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03 jul 2009

A PRECIFICAÇÃO DA JORNADA


TERMO

Precificação é o termo utilizado para identificar que tudo aquilo que acontece numa sociedade representa um ingrediente na formação dos preços dos produtos e serviços. Portanto, qualquer dificuldade ou obstáculos colocados no caminho das nossas demandas são definidos por custos a serem repassados para o preço do produto final.

TUDO VAI PARA O PREÇO

Um bom exemplo para elucidar o termo é o que acontece com os roubos de mercadorias transportadas, ou a blindagem dos veículos das transportadoras. Os custos são precificados e vão para a conta dos fretes de acordo com o índice de ocorrência dos fatos.

JORNADA DE TRABALHO

Da mesma forma, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais (PEC 231/95), aprovada pela Comissão Especial da Jornada Máxima de Trabalho da Câmara dos Deputados, caso venha a ser aprovada pelo Plenário da Câmara e Senado, também vai repercutir no preço dos produtos.

UGT

Não se iludam, portanto, com a estimativa equivocada da UGT ? União Geral dos Trabalhadores que imagina, uma vez aprovada a PEC, que haverá a criação de 2,2 milhões de empregos. Este engano é pra lá de lamentável.

SEM ESTÍMULO

Tem mais sentido a opinião da Confederação Nacional da Indústria, que contraria a UGT. Como a proposta da PEC não prevê o ajuste nos salários na proporção da redução das horas trabalhadas e ainda aumenta o adicional da hora extra de 50% para 75% sobre o valor da hora trabalhada, não há como estimular a criação de empregos.

AUMENTO DE CUSTO

Do jeito que foi aprovada a PEC, na Comissão da Câmara, o resultado é óbvio: aumento de custo de produção. Ou seja, um sério obstáculo a novas contratações. Custo precificado, portanto.

RESULTANTE

É preciso entender que este importante assunto não pode ser tratado por lei, mas por negociação, gente. O emprego resulta do aumento de consumo, da necessidade de investimentos, da qualidade de educação do contratado, e outras coisas mais. Isto significa que leis não produzem postos de trabalho. CONSTITUIÇÃO- A Constituição Federal diz que o limite máximo da jornada é de 44 horas semanais. Além de assegurar acordos ou convenções coletivas que fixam expedientes menores. LIVRE NEGOCIAÇÃO- Portanto, empregadores e empregados têm liberdade total para ajustar a duração do trabalho às suas reais possibilidades, de forma que o caminho seria a livre negociação.

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02 jul 2009

A MURALHA


TRIPÉ

O Congresso Nacional, de forma definitiva, conseguiu provar o tamanho da sua impressionante e indestrutível estrutura. Apoiada num poderoso tripé, composto por inabalável corporativismo, farto clientelismo e terrível patrimonialismo, a muralha se revela como algo absolutamente intransponível.

A + B

O presidente do Senado, José Sarney, por tudo que estamos assistindo, provou por A + B que o problema não é ele. Tanto isso é uma verdade incontestável que, se substituído, o novo ocupante deverá manter tudo como está, ou como sempre esteve.

TRIPÉ MANTIDO

Explico: Pelo comportamento demonstrado pela maioria dos senadores, de não tomar a atitude determinante de tirar o homem da presidência, mostra o quanto estão de acordo com os vícios existentes na casa. A dedução, portanto, é lógica: Com Sarney ou sem ele o poderoso tripé será mantido.

MESMOS VÍCIOS

Mesmo que neste momento as atenções estejam muito voltadas para o Senado, a Câmara dos Deputados não fica um milímetro atrás. Para não deixar dúvidas de que os vícios são os mesmos, ontem a Comissão de Ética assinou o atestado da existência do tripé acima mencionado: absolveu o deputado Edmar Moreira. É preciso mais?

MURALHA INTRANSPONÍVEL

Da mesma forma como os congressistas mostram o que querem e podem, o povo brasileiro também mostra que reação é fazer meros desabafos verbais, dentro de suas casas, ou por escrito, via internet. A postura identifica que não há mais o que fazer. Com esta apatia a muralha do Congresso se tornou simplesmente intransponível.

SALADA

Aquela idéia de atirar ovos e tomates nos congressistas ao descerem nos aeroportos das capitais, perdeu sentido. Vamos fazer a salada e comê-la antes que os produtos apodreçam. Enquanto o povo se mantém covarde, o repórter Danilo Gentili, do Programa CQC da Band TV, é agredido pelos seguranças de Sarney. Tá vendo?

GOSTAMOS DE APANHAR

Pois é, gente: quem deveria ser agredido é preservado. Mas os covardes precisam mesmo apanhar. E muito. Só por serem covardes. Nós estamos apanhando porque não reagimos. Vamos nos convencer de uma vez por todas: gostamos mesmo é de levar pau. Ai.

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01 jul 2009

SEGUNDO SEMESTRE DE 2009


ESPERANÇAS

O primeiro semestre de 2009, como se sabe, começou cheio de maus agouros e muitas incertezas. No entanto, o seu encerramento, ontem, mostrou um clima bem diferente para este segundo round, onde as expectativas estão carregadas de boas esperanças. Tomara que assim seja.

AO ESQUECIMENTO

Com um porém: se na economia o pior já passou, como muita gente está apostando, na política brasileira, infelizmente, tudo indica que o pior sempre está por vir. Mesmo com denúncias comprovadas, os safados tratam de adiar as providências até que sejam esquecidas.

TAREFA IMPOSSÍVEL

A cada dia que passa a corrupção aumenta no país. E as impressionantes safadezas cometidas em todos os níveis de governo não conseguem ser contidas. Repito: contidas, pois acabar com elas já virou tarefa simplesmente impossível.

REAL

De qualquer forma hoje, primeiro de julho, é dia de festejar algumas coisas. Primeiramente, os 15 anos do Real, moeda que identifica a grande virada da economia brasileira. A partir daí o Brasil começou a trajetória dos acertos na macroeconomia, hoje muito festejados mundo afora.

TECNOLOGIA

Entre outras evoluções positivas, um destaque especial para quem vive o mercado financeiro: a partir de hoje deixa de existir o pregão de viva voz nas Bolsas brasileiras. A tecnologia, finalmente venceu o grito. Com isso, as operações de compra e venda de títulos passam a ser totalmente transparentes.

COPA 2014

Como a Copa do Mundo de 2014 está confirmada para o Brasil, a partir de agora tudo indica que algumas obras saem mesmo do papel. O que deve movimentar fortemente a economia das capitais escolhidas para os jogos.

ESPERANÇA POBRE

Enfim, o que mais poderíamos esperar para fazer deste país um lugar bem melhor? Bem, aí só as reformas, que estão caindo de maduras, poderiam dar o tom necessário para uma grande virada. Embora vá continuar batendo na tecla, as minhas esperanças são pobres.

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30 jun 2009

QUEM ERRA MAIS?


AGÊNCIAS

Recentemente, o governador José Serra acusou as agências que classificam o risco de crédito de governos dizendo que essas empresas trabalham para grandes especuladores. E completou dizendo que, por errarem tanto, não sabe como ainda continuam abertas.

COERÊNCIA

Ora, se o governador Serra é coerente, e está plenamente convencido daquilo que diz e pensa, se as agências de classificação de risco merecem tal fim, da mesma forma nenhuma instituição pública brasileira poderia estar funcionando.

E O SENADO?

Inclusive o seu próprio governo deveria fechar as portas, a considerar os erros que, porventura, comete. Porque Serra não reage da mesma forma e com o mesmo ímpeto com relação aos graves e continuados erros cometidos na Câmara e, principalmente, no Senado?

RELATÓRIOS

As agências de classificação de risco não são cartórios, governador. Elas têm plena liberdade para avaliar países, governos e empresas. E sempre fundamentam suas análises. Agora, quem lê os relatórios por elas emitidos não tem a mínima obrigação de concordar ou aceitar o que revelam.

INVESTMENT GRADE

Se o Brasil conseguiu o importante Investment Grade, que está promovendo forte atração de investimento, com custo bem mais baixo, é porque as agências revelaram os nossos acertos macro-econômicos. Avaliaram a situação e ratificaram a avaliação.

SÓ PARA ELOGIAR

Dependendo da vontade de José Serra as agências não deveriam existir. Ou melhor: só deveriam existir caso tivessem como propósito elogiar o seu governo. Aí é duro, não?

RISCO-BRASIL

Pois é graças ao conjunto da ópera toda, onde as agências atuam constantemente, que o risco-Brasil está hoje abaixo de 300 pontos-base. Pode haver um equívoco aqui ou ali, ou uma desconsideração, mas as agências cumprem um papel importante na contribuição da decisão dos investidores.

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29 jun 2009

A REAÇÃO HONDURENHA


EXPULSO

Se até agora os povos da América Latina se mostravam frouxos, simpáticos e muito condescendentes com os neo-ditadores, pelo menos em Honduras a reação foi outra: ontem, o presidente Manuel Zelaya, que tudo queria, acabou expulso.

APLAUSOS

Não tenho a mínima idéia das pretensões do povo e, principalmente, das Forças Armadas de Honduras sobre o futuro daquele país. Mas, só pelo fato de terem se livrado a tempo do declarado neo-ditador, já merecem aplausos.

NOVA VENEZUELA

Tudo leva a crer, por enquanto, que o motivo da expulsão de Zelaya foi mesmo o seu firme desejo de querer transformar o país hondurenho numa nova Venezuela.

OUTRO CHÁVEZ

O presidente Manuel Zelaya, para quem ainda não sabe, a exemplo de outros líderes latinos nunca escondeu as sérias pretensões de vir a ser um outro Hugo Chávez. As Forças Armadas de Honduras, atentas ao interesse do neo-ditador, impediram a tempo a manobra.

ATITUDE SALVADORA

É compreensível a dificuldade em apoiar atitudes militares que derrubam governos. Principalmente, porque essa prática já foi rotineira entre os povos da nossa América Latina. No entanto, quando a democracia está a perigo, como é o caso de Honduras, ou como se imagina, a atitude precisa ser vista até como salvadora.

REAÇÃO BRASILEIRA

O governo brasileiro, como já era esperado, em momento algum se preocupou em analisar o sério risco que Honduras corria de vir a ser tutelada por Zelaya. Por isso se apressou em condenar o episódio hondurenho.Como apóia, incondicionalmente, os atos praticados pelos amigos Fidel, Chávez, Morales, Kirchner, Correa, Lugo, etc., além de também elogiar de forma incrível o governo do Irã, em momento algum condenaria as pretensões do presidente hondurenho. Para o governo brasileiro, o salvador da Pátria de Honduras era Zelaya. Só podia.

FAZER DE TUDO

Se alguém ainda tem dúvidas, e está pendendo para o lado que condena o desfecho de ontem, em Honduras, basta observar o sentimento de Hugo Chávez. O homem ficou possesso. Solidário com o amigo destituído, Chávez disponibilizou um avião venezuelano para levar Zelaya para a Nicarágua. E disse alto e bom som que vai fazer de tudo para que Zelaya volte ao Poder de Honduras. Pra mim isso já é mais do que suficiente para ver quem está com a razão.

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26 jun 2009

FALTA DE JUÍZO


OTIMISMO NÃO É O BASTANTE

Em geral, para se sentir mais confiantes e otimistas, muita gente entende que ser otimista é o bastante. Mesmo diante de situações onde o grau de probabilidade de êxito é bastante reduzido, ainda assim o sentimento escolhido é esse.

AVALIAÇÃO

Ora, quem não se dispõe a avaliar minimamente as chances de sucesso em qualquer empreitada, só pode se declarar esperançoso. Até porque o otimismo exagerado nada mais é do que falta de juízo.

ESPERANÇA

Depender exclusivamente do fator sorte, ou o acaso, não pode ser uma demonstração de otimismo. Isto significa muito mais uma esperança. Mesmo remota é só esperança.

BENEFICIADO PELA CRISE

O Brasil (aqui entre nós), está recebendo muita atenção por parte dos investidores internacionais graças à crise mundial. É preciso, portanto, aproveitar o momento para não deixar os investidores frustrados. Otimismo exagerado sem ação pro-ativa resulta em otimismo sem causa, ou falta de juízo.

ENCANTO

Assim como o interesse pelo Brasil cresceu de forma rápida, onde a crise tem sido oportuna e fundamental, ela pode deixar de existir com a mesma velocidade. Basta que deixemos de lado as reformas. Sem elas o encanto observado hoje vira um desencanto maior ainda.

EDUCAÇÃO E REFORMAS

Vamos, portanto, manter o otimismo. Mas com a preocupação de fortalecer as condições favoráveis que o mundo nos deu com a crise. Atenção: a atração que caiu no nosso colo só permanecerá viva e contínua, caso façamos um investimento pesado em educação. E as reformas que o país necessita.

COMPROMETIDOS

Jamais podemos perder a esperança de que algo ainda seja feito por aqui. Mas só podemos ser otimistas conscientes e com juízo caso estejamos comprometidos, para valer. É preciso comprometimento com as causas.

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