Espaço Pensar +

QUEM PRECISA DE PARTIDOS ASSIM? - 10.08.26


Compartilhe!           

Por Percival Puggina
 
 O momento histórico, com um exemplo adequado, ilustra o que descrevi no artigo “O jogo e a regra do jogo”. Mais da metade dos deputados federais e senadores (53% nos dois casos) atua em partidos que não terão e não apoiarão qualquer dos candidatos a presidente da República no pleito que se inicia dentro de 60 dias..., mas o que é isso, senhores?
 
Vejam a lista: MDB, PSDB, PP, União Brasil, Republicanos, Cidadania e Podemos compõem a turma do “tanto faz quem ganhe”. É o Centrão. Esses partidos aprenderam que a regra do jogo permite ganhar sem jogar, sem expor as canelas; depois é só aconchegar-se, sorrateiro, entre as sedosas almofadas proporcionadas pelo vencedor. É mais fácil negociar direto com ele, seja quem for. É claro que tais práticas criam legendas medíocres, nunca partidos úteis à sociedade; não formam eleitores conscientes, menos ainda empolgados por ideias; não preparam líderes, não formam dirigentes e, menos ainda, estadistas. Com tantos ruminantes de interesses, mesmo legendas que nasceram promissoras trouxeram o niilismo para a política: nem no período eleitoral, o futuro do país e o bem do povo suscitam real interesse.
 
Pouco lhes importa se a Economia foi para o brejo, se os corruptos quebraram até o cofrinho das crianças, se a Educação nacional desqualifica mais e mais a juventude para a improvável condição de  agente de um futuro promissor, se as cirurgias do SUS são agendadas para depois dos velórios, se parte do território nacional está tomado pelo crime, se a liberdade de opinião está cerceada, se a injustiça se torna o cotidiano de tantos e se a blindagem e a desigualdade perante a lei são a sublimação dos culpados em privilégio dos cargos. Para partidos assim, tudo que realmente importa aos cidadãos vale menos do que seus interesses. Insisto: isso não é estratégia, é opção moralmente rasa em qualquer atividade.
 
Quem precisa disso? Da colheita política, tais partidos buscam apenas a frutose, ou seja, as frutas mais doces da árvore do poder. Se nada custassem ao pagador de impostos, já seriam caríssimas pelo que fazem, mas o brasileiro, do berçário à sepultura, paga para tê-las e mantê-las no mercado dos votos.
 
No horizonte do meu tempo de vida, não haverá eleição tão decisiva quanto esta. Ela está ali adiante, já visível na noite dos tempos, com as luzes piscando em sinal de alerta para um momento historicamente relevante. Veja lá o que você vai fazer! Creia: votar branco, nulo ou não votar não é um manifesto à nação. É irresponsabilidade. Não sou omisso nem ingênuo e votarei pela mudança possível porque me sinto permanentemente agredido pelo que foi feito com a nossa liberdade, com a democracia, com o Estado de Direito e com as vítimas dos abusos de autoridade. Em outubro, resgatemos, no voto, a Terra de Santa Cruz.