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O ÚLTIMO NEGÓCIO DO PT - 09.10.26


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Por Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

 

O PT não inventou a corrupção brasileira. Mas é mestre na arte de exigir indignação contra os adversários e calorosa compreensão para os camaradas.
Para o adversário, a forca. Para o companheiro, o divã.
O opositor precisa de algemas às seis da manhã. O companheiro exige “contexto”, “conjuntura” e um STF amigo para rebatizar condenações em três instâncias como perseguição. 
A corrupção sem constrangimento deixa de ser crime para adquirir a respeitabilidade de projeto político com certificado de virtude.
Do Mensalão ao Petrolão, o fato é expulso da sala para a narrativa se acomodar confortavelmente no sofá. 
Agora o palco é o INSS. Bilhões surrupiados de aposentados, conexões escusas e o filho do presidente abrindo empresa em Madri enquanto seu nome surge nas investigações. Coincidências do socialismo sem risco.
Lula acusou os Bolsonaro pelas suspeitas envolvendo o financiamento de Dark Horse. Agora, a Veja divulga o relato de Vorcaro sobre milhões destinados a um documentário do próprio Lula. O banqueiro revela uma comovente dedicação ao cinema nacional. 
Para os Bolsonaro, suspeita e indignação. Para Lula, roteiro, contexto e compreensão. Vorcaro, pelo visto, não financia apenas filmes. Patrocina ironias.
A reação do ecossistema é atacar quem aponta, carimbar o fato como fake news e chamar a própria cegueira de consciência crítica. A especialidade é acusar o opositor daquilo que se tolera entre aliados. Fascista é quem discorda. Nazista é quem cobra coerência.
É a pureza moral, não é?
O partido da virtude antirracista recruta para sua comunicação quem escreveu “odeio branco” e tolera o antissemitismo com keffiyeh. Ódio do bem não é ódio; é, claro, engajamento.
Na economia, a conta chega ao cidadão nos impostos, no custo de vida e no crédito proibitivo. O Brasil ostenta o maior juro real do mundo, enquanto o Estado cobra com as duas mãos, devolve um trocado como benefício e ainda reivindica a paternidade da generosidade financiada pelo contribuinte.
Mas o problema não termina no PT. 
Alcança o cidadão que entregou a própria consciência ao diretório partidário, permitindo que lhe digam quem odiar na segunda, quem perdoar na terça e qual escândalo esquecer na quarta.
Não por falta de informação, mas pela comodidade de pertencer à tribo dos iluminados, aquela que jamais erra e, quando erra, simplesmente redefine o conceito de erro. Pensar exige independência; terceirizar a consciência garante o nobre privilégio de jamais contrariar a companheirada.
Nenhuma causa nobre desinfeta dinheiro sujo.
Uma consciência terceirizada não procura a verdade, mas cúmplices para a própria cegueira.
O PT já escolheu a narrativa que lhe convém. 
Resta saber até quando o cidadão aceitará pagar a conta financeira e moral para que a companheirada pense em seu lugar.