ATREVIMENTO
Sei, perfeitamente, que fazer comentários e/ou críticas sobre decisões (ou falta delas) tomadas por um governante que goza de 77% de aprovação de seu povo é assumir o risco de, no mínimo, ser visto como atrevido e inoportuno.
UFANISMO
Quando o grau de satisfação da sociedade atinge um nível assim, tão elevado, o ufanismo ganha força e provoca um terrível bloqueio dos nervos do cérebro (daqueles que possuem, obviamente). A consequência disso é a perda do discernimento de tudo que acontece no país.
ESTADO DE TORPOR
Este estado de torpor, infelizmente, faz com que muita gente perca o interesse por estudos sérios e importantes, cujo propósito é mostrar como o nosso país se situa em relação a todos os demais países do mundo considerado civilizado.
ALERTA
Pois, como brasileiro que não se deixou abater pela doença que impede o discernimento, sinto-me no dever de alertar, de todas as formas, sobre o que é preciso fazer para que o Brasil ocupe uma boa posição no mundo. Algo que, de fato, possa justificar a enorme aprovação que a nossa governanta adquiriu.
REVELAÇÃO IMPORTANTE
Vejam, por exemplo, o que revela a análise feita pela Penn World Table, banco de dados do Centro para Comparações Internacionais de Produção, Renda e Preços da Universidade da Pensilvânia, com indicadores econômicos de 189 países: O trabalho, no Brasil, não se tornou mais produtivo ao longo dos últimos 30 anos.
PRODUTIVIDADE EM QUEDA
Sem qualquer conotação ideológica, o estudo mostra que a produtividade do trabalho no Brasil, fator fundamental do crescimento econômico sustentado, caiu entre 1980 e 2008. De lá para cá, o indicador recuou na crise global, depois se recuperou rapidamente, mas parou de crescer a partir do segundo semestre de 2010.Em 1980, um trabalhador brasileiro produzia em média o equivalente a US$ 21 mil por ano. Em 2008, esse número havia caído para US$ 17,8 mil. Houve, portanto, queda de 15% no período, segundo informam os dados da Penn World Table.
SOMOS VÍTIMAS?
Os valores da Penn World Table sobre a produtividade do trabalho são todos convertidos para dólares de 2005, com paridade de poder de compra (PPP). Isso significa que a diferença de custo de vida entre os diferentes países é eliminada.Entre os 150 países da Penn World Table com dados completos de produtividade do trabalho entre 1980 e 2008, o Brasil está em 130º lugar, em termos de desempenho neste período. O Brasil só ganha de 21 países, sendo 11 da África (incluindo Costa do Marfim, Malawi, Somália, Camarões, Togo e Zimbábue). Atenção: todos os demais países africanos tiveram desempenho melhor do que o Brasil. Na América Latina, a evolução da produtividade do trabalho brasileiro nas últimas três décadas só não é pior do que a apresentada por Paraguai, Venezuela, Nicarágua e Haiti. Comparado a outras grandes economias emergentes, ou a países sul-americanos como Argentina e Chile, o Brasil tem o pior desempenho na produtividade do trabalho entre 1980 e 2008. Pergunto: tem sentido a bem avaliada presidenta Dilma afirmar que o nosso pobre Brasil é vítima de países mais competentes?