SURPRESOS
Na semana passada fiz o seguinte comentário, que deixou muitos leitores surpresos: o dólar, depois da concretização da operação de capitalização da Petrobrás, deverá apresentar valorização frente ao real.
ENTRADA FORTE DE DÓLARES
Formei esta convicção pela lógica do raciocínio. Afinal, diante do tamanho da operação de venda de ações da Petrobrás, e do consequente interesse de investidores internacionais, era óbvio que haveria uma forte entrada de dólares no país, forçando a queda de preço da moeda pelo efeito oferta.
DÉFICIT EM CONTA CORRENTE
Como a operação será concluída nesta semana, e não há previsão de uma entrada tão significativa de moeda no país, quem vai entrar em cena a partir de agora é o déficit em conta-corrente, que deve ensejar um bom período de compra de dólares no mercado.
EFEITO DEMANDA
A partir de então, pelo efeito demanda o dólar deverá ser mais pressionado ocasionando uma desvalorização do real. Nada que possa levar, em condições de temperatura e pressão, em mais de R$ 1,90 ou R$ 2,00, para não criar inflação.
FUNDO SOBERANO
Para corroborar com a minha convicção, o BC também entrou em cena: ontem, o presidente do BC, Henrique Meirelles, anunciou que o Conselho do Fundo Soberano, na sua primeira reunião, autorizou o fundo a fazer investimentos em moeda estrangeira. Com um detalhe: sem qualquer limite.
POSIÇÃO COMPRADORA
Ora, tão logo o mercado tomou conhecimento da notícia, muitos bancos resolveram se posicionar em dólares. Assim, ao final do dia de ontem, a moeda norte-americana, que esteve cotada à R$ 1,711, virou compradora e fechou à R$ 1,728, com alta de 0,52%.
ENXUGAR A MOEDA
Pelo que deu a entender, a ordem do BC, daqui para frente, é comprar dólares. Para tanto vai adotar uma postura agressiva, que admite a existência de vários leilões (surpresa), diários, com o propósito de enxugar a moeda.