Espaço Pensar +

LIÇÃO AOS ALUNOS JORNALISTAS - 14.10.25


Por Roberto Rachewsky

 

Se eu desse aula na Famecos, já estudei lá, eu repetiria essa lição para meus alunos de jornalismo todos os dias:

 

Você não precisa ser gênio para entender os fatos. Basta não ser cego para a realidade, basta não se submeter aos seus caprichos e viéses, basta ser intelectualmente honesto com a tua própria consciência.

 

A chance de acertar previsões sobre o futuro, obviamente, aumenta exponencialmente quando você deixa de inventar teses sobre os fatos passados e presentes reduzindo assim a possibilidade de entrar em contradições que farão você perder a credibilidade.

 

É claro que aderir de tal maneira à verdade pode frustrar seus colegas jornalistas, fazendo você perder muitas amizades. Na realidade, também, é preferível estar só por falar a verdade do que mal acompanhado por quem vive da mentira.

 

É claro que vocês podem expressar a sua opinião, mas ela deve estar baseada nos fatos e ser resuktado de uma analise lógica desprovida se impulsos sentimentalóides. A primeira função de um jornalista de verdade é proteger a verdade dos seus próprios caprichos e dos seus valores que podem não respeitar o que de fato está ocorrendo na realidade.

 

Fatos são fatos e eles podem ser indesejados segundo a sua opinião. Você pode não gostar do que você vê mas mentir sobre os fatos nunca pode ser uma opção. Se sua audiência te pede para mentir, te abraçar à verdade como se ela fosse teu colete salva-vidas em meio a uma tempestade num oceano bravio.

 

Se você só fala ou escreve o que a tua audiência quer ou o que você gostaria que fosse, mas não é, existe uma outra faculdade no mesmo prédio que é a de publicidade e propaganda. Será que você não optou pela profissão errada?


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O BALCÃO DE NEGÓCIOS - 10.10.25


Por Alex Pipkin - PhD em Administração

 

Não sou cientista político, mas vivo nesta republiqueta verde-amarela vai fazer sessenta anos. Portanto, sinto os cheiros da feira, conheço o gosto da lama institucional. Digo com convicção hobbesiana: o homem não é perfeito, é egoísta, além de outras características nada elogiosas. O homem é assim, por natureza imanente. E, no Brasil, fisiologicamente, esses homens transformam-se em ministros.
Vejam o caso do ministro André Fufuca, do Progressistas, responsável pelo Esporte. Jovem, simpático, médico, mas acima de tudo especialista em fisiologia política. Quando seu partido decidiu desembarcar do governo lulopetista, Fufuca quis permanecer. Por convicção? Por coerência? Ora, poupe-me. Apenas apego ao conforto, ao tapete vermelho e, sobretudo, àquilo que se chama “estrutura de governo”, ou seja, boquinha garantida.
Também temos Celso Sabino, do União Brasil, ministro do Turismo, outro resistente ao suposto “ultimato” partidário. Disse que permanece por “convicção pessoal”. Convicção, sim, de que sair do poder seria um ato de generosidade que ninguém mais pratica.
E, como se não bastasse, estamos vivendo a emocionante, sentimental aposentadoria do ministro Luiz Roberto Barroso, candidatíssimo ao prêmio Nobel do “iluminismo”, que, no alto de seu “iluminismo”, deixa o STF, aludindo já ter contribuído para o grande avanço da republiqueta vermelho, verde e amarela. Mais um exemplo de como, no Brasil, virtude, erudição e fisiologia institucional podem coexistir sem qualquer atrito.
O fisiologismo, essa palavra sofisticada que tenta dar aparência nobre ao velho toma-lá-dá-cá, é o nome científico do balcão de negócios. E o balcão anda movimentado. Fufuca; Celso Sabino…
Convicções? Causas? Nenhuma. Apenas o velho instinto de sobrevivência política, travestido de pragmatismo. A retórica é o verniz; o conteúdo é o balcão de negócios.
É curioso observar como a política, essa ficção de bons propósitos, continua sendo vendida como uma arena de ideias. Quanta ingenuidade, meu caro Watson! Aqui, o que move a engrenagem não são ideais, mas interesses. Causas? Só se forem aquelas que garantem cargo, emenda e influência.
Vivemos, afinal, nesta republiqueta verde-amarela. Terra sem lei, da impunidade, da ditadura da toga e da corrupção desenfreada. Uma nação em que o crime compensa, o mérito incomoda e a coerência é tratada como excentricidade. A previsibilidade é quase científica: os incentivos que deveriam inibir o fisiologismo o estimulam; o sistema que deveria punir o desvio o recompensa.
Todo mundo sabe disso, é mais claro que água cristalina. O fisiologismo não é um acidente, é um projeto. E, enquanto a ciência política continua debatendo o país que deveria ser, nós, aqui fora, continuamos sobrevivendo ao país que é. Desafortunadamente, uma feira de vaidades, um leilão de princípios, uma coreografia cínica em que a virtude sempre dança sozinha.
Porque, no Brasil, o fisiologismo não morre. Ele apenas muda de gabinete.


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O TIRO NO PÉ DA GERAÇÃO Z - 06.10.25


Por Alex Pipkin, PhD em Administração

 

Os especialistas adoram diagnosticar a Geração Z. Dizem que estão exaustos, deprimidos, sem horizonte, atolados em dívidas e incertezas. E que merecem empatia. Na verdade, quando falam em “especialistas”, já leio esses artigos com um certo pé atrás. Hoje, ao ler revistas de negócios — como a Harvard Business Review — parece que até artigos técnicos viraram manual de autoajuda. É surreal, na minha honesta avaliação. Normalmente vêm com aquele tom de quem descobriu uma verdade superior, como se o mundo fosse um experimento social que não deu certo por culpa do “capitalismo selvagem”. O grande comedor de criancinhas.

Quase sempre escrevem transpirando pelos poros algo que me causa aversão, a sinalização de virtude. A necessidade de parecer bom enquanto distorcem fatos e tratam o indivíduo como incapaz.

Concordo que há cansaço real, que a vida se tornou incerta e que o futuro assusta. Mas quando a vida não foi incerta? O que é certo é que, quando dependemos da padronização da pobreza feita pelo Estado, a vida é certa — na pobreza. Não é o capitalismo que destruiu a esperança; é a crença de que o Estado pode substituir esforço e responsabilidade. Como dizia Adam Smith: “O interesse e a ação de cada indivíduo movem a sociedade”. Crescimento vem do trabalho, da liberdade e da responsabilidade pessoal, não de decretos nem de frases feitas.

As gerações anteriores enfrentaram crises, e talvez piores. Mas acreditavam que o esforço compensava. Que o mérito fazia sentido. Hoje, parte da juventude foi ensinada a duvidar disso. Aprendeu que lucro é exploração, sucesso é injustiça, que o governo deve corrigir e “salvar” o mundo.

Não tiveram uma educação de berço que os afastasse dessas narrativas. Ao mesmo tempo, o ensino martela na cabeça desses jovens idealistas os fantasmas da opressão e da injustiça, sempre com o velho comedor de criancinhas como vilão de estimação.

O ensino, não a educação — porque educação é de berço —, portanto, consolidou a dependência. Incentivou-a. Formou pessoas que não conhecem o essencial, que não compreendem a realidade. E a vida é dura. Gente que espera, em vez de agir.

O problema não é a falta de oportunidade, é a falta de autonomia. Quando o indivíduo terceiriza a própria vida, a esperança morre junto. Por isso, os jovens precisam acreditar mais em si mesmos. Mesmo que se autoenganem, precisam confiar que têm potencial para construir suas vidas. O esforço e o mérito recompensam. É hora de deixar de lado o canto da sereia ideológica do coletivismo e perceber que podem evoluir com suas próprias pernas.

A saída é simples, mas exige a coragem de que assumam suas próprias vidas. Que trabalhem, escolham e avancem. Depois que se decide avançar, a vida é feita de escolhas, e as escolhas importam. Como os incentivos nacionais hoje consolidam esse coletivismo destruidor, é preciso criar os próprios incentivos. Caminhar na trilha do autodesenvolvimento, da responsabilidade e do esforço individual gera esperança real. Alguns já começaram. Os outros continuam atirando no próprio pé — e chamando o disparo de justiça social. Que ironia.

Liberdade e futuro se conquistam, servidão se herda.

O resto?  O resto é ilusão....

 


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ÉTICA DESTRUTIVA, MISERÁVEL E NIILISTA - 30.09.25


Por Roberto Rachewsky

 

Se ilude quem acha que o Brasil se tornará uma república constitucional na qual cada cidadão terá seus direitos individuais inalienáveis reconhecidos e protegidos por um governo estabelecido para prover segurança e justiça quando elas forem violadas por bandidos..
Isso é e sempre será uma impossibilidade enquanto o governo for comandado por gente sórdida, pérfida, hipócrita, cruel, que não faz outra coisa senão parasitar. Tiram com as duas mãos o que as pessoas criam, para devolverem migalhas, com uma mão apenas, aos que não criam nada. Esses, como os governantes, adoram tirar uma vantagem que envolve ganhos imerecidos.
Os partidos que transformaram o roubo e o assassinato em ideologia, como PT, PSOL, PCdoB e outros, com o que fizeram nas últimas décadas já deveriam ter sido proscritos e seus dirigentes presos incomunicáveis. São terroristas.

Partidos dessa estirpe não estão cobertos pela liberdade de expressão quando agem politicamente. Eles não defendem ideias. Eles incitam a violência estatal para tirar dos indivíduos sua felicidade, propriedade, liberdade e até a vida, como vimos ocorrer na esteira de 08/01. São tão terroristas que apoiam e se associam aos piores terroristas que apareceram neste século: os palestinos de Gaza governados pelo Hamas. Sim. Lula, está sempre do lado errado porque ele não vê, não concebe que ele é o próprio mal.
Essa gente tem uma ética destrutiva, miserável, niilista. Não para si. O egoísmo deles é irracional, é aquele tipo de ganância pervertida que não vê mal algum em pisotear o próximo para alcançar bens materiais que nunca alcançariam se tivessem que criar valor para trocarem, em vez de saquearem o povo, o erário, as estatais, os aposentados.


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EMOÇÃO E PODER - 24.09.25


Alex Pipkin, PhD

 

Há livros que não se limitam a ser lidos; há livros que deveriam ser vividos, compreendidos, ensinados, transmitidos, porque desvendam os mecanismos mais íntimos da condição humana, revelando como nossas decisões, emoções, medos e vulnerabilidade à manipulação são sistematicamente moldados por trilhas invisíveis de comportamento. Um desses livros é Rápido e Devagar, do Prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman. Nas escolas, poderia ser apresentado de forma visual, gráfica, quase lúdica, para que crianças e adolescentes compreendessem que suas escolhas não são inteiramente livres, mas determinadas por sistemas internos silenciosos e incessantes. Aprender a pensar sobre como pensamos deveria ser tão essencial quanto ler, escrever ou calcular, porque é isso que define nossa liberdade, autonomia e capacidade de discernir. No entanto, nossas escolas se tornaram, em grande parte, centros de doutrinação; nossas universidades, ao invés de formar profissionais competentes, tornaram-se fábricas de militantes, moldando mentes para aceitar narrativas prontas, em vez de questioná-las.
Kahneman demonstra que cerca de 80% de nossas escolhas cotidianas não emergem da reflexão racional, mas do Sistema 1, rápido, automático, intuitivo, instintivo, acionado por imagens, sons, palavras, estímulos que ativam a parte límbica do cérebro, o território das emoções. Apenas em decisões de alto envolvimento — comprar uma casa, mudar de emprego, assumir compromissos significativos — entra em cena o Sistema 2, analítico, lento, reflexivo, lógico, científico, que estabelece relações de causa e efeito e permite decisões fundamentadas na razão comprovada. O drama do nosso tempo é que vivemos sob o império quase absoluto do Sistema 1, na era do sentimentalismo tóxico, em que emoções governam mentes, enquanto lógica, Ciência, “humanismo racional”, ética e moral são relegadas a segundo plano.
É nesse cenário que se insere a estrela vermelha e amarela do lulopetismo. O partido das emoções, dos instintos, do sentimentalismo tóxico, do lado negro do sentimentalismo. Um partido que explora exclusivamente o emocional, separando a maioria das decisões do lógico, do conhecimento comprovado, das experiências testadas, da Ciência com maiúscula, do “humanismo racional”, da moral e da ética. Em tese, prega um bom-mocismo falacioso, afirmando servir ao povo, mas cujo verdadeiro objetivo é manter os cidadãos servos do Estado, incapazes de decidir sobre seus próprios destinos. É o partido da novilíngua, da perversão das palavras, dos estímulos externos — frases, chavões, slogans — que influenciam mentes incautas a acreditar em falsas verdades econômicas, políticas, sociais e culturais, enquanto essas ideias jamais se sustentam na experiência, na lógica e na razão.
No Brasil, essa distorção é reforçada por dois fatores decisivos. Primeiro, a influência do coletivo: pessoas iletradas ou sem discernimento crítico temem se expor, ser discriminadas, destoar de sua bolha ideológica; reproduzem opiniões dominantes e negligenciam a realidade. Segundo, a ascensão dos falsos especialistas digitais — os “especialistas de Instagram” — que, sem fundamento, disfarçam manipulação com jargões técnicos e frases de efeito, recicladas e projetadas para excitar emoções em vez de informar. Eles não educam; manipulam.
Ontem, 23 de setembro de 2025, o discurso de Lula na ONU exemplificou esse fenômeno. Nada foi racional ou fundamentado; tudo foi emocional, vitimista, falacioso, cuidadosamente projetado para acionar o Sistema 1. Soberania pervertida, ditaduras defendidas, terroristas afagados e legitimados, silêncio sobre os reféns inocentes de posse do Hamas. Israel, a única democracia do Oriente Médio, foi, desgraçadamente, mais uma vez, acusada de cometer genocídio. Escárnio! Foi um espetáculo de manipulação emocional, um teatro de persuasão que explorou fraquezas humanas, medos e preconceitos.
Ainda assim, algo mudou. As redes sociais quebraram o monopólio da narrativa. Hoje, a população discute política, conhece os ministros do STF, identifica abusos, percebe a ditadura da toga. Esse deslocamento do imaginário popular alarma aqueles que sempre dependeram de manipular emoções.
Estamos diante de uma guerra cognitiva, um embate entre o automatismo emocional e a reflexão racional. A esperança reside em educar nossas próximas gerações para analisar, refletir, questionar e pensar. Só assim os cidadãos poderão perceber manipulações, resistir às falácias e escolher com liberdade e clareza.
Educação, com base na sabedoria acumulada, diversa. Ensino racional e emocional são liberdades. Enquanto não entendermos isso, enquanto não ensinarmos nossas crianças a pensar, continuaremos a ser conduzidos, manipulados, e a democracia será sequestrada por palavras doces que escondem perversidade.
A democracia de “verdade” permite que partidos ideológicos, sectários e populistas, como o PT, existam. Contudo, é essencial que as pessoas tenham acesso a educação sólida, sejam expostas a diferentes visões de mundo, fatos, argumentos, Ciência, história e experiências comprovadas. Só assim poderão resistir à manipulação de uma deselite progressista do atraso e de líderes populistas e autoritários que exploram vieses cognitivos e gatilhos emocionais. Mais importante ainda, poderão aprender a pensar criticamente, reflexivamente, e a decidir seus próprios destinos com autonomia e responsabilidade. A liberdade, então, deixará de ser palavra vazia e se tornará ação concreta, consciente, plena.


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