Por Alex Pipkin - PhD em Administração
A crença mais perigosa do nosso tempo é a de que o problema está no sistema. Não está. O problema está no homem.
Mudam os regimes, mudam as bandeiras, mudam os discursos, trocam-se os salvadores da pátria. O ser humano, porém, permanece surpreendentemente parecido consigo mesmo.
A inveja atravessou séculos. A cobiça atravessou impérios, e a sede de poder sobreviveu a todas as revoluções que prometeram eliminá-la.
Foi justamente por reconhecer essa realidade que a civilização construiu limites. Primeiro surgiram os limites morais, expressos na honra, no dever, na responsabilidade e no caráter. Depois vieram os limites institucionais, materializados nas leis, nas constituições e na separação dos poderes.
A lógica era simples. Se os homens são imperfeitos, precisam de limites. E se aqueles que governam também são homens, o poder precisa de limites ainda maiores.
Durante séculos, essa combinação imperfeita permitiu algo extraordinário. Logrou a liberdade sem anarquia e autoridade sem tirania.
O problema é que passamos a enfraquecer os dois pilares simultaneamente.
A moralidade foi transformada em relíquia. A vergonha desapareceu do vocabulário público. O dever tornou-se antiquado. O autocontrole passou a ser visto com desconfiança.
Ao mesmo tempo, os limites institucionais passaram a ser tratados como obstáculos por aqueles que se julgam portadores de causas superiores, virtudes superiores ou missões superiores.
Nenhuma sociedade permanece saudável por muito tempo quando a consciência perde força e o poder perde contenção.
A velha sabedoria popular dizia que a ocasião faz o ladrão. A experiência humana sugere algo diferente. A ocasião não cria o ladrão, apenas revela quem ele já era.
Civilização nunca significou transformar homens imperfeitos em seres perfeitos. Significou criar barreiras capazes de conter seus impulsos mais destrutivos.
Quando os limites morais enfraquecem e os limites institucionais deixam de cumprir sua função, ressurge aquilo que a civilização sempre tentou domesticar; a luta permanente por vantagens, privilégios e poder, frequentemente disfarçada de virtude.
É nesse ponto que as sociedades iniciam sua marcha regressiva. A prosperidade pode sobreviver por algum tempo, a tecnologia pode continuar avançando e as aparências podem até sugerir normalidade. Mas, quando desaparecem os limites que contêm os impulsos humanos e restringem os abusos do poder, o processo de decadência já começou.
As sociedades raramente morrem por falta de riqueza. Morrem quando desaparecem os limites que contêm os homens e o poder.
A grande conquista da civilização nunca foi eliminar os nossos defeitos, mas impedir que eles assumissem o comando.