), de que a recuperação econômica do Brasil perdeu força em janeiro, mês em que a economia mundial confirmou os sinais de retomada mostrados antes. O chamado indicador composto avançado, que serve sobretudo para marcar pontos de inflexão no andamento da conjuntura econômica, aumentou 0,8 ponto em janeiro em relação ao mês anterior no conjunto da OCDE, ficando 11,3 pontos acima da situação de um ano antes. No caso do Brasil, o indicador piorou 0,2 ponto frente a dezembro, mas se manteve 14,2 pontos acima do nível mostrado em janeiro de 2009.