SALVO-CONDUTO
Com o salvo-conduto concedido -sob medida- pela maioria dos ministros do STF, o condenado Lula, que já é tido como o maior bandido do Brasil, obteve a privilegiada proteção que confere o direito de poder circular livremente sem correr o risco de ser preso ou impedido. Que tal?
RETRIBUIÇÃO
Aqui entre nós: a decisão tomada, ontem, pela maioria dos ministros do STF, não pode ser vista como algo surpreendente. Até porque este péssimo e nojento sistema de escolha, indicação e/ou aprovação de quem quer que seja para ocupar um cargo público, propõe o entendimento geral de que a retribuição pelo gesto é uma questão de tempo e oportunidade.
INDULTO
Pois, na condição de cidadão -indignado e revoltado-, fiquei com sensação de que o salvo-conduto tirado do forno pelos cozinheiros do STF exalava um forte cheiro de INDULTO, ou ATO DE CLEMÊNCIA ao já condenado Lula.
CHEIRO DA IMPUNIDADE
Sei, perfeitamente, que o SALVO-CONDUTO tem prazo de duração até o dia 4 de abril (?), data que o STF marcou para julgar a liminar que impede a prisão do larápio. Ainda assim não posso negar o que o meu olfato acusou, ou seja o forte e muito conhecido CHEIRO DA IMPUNIDADE. A ver...
ESTADO TERMINAL
O fato é que os brasileiros decentes, que ainda cultivavam a ESPERANÇA DE UMA BRASIL MELHOR, foram dormir (se é que conseguiram) com a sensação de que a mesma está em ESTADO TERMINAL, sem direito sequer à extrema-unção.
STF, UMA VISÃO DO INFERNO
Aliás, como bem escreve o pensador Percival Puggina, neste artigo que leva o título -STF, UMA VISÃO DO INFERNO-. Eis:
Não, três vezes não! Eles não farão um Brasil à sua hedionda imagem e semelhança.
Nesta noite de 22 de março, enquanto escrevo, sinto o coração apertado. Sei que, neste momento, os ratos se regozijam nos porões do submundo e os grandes abutres festejam nas iluminadas coberturas do poder. Aos olhos escandalizados da nação, o STF testemunhou contra si mesmo. Falou aos trancos com o “humanitário” Gilmar Mendes. Soprou vaidade e ironia matreira com Marco Aurélio Mello. Tartamudeou e olhou assustado com Rosa Weber. Perdeu resquícios de pudor militante e se fantasiou de amor ao próximo com Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Deu razão a Saulo Ramos com os floreios monocórdios de Celso de Mello.
Enquanto confessavam suas culpas e exaltavam a impunidade, viralizava o crime, a corrupção e o pandemônio moral. Suas palavras nos aprisionavam ainda mais, corroendo esperanças que juízes de verdade haviam plantado em nossas almas. Acabamos o dia numa cidadania vã, sugados feito bagaço, desprovidos de qualquer poder e capturados pelo mecanismo que nos tomou como servos submissos, pagadores das contas que não cessam de nos impor. Ironicamente, queriam convencer-nos de que era tudo para o nosso bem! Ora, isso é tão ridículo que não prosperará!
Reconheço. Assim como, em Cuba, tive medo do Estado, esta tarde tive medo aqui. Medo de também nos tomarem a esperança. Senti a dormência de sua perda e me lembrei das palavras lidas por Dante no sinistro portal do Inferno: “Por mim se vai a cidade dolente; por mim se vai a eterna dor; por mim se vai a perdida gente...”. E, ao fim do verso, a sentença terrível que, há sete séculos, ecoa com letras escuras nas horas sombrias: “Lasciate ogni speranza voi ch’entrate” (Deixai toda esperança, vós que entrais).
Não exagero, leitor amigo. Ali estava, mesmo, o portal do Averno, do Inframundo. Cinco dos sete pecados capitais eram encenados por uma tribo de togas. Os dardos da ira cruzavam o salão como tiroteio na favela. A soberba se refestelava na própria voz. Ah, o poder sem freios! A inveja se esbaforia entre duas malquerenças: a do brilho e a da altivez. A preguiça, sim ela, fez parar a sessão às 18 horas da tarde; ela mesma admitiu as férias pascais. A avareza fremia de cupidez, olhos postos nos bilhões em honorários que se derramarão para a imediata soltura de milhares de criminosos endinheirados, já cumprindo pena de prisão por condenação em segunda instância. São sentenciados cujas condenações extinguiram completamente a presunção de inocência, mas em relação às quais não se completou – e talvez não se complete jamais – o rito do trânsito em julgado. Ao menos enquanto houver talão de cheques com fundos suficientes para puxar os cordéis da impunidade.
Todavia, não! Este é o país de Bonifácio, de Pedro II, de Nabuco, de Caxias! Esse STF fala por si e haverá de passar! Os corruptos não nos convencem nem nos vencem. Trouxeram-nos às portas do Inferno. Exibiram-nos o portal de Dante. Que entrem sozinhos. Perseveraremos.