ATA DO COMPOM
Segundo informa a ata do Copom, divulgada na semana passada, a taxa Selic deve continuar recuando neste ano. Pelo que se pode extrair do texto do documento, o governo resolveu intervir no Banco Central tomando esta decisão, independente, portanto, da trajetória da inflação durante o ano 2012.
LIMITE INTRANSPONÍVEL
Pois, antes que alguém imagine que a taxa Selic possa apresentar uma redução substancial, é importante que tenha em mente que existe um limite, praticamente intransponível, para que ela possa ficar abaixo de 8% ao ano.
GARANTIA DEFINIDA POR LEI
Mesmo que em outras ocasiões este tema já tenha sido abordado volto a alertar que a remuneração da Caderneta de Poupança é uma barreira que nenhum governo conseguiu derrubar até hoje. A garantia (definida por lei)de que os depósitos feitos na Poupança sejam remunerados a uma taxa de juros fixos, de 6,17% ao ano, e uma taxa variável, definida como TR, impõe uma redução muito limitada na taxa Selic.
TUDO VAI PARA A POUPANÇA
Ora, considerando, também, que o rendimento da Caderneta de Poupança é isenta de IR, a conta é muito simples: basta a Selic se aproximar de 8% ao ano para que todos os recursos hoje aplicados em títulos públicos acabem depositados na Poupança.
SEM POSSIBLIDADE
Isto pressupõe, de forma muito clara e transparente, que com este limite legal não há a mínima possibilidade do Brasil poder definir uma taxa de juros-prime no mesmo nível praticado por qualquer país mundo afora, como o governo pretende.
DELFIM ENLOUQUECIDO
Segundo o ex-ministro Delfim Netto, as agências de classificação de risco são arrogantes e antidemocráticas. Que tal? Em nenhum momento o economista admitiu que os governos que promoveram este fantástico festival de má administração de dinheiro público são irresponsáveis.
BOLHA
Convenhamos: o papel das agências de rating deve ser exatamente este que estamos assistindo, e não aquele que se caracterizou pela omissão, quando, até o fatídico ano de 2008, não informaram o risco que estava embutido nos CDS, títulos que promoveram o estouro da maior bolha de crédito do mundo. Sai desssa, Delfim...