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NÃO FOI UM PIQUENIQUE NO MORRO - 10.11.25


Por Percival Puggina
 
 
         Parafraseando ministros do STF, as imagens dos acontecimentos do dia 28 de outubro no Rio de Janeiro não registram um piquenique no morro. Não eram jovens em retiro espiritual buscando energia na favela, mas faccionados do Comando Vermelho, portando armamento pesado e abrindo fogo contra a polícia. Portanto, dizer que houve uma chacina não é apenas retórica de boteco ou fake news. É corrupção, na pior de suas expressões: corrupção da Verdade.
 
Como seria fácil prever, a opinião pública, quanto mais próxima de suas causas e consequências, louvou a operação policial. Nem se Lula levasse para horas de conversa um “engradado” de cerveja (como aqueles que existiam antigamente), isso convenceria um morador da favela de que a operação foi coisa ruim. Quem se concede um padrão de vida como esse da elite que domina o Estado, pensa e age a uma distância estratosférica da favela.
 
Poucas pessoas sabem que o Rio de Janeiro tem um Mapa do Crime que permite, a todo cidadão, identificar os bairros mais perigosos, os trechos mais hostis dos bairros mais inseguros e os horários em que todo o anjo da guarda prudente desaconselha andar por certos locais.
 
No Brasil, o Estado inferniza a vida de uma família inteira por bate-boca no aeroporto (e proíbe que as imagens sejam vistas), tornozeleira é peça de vestuário para milhares de cidadãos de bem e há um pacote de acusações criminais pronto para quem emite opinião contrária ao gosto do Estado. No Brasil, uma pessoa virtuosa, exemplar, pode viver um inferno por, supostamente, ter integrado comitiva de uma viagem que ela poderia ter feito, mas não fez, e participado de uma reunião da qual não participou. No Brasil, o Estado pode tudo contra todos, menos contra os verdadeiros criminosos. O Estado impõe sigilos de cem anos, silêncios a quem tem voz, cegueira a quem tem olhos de ver e trevas a quem tem luz própria.
  
Aos 24 anos, enquanto estudava Direito em Coimbra, Gonçalves Dias (o poeta) escreveu a “Canção do exílio”, na qual arde a saudade das altivas palmeiras onde sabiás exerciam seu direito natural de cantar em liberdade.


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COP30 E O GRANDE ESPETÁCULO VERDE - 04.11.25


Por Alex Pipkin - PhD em Administração
 

Preparem o palco, os microfones e as câmeras. E não esqueçam da pipoca.
Vem aí a COP30, o maior show de virtude verde que o Brasil já viu. O mesmo desgoverno que não consegue conter o crime nas ruas nem equilibrar as contas públicas agora promete regenerar o planeta. Um feito digno de ficção ecológica e, claro, de pura propaganda política.
A COP30 é uma encenação, repleta de chavões, selfies e discursos cuidadosamente coreografados. Por trás do verniz de “sustentabilidade” e “justiça climática”, esconde-se o velho é sempre renovado projeto de poder. Aquele que troca liberdade por regulação, mérito por burocracia, e o suor do cidadão que de fato trabalha pelo aplauso de quem discursa ideologicamente.
É evidente que Lula vai aproveitar vinte dias de cobertura intensa do Partido Oficial da Mídia para propagandear sua pseudo-preocupação com o meio ambiente e, principalmente, desviar o foco dos problemas reais do país lulopetista.
Os holofotes deveriam estar centrados no déficit público crescente, no rombo nas estatais, no roubo das crianças e dos velhinhos no INSS, na insegurança nas ruas, e na defesa vergonhosa de bandidos e traficantes. Um escárnio orquestrado com pompa midiática.
Os eco-populistas descobriram a fórmula perfeita; vender culpa e comprar controle. Falam em “transição justa”, mas propõem mais Estado, mais impostos, mais dependência. Revestem o autoritarismo de verde e o socialismo de “sustentabilidade”. Querem decidir o que comemos, o que dirigimos, o que produzimos, e até sonham com quanto carbono podemos respirar.
Quem acredita em finanças públicas responsáveis, inflação sob controle e liberdade de mercado sabe que os “progressistas verdes” não são aliados da real preocupação com o meio ambiente, são adversários do que mais importa — o crescimento econômico. Não confiam no indivíduo, mas em burocratas planetários; não acreditam na inovação, mas em decretos e subsídios. Pregam igualdade, mas perpetuam privilégios.
Pois é. Enquanto o Brasil real sofre com violência e inflação, o governo se prepara para seu carnaval ideológico em Belém. A COP30 será palanque internacional, álibi moral e biombo para o fracasso cotidiano. A farsa ambiental cobre o descontrole fiscal, a incompetência administrativa e o apoio, mesmo que velado, ao narcotráfico, transformando um problema nacional em espetáculo global.
Acho muito curioso e sintomático que após quase trinta anos de COPs, as emissões mundiais só aumentaram. As conferências multiplicam palavras, relatórios e selfies, mas produzem o mesmo resultado que um ventilador ligado no deserto, isto é, barulho, poeira e calor. O planeta não muda; muda apenas o verniz do discurso “progressista”.
A agenda verde, aplicada sem senso crítico, destrói a competitividade. O Brasil, que já enfrenta energia caríssima, impostos abusivos e burocracia sufocante, ainda é pressionado por metas e restrições que premiam a ineficiência. A economia trava em nome de ideais hipotéticos, enquanto todos são obrigados a financiar um teatro de culpa coletiva.
Não se trata de negar o valor da preservação ambiental, mas de denunciar o uso político do medo ecológico. O ambientalismo virou a nova religião dos ressentidos, onde se promete salvação planetária, desde que o fiel entregue sua liberdade no altar do Estado.
A COP30 será um sucesso! Evidente, um show dos horrores de hipocrisia e encenação. O resultado não será nenhuma novidade; nenhum.
Para o trabalhador brasileiro comum, esse sim continuará pagando caro por energia, combustível e insegurança, assistindo de longe à procissão dos santos verdes, que pregam a salvação universal enquanto enterram, dia após dia o país afrodisíaco das belezas naturais, da beleza feminina e do carnaval.
O que está sendo sepultado factualmente, na farsa lulopetista, é a liberdade individual e o redentor crescimento econômico.


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É DISTO QUE SE TRATA! - 03.11.25


Por Percival Puggina

         Foi o ministro Gilmar Mendes quem primeiro usou a expressão “grande contexto” para costurar ao 8 de janeiro de 2023 alguns acontecimentos ocorridos durante o governo Bolsonaro.
 
Ao votar num dos três primeiros julgamentos da Ação Penal dos atos do 8 de janeiro, o ministro sustentou em seu voto a necessidade de “...ter a perspectiva de todo esse contexto onde estamos inseridos. Nós estamos aqui para contar uma história que é uma história da sobrevivência da democracia. (...) E isso tem a ver com todo o contexto que permitiu essa resiliência, o papel do Supremo Tribunal Federal, o papel da Justiça Eleitoral”. Na sequência, Sua Excelência passou a pinçar, desordenadamente, retalhos para compor o referido contexto. Incluiu eventos tão avulsos no tempo quanto a tentativa de explosão de um caminhão de gasolina nas proximidades do aeroporto de Brasília; a invasão da PF de Brasília para soltar o cacique Serere Xavante no dia da diplomação de Lula; o discurso de Bolsonaro em 7 de setembro de 2021, o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril de 2020 (aquela que ficou conhecida pelos palavrões e pela animosidade aos membros do STF).
 
Desse atelier de costura judicial resultou uma colcha de retalhos que, mais recentemente, atende pelo nome fantasia de “trama golpista”. Diga a etiqueta o que disser, parece estarmos longe de um produto que, levado às vitrines, vá encontrar comprador. Entre o primeiro acontecimento listado como golpista pelo ministro Gilmar Mendes e o 8 de janeiro de 2023, transcorreram 991 dias! Para lhe dar validade, seria necessário aceitar que o governo instalado em 1º de janeiro de 2019, com a ideia fixa de dar um golpe de Estado, permitisse que anos, meses e dias se escoassem com meia dúzia de ações desconexas e incapazes de produzir o fim a que se destinavam.
 
“É disto que se trata!”, tornou-se uma das expressões mais frequentes no vocabulário político brasileiro. Seu uso se explica pelo fato de haver, na versão mais desidratada de nossa história recente, pelo menos duas narrativas a serem contadas. E ambas começam com o habitual: “É disto que se trata!”, seja nas palavras de um ministro de acusação seja de um advogado de defesa.
 
Se quem fala é um ministro de acusação (é o que a Casa infelizmente oferece), o STF se apresenta como credor de merecimentos na suposta garantia da ordem constitucional e democrática, tarefa que teria sido conduzida com a neutralidade e isenção que se recomenda ao ofício. Se quem fala é advogado de defesa, cuida de negar os fatos e contestar tais méritos.
 
Por fim, se quem fala é cidadão de direita – um dos chamados manés –, lembrará de outro poder, também excessivo e bem mais eficaz estrelando no palco da  política. Lembrará de Lula, o condenado que, de súbito, “nada devia à Justiça” nas palavras de William Bonner. Lembrará da censura e da censura prévia, dos inquéritos sem fim, das pesadas multas, das palavras e pautas proibidas em plena campanha eleitoral. Lembrará de frases que valem por um BO. Como esquecer a pesada interferência sobre as redes sociais, as ameaças, as invasões de competências, o ativismo judicial, o direito penal do inimigo e a política feita sem voto popular, sempre unilateral?
 
Qualquer criança dirá que está tudo errado e que é disto que se trata.


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DIREITOS DESUMANOS - 31.10.25


Por alex Pipkin - PhD em Administração
 

O Brasil vive uma inversão moral grotesca, para dizer o mínimo. E nenhuma tribo a encarna melhor do que a esquerda togada, composta de vários subgrupos e letrinhas. Entre esses doutores de sofá, advogados de porta de cadeia e professores de cátedra, que, entre uma live e um tweet indignado, posam de defensores da civilização. Não são advogados, são militantes — sectários da ideologia do fracasso, do velho coletivismo que adora transformar o bandido em vítima e o policial em algoz. Autodenominam-se “dos direitos humanos”. Eu, por honestidade semântica, prefiro chamá-los advogados dos direitos desumanos.
Esses moralistas dos holofotes enxergam heroísmo onde há terror e opressão. Chamam terroristas de “resistentes”, traficantes de “vítimas sociais”, assassinos de “injustiçados”. E, de quebra, veem Israel como o agressor e o Hamas, esse que usa civis como escudo humano, como vítima. O mesmo script, a mesma empáfia teórica, a mesma covardia moral.
No Rio de Janeiro, a história se repete. A operação policial recente, realizada nos complexos do Alemão, da Penha e em outras comunidades, teve como alvo o Comando Vermelho, organização criminosa — e terrorista — que aterroriza famílias inteiras, tortura e mata. O resultado factual e nefasto é a morte de quatro policiais em combate. Quatro policiais que saíram de casa para defender a lei e voltaram em caixões cobertos por bandeiras. Heróis, embora o Brasil dos direitos desumanos prefira ignorar.
Para esses militantes travestidos de juristas, o morro é um campo de “resistência” e o fuzil, uma metáfora social. Querem que a polícia suba o morro com flores, abraços e livros, enfrentando traficantes que usam arsenal de guerra. Uma ficção tão absurda quanto o moralismo que a sustenta.
Mas o povo — aquele que de fato vive entre tiros e ameaças — não é ingênuo. Quase 70% da população carioca aprovou a operação policial. É a voz das ruas dizendo que o Brasil não aguenta mais ajoelhar diante do crime.
Coragem. Essa palavra já parece antiga. Hoje, relativizar a violência é visto como gesto sofisticado; ajoelhar-se à impunidade, como o progresso social, evidente, por parte de sectários vermelhos e de “burgueses culpados”. Mas ainda há quem afirme o óbvio: bandido é bandido, e a polícia — mesmo com todas as falhas — é o último dique entre a civilização e o caos.
Vivemos num país onde o Estado perdeu o monopólio da força, e a esquerda “bom-mocista”, o monopólio da vergonha. Defender a lei virou acusação de violência; violá-la, ato de resistência legítima. Quando morre um policial, morre um pedaço da nossa esperança de que o Brasil possa ainda ser um país com justiça.
É isso que os brasileiros esperam? Que a coragem seja reconhecida, que a lei seja respeitada, que atos de fato civilizatórios — mesmo na mais dura das batalhas — ainda encontrem o apreço da população. Pois, apesar de tudo, é no julgamento consciente do povo que reside a esperança de um Brasil que não se curva à violência, mas honra aqueles que a enfrentam em nome dos reais valores civilizatórios.
Que os heróis sejam lembrados. Que os criminosos sejam punidos. E que, um dia, os “direitos humanos” deixem de pertencer aos desumanos — e voltem a ser, de fato, aquilo que deveriam ser; direitos de humanos.


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AMANTES DO CAOS, DA DESORDEM E DA CONFUSÃO - 30.10.25


Por Roberto Rachewsky

 

Todo sujeito que lucra do caos, não vai fazer nada para impor a ordem. Gente que nada produz só se dá bem com quem quer destruição. No dia 08/01, Flávio Dino observava da janela do seu gabinete os atos de vandalismo. Se não foi armação,  naquele dia surgiu a ideia de transformar aquilo numa farsa: a farsa do golpe.

Dino nada fez porque sabia que dali podia tirar um ganho político e econômico. Quer dizer, nada fez é força de expressão. Nada fez para impedir que o caos se instaurasse. Mandou as forças coercitivas abrirem caminho para os vândalos. Inclusive teve gente do governo recepcionando os vândalos com água mineral e tapinha nas costas. Cadê o GDias? Eu vi pelas redes sociais ao vivo. Dino não fez só isso. Ele deletou ou escondeu provas que atestam ter havido uma orquestração. O sumiço dos vídeos é por si só prova do crime ou obstrução da justiça.

Nesta semana, Lewandovski, assistiu uma verdadeira guerra entre o governo do Rio e a máfia do tráfico. Não fez nada. Cruzou os braços. Tanto o Dino quanto o Lewandovski ocupavam o cargo de Ministro da Justiça, que inclui a segurança porque  sob o seu comando estão a Polícia Federal e a Guarda Nacional, quando eventos caóticos ocorreram sob as suas barbas.

Qual a reação do Lewandovski ao pedido do governador por ajuda federal? Ele deu uma barrigada no chefe da Polícia Federal que disse ter sido avisado e convidado a participar da operação policial militar nos morros do Rio.
Usou a barriga para afastar seu subordinado dos microfones em uma entrevista em rede nacional.

Quem vive da destruição, do roubo, da corrupção, da coerção lesiva, ama o caos, a desordem, a confusão. Esse é o cenário perfeito para os criminosos do colarinho branco com camiseta vermelha se locupletarem e sairem de fininho.

O que Dino e Lewandovski têm em comum? A amizade e a confiança do Lula.


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O BRASIL NO ATOLEIRO IDEOLÓGICO - 27.10.25


 

Por Percival Puggina
 
 
         É fácil compreender por que o Brasil perde posições nos rankings internacionais e por que, salvo exceções, nossa representação política é tão precária. Todo ano, cerca de 3 milhões de brasileiros festejam sua chegada à maioridade. Em imensa proporção, tiveram suas mentes oprimidas pela “pedagogia do oprimido” e suas potencialidades contidas pelas urgências da “luta política”. Vários anos de “Ideologia para idiotas” enfiada em diferentes conteúdos pedagógicos, impingiu-lhes que a esquerda, sempre moderada, é boa, generosa e bem sucedida e que a direita, sempre extremada, é sinônimo de fascismo. Agora, saiam de dentro da bolha e espiem o resultado.
 
Basta observar esses jovens para entender que foram vítimas passivas do persistente combate cultural e espiritual travado contra o Ocidente. Aliás, é bom saber que essa foi a linha mais bem sucedida da velha Guerra Fria. É um combate que atacou e continua atacando de modo permanente o Bem, a Verdade, a Justiça e a Beleza. Seu produto final é perversão, falsidade e, claro, o desastre da ética e da estética. Em ambientes universitários, quando bem encaminhada em direção aos próprios fins, essa “cultura” confere aos coletivos e a seus ambientes o conhecido aspecto de legião de zumbis indignados.
 
Menciono aqui, com pesar, observações que jamais têm o devido destaque fora das redes sociais. É como se para as emissoras e veículos do oficialismo, os pilares da civilização fossem temas superados e estivessem, em fratura exposta, ante os olhos de todos. Regrediram à pedra lascada, isto sim! Mas se veem como sofisticados joalheiros na Amsterdam das ideias.
 
O consagrado teatrólogo alemão Bertold Brecht, em “A medida punitiva”, depois de prescrever aos comunistas o abandono de toda coerência e o descarte das regras morais e dos sentimentos humanos, conclui: “Quem luta pelo comunismo tem, de todas as virtudes, apenas uma: a de lutar pelo comunismo”.
 
Capturados pela militância esquerdista, brechtianos sem o saberem, milhões de jovens brasileiros sobre cujos ombros recairia tanta responsabilidade no futuro do país, têm, na própria incoerência, sua “best friend”. Dela lhes vem o inesgotável estoque de pesos e medidas que usam no mesmo modo flex aplicado por certas autoridades da República a preceitos da Constituição Federal.
 
Estamos assistindo, ao vivo, a tolerância com a corrupção dos companheiros. Há um silêncio nas redações. Ainda que a corrupção seja de uso e benefício privado, fazer de conta que não existe é menos danoso do que reconhecer a culpa. No Brasil de hoje, apesar das provas em contrário, todo direitista é tão culpado quanto Filipe Martins, um inocente; todo esquerdista, tão inocente quanto Nicolás Maduro, um bandido. Essa é a escandalosa lição que as instituições republicanas, em mal ensaiada coreografia, proporcionam à nação.


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