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SUBORNO E CEGUEIRA JUVENIL - 05.11.26


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Alex Pipkin, PhD em Administração e Consultor Empresarial

 

Parte dessa militância que se julga imune à manipulação costuma ser fácil de conduzir quando lhe oferecem uma causa e um inimigo. A prova exige leitura; o clichê, apenas repetição.
Há uma gurizada modernosa que parece saber tudo; os óculos certos, o tênis da hora, o grupo de pertencimento e a convicção de que o véio aqui é que está errado. Eles é que sabem. Sabem tanto que caem no clichê, confundindo insensatez com coragem e provocação rasteira com inteligência.
Quando os fatos contrariam a cartilha, a mensagem é quase explícita: não escutem. Tapem os olhos e os ouvidos. A boca, não. Essa continua aberta para falar por Lula.
A esquerda conhece extraordinariamente o expediente. Diante de um escândalo, troca-se o assunto; diante do próprio fracasso, fabrica-se um culpado. O adversário de ontem serve para encobrir a vergonha de hoje. A militância, tão vigilante para enxergar autoritarismo nos outros, desaprende a reconhecê-lo quando vem do seu lado.
Elementar, meu caro Janones. Ops, Watson.
No segundo turno, vieram medidas bancadas com dinheiro público. O pacote para MEIs, com perdão de dívidas e Pix de até R$ 5 mil, além do reajuste do Bolsa Família. Estelionato eleitoral na veia. Mas chamem como quiserem. Quando o governo abre o cofre em plena disputa eleitoral, não é generosidade espontânea. É a necessidade alheia transformada em instrumento de poder, com a virtude fazendo a cobertura moral.
E parte desses jovens que se dizem idealistas? Fecharam os olhos? Não perceberam? Ou preferiram não perceber porque a verdade atrapalhava a narrativa? Idealismo uma pinóia. Há conveniência nessa indignação seletiva, onde condena-se a força quando vem do adversário e celebra-se quando favorece os seus.
André Janones prospera nesse ambiente. E que ambiente!
Mas a pergunta que fica não é sobre ele. É sobre nós: que idealismo é esse que fecha os olhos para o cofre aberto em plena eleição e só enxerga autoritarismo no adversário?
O que que é isso, minha gente?