CARTEIRA DE IDENTIDADE
Na semana passada critiquei os editores do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, por terem publicado na sua página editorial afirmações inconcebíveis. Não tenho a pretensão de corrigir o Conselho Editorial da empresa, mas devo esclarecer que a CARTEIRA DE IDENTIDADE de um jornal é o seu editorial. Assim, o uso de máscaras para esconder o rosto nada mais é do que uma fraude. O que determina o fim da credibilidade.
EQUÍVOCOS
Dito isso, infelizmente volto a criticar, agora pela última vez, o péssimo editorial de ZH, publicado no domingo passado(29), sob o titulo A VIA DA LIBERDADE. Desta vez porque o jornal voltou a se manifestar de forma muito confusa e/ou carregado de inconcebíveis equívocos.
TEXTO
Na última parte do texto editorial consta o seguinte: Se o socialismo de Estado naufragou e o capitalismo de mercado enfrenta sucessivas turbulências, que se continue buscando uma terceira via capaz de conduzir os homens e mulheres a um futuro mais digno, justo e solidário.
CAPITALISMO?
Ora, que capitalismo de mercado é este? Onde ele se encontra? Até as pedras sabem, perfeitamente, que o capitalismo europeu é de Estado e não de mercado. Assim como o capitalismo brasileiro também nunca foi de mercado, mas de comando. Na Europa, mais do que sabido, os governos dos países mais atingidos pela turbulência eram todos socialistas. E, na América Latina, continuam sendo.
CLINTON
Nos Estados Unidos, mesmo que os jornais brasileiros não queiram informar, a crise das hipotecas (bolha imobiliária), que resultou nessa bagunça financeira mundial, surgiu no governo Clinton. Foi Bill Clinton quem impôs uma forte pressão governamental aos bancos exigindo que concedessem empréstimos de alto risco, a fim de fazer com que a casa própria ficasse mais acessível para os americanos de baixa renda e àqueles com um histórico de crédito ruim.
SECRETARIA DE HABITAÇÃO DOS EUA
Esta é a verdade nua e crua, gente. Gostem ou não. Clinton, à época nomeou Andrew Cuomo para a Secretaria de Habitação e Desenvolvimento dos EUA, e Roberta Achtenberg como adjunta. Enquanto Cuomo, em combinação com muitos outros fatores, simplesmente jogou as empresas Fannie May e Freddie Mac ao mercado dos subprime, Roberta tratava de multar os bancos que negavam empréstimos imobiliários. Isto acontecia sem colocar em prática os meios para monitorar seus investimentos, cada vez mais arriscados. Isto é mercado?
TERCEIRA VIA?
Ora, que um repórter cometa equívocos até certo ponto é aceitável, uma vez que a maioria dos existentes (que exigem diplomas para exercer a profissão de jornalista) nada sabe de economia e negócios. Entretanto, quando se trata de pessoas escolhidas para compor o Conselho Editorial de um jornal, os erros são imperdoáveis. Jornais assim, decididamente, não servem a ninguém, não é mesmo?Ah, antes que me esqueça: que terceira via é esta, que ZH sugere?