MUITO PARECIDO
Quando afirmo que o Brasil está ficando muito parecido com a Grécia, ou mesmo com os demais países da Europa que estão em sérias dificuldades, não são poucos aqueles que me chamam de equivocado e que nada disso é verdade.
SEM TRÉGUA
Pois, ainda que estejamos no tradicional período da trégua natalina, momento em que esses assuntos são deixados de lado, não posso ficar calado. Chamo a atenção, portanto, uma vez que a nossa situação está se agravando pelo lado do custo público, em todos os seus níveis.
BENEFÍCIOS PÚBLICOS
O que, realmente, faz com que o Brasil fique parecidíssimo com a Grécia, é que a elevação descomunal dos benefícios que vem sendo concedidos aos servidores públicos nos últimos anos. Com um detalhe: depois de sacramentados não tem mais volta, ou seja, se a economia recuar, o direito está garantido e a conta precisa ser paga.
REPETIÇÃO
Como muita gente ainda está festejando a boa situação do Brasil na economia mundial, nada mais importante do que a repetição constante do tema para que ninguém diga, logo mais à frente, que foi pego de surpresa, ou que não sabia...
TUDO SAI DOS IMPOSTOS
Como bem escreveu Ricardo Galuppo, Publisher do Brasil Econômico, na edição de ontem daquele jornal, que em nada difere daquilo que já venho escancarando há muito tempo, não existe mágica: benefícios públicos são pagos com dinheiro público. Quando os benefícios tornam-se maiores do que a capacidade de arrecadação do Estado, só há duas saídas:A primeira é elevar os impostos (no Brasil são altíssimos; a segunda é reduzir os gastos (o que significa, em última instância, o corte de benefícios). Atenção: os recursos para cobrir a conta saem de uma única fonte: os impostos.
GRÉCIA E BRASIL
Se a carga tributária da Grécia é menor do que a nossa, a despesa, por ser simplesmente fantástica, levou aquele velho país à falência. No Brasil, mesmo elevando cada vez mais a carga tributária, para poder enfrentar os elevados gastos públicos, o déficit público nunca desaparece.
GRAVIDADE EXTRA
No Brasil, como se sabe, a situação ganha uma gravidade extra: a qualidade da educação deixa a desejar; a saúde (direito assegurado pela Constituição), idem; o sistema de aposentadorias é falho para quem trabalha no setor privado; e os salários dos funcionários públicos representam uma conta cada vez mais pesada, que pode colocar TUDO A PERDER antes mesmo que o conjunto dos brasileiros consiga os benefícios de uma sociedade evoluída.
ANOTEM AÍ
Para 2012, várias categorias profissionais apadrinhadas por aliados políticos do governo estão reivindicando não apenas reajustes indecentes, mas cálculos de reajustes salariais que, no limite, jogarão sobre as costas do contribuinte uma carga excessiva, a ponto de obrigar o Estado a eliminar benefícios antes que eles sejam concedidos ao conjunto da população.Os servidores do Judiciário, além dos privilégios já obtidos querem um reajuste vultoso, que pode custar quase R$ 8 bilhões por ano ao contribuinte.Os servidores do Ministério Público Federal querem quase 60% de reajuste salarial - isso sem considerar qualquer critério de produtividade. Reajuste puro e simples.A Receita Federal quer fazer alguns reajustes internos que, na prática, significam conceder a um grupo de servidores benefícios superiores aos que aceitaram ao prestar concurso para a instituição. Isso tudo, gente, sem falar num expediente tão velho quanto cabotino, que vem sendo utilizado nos últimos anos por quem quer tirar mais ainda da população que paga impostos. Trata-se do seguinte: uma determinada categoria consegue uma gratificação que não constava do acordo celebrado na época do concurso que prestou.É o suficiente para que todas as outras tentem conseguir na Justiça o mesmo benefício, sob o argumento surrado de que a ISONOMIA justifica todo e qualquer absurdo.