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04 fev 2013

PREDILEÇÃO POR TRAGÉDIAS


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AFEIÇÃO
Num dos editoriais do Ponto Crítico de janeiro manifestei que o brasileiro, em geral (EM GERAL, gente) adora tragédias e fracassos. E, sem qualquer comparação, o povo gaúcho é aquele que demonstra maior disposição e afeição por fatos e situações lamentáveis e suas cruéis consequências.
AO MESMO TEMPO
Mesmo pra lá de convencido de que não exagerei nem um pouco na minha manifestação, faço aqui uma confissão: jamais imaginei que um povo pudesse, ao mesmo tempo, produzir e conviver com diversos tipos de tragédias e fracassos. Pois, sem qualquer insinuação ou -modo de dizer-, eis o que se passa neste exato momento no nosso pobre país:
TRAGÉDIA POLÍTICA
Começo com a velha e surrada TRAGÉDIA POLÍTICA, que se alimenta, basicamente, da TOLERÂNCIA, FALTA DE DISCERNIMENTO e COVARDIA do povo brasileiro em geral. Como 69% dos senadores (eleitos pelo povo), elegeram o suspeitíssimo Renan Calheiros como seu presidente, quem é capaz de raciocinar não pode nem deve se surpreender. Até porque, diante do grande número de votos a favor de Renan Calheiros (56) é mais do que evidente que não houve qualquer descuido. Esta TRAGÉDIA foi integralmente construída pelo povo brasileiro (eleitores e seus representantes). Para confirmar a TRAGÉDIA POLÍTICA, tudo que aconteceu no Senado vai se repetir no ambiente da Câmara dos Deputados.
TRAGÉDIA ECONÔMICA
O mundo todo concluiu que dos países que compõem o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) só a China não perdeu o brilho. O Brasil é, infelizmente, aquele que mais desapontou. Principalmente pelo crescimento quase nulo do PIB em 2012. Ou seja, menos da metade do desempenho da África do Sul (2,3%), o segundo pior resultado do grupo.Cabe destacar o péssimo desempenho da produção industrial brasileira, que fechou 2012 com queda de 2,7%. Em 2011, a indústria havia tido um aumento de 0,3% na produção. O resultado do ano passado representa a maior retração desde 2009, quando recuou 7,9%.
TRAGÉDIA FISCAL E TRIBUTÁRIA
Diante do comportamento pacífico demonstrado ao longo desses anos fica claro que os brasileiros ainda não perceberam que são os maiores pagadores de impostos do mundo todo. Assolados por uma legítima TRAGÉDIA FISCAL E TRIBUTÁRIA, a maioria se deixa levar pela idéia, plantada por este governo populista, de que os produtos estrangeiros são nocivos ao desenvolvimento da indústria brasileira que não consegue competir. Para esse elevado contingente, cujos cérebros se encontram destroçados pela ideologia do atraso, a solução dos problemas econômicos está na ESTATIZAÇÃO. Quanto mais empresas públicas melhor para o país. Neste particular, como se sabe, o povo do RS se destaca de todas as formas.
TRAGÉDIA DO ENDIVIDAMENTO
Apesar do desemprego estar na mínima histórica, e a renda familiar crescendo ligeiramente acima da inflação, a INADIMPLÊNCIA continua em patamares elevados. Principalmente nos ramos de veículos e de imóveis. O que mais apavora é que quanto menor a taxa de desemprego, como informam os indicadores do governo, mais a inadimplência está aumentando no país. Dedução lógica: depois de obter emprego, o brasileiro simplesmente deixa de pagar suas contas. Imaginem o que vai acontecer quando a taxa de desemprego aumentar. Coisa que, por sinal, parece iminente,
TRAGÉDIA EDUCACIONAL
Há quem aposte todas as fichas que esta notável afeição por TRAGÉDIAS se deve à enorme falta de educação do povo. Principalmente, depois de revelada a recente pesquisa informando que 80% da nossa população (150 milhões de pessoas), não consegue interpretar qualquer texto lido.Mesmo admitindo que aí reside uma razão indiscutível para tantos absurdos vou mais além: a ÍNDOLE do povo brasileiro (caldo de cultura) colabora brutalmente para esta triste realidade. Entenda-se, também, por ÍNDOLE, o convencimento de que coisas boas e ruins acontecem, exclusivamente, por vontade divina. Aí não tem jeito.