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26 jun 2026

TORCER PELO LADRÃO DA PRÓPRIA TORCIDA


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É TEMPO DE COPA

No momento em que preparava um texto voltado ao -COMPORTAMENTO UFANO- do povo brasileiro em geral, no que diz respeito à participação na NOSSA SELEÇÃO nos jogos da COPA DO MUNDO, me deparei com o oportuno artigo do pensador Alex Pipkin, com o título -O VERDADEIRO ESPORTE NACIONAL- e achei que melhor caberia o compartilhamento do conteúdo através do editorial de hoje. Eis: 


ATO DE FÉ

É tempo de Copa, quando o país volta a repetir, quase como um ATO DE FÉ, que o futebol é o nosso esporte nacional. Não é. 

O verdadeiro campeonato brasileiro acontece longe dos estádios, nos corredores do poder, onde influência pesa mais do que mérito, conexões substituem competência e o resultado da partida costuma ser conhecido antes mesmo do apito inicial.


ROBIN HOOD FOI DEMITIDO POR OBSOLESCÊNCIA

Nesse campeonato, Robin Hood foi demitido por obsolescência. Roubar dos ricos para dar aos pobres exige esforço, risco pessoal e uma ingenuidade incompatível com o grau de sofisticação que alcançamos. O Brasil aperfeiçoou a fórmula. Expropria-se quem trabalha, produz, empreende e paga impostos para sustentar uma máquina cuja principal vocação parece ser recompensar aqueles que aprenderam a gravitar em torno do poder.

Tudo isso acontece embalado por discursos moralmente grandiosos.


FREQUENTAR O PIB É MAIS CONFORTÁVEL

A esquerda festiva descobriu, ao longo da caminhada, que é infinitamente mais confortável frequentar o PIB do que combatê-lo. Banqueiros, operadores de influência, grandes empresários e políticos profissionais passaram a compartilhar os mesmos ambientes, os mesmos interesses e, frequentemente, as mesmas conveniências. 

A revolução terminou exatamente onde tantas revoluções terminam; no salão principal do castelo, com o banquete financiado pelos contribuintes.

Mas a verdadeira inovação brasileira não está na corrupção, nos privilégios ou nas relações promíscuas entre poder político e interesses privados. Nada disso é particularmente novo.


TORCER PELO LADRÃO DA PRÓPRIA TORCIDA

A grande novidade é o desaparecimento completo do pudor. Já não existe a necessidade de negar, esconder ou disfarçar. O escândalo se transformou em passivo gerencial, a contradição foi incorporada à rotina e a incoerência transformou-se em simples detalhe operacional.

A velha res publica foi silenciosamente convertida em algo muito mais conveniente. Continua sendo financiada por todos, mas administrada como patrimônio daqueles que controlam a máquina. 

Robin Hood imaginava que o problema eram os privilégios dos nobres instalados dentro do castelo. Nós fomos mais criativos. Transformamos o próprio Estado no castelo e enviamos a conta da manutenção para os camponeses que observam o banquete do lado de fora dos muros.

O detalhe realmente extraordinário é que muitos deles continuam discutindo apenas qual mesa do banquete merece mais aplausos.

No fim, o verdadeiro esporte nacional nunca foi o futebol. Sempre foi torcer pelo ladrão da própria torcida.