CONFIRMAÇÃO
Só pela decisão que o governo Temer tomou, no final desta terça-feira, com relação à renegociação das dívidas do Estados com a União, fiquei com uma impressão ainda mais nítida de que o editorial de ontem, com o título -BRASIL, PAÍS-PROBLEMA-, é o grande desejo dos nossos deputados-governantes e, portanto, não pode ser minimamente contestado.
PIOR CRISE
Gostem ou não, o fato é que com a aprovação esta renegociação das dívidas, da forma como resolveu a maioria do deputados federais, vai deflagrar a PIOR CRISE DAS FINANÇAS PÚBLICAS do nosso já combalido país. Se já havia uma vontade explícita de tornar o país ainda mais PROBLEMÁTICO, desta vez os nossos deputados-governantes excederam.
DADA A LARGADA
Parafraseando o pensador e economista Ronald Otto Hillbrecht, foi dada a largada para uma nova e maior crise das finanças públicas no país, além de esta ser um forte incentivo para a volta da inflação alta e crônica. Uma prova de que a qualidade intelectual dos nossos políticos é péssima em todos os partidos, com raríssimas e honrosas exceções.
PL 257 DESFIGURADO
Na realidade, como bem lembra o também pensador, Ricardo Bergamini, a Câmara dos Deputados simplesmente desfigurou o projeto de lei (PL 257) do governo e aprovou, nesta madrugada (10), um prazo extra de 20 anos para que os Estados paguem suas dívidas com a União sem adotar qualquer contra partida no corte de gastos com pessoal.
A versão final da lei prevê que os governadores terão uma moratória até dezembro para voltar a pagar as dívidas que serão recalculadas, agora, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais a aplicação da taxa Selic, adotada pelo Banco Central como juros oficiais pagos pelo Tesouro Nacional, limitado a 4%.
PRESSÕES
A única contra partida proposta pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e mantida pelos deputados, foi a limitação dos gastos gerais de custeio e folha de pagamento à inflação oficial do ano anterior durante dois anos.
Os deputados sucumbiram às pressões de organizações de desembargadores, promotores, funcionários e conselheiros de tribunais de contas e demais servidores públicos estaduais e retiraram do projeto apresentado pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, as limitações específicas a reajustes salariais, inclusive dos terceirizados.
TEXTO FINAL
O texto final também concede aos governadores um desconto de cinco pontos percentuais a cada mês entre janeiro e junho. A partir de julho, segundo a versão aprovada na Câmara, os estados voltarão a pagar as mensalidades com valores integrais. Para aderir à renegociação e ganhar mais 20 anos para pagar suas dívidas além dos 30 anos previstos nos contratos, os estados terão que desistir de todas as ações impetradas junto ao STF, que solicitavam a troca da aplicação dos juros compostos por juros simples na correção dos estoques das dívidas de cada ente federado.
UM PAÍS DO FUTURO???
Desde 1941, quando o renomado romancista Stefan Zweig escreveu o livro: -BRASIL, UM PAÍS DO FUTURO-, que se tornou um clássico, muita gente segue acreditando, piamente, que o nosso país ainda é um gigante adormecido que tão logo acorde de seu sono profundo vai entrar num período de desenvolvimento e crescimento.
PAÍS PROBLEMA!
Entretanto, quem observa com algum cuidado os atos que ao longo desses últimos 75 anos (desde a publicação do livro de Stefan) vem sendo promovidos pelos nossos governantes, com a colaboração maldosa das mais diversas corporações, que realmente mandam na nossa cada vez mais empobrecida Nação, tem uma clara impressão de que o País do Futuro foi transformado num complicado -PAÍS PROBLEMA!-.
GRANDE PROBLEMA
Aliás, como bem diz o colunista da revista Veja, José Roberto Guzzo, no Brasil já não existe um GRANDE PROBLEMA. Com passar do tempo, infelizmente, em todos os caminhos que apontavam algum desenvolvimento sustentável foram colocados todos os obstáculos possíveis para evitar que o tal FUTURO FOSSE REALMENTE PROMISSOR para o Brasil.
VIA DEMOCRÁTICA
Para piorar de vez, os GRANDES PROBLEMAS, que já são muitos, foram blindados, com a ajuda das Corporações, e com isto viraram CLÁUSULAS PÉTREAS. Isto significa, para desespero de quem é capaz de raciocinar, que os GRAVES PROBLEMAS que estão destruindo as contas públicas do País, dos Estados e dos Municípios, não têm como serem removidos pela VIA DEMOCRÁTICA.
POVO DORMINHOCO
Aí está, como se vê, o quanto a maioria do povo brasileiro continua dormindo e o quanto os detentores dos mais variados privilégios nunca dormiram no ponto. Enquanto os bobos (SEGUNDA CLASSE) sonhavam com o País do Futuro, a minoria que compõe a PRIMEIRA CLASSE, tratava de fazer valer suas vontades, e com isto dificultar o desenvolvimento. Pode?
REFORMAS
O resultado aí está: somos apenas e tão somente o PAÍS-PROBLEMA. Até as reformas que se fazem necessárias para tirar o país do sufoco não conta com a mínima concordância e/ou aprovação das Corporações. Como nada daquilo que pode tirar o Brasil do atoleiro é aceita, e os problemas já são muitos, não há mais como dizer que o GRANDE PROBLEMA DO PAÍS é este ou aquele. Além de inúmeros, ainda contam com total má vontade de serem resolvidos.
PRINCIPAL NOTÍCIA
Ao longo deste período em que o Brasil, notadamente o Rio, cidade sede das Olimpíadas 2016, vive as delícias da realização dos Jogos Olímpicos, a maioria das notícias que não dizem respeito ao importante evento esportivo se veem obrigadas a entrar na fila, esperando que sobre algum espaço para serem divulgadas.
CERIMÔNIA DE ABERTURA
Ainda que as competições estejam acontecendo normalmente, com inúmeras medalhas já conquistadas por atletas de vários países, nas mais variadas modalidades esportivas, o fato é que a maravilhosa cerimônia de abertura das Olimpíadas 2016, que aconteceu na última sexta-feira, continua produzindo grandes comentários, todos carregados de fortes elogios.
SEM GALVÃO
Pois, da mesma forma como praticamente todos que assistiram e cerimônia, confesso que gostei muito de tudo que vi pela televisão. Creio, inclusive, que muito do que gostei se deve, primeiramente, ao fato de ter escolhido um canal de televisão que não tinha o cansativo Galvão Bueno como narrador. Isto, sem dúvida, já melhora qualquer evento.
QUADRO GERAL DE MEDALHAS
Entretanto, ao longo do final da semana fui percebendo que o Brasil se mostrou ao mundo todo como muito bom naquilo que não concorre nas Olimpíadas e/ou não faz parte das modalidades de disputa olímpica. Basta ver a nossa pobre posição no quadro geral de medalhas.
MAIS ANFITRIÕES, MENOS CONCORRENTES
Pelo visto o Brasil só se preparou mesmo para fazer bonito na Cerimônia de Abertura. Se em algumas modalidades esportivas temos boas chances de medalhas, por aquilo que já se viu na sexta-feira à noite resolvemos ser mais anfitriões e menos concorrentes.
PROPÓSITO MAIOR
Não parece muito estranho, caro leitor, um país fazer tanta força, gastando enormes somas, com o propósito de ser apenas o país-sede de um evento esportivo? No mínimo, o que se poderia esperar é que o Brasil fosse se interessar em fazer nas mais diversas modalidades olímpicas o que foi capaz de fazer na FESTA DE ABERTURA. Afinal, não é este o propósito maior?
O PREÇO NÃO INTERESSA
Aliás, a rigor, como bem disse o pensador Rodrigo Constantino, na análise que fez da cerimônia inicial, -o Brasil sabe fazer uma festa animada. O que não sabe fazer é um País decente!-. Com absoluta razão, Constantino ainda emendou: Para o brasileiro o importante é que a festa seja bonita. O preço não interessa. Disse tudo.
DEZ MEDIDAS DE COMBATE À CORRUPÇÃO
Ontem, a convite da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, o juiz Sérgio Moro participou de uma audiência com o propósito de debater as DEZ MEDIDAS DE COMBATE À CORRUPÇÃO, que compõem o Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) que recebeu assinaturas de mais de DOIS MILHÕES DE BRASILEIROS.
PLIP
Vale dizer, com letras maiúsculas, que este Projeto (PLIP) é uma legítima e indiscutível atitude revestida da mais pura DEMOCRACIA. Vejam que o número expressivo de assinaturas colhidas, que por si só diz com absoluta clareza o quanto os brasileiros exigem medidas que realmente consigam combater a corrupção, é quase três vezes maior do necessário para poder emplacar qualquer Projeto de Iniciativa Popular.
SANCIONAR E PUBLICAR NO DOU
Isto significa que, a rigor, o Projeto (PLIP), do jeito que foi redigido e devidamente assinado pelo povo, nem deveria passar por Comissão alguma e muito menos deveria ser aprovado pelo Plenário. O Congresso deveria, apenas e tão somente, sancionar, publicar no Diário Oficial da União e cumprir, ipsis litteris, o desejo do povo.
FORO PRIVILEGIADO
Pois, além de defender o desejo do povo brasileiro através das assinaturas, o juiz Moro foi mais além: defendeu o FIM DO FORO PRIVILEGIADO, que depende de uma PEC - Projeto de Reforma Constitucional-.
Sem ser bidu, Moro disse, com total simplicidade, que o FORO PRIVILEGIADO fere a ideia básica da DEMOCRACIA e da própria Constituição, que diz que todos devem ser tratados como iguais.
Mais: o magistrado destacou que, "tranquilamente", abriria mão do benefício.
RELATOR
Fico feliz que o relator, deputado Onix Lorenzzoni, mostra intenso interesse no assunto. Entretanto, ninguém desconhece que será difícil a aprovação das DEZ MEDIDAS. Como trabalhei duro, na beira da praia de Jurerê, durante todo o verão passado, para angariar assinaturas, mais do que ninguém exijo que tudo que expliquei a cada um dos assinantes do PLIP seja aprovado. Isto significa que o meu trabalho só vai cessar quando o PLIP for aprovado.
190 MILHÕES
Como uma andorinha não faz verão, o sucesso destas importantes vontades do povo só poderão se transformar em realidade com a força de todos. Os deputados precisam ouvir a voz rouca dos indignados que não somam apenas os DOIS MILHÕES que assinaram o documento. Na verdade, mais de 190 milhões exigem que a corrupção seja combatida e que o Foro Privilegiado acabe imediatamente.
BOM DESEMPENHO
A expressão -LIÇÃO DE CASA-, que é muito usada nas análises e comentários esportivos, serve para dizer que jogando dentro de seus estádios, os clubes têm como obrigação apresentar um bom desempenho perante seus adversários.
MAU ALUNO
Ontem, o economista Aod Cunha, que já foi secretário da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul no governo Yeda Crusius, repetiu a frase, dizendo que o RS não foi um bom aluno e com isto deixou de fazer a TAREFA DE CASA. Ou seja, deixou para trás as possibilidades de desenvolvimento sustentável.
GOVERNOS PETISTAS
Pois, antes de tudo é necessário saber qual LIÇÃO DE CASA o povo gaúcho exigiu dos governantes que elegeu nas últimas décadas. Se for levado em conta apenas o que fizeram os governos petistas, com Olívio Dutra e Tarso Genro à frente, fica evidente que a LIÇÃO DE CASA imposta pelos eleitores foi cumprida à risca. Afinal, governos petistas e/ou socialistas têm como propósito arrasar CONTAS PÚBLICAS.
LIÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO
Volto a explicar, pela enésima vez, que existem boas e más LIÇÕES DE ADMINISTRAÇÃO para serem cumpridas. As boas dizem, antes de tudo, que é preciso gastar somente aquilo que a receita permite. E quando se fazem necessários empréstimos, as parcelas de amortização devem, obrigatoriamente, caber dentro do fluxo de caixa. As más não precisam ser explicadas, pois basta ver o que os governos petistas, principalmente, fizeram com o País e com o RS.
DEMOCRACIA FALACIOSA
Com absoluta razão, Aod disse que -Reformas importantes são muito difíceis de serem executadas em ambientes democráticos-. O que o economista não referiu é que no Brasil e no RS a DEMOCRACIA é uma falácia, pois quem manda, de fato, são as Corporações de funcionários públicos, que funcionam como braços dos governos neo-comunistas.
ESQUEÇAM
Sejamos, portanto, sensatos: se, decididamente, for do interesse público, ou seja, da maioria que só tem como obrigação pagar a conta dos privilegiados -tanto ativos como inativos-, o enfrentamento dos problemas que impedem o crescimento realmente sustentável do País e do RS, a solução, gostem ou não, passa pelo fim dos DIREITOS ADQUIRIDOS. Fora daí, esqueçam. ESQUEÇAM!!!
ALÉM DO LIMITE
É uma pena que muita gente não tem capacidade de entender que os DIREITOS atingiram um patamar impossível de ser ATENDIDOS. Não há crescimento que consiga pagar o que foi aprovado. E pior ficará caso venham a ser aprovados mais aumentos de despesas de pessoal.
A propósito: no Brasil, enquanto o PIB cai 7,00% em dois anos (2015/2016), os salários dos trabalhadores de PRIMEIRA CLASSE DO STF aumentam 16,38%, para uma inflação medida pelo IPCA nos últimos doze meses de 8,84% até junho de 2016 (ganho real acima da inflação de 85,20%). Pode?
ATENÇÃO: nós, brasileiros e gaúchos, não chegamos no limite. O limite já foi ultrapassado faz tempo. E, para piorar, continuamos fazendo a LIÇÃO DE CASA DA DESTRUIÇÃO, imposta pelas Corporações que mandam nos governantes.
COISA RARA
Para aqueles que conseguem desenvolver o raciocínio lógico, algo que, lamentavelmente, está se tornando cada vez mais raro no nosso país e, principalmente, no meu Estado, o RS, nada do que está acontecendo com a nossa economia e com as contas públicas é obra do acaso.
VONTADE PRÓPRIA
Isto significa, com todas as letras, que a situação chegou a este ponto deplorável por exclusiva vontade dos nossos governantes e da concordância da maioria dos eleitores do país e do estado gaúcho, que por sinal tem feito de tudo para provar que erra de forma gritante quem o considera como o mais politizado do Brasil.
GRANDE FURADA
Como, ao longo desses últimos 15 anos de Ponto Crítico sempre insisti muito, enfatizando o quanto os brasileiros e gaúchos embarcaram numa GRANDE FURADA ao eleger governantes petistas, os meus editoriais acabaram se revelando como uma prova cabal de que pertenço ao seleto grupo de brasileiros que consegue desenvolver o raciocínio lógico. Algo, aliás, que se tornou raro em vários países da América Latina.
ESPERANÇA INTUITIVA
Pois, agora que estamos nos aproximando da data do Impeachment da estúpida e criminosa presidente afastada, Dilma Rousseff, que mais parece uma novela sem fim, vejo o renascer de uma ponta de ESPERANÇA, ainda que INTUITIVA, quanto ao futuro do nosso país.
TERMÔMETRO
Entretanto, se existisse um instrumento capaz de medir, a cada momento, o grau de CONFIANÇA E ESPERANÇA daqueles que conseguem fazer bom uso do raciocínio, e o mesmo funcionasse tal qual um termômetro com ponteiros, o mesmo, certamente, já estaria quebrado.
OSCILAÇÕES BRUSCAS
Pelo que acontece diariamente no Brasil e no RS, por mais resistente e preciso que fosse o instrumento, pelo grau de oscilação da desconfiança, que se movimenta através das atitudes e decisões tomadas pelo nossos governantes, em todos os seus níveis, torna-se impossível a existência de algo que suporte tamanha variação.
SIMPLES ASSIM
Como se vê, os brasileiros em geral apenas têm fé de que algo bom venha a acontecer. Como os governantes, com a ajuda das Corporações, não estão dispostos a transformar o país num lugar decente e promissor, e o povo detesta ser ator das boas mudanças, não vejo como alimentar a minha ESPERANÇA.
Só para que me entendam: para que exista alguma ESPERANÇA é necessário que uma ou mais atitudes sejam tomadas. E mesmo correndo o risco de não darem certo. Ou seja, sem a tomada de atitudes corretas não há como ter ESPERANÇA de que algo bom aconteça. Simples assim...