Artigos Anteriores

DELÍRIO SEM CONHECIMENTO DE CAUSA

ANO XIV - Nº 007/14 -

MANCHETES

Os brasileiros em geral, infelizmente, não buscam esclarecimentos pelo conteúdo das notícias. Pela forma como reagem na maioria das vezes fica evidente que não foram além da leitura das manchetes dos jornais. O resto fica por conta das deduções que cada leitor tira sobre aquilo que sequer foi lido.

 

PREGUIÇA

Esta enorme preguiça pelo saber e pelo questionamento sobre o que foi noticiado acaba fazendo com que muita gente fique repetindo o que é dito e/ou escrito, sem se preocupar, minimamente, em saber se a notícia é procedente e se é CAUSA ou CONSEQUÊNCIA. Aliás, as redes sociais estão aí para provar, com absoluta nitidez, este tipo de procedimento. 

LUCIANO HUCK

Vejam, por exemplo, como está sendo tratado o caso do financiamento de R$ 17,7 milhões obtido pelo apresentador Luciano Huck, junto ao BNDES, para compra de uma aeronave da Embraer. Ao invés de buscar esclarecimento sobre o tema, uma multidão achou melhor reagir pelo sentimento de inveja, deixando totalmente de lado o principal, ou seja, entender como funciona o programa FINAME, que está ao alcance de todos. 

FUNCIONAMENTO

A rigor, antes de tudo, é óbvio que Huck jamais precisou ir ao BNDES. Quem oferece este tipo de financiamento é sempre o vendedor, no caso a própria Embraer. A partir daí, o que garante ou não a concessão do financiamento é o escore que o pretendente ao crédito goza. Esta análise cabe ao Comitê de Crédito do banco, que verifica se o interessado é capaz de pagar o empréstimo. 

SANDICE

Ah, ficar dizendo que Huck pegou dinheiro subsidiado, que é fruto do suor do povo brasileiro, é uma sandice. O FINAME é um programa que está à disposição de quem quer que seja, independente de tamanho. Quem estiver disposto a comprar alguma máquina ou equipamento de fabricação nacional pode se candidatar ao financiamento. Basta que mostre capacidade de pagamento. Pronto.

DELÍRIO

Portanto, antes de massacrar o apresentador, melhor seria combater as TAXAS SUBSIDIADAS e a própria existência do BNDES. Financiar e captar recursos é tarefa para instituições financeiras, que não deveriam ser estatais. Ficar dizendo que os pequenos empresários não tem direito a financiamentos é desconhecer o tema. O que impede a aprovação de crédito, por todos os Comitês de Crédito, é, exclusivamente, a demonstração da incapacidade de pagamento do financiamento. O resto é delírio sem causa. 

Assine a Newsletter do Ponto Crítico

MARKET PLACE

  • ESPAÇO PENSAR+

    A propósito do enorme contingente de refugiados venezuelanos que estão entrando no Brasil, eis o artigo do pensador Percival Puggina, com o título - "COXINHAS" VENEZUELANOS FOGEM DO PARAÍSO SOCIALISTA-:

    As imagens do êxodo venezuelano para o Brasil não deixam dúvidas. Também corroboram minha convicção os relatos pessoais colhidos entre os retirantes que já fazem da capital de Roraima, Boa Vista, uma metrópole bilíngue onde mais de 10% da população se esforça para aprender português. Estamos falando de 40 mil “coxinhas”, inconformados com o “sucesso” do comunismo que vem sendo implantado em seu belo e rico país pelas mãos dos crescentemente brutais governos chavistas. Dormem nas praças, compactam-se às dezenas nos dormitórios, têm fome.

    A professora Marjorie González, autora da declaração transcrita acima, exagerou um pouco a responsabilidade desse povo. Acertou inteiramente quanto ao que aconteceu com os valores morais nos estágios que deram gradualismo ao golpe comunista. Acertou quando referiu a tolerância indispensável ao sucesso da empreitada chavista. Mas não me parece adequado culpar o povo quando o modelo político favorece tanto a vida eleitoral de demagogos e populistas. Nesse particular são incorrigíveis, no médio prazo, as fragilidades da América Ibérica, com suas péssimas instituições. Nos últimos cem anos, uma lastimável trajetória foi empilhando os malefícios do caudilhismo, do coronelismo, do populismo, até chegar, no Brasil, ao coronelismo de Estado, esquerdista e ladravaz; e, na Venezuela, ao comunismo chavista, que encontrou em Maduro sua pior versão. Quando mais precisávamos de seriedade e correção de propósitos, a desgraça socialista nos chega em forma de messianismo, com tipos como Chávez e Maduro na Venezuela. E com Lula no Brasil.

    Pelas minhas contas, a Venezuela é o 39º país a afundar na miséria tentando implantar um regime comunista. Não há relato de sucesso. Nenhuma democracia. Nenhuma economia que se sustente. Assim como o Ibis Sport Club é o “pior time de futebol do mundo”, o comunismo é o Ibis dos regimes políticos. Dos que ficaram submetidos a essa experiência, apenas Cuba, Coreia do Norte, China, Vietnã e Laos ainda não conseguiram sacudir os grilhões do Estado totalitário, embora os três últimos estejam abrindo suas economias. Entre os outros 34 não se registra caso de reincidência. Nenhum chamou os comunistas de volta. As pessoas aprenderam que quando as vacas passam à propriedade do Estado, tornando-se servidoras públicas, deixam de produzir leite. Perceberam que, por um mistério da genética animal, a carne de gado estatal vira gororoba de soja. Descobriram que, num efeito de prestidigitação, enlatados e embutidos saem das prateleiras do comércio e reaparecem nas geladeiras e despensas da nomenclatura. Viram, em toda parte, as vitrines se esvaziarem e o bem estar sair da vida das pessoas, mudar de substância e aparecer impresso em outdoor do governo.

    O êxodo dos venezuelanos vem em boa hora. O ano é eleitoral e não há palavras mais convincentes do que o exemplo, em desespero, entrando pela nossa porta sem pedir licença. Há no Brasil microfones, canais de TV, emissoras, comunicadores, púlpitos, políticos, fundações internacionais a serviço das mesmas causas que empurraram a Venezuela para o abismo.

     

  • BEIJA-FLOR

     Ótima abordagem feita pelo colunista Josias de Souza sobre a Beija-Flor, Escola de Samba que critica corrupção, mas esquece patrono. Eis:

    As mazelas do Brasil frequentaram o enredo de várias escolas de samba. Mas uma delas foi mais contundente. A Beija-Flor expôs na Marquês de Sapucaí, no Rio, o flagelo da corrupção e suas consequências sociais. O desfile foi apoteótico. Mas faltou à Beija-Flor uma ala sobre o patrono da escola, o contraventor Aniz Abraão David. Anísio, como é chamado, carrega no prontuário uma sentença de primeira instância: 48 anos de cadeia por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e contrabando. Está livre graças ao Supremo Tribunal Federal.

    Anísio Abrão integra o baronato do jogo do bicho, que dá as cartas nas escolas de samba há pelo menos cinco décadas. Esse pessoal conquistou fortuna, poder e prestígio social. Jornalistas, comentaristas e estrelas do mundo das artes enalteceram na transmissão televisiva o arrojo da Beija Flor. Mas ninguém se lembrou de mencionar o rastro pegajoso do patrono da escola.

    Junto com outros barões do jogo, Anísio foi engolfado por uma operação chamada Furacão, que desbaratou um esquema de compra de policiais e juízes, para liberar máquinas de caça-níqueis apreendidas pela Receita. Em 2012, a quadrilha foi condenada em primeira instância. Em 2016, às vésperas do julgamento na segunda instância, que deveria levar os criminosos à cadeia, o processo foi suspenso pelo ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo. Em liberdade, o condenado Anísio aprovou o enredo anticorrupção da Beija Flor. Uma evidência de que, no Brasil, a hipocrisia também é uma forma de patriotismo.

     

FRASE DO DIA

A idade chega pra todos, infelizmente a maturidade não.