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DISTOPIA GAÚCHA - 07.05.24




Por Percival Puggina
  

Senti vontade de dizer ao Guaíba como Fernando Pessoa disse ao mar das Grandes Navegações: Quanto de tuas águas são lágrimas do Rio Grande do Sul!

 
      Era madrugada de domingo 5 de maio em Porto Alegre. Fui acordado por novas trovoadas que antecederam a forte chuva que sobreveio. Olhei para o relógio. Quatro horas da manhã. Levantei-me para verificar se a casa estava bem vedada e pus-me a pensar sobre o sofrimento de tantos gaúchos neste que é o quarto desastre climático que se abate sobre o Rio Grande do Sul em menos de 12 meses e é o maior de sua história. Impiedosa, prosseguia a chuva no que parecia um líquido e aéreo bombardeio. Vem daquelas reflexões noturnas o conteúdo deste artigo.
 
O fotogênico Guaíba – que sempre foi rio, mas era um estuário e modernamente, juram os geólogos, é um lago – em complô com os cinco rios que a ele contribuem, expandiu seus domínios sobre todos os baixios rurais e urbanos no seu entorno.
 
Penso sobre o Estado e o tal “poder público” – tão pouco público! De modo sistemático, ao longo de décadas e em todo o país, o dinheiro da sociedade, pagadora das contas, vem sendo usado, preferencialmente, para robustecer a máquina e para os projetos de poder político (quando não, também, “otras cositas mas”). Já pensaram o montante a que chegaríamos capitalizando apenas 20% disso ao longo de décadas? Como resultado, a potência do poder público se dissipa em si mesmo e ele fica sem meios para atender suas atividades fins. O resultado se expressa em ações insuficientes, obras raras e “baratas”, tecnicamente modestas e frágeis. O dinheiro é escassíssimo até para prevenir, inspecionar e conservar o que já se tem, mas para o núcleo da máquina, não.
 
Seria impossível não escrever sobre a tragédia que se estendeu por todo o Rio Grande do Sul. Até agora, 340 de seus 497 municípios são vitimados por ela. Nesta manhã de segunda-feira 6 de maio, contam-se 83 mortos, 101 desaparecidos, 120 mil pessoas desalojadas de suas moradias. Porto Alegre inundada numa proporção e extensão simplesmente inimaginável. As cenas exibidas pelos noticiários parecem captadas de alguma distopia barrenta.
 
Vivo aqui desde 1959, ou seja, cheguei quando passavam 18 anos da maior enchente já registrada, a de 1941. Nela, o Guaíba, esplêndido lago que abraça Porto Alegre, alcançou a cota de 4,75 metros. Alguns prédios do centro da cidade tinham na parede a marca do nível então alcançado pelas águas.
 
No início dos anos 70, como arquiteto, participei do projeto de um porto, no Rio Taquari, cujo cais ficava a poucos metros da rodovia que hoje aparece submersa. Prolongados estudos de hidrologia foram feitos sobre uma possível repetição da enchente de 1941, que tangenciaria o nível das instalações portuárias que projetávamos. Conclusão: aquela enchente teria um período de recorrência de cem anos. Ou seja, havia a possibilidade de que uma enchente, por século, atingisse o cais do porto que estudávamos. Provou-se bem ajustado o trabalho dos nossos peritos de então: transcorreram 83 anos até que esta nova enchente atingisse e derrubasse a marca de 1941 – lamentavelmente para ultrapassá-la em mais de meio metro.
 
No bairro onde moro, estamos numa cota bem superior à da área de inundação. Mas, como a maior parte da cidade, estamos e estaremos nos próximos dias vivendo o drama comum e fazendo a experiência dos camelos, sem água tratada para qualquer aproveitamento humano.
 
Acima da imprudência no gasto do Estado, acima da imprudência das ocupações ribeirinhas, acima dos erros de engenharia, acima de quatro tragédias de origem climática em menos de 12 meses, ergue-se, gigantesca, a solidariedade. Em comovente mobilização, o Rio Grande inteiro, o Brasil e os países vizinhos acorreram para a atenção às vítimas. As benditas redes sociais, essas mesmas que tanta indignação causam aos espíritos que apreciam o povo silencioso, têm sido instrumento importante para levedar e ampliar a extensão da solidariedade que mobiliza a todos em torno do drama gaúcho.


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DEMOCRACIA SEM VALORES? - 30.04.24


Por Percival Puggina
 
Os recorrentes ataques ao conservadorismo com base na laicidade do Estado guardam relação apenas periférica com temas religiosos. O esquerdismo militante hoje oficial no país entendeu o que as pesquisas de opinião mostram: parcela crescente da sociedade percebeu os descaminhos por onde os “progressistas” a conduzem com muito más consequências. O argumento de que o “Estado é laico” não pega mais. A “progressista” CNBB se encarrega disso.   Por fim, os limites entre Igreja e Estado já foram objeto de deliberação: em reta conformidade com a sintética determinação de Jesus, o Estado é laico, sim. A Deus o que é de Deus e a César o que é de César.
 
O rufo de tambores que ouvimos são os de uma guerra nada santa, a guerra pela completa anulação da influência do Cristianismo na cultura e nos valores morais dos indivíduos na Civilização Ocidental. Quem se dedica ao ateísmo militante, sabe que: 1º) é quase impossível "desconverter" as pessoas de uma fé em Deus para uma fé no Nada Absoluto; 2º) é inaceitável pela sociedade a ideia de um Direito moralmente isento, estéril ou que ignore os princípios e valores compartilhados pelos membros da sociedade.
 
Diante de tais dificuldades, os militantes do ateísmo cultural propuseram-se a algo muito mais sutil – querem esterilizar a moral nos próprios indivíduos. Como? Convencendo você, leitor, por exemplo, de que os princípios e valores que adota são, na origem, tão religiosos (e por isso mesmo tão pessoais) quanto a própria religião que porventura professe. Integrariam, então, aquele foro íntimo no qual se enquadrariam a religião e suas práticas. Pronto! Segundo o princípio da laicidade do Estado, tais princípios e valores só teriam vigência na sua vida privada.
 
 As investidas contra símbolos religiosos são apenas a ponta do rabo do gato. O felino inteiro é muito mais amplo e pretensioso. Seu intuito é laicizar as opiniões e, principalmente, os critérios de juízo e decisão. Portanto, toda a conversa fiada sobre supostas infrações à devida separação entre o Estado e a Igreja precisa ser entendida como aquilo que de fato é: atitude de quem deseja alijar as opiniões majoritárias porque adotou o Estado, e só o Estado, por fonte de todo bem, baliza perfeita para o certo e o errado e vertente dos valores que devem conduzir a vida social. Convenhamos, é uma tese. Mas – caramba! – qual é, precisamente, a moral do Estado? Na prática, a gente conhece... Na teoria, é a que a sociedade majoritariamente determine, excluída a que moldou a civilização ocidental. Ou seja, aquela que deriva do Cristianismo, proclamada inadmissível perante a laicidade do Estado, blá, blá, blá.
 
Tal linha de raciocínio não resiste ao menor safanão. Precisa de reforços e apoios propiciados pelo relativismo moral. Cabe a esse filhote da pós-modernidade mostrar que a moral majoritária é apenas uma das tantas que andam por aí através do tempo, do espaço e da miséria humana. Saem às ruas, então, representações desse moderno mundo novo – Parada Gay, Marcha das Vadias, Marcha pela Maconha, ideologia de gênero para crianças.  Escandalosos? Escandalosos perante qual senso moral? O totalitarismo pós muro de Berlim, tipo Foro de São Paulo, precisa do ateísmo cultural e do relativismo para derrogar o cristianismo cultural e o Direito Natural, resíduos empobrecidos do Cristianismo.
 
Nada contra a liberdade, mas tudo contra o deliberado desvirtuamento moral da sociedade pelos meios institucionais. Destruídos os valores que as fundamentam, a liberdade, a democracia e a própria civilização acabam porque que não se sustentam numa sociedade sem princípios, sem valores e sem vergonha.
 
*Artigo publicado em 11 de agosto de 2013, com pequenas atualizações.


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O último pau do galinheiro - 23.04.24


Por Percival Puggina

       Está em curso no Brasil um câmbio radical nas relações entre a nação e o Estado. Na vida real, longe das enganosas narrativas e torcidas populistas, resta apenas um fiapo do ânimo que levou Ulysses Guimarães a identificar como “Constituição Cidadã” a carta de 1988. A entusiasmada definição dada pelo idoso e experiente político paulista, deputado federal por 11 legislaturas, refletia a expectativa de ter sido estabelecida a prioridade da nação sobre o Estado. No entanto, com um modelo institucional errado, saiu tudo ao reverso das expectativas.
 
Passados 35 anos, o cidadão – perdoem-me por dizê-lo – é o último pau do galinheiro nacional. Vive em servidão, a custear mordomias e disparidades infinitas com o suor de seu rosto sob um Estado que se cobre de sigilos enquanto lhe restringe as liberdades. A opinião dos brasileiros é a suprema inutilidade nacional, objeto de desprezo por parte daqueles que, seguindo o “Waze” de Gramsci, chegaram ao poder pela “longa marcha através das instituições”.
 
No trajeto, os princípios constitucionais foram transformados em massa de moldar manuseada segundo a estética das circunstâncias. No tempo do general Golbery, isso era chamado “casuísmo”.
 
Com o advento das redes sociais, os cidadãos erguidos em 1988 à condição de fonte da qual o poder emana puderam se expressar com eficácia. Na semana passada, porém, ficou-se sabendo que tais redes vieram acabar com a felicidade dos membros da oligarquia instalada. Que dó que dá! Em nome dessa felicidade habitual, as redes sociais ganharam mordaça, usuários pagaram multas e restrições de direitos, outros carregam tornozeleiras ou foram para o exílio. O ruído da senzala perturba o sossego da Casa Grande.
 
Hoje, querem nos convencer que o Estado é o oráculo, o deus da religião civil de Rousseau – onisciente, onipotente e onipresente. Ademais, alguns de seus sacerdotes veem a si mesmos como Charlotte, a última bolachinha do pacote.
 
Com o espírito abalado nos últimos dias por saber que nossa própria realidade política e institucional precisou ser escrita em inglês e descrita com sotaque, participei no último fim de semana, em Londrina, do 4º Fórum Educação, Direito e Alta Cultura. Falei sobre o “Eloquente silêncio de uma nação”.
 
O convite para ali estar me proporcionou uma experiência maravilhosa, desde o impacto causado ao ver, do alto, aquela metrópole que nasceu no início do século passado e já conta 600 mil habitantes. Acrescida de seu entorno, vai além de um milhão.
 
Durante o Fórum, realizado pela Editora E.D.A., com a amável e criativa regência de Cláudia Piovezan, vi a trajetória institucional e social brasileira ser esmiuçada por personalidades como Ricardo Vélez Rodríguez, Roberto Motta, Pe. Antônio Fiori, Sandres Sponholz, Filipe Regueira de Oliveira Lima, Ludmila Lins Grilo, Diego Pessi, Isabelle Monteiro, Araceli Alcântara e Henrique Cunha de Lima. Uau! Londrina me cativou e renovou meu ânimo. Quanta gente boa, não por acaso na terra do casal Edson e Cláudia Piovezan, de Paulo Briguet, de Bernardo Küster, de Silvio Grimaldo e tantos outros!
 
Que o Salvador os abençoe pelo bem que fazem, conduzidos pela fé legítima, a fé que conta, no Deus de amor.


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O PAÍS DENTRO DE UM PRECIPÍCIO! 22.04.2024


Por ALEX PIPKIN

 

O país dentro de um precipício!
O objetivo central de sectários ideológicos, “progressistas” - a nova denominação para socialistas -, e daqueles que faziam cara de nojo para o capitão ex-presidente, era erradicar o autoritarismo das terras verde-amarelas.
O cântico rubro era o da defesa da “democracia”, empacotado promocionalmente com o lema “união e reconstrução”.
O mecanismo foi previamente engendrado, envolvendo um consórcio com a suprema Pequena corte, e o martelamento 24 por 7 da ex-mídia, que já não tinha nenhuma preocupação em encobrir sua desfaçatez.
Tudo foi muito bem arquitetado a fim de ceifar a liberdade de pensamento e expressão de todos aqueles que ousassem discordar da “verdade democrática” do consórcio do mal.
Digna da profecia orwelliana, instalou-se na republiqueta a peçonhenta censura.
Prendeu-se, calou-se, censurou-se previamente, rasgou-se a Constituição - várias vezes -, rejeitando-se não só a verdade, como também, e principalmente, o devido processo legal.
Agora que o mundo já conhece os pormenores do atual estado autoritário tupiniquim, por óbvio, o culpado é o bilionário, reizinho, fascista, ultradireitista, Elon Musk.
As principais bandeiras do “pai dos pobres” de Garanhuns, eram as defesas da democracia - ou melhor, cleptocracia -, das políticas em prol das minorias identitárias e, claro, para ficar ainda mais popular, do ambientalismo.
Onde nós chegamos?
O Ministro dos Direitos (des)Humanos, Silvio Almeida, um homem negro - se de esquerda não há problemas -, afirmou que todos aqueles que discordam das teses coletivistas e esdrúxulas do desgoverno, são fascistas que “nem deveriam existir". A que ponto chegamos?! Escárnio!
O (des)governo da “união” quer eliminar metade da população brasileira que, segundo ele, é fascista.
Evidente, fascistas são todos aqueles que pensam reflexivamente e discordam das asneiras proferidas pelo comedor de “s”.
Que bela e nobre essa cleptocracia que redefine o significado de fascista: fascista é todo aquele que não se alinha com esse desgoverno!
Os genuínos autoritários e propagadores da divisão social e do ódio, são os membros desta corja que censura todos os que pensam distintamente desses da “moral superior e de suas mentes brilhantes”.
Em uma legítima democracia há a pluralidade de ideias e a liberdade de opinar distintamente daquilo que pensam os burocratas estatais, diferentemente da atual caça às bruxas característica de regimes ditatoriais.
Quanto aos diretos das minorias, negros, mulheres, LGBTQIA…, evidentemente, só vale se for “progressista”.
Surreal, esse (des)governo está alinhado com o Irã e com o Hamas. Exerce, direta e/ou indiretamente, apologia ao extermínio do Estado de Israel! Desimportante que sejam um país liderado por sectários religiosos doentes e um grupo terrorista. 
O Brasil está mesmo de mãos dadas com Cuba, Venezuela e todos os outros do eixo do mal.
No desgoverno da (des)defesa dos indígenas - existe até um Ministério! -, segundo relatório divulgado pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), aumentou em 50% a morte de yanomamis, em comparação com o ano de 2022. 
Mas, o sempre “mas”, a culpa é do autoritário Bolsonaro! Em relação as queimadas na Amazônia a situação não é distinta. Que farsa, que horror!
A outra coqueluche vermelha é o ambientalismo.
Evidente que grande parte da narrativa verde é “para inglês ver”.
A verdade atestada por qualquer cientista honesto, é a de que quase 100% de tudo que existe numa sociedade moderna, depende grandemente do uso de hidrocarbonetos em algum lugar nas cadeias e sistemas de suprimentos. Aliás, tudo aquilo que é necessário para produzir “energia verde”, é dependente daquilo que retoricamente diz se querer eliminar. Impossível no curto e médio prazos.
Não será o discurso falacioso de mentirosos contumazes que tornará o impossível possível.
Esse desgoverno do câncer do intervencionismo estatal, usa e abusa do ambientalismo para manipular mercados e indústrias, porém, não há como manejar toda uma sociedade.
Esse desgoverno já vem com a piada pronta.
O mentiroso contumaz de Garanhuns, e seu fiel escudeiro, Fernando Haddad, economista soviete, proporcionaram incentivos fiscais para a indústria automobilística produzir veículos populares. Pode isso?!
De acordo com “mentes iluminadas” desses “progressistas”, aparenta que esses automóveis rodam com ar, e não com combustíveis fósseis!
Eles não se envergonham de ser incoerentes com o nobre discurso de criação de uma economia mais sustentável ambientalmente. Factualmente, com nada.
Vivemos num mar lamacento de mentiras, de embustes, de trapaças, de incompetências, de contradições, de manipulações e de sujeiras profundas.
O pior é que não há sinal previsível de que possamos abandonar as profundezas deste oceano vermelho.


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Agora o mundo inteiro sabe sobre as ilegalidades que acontecem no Brasil - 19.04.24


Por J.R.Guzzo

 

O Brasil e os brasileiros sabem perfeitamente, há anos, que há censura à liberdade de expressão neste país, e que isso é ilegal – viola diretamente o artigo 5º da Constituição Federal. Não é possível recorrer à Justiça em busca de proteção contra esse desrespeito flagrante à lei e aos direitos constitucionais do cidadão, porque quem executa a censura é a própria Justiça. Mais. É o Supremo Tribunal Federal, nada menos que a instância máxima do sistema judicial brasileiro – de modo que a pessoa não apenas é censurada, mas não tem a quem recorrer.

 

Aqui dentro, portanto, não há o que fazer a respeito. Mas uma aberração dessas, mais cedo ou mais tarde, teria de vazar para o conhecimento do mundo exterior; o STF não podia esperar que as ilegalidades que pratica continuassem eternamente desconhecidas fora do Brasil. Acabou vazando, é claro.

 

O primeiro problema estourou na Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, onde o STF em geral, e o ministro Alexandre de Moraes em particular, acabam de ser denunciados como infratores das leis e da Constituição do seu próprio país. Nunca tinha acontecido nada como isso. A lembrança mais parecida é o entrevero em torno do desrespeito aos direitos humanos no Brasil, durante o regime militar.

 

O governo americano cobrou e a ditadura militar brasileira ficou zangada – não podia admitir, segundo se disse na ocasião, “interferências estrangeiras” em “questões internas” do Brasil. Agora os deputados americanos estão expondo ao mundo a face oculta do regime brasileiro: uma ditadura judicial que persegue adversários políticos com censura, polícia, multas, bloqueio de contas bancárias e prisões.

 

O detonador disso tudo foi Elon Musk, o controlador do Twitter, com a desavença pública que teve com Moraes a respeito das pressões e decisões ilegais do STF para suprimir perfis e postagens da plataforma. Musk não é um dos perseguidos-padrão do ministro – é Elon Musk, e confrontos com ele não podem, simplesmente, ficar restritos ao Brasil. Não ficaram, é óbvio.

 

O proprietário do atual X, como o Twitter passou a ser chamado, foi solicitado pela Câmara americana a entregar informações sobre a censura sofrida pela plataforma por parte do STF. O resultado imediato foi a divulgação nos Estados Unidos, e daí para o mundo, de 88 decisões da Justiça superior brasileira ordenando a censura em perfis do X – cerca de 300 contas, incluindo as de deputados em exercício dos seus mandatos.

 

Nem o ministro Moraes nem o STF, é claro, serão afetados em nada. Contam, por sinal, com o apoio intransigente do governo, da extrema esquerda e de quase toda a imprensa brasileira para continuar fazendo o que fazem. A censura nas redes sociais, na verdade, é hoje uma das grandes causas ideológicas do “campo progressista”: a “democracia”, pregam eles em voz cada vez mais alta, está sendo ameaçada pela liberdade de expressão.

 

É indispensável, a seu ver, impor a censura ao Brasil – apresentada como “regulamentação” das redes sociais. Ali, segundo dizem, a liberdade estabelecida na Constituição está sendo “usada” para publicar “notícias falsas, desinformação e discursos do ódio”. Ninguém, aí, está interessado na verdade, na precisão e na virtude. O que querem todos eles, governo, STF e a esquerda, é calar as vozes dissidentes. Agora terão de fazer isso cada vez mais na frente de todo o mundo.


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