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26 dez 2011

A BISBILHOTEIRA


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INCÔMODO
Os altos servidores do Poder Judiciário resolveram escancarar ao povo brasileiro que a democracia, no Brasil, tem limite.Para deixar claro quem realmente manda no pedaço e o quanto não suportam a idéia de serem investigados, os magistrados decidiram que o Conselho Nacional de Justiça é um incômodo na vida do Judiciário.
CNJ
Cabe aqui um registro: para que os leitores entendam o assunto, um dos objetivos do CNJ, criado em 31/12/2004 e instalado em 14/06/2005, é o aperfeiçoamento do serviço público na prestação da Justiça.
SEM INVESTIGAÇÃO
Pois, o que levou o CNJ a ganhar destaque na mídia, na semana do Natal, foi o fato de que, exatamente no último dia do ano judiciário (19/12), o ministro do STF Marco Aurélio Mello decidiu, por liminar, impedir que o CNJ investigue juízes antes que os tribunais onde eles atuam analisem sua conduta. Na prática, Mello suspendeu todas as apurações até então abertas pelo CNJ. Interessante, não?
ENVOLVIMENTO PROVÁVEL
O fato é que até então poucos brasileiros davam importância, ou entendiam corretamente, o papel do CNJ. Entretanto, a partir da escandalosa liminar já é possível supor o quanto os servidores do Poder Judiciário podem estar envolvidos em ?mal feitos-, como prefere a nossa presidenta Dilma Rousseff. Esta suposição cresceu exatamente porque os juízes não estavam suportando qualquer tipo de investigação.
MUITO A ESCONDER
Ora, só age desta forma quem tem algo a esconder ou não está com a consciência muito limpa. Pois, a liminar concedida por Marco Aurélio Mello sugere exatamente isso, uma vez que o ministro alegou que o CNJ não pode tomar a iniciativa de investigar juízes antes das corregedorias locais. Pode?
CORPORATIVISMO
Pra mostrar o quanto a decisão tomada por Marco Aurélio Mello é corporativo, um outro ministro, Ricardo Lewandowski, suspendeu a apuração sobre a folha de pagamento de servidores do Judiciário em 22 tribunais, quando o CNJ averiguava movimentações financeiras atípicas.
CURIOSA E INTROMETIDA
Só resta a nós, pobre povo brasileiro, neste momento, cumprimentar a ministra Eliana Calmon, corregedora do CNJ, pela atitude corajosa. Nada foi resolvido, mas ao menos o assunto ganhou boa repercussão. O que nos deixa um pouco mais animados. Por enquanto, o mais provável é que Eliana Calmon seja afastada do cargo. Afinal, quem mandou ela ser curiosa e intrometida?