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SOCIALISMO DE CNPJ ALHEIO - 15.05.26


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Por Alex Pipkin, PhD em Administração

 

O estatismo no Brasil deixou de ser apenas uma escolha econômica. Tornou-se um método de organização moral da sociedade.
A novidade já não está no tamanho do Estado, mas na sua ambição litúrgica. Preservou-se a fachada da propriedade privada, enquanto se estatizou, progressivamente, o direito de decidir.
O empresário continua sendo formalmente o titular do patrimônio. Apenas já não é mais plenamente dono da liberdade de administrá-lo. Transformou-se numa espécie de zelador de luxo do próprio negócio, encarregado de manter os ativos funcionando enquanto o governo define, cada vez mais, os limites da operação.
Eis o socialismo de CNPJ alheio. Um sistema sofisticado que dispensa desapropriações cinematográficas porque descobriu algo muito mais eficiente. Ter o controle sem comprar, sufocar sem estatizar e capturar o lucro sem assumir o risco.
Até a China comunista compreendeu que empresas precisam de oxigênio, lucro e obediência aos sinais de mercado para não colapsarem.
Já o Brasil resolveu inovar no atraso. Adotou um modelo em que o empreendedor assume o risco integral, o burocrata interfere na operação e a conta, invariavelmente, termina no colo do contribuinte. Tudo, naturalmente, sob o pretexto do “bem comum”.
Multiplicam-se normas, cruzadas humanitárias e o fetiche da judicialização, conduzidos com notável desenvoltura por pessoas que jamais dependeram da produtividade para sobreviver. A última fronteira desse bom-mocismo econômico é a tentativa de revogar a escassez por decreto, vendendo a fantasia de que se pode trabalhar menos ganhando igual.
Como toda mágica populista, a realidade desaparece apenas temporariamente. Depois retorna sob a forma de desemprego, informalidade, juros altos e estagnação sem-fim.
O discurso oficial segue denunciando os “males do capitalismo”, enquanto o país afunda justamente pela ausência do capitalismo de verdade.
Não vivemos o livre mercado. Vivemos algo mais tropical e dissimulado, um sistema em que o Estado não precisa possuir os meios de produção porque já se tornou sócio majoritário do arbítrio econômico.
Não estamos caminhando para o socialismo de barba e farda do século XX. Estamos mergulhando em um socialismo de planilha e carimbo, no qual o governo não confisca a sua empresa; ele apenas a transforma, lentamente, em uma repartição pública da qual você, por puro azar, ainda é o responsável legal.
Os velhos socialistas queriam estatizar empresas. Os novos perceberam que é muito mais eficiente estatizar empresários.