O COMUNISMO E A NATUREZA
Repasso, a seguir o oportuníssimo texto, escrito pelo educador e escritor venezuelano Dandry Leonardo Omaña Casanova, com o título -QUANDO A TERRA TREME, FALA A ALMA DE UM PAÍS-, como forma de manifestar o meu sentimento e a minha solidariedade ao sofrido povo venezuelano, que depois de ser brutalmente atingido pelo COMUNISMO também acabou sendo vítima de um tombo implacável promovido pela NATUREZA. Eis:
QUANDO A TERRA TREME...
Há dias em que a terra decide lembrar aos homens que eles não são donos do mundo, mas apenas hóspedes de passagem. Então o solo, que parecia firme e imutável, estremece com uma força antiga, e em meros segundos desaparece a ilusão de controle que tanto trabalho nos custa construir. Quando a terra treme, não são apenas as montanhas que se sacodem. Tremem também as certezas, as soberbas, os orgulhos e as diferenças que durante anos pareciam intransponíveis.
Tenho visto como, depois de um terremoto, ninguém mais pergunta a ideologia do vizinho antes de ajudá-lo a erguer um muro. Ninguém exige um sobrenome antes de oferecer um copo de água. As mãos não diferenciam ricos de pobres quando precisam remover escombros para buscar vida. É então que fala a alma de um país — aquela que nunca mente.
Os edifícios podem desabar, mas os preconceitos também caem. As ruas se enchem de poeira, mas os corações descobrem uma clareza que a rotina havia enterrado. De repente compreendemos que aquilo que julgávamos indispensável era mero acessório, e que a verdadeira riqueza sempre esteve na solidariedade de quem caminha ao nosso lado.
A VERDADEIRA ARQUITETURA MORAL DE UMA NAÇÃO
Chega a ser paradoxal que seja a fragilidade a despertar a nossa maior fortaleza.
As mães abraçam seus filhos com mais força. Os idosos voltam a se sentir necessários contando histórias de outros tempos difíceis. Os jovens descobrem que o heroísmo nem sempre usa uniforme; muitas vezes, veste roupas simples e traz as mãos cansadas.
Nessas horas de incerteza surgem os heróis silenciosos: o bombeiro que não dorme, a enfermeira que esquece o próprio medo, o vizinho que cozinha para todos, o rapaz que carrega nos ombros um desconhecido, o sacerdote que consola, o professor que organiza as crianças, o voluntário que nunca pergunta a quem está ajudando. Eles são a verdadeira arquitetura moral de uma nação.
A TERRA FALA COM A SUA FORÇA
Com o tempo, as rachaduras nas paredes são consertadas. Erguem-se novas moradias, reconstroem-se pontes e voltam os mercados e o burburinho das cidades. Mas há uma fresta que permanece aberta na memória coletiva: aquela que nos lembra que a vida pode mudar em um instante e que nenhuma obra humana é tão sólida quanto a compaixão.
Penso que é por isso que os povos que sobreviveram a grandes terremotos desenvolvem uma sensibilidade diferente. Aprendem que a verdadeira estabilidade não está no cimento, mas na confiança mútua; não na altura dos edifícios, mas na profundidade dos valores.
Quando a terra treme, a natureza não pune nem recompensa. Ela simplesmente nos lembra da nossa condição humana.
E assim, enquanto as placas tectônicas escrevem sua história sob os nossos pés, outra história é escrita na superfície: a de um povo que decide se levantar mais uma vez.
Porque um país não se mede pela magnitude do sismo que suporta, mas pela dignidade com que volta a ficar de pé.
\Ao final, quando cessa o tremor e o silêncio volta a ocupar as ruas, resta uma lição impossível de esquecer. A terra fala com a sua força, mas a alma de um país responde com a sua humanidade.
ESPAÇO PENSAR+
No ESPAÇO PENSAR+ de hoje: OS PARASITAS USAM A FORÇA, por Roberto Rachewsky. Confira: https://www.pontocritico.com/espaco-pensar