REFÚGIO
Se o governo italiano está perplexo e considerou uma ofensa a lamentável decisão do presidente Lula e do ministro da Justiça (?) Tarso Genro, de concederem refúgio no Brasil ao terrorista Cesare Battisti, um dos chefes da organização de extrema-esquerda - Proletários Armados pelo Comunismo -, que foi condenado na Itália, muitos brasileiros, os corretos, sérios e decentes, estão pra lá de envergonhados, revoltados e indignados.MIL DESCULPAS
De minha parte peço mil desculpas ao povo italiano, pela amarga e interesseira decisão dos nossos governantes por terem concedido asilo ao terrorista. Confesso que está me fazendo mal e permanece entalada na minha garganta.AMIGOS
Passei a noite toda sentindo o gosto repugnante dessa solidariedade venenosa, apesar de não estar surpreso. Afinal, a ideologia dos iguais noramalmente fala mais alto em situações assim. Ou seja: amigos são para essas coisas, não é mesmo?DOIS POBRES CUBANOS
É muito provável que inúmeros brasileiros, os portadores da mesma ideologia do partido do presidente, concordaram com a decisão. Pois é, meus caros italianos. Para que tenham uma idéia, aqui a coisa funciona assim: quando dois pobres atletas cubanos, decentes, pediram asilo no Brasil, a decisão foi sumária: foram deportados imediatamente para a Ilha de Fidel. Para nunca mais lutar ou sair de lá.DIA BOM PARA BANDIDOS
Mas, o dia de ontem parece ter sido reservado para outras situaçoes revoltantes para quem é honesto. Não foi só o italiano assassino que levou a melhor. Outras decisões deixaram muita gente com os cabelos arrepiados, pelas vantagens concedidas a outros perigosos bandidos declarados e flagrados. Vejam só:DECISÕES AMARGAS
O presidente do STF, Gilmar Mendes, concedeu liberdade a Marcos Valério; e os acusados de furtar donativos do Pavilhão 1 da Vila Germânica, em Blumenau, destinados aos flagelados das enchentes em Santa Catarina, foram considerados inocentes pela polícia. Que tal? Belo país o nosso. Que futuro, hein?MANIFESTAÇÕES
Chamo mais uma vez a atenção sobre as equivocadas manifestações que estão sendo feitas neste momento no Brasil. Enquanto fortes estímulos são concedidas a bandidos e inúmeras vantagens e privilégios sao aprovados por lei para certas minorias do setor público, o povo entende que o melhor é se insurgir contra o Conflito de Gaza. Que coisa...MENSAGENS
Desde os primeiros sinais do desaquecimento da economia global, que dia após dia se mostra mais presente, a cada artigo que escrevo sobre o tema recebo, imediatamente, dezenas de mensagens pedindo mais otimismo sobre o nosso futuro.FINGIR
De antemão parece ficar claro, pela reação demonstrada, que muitos leitores não foram educados para lidar com a realidade dos fatos. Para esses, notícia ruim sobre qualquer assunto, ao invés de servir de alerta ou promover uma reação firme para tentar neutralizar imediatamente o problema, o melhor remédio é fingir. Basta dizer que tudo vai acabar bem. Maravilha, não?MUNDO DA FANTASIA
Ora, preferir uma notícia falsa, um diagnóstico errado, imaginando que aí está a chave da felicidade, já evidencia que o mundo parece outro. O mundo da fantasia, onde tudo que é ruim não tem como prosperar.DEDOS CRUZADOS
É preciso entender que, otimismo puro e simples, como manifestação de vontade, não passa de enorme tolice. Como se alguém que, por não ter gostado do final do filme que assistiu resolve ver a reprise com os dedos cruzados, torcendo por um outro final mais feliz. Ora, vamos lá, gente: só pode ser otimista correto e consciente aquele que sabe quais as ferramentas que dispõe para obter algum sucesso.LEI DAS PROBABILIDADES
Portanto, todo dito otimista que não calcula ou projeta a mínima probabilidade de ocorrência dos fatos, não passa de um tolo. Um sonhador que depende e acredita excessivamente na sorte. É aquele que arrisca com grandes chances de se dar mal.CAUSA E EFEITO
Este raciocínio, certamente, da mesma forma e nas mesmas condições, vale para o pessimismo. Portanto, otimismo sem conhecimento de causa e efeito é coisa de sonho de desesperados, que recusam aceitar e conhecer a realidade.REFORMAS
Aos caros leitores que gostariam, como eu, de ver o Brasil sair desta crise com um mínimo de arranhões, proponho que façam aquilo que mais tenho feito: exijam, já, as reformas da Constituição (sempre adiadas), as quais são agora mais do que necessárias. Neste momento sério só uma grande manifestação popular, inteligente e objetiva, exigindo menos desperdicio de dinheiro dos contribuintes é o que poderia trazer algum otimismo. Venho pregando esta oração desde o primeiro artigo, há sete anos. Ou seja: sou, sim, um otimista responsável. Sei por onde poderemos ter algum sucesso. Isto não pode ser confundido com pessimismo. O que me faz pessimista é a real passividade, onde muitos brasileiros se comovem pedindo paz no Conflito de Gaza, e jamais se manifestam para exigir uma postura decente, honesta e mais justa por parte dos nossos governantes.SENSAÇÃO DE IMPOTÊNCIA
A crise econômica atual, que já tomou conta do mundo todo, está sendo comparada com a de 1929. Como só um ou outro habitante do planeta ainda permanece vivo para contar a experiência vivida na Grande Depressão, a Crise de 2009 está deixando uma sensação estranha no ar. Uma sensação de impotência.MILAGRE
Considerando que os terráqueos vivos nunca haviam passado por algo semelhante, é difícil descrever o que está se passando nas suas cabeças. Arriscando, eu diria que a impressão, para muitos, é de que o mundo está parando. Embora isso não passe de um grande absurdo, o fato é que nessas horas muita gente fica à espera de que um milagre aconteça para que tudo volte ao normal.MILAGREIRO DA HORA
E o milagreiro da hora, que todos estão esperando ansiosamente, é o novo presidente dos EUA, Barack Obama, que será empossado na terça-feira da próxima semana, dia 20 de janeiro.LÍNGUA CONTROLADA
Até agora o profeta Barack Obama tem controlado muito a língua. De forma inteligente tem evitado fazer declarações sobre aquilo que ainda diz respeito ao governo Bush. É correto este comportamento, no meu entender. Afinal, se a lei diz que seu governo começa no dia 20, e a encrenca é pesada, não há porque se antecipar.YES WE CAN
Como grande parte do povo americano continua gritando - Yes, We Can -, acompanhado de seguidores do mundo todo, Obama, segundo esse enorme contingente de apaixonados não pode decepcionar. Sabendo do abacaxi econômico que vai enfrentar, já está pedindo munição ao Congresso para tentar acabar de vez com o tigre representante da crise.ORIGEM E SOLUÇÃO
Como a crise se originou nos EUA, embora muitos países sofriam do mesmo mal, o que todos esperam agora é que a solução saia do mesmo lugar. Afinal, quem detém 1/3 do PIB mundial é quem tem mais cacife para ditar as cartas para o bem ou para o mal. Esperamos que tudo aconteça da melhor forma, embora muitos países precisem, com urgência, fazer a lição de casa. É o nosso caso, certamente.DIPLOMACIA INFANTIL
Mais uma vez o Brasil deu demonstrações de ingenuidade diplomática. Em atitude patética, o embaixador Celso Amorim, cheio de pretensão, e jogando para uma torcida nada esclarecida, tratou de pedir paz no Conflito de Gaza. Ora, ora, gente. Quem é Amorim para falar em paz, quando o Brasil vive uma guerra sem precedentes, tanto no crime organizado quanto o desorganizado? Sai pra lá.ECONOMIA CAMBALEANTE
Se o ano de 2008 se caracterizou como o ano de maior empregabilidade formal no país, o ano de 2009 começa anunciando que o desemprego deve dar o tom, para ser a grande notícia da nossa economia também cambaleante.O CONSUMIDOR DESEMPREGA
Muito antes que alguém resolva fazer qualquer juízo de valor, e decida apontar a indústria como vilã, pelo fato de estar dispensando muitos trabalhadores, é bom que todos tenham em mente que o desempregador é tão somente o consumidor.ESTOQUE
A indústria, quando percebe o encolhimento do consumo, tem por obrigação ajustar a produção de acordo com o que pode e vai vender. Fabricar para manter estocados os artigos produzidos significa colocar em xeque a própria indústria, que simplesmente não gira o estoque.INSOLVÊNCIA
Quem produz acima da capacidade de consumo, além de não poder pagar seus fornecedores não poderá pagar, por óbvio, também os salários, impostos, aluguéis, empréstimos bancários, etc. Um empresa que se mostra insolvente se define como em situação falimentar.SEM PIEDADE OU COMPAIXÃO
Portanto, quem imagina que a hora exige piedade e compaixão está desempenhando um mero papel de indutor da quebradeira, que por conseqüência provoca um desemprego muito maior. Anotem aí: empresa não se constitui para empregar, mas para produzir. Ou seja: para evitar que todos sejam dispensados, alguns precisam ser desempregados.A HORA DO BOM GOVERNO
Quando o mercado mostra esse sintoma grave e dá o sério aviso da falta de disposição para o consumo, é a hora do bom governo entrar em ação, agindo com enorme rapidez. Não é o nosso caso, infelizmente. Governo correto, para tentar brecar a onda de desemprego faria, já, uma efetiva flexibilização das leis trabalhistas.LÓGICA
Com custos menores as empresas teriam mais fôlego. E os consumidores, por sua vez, mais renda para consumir. Esta lógica, entretanto, está longe da cabeça dos nossos governantes e políticos petistas, principalmente, que estão exigindo uma redução da carga de trabalho sem mexer na remuneração. Pode?ENTRE O BOM E O RUIM
Quem recebeu uma educação minimamente sensata e, portanto, faz uso do discernimento, sabe diferenciar com clareza o que é bom e o que é ruim para si e para a sociedade. Entre esses, até os espertos, que tiram proveito dos privilégios recebidos, têm plena consciência da desonestidade cometida.SOLIDÁRIOS
Tanto é verdade esse tipo de postura, que os privilegiados vivem se preocupando em manter blindados todos os seus benefícios, através de leis indecentes e absurdas. Ou seja: transformam e aceitam para si tudo aquilo que é nojento, injusto e desonesto em coisa legal. Gente solidária, não?FOCO
As mais diversas administrações do RS, ao longo dos últimos 40 anos, governaram com os olhos muito voltados para os funcionários públicos e quase nada para o restante da sociedade (97% da população). O resultado, como se vê, aí está, de forma muito clara: o Estado mal arrecada para poder pagar a folha dos servidores. Povo solidário, não?MEXENDO NO FAVO
Quando, a cada mil anos, aparece um ou dois colaboradores mais indignados e dotados de alguma competência e com disposição para mexer no favo, as abelhas públicas ficam ouriçadas e tratam, imediatamente, de expulsar os intrometidos.FILME DE FICÇÃO
Os casos recentes, divulgados ontem, tratam da saída (expulsão) do secretário da Fazenda, Aod Cunha e, dentro de alguns dias da secretária da Educação, Mariza Abreu. Ou seja, mais uma vez venceram os espertos privilegiados. Para os desavisados a cena até pode parecer igual a um filme de ficção. Infelizmente, não é caso.DESEMPENHOS IMPORTANTES
O desempenho de Aod Cunha, que já enalteci em várias oportunidades, está sendo comentado hoje em todas as rodas surpresas com a sua saída abrupta. Quanto à Mariza Abreu, cujo desempenho foi muito corajoso, admito que deveria ter recebido mais comentários. Até porque o ensino público no RS só não é uma piada porque não tem graça alguma. Ele é, na verdade, simplesmente trágico.DNA IDEOLÓGICO
Mariza Abreu, desde o primeiro momento foi pressionada pelo CPERS (Sindicato dos professores), entidade que possui DNA ideológico de esquerda xiita. Agora, no final de 2008, propôs, com enorme razão, que professor grevista não deveria receber salário pelos dias parados. Se deu mal.GREVE PERMANENTE
O fato é que os professores gaúchos quase sempre estão em greve. E o tempo restante é reservado para a preparação da próxima paralisação. Resultado: ensino? Nada. E quando há é ideológico e na mesma linha do CPERS. Um horror.EM SÍNTESE
Como o Ponto Crítico tem leitores espalhados pelo mundo afora, é bom que saibam todos que no RS a revolta se dá contra quem quer um pouco de moralização da coisa pública. Síntese: permanecem intocáveis os privilegiados e são expulsos os moralizadores. Pode?OS PREDADORES VENCERAM
Mariza vai sair. Sairá vencida. Nada do que era importante e necessário foi avante. Aod já saiu. Também vencido. O RS vai permanecer como um Estado Fim do Mundo. Os predadores venceram mais uma vez. Viva!SEM CONTESTAÇÃO
O vice-presidente, José Alencar, goza de boa reputação junto à sociedade. É considerado um bom sujeito. E, por estar enfrentando uma doença grave, recebe muita compaixão dos brasileiros, que nunca contestam as suas afirmações.POLÍTICA MONETÁRIA
Ontem, por exemplo, pela enésima vez, José Alencar criticou a política monetária do Banco Central. Afirmou que é restritiva e desencoraja investimentos porque desencoraja também o consumo. E finalizou dizendo que o Brasil vai bem apesar da política monetária, e não graças a ela.EQUÍVOCO
Sem entrar no mérito das possíveis razões, que porventura o nosso vice-presidente tenha, o curioso é que ele se equivoca, ao centrar seus ataques exclusivamente às taxas de juros, que nada mais são do que uma conseqüência da nossa pra lá de péssima política fiscal.POLÍTICA FISCAL
Às vezes fico imaginando o quanto a doença de José de Alencar está dificultando seriamente o seu raciocínio. Se os juros (taxa Selic) representam complicadores para a nossa economia, o fato é que o real e enorme problema está, de forma gritante, nas despesas governamentais. Na política fiscal, portanto.RECOMENDAÇÃO AOS MÉDICOS
Se alguém tem acesso mais direto aos médicos que cuidam do nosso Alencar, a minha recomendação é que lhe façam exercícios cerebrais, para que ele entenda o quanto somos penalizados com a política fiscal e tributária do país. Ali é que está o problema e é dali que deve sair alguma solução. Inclusive dos juros.VENENO DO SISTEMA
A carga tributária do país, que beira 40% do PIB, indiscutivelmente é o verdadeiro veneno do sistema. Aí é que está o mal que asfixia a competitividade e, por conseqüência, impede o desenvolvimento exigido para um país emergente.ACORDA, ALENCAR
Se Alencar tem suas dificuldades para enxergar a realidade brasileira, o que é compreensível, isto não significa que devemos nos comover com as suas declarações. Se a taxa de juro-prime, definida pelo COPOM, fosse igual a zero, o Brasil continuaria vítima de todas as dificuldades para enfrentar a concorrência dos países de primeiro e terceiro mundo. Acorda, Alencar, enquanto há tempo.