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AMBIENTE CONTURBADO

ANO XIV - Nº 007/14 -

POVO CARENTE

A semana passada, como referi no meu editorial anterior (17/5), foi marcada por uma severa quantidade de más notícias. Todas elas, sem exceção, serviram para diminuir as expectativas da maioria do carente povo brasileiro que clama por mudanças capazes de tirar o nosso país do abismo. 

PAULADA SÉRIA

A paulada, pelo que se deduz do que foi postado nas redes sociais e nos grupos de WhatsApp durante o final de semana, foi muito séria. A ponto de produzir efeitos danosos na cabeça de grande parte dos eleitores/apoiadores do governo Bolsonaro, que se traduzem por explícita confusão, desunião, acusações de traição, etc., recheadas de insultos de toda ordem. 

PERIGO

Mais do que sabido, em ambientes sacudidos por inúmeras notícias ruins ao mesmo tempo o que geralmente mais se ouve e lê são apenas palpites, a maioria sem qualquer fundamento. Do tipo que se baseia apenas e exclusivamente no que  -OUVI DIZER-. É aí que mora o grande perigo do crescimento da desunião.

AURA DO DESCONHECIMENTO

Quem se deixa envolver pela aura do desconhecimento, inimiga direta do bom senso, caso dos apaixonados pelo presidente Bolsonaro, ao invés de colocar o raciocínio lógico para funcionar tratam, imediatamente, todos aqueles que ousam discordar das estratégias adotadas pelo governo, como inimigos mortais e/ou traidores. Pouco importa que os propósitos sejam os mesmos.

PRODUÇÃO DE CRISES

Como bem diz Gilberto Biojone, atento leitor do Ponto Critico, gostem ou não o fato é que ninguém se entende neste conturbado ambiente governamental. Para piorar, muita coisa ruim vem sendo concebida dentro do complicado ambiente da própria família do presidente Bolsonaro, núcleo que tem se revelado como produtor de inúmeras crises. 

CAPITAL POLÍTICO

Também não há quem desconheça que Bolsonaro já gastou o seu CAPITAL POLÍTICO. Mais: se tornou refém da política que desejava combater. Por incrível que possa parecer, Bolsonaro, com suas atitudes desencontradas e estapafúrdias, conseguiu reunir vários partidos que se definem como adeptos do CENTRÃO. Ou seja, muito daquilo que os eleitores destroçaram nas eleições está aí inviabilizando um a um os projetos enviados ao Congresso.  Pode?

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MARKET PLACE

  • FOCUS

    O quadro de desesperança pode ser visto através das projeções do PIB informadas, semanalmente, pelo Boletim Focus: hoje, pela 12ª vez seguida, os economistas ouvidos pelo Banco Central reduziram a estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2019. Desta vez, de 1,45% para ridículos 1,24%,. Que tal?

  • ESPAÇO PENSAR+

    Eis o artigo do pensador Paulo Rabello de Castro, - QUE SITUAÇÃO É ESSA, MEU DEUS? :

    Em apenas uma semana, um céu de chumbo parece ter se despejado sobre nossas cabeças. O extenso inventário de más notícias derrubou a Bolsa e fez o dólar passar dos quatro reais. Os mercados trocaram de mal com o presidente e começaram a lançar dúvida sobre a eficácia da equipe do ministro da Economia. Os estudantes foram às ruas. Em 2019, as “jornadas de junho” de 2013 foram antecipadas para maio.

    O IBGE veio com números piorados de desemprego e o BC endossou o mau humor do mercado com sua nova prévia negativa do PIB. O IFI, agência orçamentária do Senado, saiu com previsão catastrófica sobre o déficit primário federal que, nas projeções daquele instituto, só sairá do vermelho após o atual mandato presidencial, que expira em 2022. E, como se não bastasse, o ministro Guedes foi ao Congresso para “explicar” porque está pedindo autorização para ter um novo cheque em branco de R$249 bilhões (!). E emendou, sem cerimônia, para parlamentares boquiabertos: “Agora a bola está com vocês; tem que autorizar pois, se não fizerem isso, em agosto o governo vai parar”.

    Não importa quem tenha feito as contas erradas, ao tempo em que o Orçamento de 2019 ainda estava sendo votado. O fato é que o governo entrante não se mexeu para conter os gastos – todos os gastos, aliás. Pelo contrário. Lembramos da bravata, nos primeiros dias de governo, de que daria até para se tentar zerar o déficit primário, então estimado em R$139 bilhões. Para tanto, bastaria aprovar logo a reforma da Previdência, eleita como prioritária, e deixar a economia ser embalada pelas expectativas eufóricas de uma gestão liberal, privatizante e inimiga de interferências públicas nos mercados. O crédito iria fluir fácil dos bancos privados. Linhas importantes, como o BNDES Giro, foram simplesmente suspensas. Os bancos privados iriam suprir as empresas médias e pequenas de mais crédito para o giro dos negócios.

    O cenário resultante veio como uma trombada feroz, impressionando até os mais pessimistas. Mais uma vez, ficou clara a verdade, que teimamos em negar para nós mesmos: o governo não é a resposta; ele mesmo é o problema! A gestão pública baseada em voluntarismos e em postulados meramente ideológicos, sem um planejamento com pé no chão e sem avaliação das contingências e tropeços no caminho, nos trouxe à triste realidade atual. O desequilíbrio das contas de governo é estrutural e disseminada. Com isso queremos dizer algo que não entrou ainda na avaliação de muitos. É que não adianta pedir o corte dessa ou daquela conta. Isso já tem sido feito por governos sucessivos, desde FHC, Lula e Dilma, e de novo, por Meirelles, na gestão Temer. Os ministros miram as contas chamadas discricionárias, ou seja, as contas legalmente passíveis de serem cortadas, como o custeio da máquina e, em especial, os investimentos, item que primeiro sofre com a tesoura.

    Cansativamente, a equipe de Bolsonaro vem apelar para o mesmo recurso: cortar o lado discricionário, ressalvando cortes em todo o resto do Orçamento da União. Miram 20%, se tanto, dos gastos, e eximem os outros 80% do sacrifício. Desse jeito, o déficit não fechará nem por milagre. E, se a economia permanecer andando de lado, como está, a arrecadação não irá colaborar com verba extra. Neste contexto, qual o valor de um aperto de longo prazo nas contas deficitárias da previdência? Praticamente nenhuma vantagem. A economia esperada com a tesoura na previdência é de R$160 bi, acumulados até 2022. Mas o déficit previdenciário, só em 2018, foi de R$265 bi, com tendência a piorar este ano. Os números da vantagem esperada não batem com o tamanho enorme do buraco previdenciário.

    Qual a conclusão? Cortes pontuais, seja na Educação, como anunciados, gerando fortes protestos, ou na Defesa, como antes avisado às Forças Armadas, ou aos segurados do INSS, e mais os cortes no orçamento dos investimentos, que paralisam o Brasil do futuro, são tentativas frustradas de segurar uma gastança silenciosa do Orçamento da União como um todo, que vai a um trilhão e oitocentos bilhões de reais (incluindo a conta brutal de juros, quase nunca lembrada). O que nos diz o bom senso? O governo, desde o primeiro dia do governo Bolsonaro, não deveria ter ficado apenas nesta ou naquela proposta de reforma. Deveria ter encarado, com realismo, um ajuste estrutural e geral no seu Orçamento para 2019. Já era. Agora, só em 2020.

  • LIVRO

    No dia 06 de junho, quinta feira, as 18h, Anna Mariana lança seu novo livro de poemas, APENAS POR NÓS CHORAMOS. A sessão de autógrafos será no Centro Municipal de Cultura – Av. Érico Verissimo, 307 – e a renda obtida com a venda da obra será revertida para o reparo e manutenção do espaço.

FRASE DO DIA

A esperança seria a maior das forças humanas, se não existisse o desespero.

Victor Hugo