GOVERNO FROUXO
A Grécia, o mundo todo sabe, chegou à beira da falência por uma única causa: o governo grego, além de muito frouxo se mostrou extremamente gastador do dinheiro público. Pois, para desespero de quem tem algum discernimento, o governo brasileiro, por questões ideológicas, está trilhando a mesma rota do mal experimentado pela Grécia. Basta observar a irresponsável gastança pública.NA CONTRAMÃO
Enquanto o governo brasileiro não se convence de que dirige criminosamente na contramão, o que antecipa a existência de uma forte colisão mais à frente, o governo da Grécia, por pura necessidade, já anunciou que precisa mudar de rota.REDUÇÃO DO DÉFICIT PÚBLICO
Ontem, por exemplo, o governo grego adotou uma imposição necessária de desemprego técnico para 30.000 funcionários públicos até o final de 2011, numa drástica tentativa de reduzir o déficit público no país.AQUI, JAMAIS
Tão logo li esta notícia lamentei que esta importante atitude jamais será tomada no Brasil. Primeiro, por absoluta falta de coragem. Segundo, porque servidor público jamais é demitido no Brasil. E, terceiro, porque também é proibida a redução salarial.O FATOR DESEMPENHO
Os gregos, não por vontade, mas por pura necessidade, se deram conta de que a economia tanto pode crescer como encolher. Dependendo do desempenho das atividades, admissões ou demissões se impõem, pouco importando se no setor privado ou público.NEM AÍ
Mesmo sabendo disso, os governantes brasileiros não estão nem aí: mesmo que a economia entre em recessão, a responsabilidade é entregue, exclusivamente, ao setor privado, aos consumidores e aos contribuintes em geral. Que tratem de renunciar ao consumo, pois os salários dos servidores, e seus fantásticos aumentos conquistados em movimentos grevistas corporativos, precisam ser pagos. Com detalhe cruel: os prêmios não são entregues só aos servidores que estão na ativa. Os aposentados, abrigados pela injusta lei da integralidade salarial, também recebem proventos com todos os aumentos obtidos pelos que estão na ativa. Pode?EMPREGO DE UM...
Isto tudo, mais uma vez, significa o seguinte: para que um funcionário público se mantenha empregado (com supersalários e seus efeitos de encadeamento) vários empregos da iniciativa privada precisam, necessariamente, ser sacrificados. Não importa quem paga a conta de quem.CONVERSA INFORMAL
Ontem à noite, no Holiday Inn de Sandton City, aqui em Johanesburgo, conversei demoradamente com um grupo de sul-africanos curiosos e interessados no Brasil. Falamos bastante sobre os nossos países, principalmente, de Copa do Mundo e economia.O BRASIL E A FIFA
No quesito Copa de 2014, todos se mostravam muito curiosos. Queriam saber a respeito da notícia (que circulou o mundo todo) de que o Brasil está ameaçado de não sediar o Mundial. Pediram que dissesse, em detalhes, quais os pontos de divergência entre o governo brasileiro e a FIFA.MEIA-ENTRADA
Antes de responder, para poder explicar melhor o assunto, perguntei se na África do Sul existe a tal de meia-entrada para cinemas, circos e/ou casas de espetáculos. Como fizeram cara de espantados (com toda razão, aliás) informei que coisas do tipo só cabem em países habitados por governos intervencionistas e/ou povo ignorante, caso do Brasil, infelizmente.PAGAR O DOBRO
Diante da minha observação, o assunto mereceu boa discussão. Contudo, por unanimidade, todos estavam convencidos de que, para privilegiar estudantes e seniores (mais de 60 anos), a metade das plateias precisariam pagar em dobro o valor dos ingressos.BOQUIABERTOS
Os sul-africanos, entretanto, ficaram ainda mais confusos e boquiabertos quando, para arrematar, informei que no Brasil é assim: a lei é tão estúpida a ponto de proibir que todos paguem a metade do valor dos ingressos. Só alguns têm direito a este benefício. Pode? Um dos integrantes do grupo perguntou se o governo vai parar por aí ou se pretende expandir tal privilégio para outras atividades, como restaurantes, táxis, clínicas particulares e lojas de departamentos. A minha resposta: - De governos intervencionistas devemos esperar qualquer coisa.LEIS DA FIFA
Quando já me preparava para tratar do outro ponto polêmico, qual seja da proibição das bebidas alcoólicas nos estádios, alguém do grupo atalhou:- O governo brasileiro desconhecia as leis da FIFA, ao se lançar como candidato à realização da Copa do Mundo? Até porque todos, aqui na África, não só sabiam como concordaram.Tão logo respondi que as leis da FIFA eram perfeitamente conhecidas pelo governo, no mesmo instante veio a segunda pergunta: - E por que, então, o Brasil fez de tudo para realizar a Copa do Mundo, sabendo que não abriria mão da alegada soberania?SONO
Neste momento, para não piorar ainda mais a imagem do Brasil perante o grupo, informei que era hora de dormir. Foi quando veio o derradeiro questionamento: - Pelo que li num jornal daqui de Johanesburgo, o ex-presidente Lula afirmou que o Brasil é um país soberano. E que a FIFA não tem poderes para decidir o que deve ser feito. Como Dilma sublinhou a frase de Lula, por aqui todos entenderam que a Copa de 2014 só será realizada no Brasil caso sejam revogadas as leis que criaram a estúpida meia-entrada e proibiram o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios. Isto, em última análise, significa que o Brasil vai renunciar ao intervencionismo ou à decantada soberania? Confesso que depois dessa perdi o sono!JOHANNESBURG
Depois de curtir a bela Cidade do Cabo, na semana passada, inicio o meu retorno ao Brasil. Sendo obrigatória a escala em Johannesburg aproveito para conferir, em dois ou três dias, o quanto as obras realizadas para a Copa de 2010 estão sendo bem aproveitadas por aqui.LOGÍSTICA
Deixando de lado tudo que já mencionei quanto ao que a natureza fez para que Cape Town seja uma cidade tão bonita e atraente, é de chamar a atenção o que foi feito em termos de infraestrutura logística. Um show.HERANÇA
Se os estádios foram considerados absolutamente necessários para a realização dos jogos da Copa, como chegar até eles foi PRIORIDADE 1, ou seja, a mais importante de todas. Pois, esta é a herança mais elogiada por todos: moradores e visitantes da África do Sul. Só vendo. Ou melhor: andando pelas cidades.NADA PARECIDO
De antemão, por tudo que já tive a oportunidade de observar até agora, entendo que no Brasil nada será assim. Pelo menos até julho de 2014. Tudo aquilo que ainda pode vir a ser feito, caso aconteça não chegará aos pés do que a África do Sul mostra. Tanto nos centros das cidades quanto nas periferias.SANDTON CITY
Por enquanto, em Johannesburg, visitei Sandton City, bairro fino da cidade onde se encontra o Nelson Mandela Square, com a magnífica estátua de 6 metros de altura do líder sul-africano. É impressionante o número de hotéis, lojas, restaurantes, cafés, supermercados, teatros, escritórios, etc. A visita leva um dia inteiro, certamente.COMÉRCIO
Para contornar o problema da violência urbana, fruto do longo período do APARTHEID, o comércio funciona, diariamente, das 9 às 18 horas (nos domingos, das 10 às 16h). Não vai até mais tarde justamente para evitar problemas à noite, na volta para casa.INFLAÇÃO
Nas poucas horas vagas jamais deixo de conferir o que acontece no mundo e no nosso pobre país, cujo governo entende que é a hora de prestigiar a inflação. Pode? Como o povo é estúpido, mal sabe que inflação é IMPOSTO. Além da pesada carga tributária ainda tem mais este a pagar. Que, diga-se de passagem, é insonegável.NOTÍCIAS BOAS
Depois da visita à fazenda The Vale, em Beaufort West, e de ter passado boa parte do dia em Loxton, onde aconteceu o remate de ovinos da raça Dorper, retornei ontem à noite a Cape Town. E, tão logo acessei a minha caixa de mensagens, para saber das notícias aí do Brasil, fiquei feliz ao saber que a Prefeitura de Porto Alegre está comprometida com a celeridade da tramitação do projeto de revitalização do Cais Mauá. Ótimo.WATERFRONT
Aliás, aqui na África do Sul tenho rezado muito para que o Cais Mauá, aí de Porto Alegre, chegue aos pés do Victoria & Alfred Waterfront de Cape Town. O que, de antemão me parece uma tarefa simplesmente impossível.CAIS MAUÁ
Até porque, quem vê, frequenta e curte o Waterfront, já sabe que Porto Alegre, ou qualquer outra cidade brasileira, não chegará a tanto assim tão facilmente. Ou seja: o nosso Cais Mauá, embora a maioria dos gaúchos deseje (os verdadeiramente sensatos), se tudo der muito certo (o que ainda não creio), jamais chegará lá.ATRAÇÃO TURÍSTICA
Hoje, indiscutivelmente, uma das grandes atrações turísticas de Cape Town é o V&A Waterfront. Muito do encanto deste empreendimento está no fato de que este movimentado porto comercial (um dos mais movimentados do mundo) se situa bem no centro da cidade. O Waterfront faz parte, portanto, do complexo portuário da África do Sul.MIX EXCELENTE
Trata-se, enfim, de um ambiente onde se localizam vários pontos de entretenimentos, pubs, restaurantes, lojas especializadas, escritórios de classe internacional, apartamentos de luxo, mercados de artesanato, teatros e filmes. Além do mais é nesse complexo que se encontra, também, o Green Field, o magnífico estádio de futebol construído para a Copa de 2010. Que tal?PANO DE FUNDO
Situado entre a Roben Island e a montanha Table Montain, o V&A Waterfront tem como pano de fundo duas fantásticas obras da natureza: de um lado um mar de água azul; de outro, uma linda montanha. Um show!É HORA DE REZAR
Considerando que o nosso Cais Mauá, por si só não tem como oferecer as vantagens mostradas pelo Waterfront, só nos resta rezar para que os estúpidos contrários ao projeto não atrapalhem mais a vida dos investidores. Do jeito que estão sendo tratados não me surpreenderia se caíssem fora do RS.REGIÃO DO KAROO
Conforme programado, ontem pela manhã parti para visitar a fazenda THE VALE, localizada na região Karoo, a 450 km da Cidade do Cabo, na direção que leva a Johanesburgo. A viagem foi ótima por dois grandes motivos: além da bela paisagem desfrutada em todo o trajeto, repleta de montanhas, a estrada é de excelente qualidade.FAZENDA
A fazenda THE VALE, de propriedade do pecuarista, julgador e inspetor de cordeiros da raça Dorper, Mr. Gideon Vivier, fica a 30km de Beaufort West. A área, de 12 mil hectares, embora muito extensa, não consegue ser utilizada para a agricultura devido ao solo extremamente árido, onde chove menos do que 30 dias por ano.ANIMAIS SELVAGENS
No entanto, além da criação de cordeiros da raça Dorper, cuja origem é sul-africana, as terras estão repletas de animais selvagens de várias espécies, como macacos (babuínos), lebres, veados, kudus, antílopes e gazelas, principalmente.Adaptados ao clima severo, com frio intenso no inverno e forte calor no verão, os bichos se alimentam exclusivamente da vegetação rasteira natural.HOTEL FAZENDA
Para obter melhores retornos, Gideon transformou a The Vale num hotel fazenda. Atualmente, além das acomodações (21 quartos disponíveis) para turistas de lazer, o hotel fazenda está muito focado na atração de caçadores de animais selvagens.CERCAS ALTAS
Para breve, o plano é aumentar o número de animais selvagens, que virão de vários países africanos. Para tanto já estão sendo construídas cercas suficientemente altas para impedir a fuga dos bichos mais saltadores.NEGÓCIO CONTROLADO
Este tipo de negócio, absolutamente controlado para manter a preservação das espécies, tem crescido muito na região. Os caçadores, que usam rifles para abater os animais, pagam bem por tipo de animal abatido. De acordo com a vontade do caçador, a caça pode ser levada em várias formas (inteira ou carneada).REMATE
Hoje, após ter passado a noite na silenciosa fazenda The Vale, e me deliciado com um gostoso café da manhã, rumo ao local do remate de cordeiros Dorper, que acontece nesta tarde. Maravilha, não?VINHOS SUL-AFRICANOS
De antemão confesso que, embora informado a respeito da qualidade dos vinhos produzidos na África do Sul (quando da minha participação na Vinexpo 2011, em Bordeaux, França), ainda assim fiquei extremamente surpreso. Agradavelmente surpreso, melhor dizendo.VISITAÇÃO
Ontem, como estava previsto, cumpri uma rigorosa agenda de visitação às principais vinícolas da região, mais precisamente na bela e aconchegante Franschhoek, cidade situada na província de Cabo Ocidental, distante cerca de 50 km da Cidade do Cabo. Simplesmente imperdível, gente.HUGUENOTES
Tradição e capacidade para a vitivicultura é o que não falta na região, uma vez que foram os franceses (huguenotes) os primeiros a darem início, a partir de 1688, à cultura do vinho nos vales férteis em torno de Stellenbosch. A partir daí tornou-se, rapidamente, o centro da indústria vinícola sul-africana. Um show.INVESTIMENTOS
Entretanto, a maioria das quintas de Franschhoek foram recuperadas só a partir dos anos 90, graças aos fundos de investimento e investidores europeus, especialmente ingleses e franceses.DELAIRE
Se praticamente todas as vinícolas chamam muito a atenção pelo cuidado, pelo cenário e pela apresentação, aquela que mais me encantou, indiscutivelmente, foi a Delaire Estate Graff.DE CINEMA
Situada na montanha que liga a cidades de Stellenbosch e Franschhoek , a Delaire Estate Graff é simplesmente de cinema. Além de produzir vinhos de alta categoria ainda dispõe de um dos principais restaurantes e hotéis-boutique da região, quiçá da própria África do Sul. É simplesmente espantoso.PRIMEIRÍSSIMO MUNDO -
Em suma: todos aqueles que se declaram encantados com o Vale dos Vinhedos aí do RS deveriam visitar esta região sul-africana. Só assim poderiam entender o que é, de fato, uma fantástica vinícola. Não existe nada igual, gente. Além do alto investimento na produção, a localização (entre montanhas) e a fina apresentação tornam a Delaire simplesmente encantadora. De primeiríssimo mundo.REMATE
Amanhã escrevo sobre o remate de ovinos Dorper que acontece em Loxton, no Cabo do Norte, a 450 km de Cape Town. Acompanho um empresário do agribusiness criador da raça, que se origina aqui na África do Sul.