CORTE
Depois de já ter informado que o Orçamento da União sofreria um corte de R$ 50 bilhões, a equipe econômica do governo Dilma veio a publico, ontem, para manifestar onde e de que forma o dinheiro público será economizado.O ILUSIONISTA
Usando de uma sinceridade pouco confiável, o ministro Mantega tratou de fazer o que mais sabe: iludir os menos esclarecidos dizendo que a economia brasileira vai bem e que as contas públicas estão em ordem e saudáveis.DÉFICIT CRÔNICO
Ora, nenhum governo retira R$ 50 bilhões do Orçamento sem uma boa razão, não é mesmo? Pois, no caso do Brasil, diante da herança deixada pelo governo Lula, com altíssimo nível de gastos públicos, o corte atual não conseguirá fazer cócegas no déficit governamental crônico.CARGA TRIBUTÁRIA
A prova inequívoca de que a sociedade brasileira é muito despreparada está nos lamentos diários quanto a nossa elevada carga tributária do país. Ora, se o governo não reduz satisfatoriamente seus gastos, como a carga tributária pode ser menor?REFORMAS
Mesmo fazendo este corte de R$ 50 bilhões (valor miserável), a carga tributária precisa se manter alta. Simplesmente porque as despesas engessadas pela Constituição estão acima do insuportável. Coisas que só podem ser consertadas com várias reformas, que o governo evita de todas as formas.ROMBOS E ROUBOS
Isto tudo sem falar na péssima administração do dinheiro público, onde os rombos e roubos já se tornaram corriqueiros e normais. Aliás, quando um é estampado na mídia o prazo de repercussão não excede a três ou quatro dias. Até porque um novo rombo ou roubo já toma conta do noticiário.ESTADO GASTADOR
Volto a informar aquilo que faço à exaustão desde que o Ponto Crítico foi criado: só a Previdência Social do País, que envolve duas classes (?) de aposentados e pensionistas (Regime Geral da Previdência Social, ou INSS, e Regime Próprio da Previdência Social, dos Servidores Públicos) o rombo, anual, já atinge R$ 110 bilhões, aproximadamente.Pergunto: alguém acredita no ministro Mantega, quando o mesmo diz que o país vai bem e que a economia brasileira é auto-sustentável?Acreditem: sem competitividade não há como ir bem. E com governo extremamente gastador, mau gastador, menos ainda.NOTÍCIA
Na semana passada os brasileiros receberam uma bela notícia: o humorista, palhaço e deputado federal, Francisco Everardo Oliveira Silva, ou, simplesmente, Tiririca, foi nomeado, por indicação do seu partido, o PR (República), como titular da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados.NADA DE ANORMAL
Até aí tudo bem? Creio que sim. Se for levado em consideração que qualquer deputado pode ser indicado para fazer parte das diversas Comissões da Casa, nada há de anormal na escolha do deputado-humorista.DE ACORDO COM O PERFIL
No entanto, o que sempre se espera nesses casos, por óbvio, é que as indicações sejam feitas de acordo com o perfil e a intimidade que cada deputado mostre com os assuntos de cada Comissão, não é mesmo?NO LUGAR CERTO
Ora, se os eleitores de Tiririca (1,3 MILHÃO) foram duramente criticados pela escolha do seu representante na Câmara Federal, neste caso da indicação para compor a Comissão de Educação da Câmara Federal, a responsabilidade não lhes cabe. Afinal, desta vez, quem elegeu o palhaço, o humorista, o deputado, enfim, como titular da referida Comissão, foram os seus próprios colegas deputados. Que tal?IDENTIFICAÇÃO
Mas, ainda assim, pensando bem, usando o máximo de coerência, e longe de qualquer ponta de ironia, o deputado Francisco Everardo Oliveira Silva está ocupando o lugar certo: ninguém mais neste mundo se identifica tão bem com a péssima educação brasileira.BRINCADEIRA
Como os governos vivem brincando com a nossa educação (exceto a ideológica), nada melhor do que colocar um humorista, um palhaço, na Comissão que examina projetos e políticas educacionais do país. Melhor ainda se o deputado for analfabeto, não é mesmo?CIRCO DO ANALFABETISMO
Aliás, todo mundo suspeita, claramente, de que Francisco (Tiririca) é um analfabeto. Só os magistrados, até agora, de forma inexplicável, reconheceram que o humorista consegue ler e entender a escrita, embora de forma rudimentar. Pode? Analfabetismo, por suposto, não significa falta de inteligência, embora seja um ingrediente imprescindível para o seu correto desenvolvimento. Caso Tiririca tenha um rasgo de discernimento (pouco provável), ao tomar conhecimento do quanto a nossa educação é divertida não me espantaria se apresentasse um projeto para transformar a Comissão de Educação em Circo do Analfabetismo. Bem de acordo com a nossa triste realidade, que faz da educação uma grande piada, uma grande palhaçada, não? Viva!PENSAR!
O editorial de hoje é assinado pelo economista Marco Túlio Ferreyro, membro do PENSAR! Boa leitura!Impressiona o elevado grau de descolamento que o discurso e demandas das Centrais Sindicais em relação ao momento vivido pelo País e pelo Estado e, principalmente, em relação às reais e verdadeiras necessidades e anseios dos seus ditos representados, os trabalhadores. Por exemplo, vejamos a questão do salário mínimo, tanto em nível nacional, quanto em nível regional.ODE AO PASSADO
Ora, o salário mínimo constitui-se na verdade, em um símbolo do atraso, pois, é uma espécie de ode ao passado, por ser um símbolo do paternalismo estatal, o paizão provedor, representando a falsa idéia de que o bem estar dos indivíduos resulta de um ato da benevolência oficial e não do esforço e do mérito pessoal, de cada indivíduo.O pior é que a concessão de aumentos reais ao salário mínimo é vista pelos nossos míopes governantes e líderes de centrais sindicais, como uma eficiente política de redução de desigualdades, o que é uma grande falácia.VIOLÊNCIA
Certamente, políticas de qualificação e capacitação dos trabalhadores, aplicadas de forma sustentada ao longo do tempo, tem maior efetividade para o aumento dos rendimentos destes, do que a imposição arbitrária de um salário mínimo, violentando a dinâmica do mercado.PRODUTIVIDADE
Aumentos de salário real sem a contrapartida em termos de aumento da produtividade do trabalho, não se sustentam e acabarão sendo corroídos mais adiante por efeito inflacionário decorrente da remarcação de preços, além de empurrarem mais trabalhadores para o desemprego ou para o emprego precário, na informalidade.Vejamos outro eixo desse descolamento, verdadeira dissonância cognitiva: A proposta esdrúxula de redução da jornada de trabalho. Que mentes brilhantes!JANELA DE OPORTUNIDADE
O Brasil tem hoje, semi-aberta, uma imensa janela de oportunidade demográfica. Explico: Nos próximos 20 anos, o Brasil terá proporcionalmente, um enorme contingente populacional de pessoas em idade produtiva - entre 15 e 64 anos.Em suma, o Brasil terá duas décadas, daqui até 2030, para aproveitar tal janela ? o chamado cenário de bônus demográfico-, preparando o país para sustentar o elevado contingente de idosos que surgirá em três décadas. Então, é hora de trabalhar mais para gerar mais riqueza, empregos, renda e (até mesmo) impostos e não de reduzir a jornada.EDUCAÇÃO
No entanto, a otimização do aproveitamento desta dinâmica demográfica, no sentido de proporcionar prosperidade econômica e desenvolvimento humano, dependerá da possibilidade deste enorme contingente populacional ser adequadamente educado, qualificado e capacitado para um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, não somente em nível nacional, mas, também, em escala global.Portanto, ao invés de empunhar as mesmas, velhas e surradas bandeiras de sempre e o que é pior, na contramão das atuais necessidades do país, porque as Centrais Sindicais e suas líderes não deixam o velho e barato proselitismo sindical-populista de lado e passam a incorporar uma agenda verdadeiramente positiva, erguendo as bandeiras da educação de qualidade e qualificação profissional?DESINTERESSE SINDICAL
Certamente, não há amparo maior e melhor ao trabalhador do que qualificá-lo e capacitá-lo, tornando-o apto, por exemplo, a preencher os quase dois milhões de vagas, de ofertas de trabalho no ano passado que não foram preenchidas no Brasil, por absoluta falta de qualificação dos pretendentes, somente de acordo com os dados do SINE.Então, como explicar a falta de interesse das centrais sindicais (ao menos aparentemente) em debater de forma midiática, assim como o fazem em relação à questão do salário mínimo e projetos como o que defende a jornada de trabalho? Por que não explicam que na proposta orçamentária do FAT, aprovada para o exercício de 2011, estarem previstos apenas R$1,1 bilhão em recursos para programas de qualificação profissional, enquanto que, ao mesmo tempo, R$21,4 bilhões estão assegurados para pagamentos de seguro-desemprego?Mormente, caríssimas, lideranças das poderosas centrais sindicais, é ou não é um grande contra-senso o fato de quase dois milhões de vagas ofertas no mercado no ano passado não terem sido preenchidas por falta de qualificação profissional e aquele que se chama de Fundo de Amparo ao Trabalhador destinar apenas 2,26% do total de suas receitas para 2011 (48,6 bilhões), ao mesmo tempo em que se asseguram 44% desse montante para pagamentos de seguro desemprego? Onde está a lógica econômica e as boas práticas na gestão da coisa pública, uma vez que, a maior parte dos recursos do FAT sai de impostos como PIS/PASEP (R$33,5 bilhões), que em última análise, são pagos por toda sociedade contribuinte (famílias e empresas) do país? A escassez de trabalhadores qualificados apresenta-se como um sério obstáculo à obtenção de taxas mais robustas de crescimento econômico e que poderiam vir acompanhadas da redução das desigualdades, uma vez que, comprovadamente, a educação anda lado a lado com a renda. Sem um salto educacional, o Brasil continuará apresentando níveis de pobreza e de desigualdade que não são admissíveis em uma sociedade democrática e que quer ser justa.Apenas através de políticas públicas que sejam capazes de produzir a igualdade de oportunidades educacionais de qualidade, preferencialmente com adoção de incentivos através da meritocracia, iremos conseguir reduzir a desigualdade de renda e os níveis de pobreza. No restante, há o conjunto de políticas meramente assistencialistas, empobrecedoras e que condenam à servidão.Por fim, cabe dizer que as percepções e o contexto analítico acima desenvolvido, foram feitos e motivados pelo exercício da lógica. Infelizmente, no entanto, a luz da lógica não consegue penetrar na escuridão da cegueira ideológica daqueles que insistem em empunhar bandeiras do atraso e se manter na contramão da história.FOLGADA MAIORIA
Depois de ter sido aprovado na Câmara dos Deputados o valor de R$ 545,00 para o novo salário mínimo, o Senado também confirmou a decisão que interessava ao governo. Com isso o governo deu uma idéia do quanto tem folgada maioria nas duas casas.GOVERNADORES
Como alguns governadores já estão conseguindo aprovar valores mais elevados do que aquele que foi votado e aprovado na esfera federal, uma coisa precisa ser esclarecida: o que a Câmara e o Senado aprovaram foi, exclusivamente, o Salário Mínimo Previdenciário.SAFADEZA
Como não são sérios os deputados e senadores, principalmente petistas e pedetistas, aquilo que seus partidos defendem num ambiente é difere totalmente em outros. A denominação disto? Safadeza.SALÁRIOS ESTADUAIS
O mais lamentável nisso tudo é a sede insaciável do governo para intervir na economia. Os federais se recusam a fazer a reforma da Previdência. E os estaduais, também agindo como seres celestiais, ditam os valores mínimos que os trabalhadores de cada região devem receber. Maravilha, não?INSTRUMENTOS DE GOVERNO
Tudo aquilo que deveria ficar restrito à negociação os políticos resolvem por legislação. Pode? Uma prova de que tais decisões só acontecem em países socialistas que abominam a liberdade. Ou seja: fazem, inclusive, dos sindicatos instrumentos puros de governo. Um horror!MITOLÓGICOS
Participei, ontem de uma seleta reunião promovida pelo empresário Antonio Sartori com alguns comunicadores e empresários do setor agropecuário. O propósito era de projetar o mercado de grãos para os próximos vinte anos. Entre tantos esclarecimentos ficou claro que os gaúchos são mitológicos imaginando que o RS é o celeiro do Brasil. Ridículo.DOIS DESTINOS
Além de deixarem de ampliar conhecimentos sobre o mercado mundial, uma vez que os grãos são commodities internacionais, muitos produtores não admitem correr riscos. Assim, tudo que plantam e colhem tem dois destinos: 1- os consumidores em geral, desde que estejam dispostos a pagar um preço que lhes dê um bom lucro; 2- o governo, quando os preços de mercado não são satisfatórios. Que tal?OBSTÁCULO
Num país em que o analfabetismo impera, e o analfabetismo funcional é simplesmente aterrador, é inútil explicar que aumentos de salário não representam aumento do PODER DE COMPRA dos reclamantes e atendidos. Ainda assim volto a insistir:ANALFABETISMO
Esta lamúria que estamos assistindo quanto ao baixo valor do novo salário mínimo, cujo reajuste se iguala ao índice de inflação do ano anterior, mostra exatamente o grau de desconhecimento e/ou analfabetismo de grande parte da sociedade brasileira.OFERTA E PROCURA
Ora, a mão de obra, assim como as matérias primas em geral, são fatores de produção. Como tal tem seus preços regulados pela lei da oferta e procura. Portanto, em economia que está crescendo, quanto maior a qualidade do fator de produção oferecido, ou demandado, maior será o seu preço.COMPORTAMENTO DOS PREÇOS
Na mesma lógica, quando os preços dos fatores de produção se elevam, como é o caso atual da maioria das commodities, por exemplo, este aumento impulsiona a inflação. Atenção: preços só se elevam quando a demanda está maior do que o tamanho da oferta.INFLAÇÃO
Ora, os assalariados têm o sagrado direito de reivindicar remunerações melhores e maiores pelo que estão dispostos a produzir. Mas precisam estar convencidos de que o aumento pretendido deve estar em linha com o aumento da produção e com o necessário aumento de consumo dos bens que produzem. Caso contrário, qualquer aumento representará mais inflação.REAJUSTE MAIOR
O aumento da massa salarial, portanto, só produz efeito positivo caso represente um efetivo aumento do Poder de Compra dos assalariados. Esta paridade, fundamental, não está sendo levada em consideração pelos políticos, sindicalistas e o povo em geral, que exigem um reajuste maior para o salário mínimo.INGÊNUOS E SAFADOS
Como se vê estamos diante de uma platéia de ingênuos(aqueles que só recebem o mínimo porque não tem qualidade intelectual para receber algo mais) e de safados, que incitam os ignorantes dizendo que com um salário mínimo maior o Poder de Compra aumenta na mesma proporção. Se a inflação já mostrou cara feia para 2011, em 2012 o dragão vai estar enfurecido. Não esqueçam que o salário mínimo do próximo ano vai contemplar a inflação de 2011 mais o aumento do PIB de 2010. Um reajuste de, no mínimo, 13%. Encrenca pura.BARBAS DE MOLHO
O som alto das vozes dos povos de vários países do Oriente Médio está ecoando por todos os cantos do mundo. Se nos países mais democráticos a preocupação com os agitos já impressiona, naqueles que são governados por ditadores, ou coisa parecida, os ditos-cujos, obviamente, estão com as barbas de molho.CULTURA MILENAR
A cultura milenar dos povos daquela região, certamente, não admite uma mudança rápida de muitos comportamentos adotados pelos ocidentais. Isso, entretanto, não faz dos orientais povos cegos e sem discernimento.IRAQUE
Percebendo o que está acontecendo no Iraque, que está começando a experimentar o regime democrático, os jovens de vários países da região se encheram de coragem e foram às ruas para dar um basta nas ditaduras e expulsar os ditadores.ACABAR COM OS DITADORES
Pelo processo em cadeia deflagrado a partir do Egito, a encrenca promete ser muito grande. E o prazo de duração é imprevisível. Principalmente, porque a única coisa que os povos da região têm hoje, na cabeça, é acabar com os ditadores.DAY AFTER
Não está claro, portanto, a existência de um plano para o dia seguinte. Algo que defina o quê e como os revoltosos pretendem, para seus novos governos. O que querem, enfim, que conste nas novas Cartas Constitucionais.SANGUE QUENTE
Neste aspecto, para o bem daqueles povos, sugiro que não se deixem levar pela nossa Constituição, de 1988. Caso contrário, considerando que o sangue árabe está quente, a cobra oriental voltará a fumar. Com muito mais força.RECADO
Chamo a atenção, principalmente, que para atender todos os privilégios, corporativos, concedidos aos ocupantes de cargos públicos, a carga tributária já chegou perto de 40% do PIB. Como os privilegiados são insaciáveis, a conta só pode aumentar. Até que o ponto em que alguns brasileiros percam a paciência e ocupem as ruas para fazer algo parecido com que estamos vendo no fervente Oriente Médio. Que tal?