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NÃO SE DEIXEM LEVAR PELOS MAUS BRASILEIROS

ANO XIV - Nº 007/14 -

LAVA JATO E REFORMAS

Se por um lado o povo brasileiro vai acompanhando, com enorme interesse, o hercúleo e patriótico trabalho que vem sendo realizado pelo juiz Sérgio Moro e seus colaboradores, na -interminável- série de delações, que comprovam a clara relação que existe, desde sempre, entre CORRUPTOS E CORRUPTORES do nosso imenso país, por outro não pode desgrudar os olhos do Congresso Nacional, que tem a incumbência de analisar e votar as inadiáveis REFORMAS  -PREVIDENCIÁRIA e TRABALHISTA.

GROSSAS MENTIRAS

O que chama a atenção quanto aos projetos de REFORMAS da Previdência e Trabalhista é a estratégia que as mais diversas corporações e/ou sindicatos estão adotando, todas de forma muito organizada, para minar  a opinião pública com informações carregadas de grossas mentiras. 

CONTEÚDOS

Em todos os conteúdos mentirosos que vem sendo publicados, o que mais se vê, lê e ouve é que nem a PREVIDÊNCIA nem a CLT devem sofrer mudanças, pois todas as propostas só têm um objetivo: atingir os sagrados DIREITOS DOS APOSENTADOS E TRABALHADORES.  

INJUSTIÇA INTACTA

O interessante é que estes maus brasileiros mantém intactas a GRANDE INJUSTIÇA PREVIDENCIÁRIA E TRABALHISTA, que garante a existência clara e inequívoca de duas classes de brasileiros: a PRIMEIRA CLASSE, composta por servidores públicos, beneficiados por extensos e inconcebíveis PRIVILÉGIOS; e a SEGUNDA CLASSE, cujo DEVER é pagar a conta dos apaniguados. 

NÚMEROS OFICIAIS

Mais interessante ainda é que as corporações e/ou sindicatos ignoram, por puro interesse, o que informam os NÚMEROS OFICIAIS, que provam, por A+B, o quanto os gastos com a PREVIDÊNCIA SOCIAL, que compõe as DUAS CLASSES DE BRASILEIROS, são responsáveis pelo altíssimo ROMBO DAS CONTAS PÚBLICAS. O que, por si só, escancara o quanto de INJUSTIÇA SOCIAL vigora no nosso pobre país.  

ROMBO EM 2016

Volto a lembrar, com a mais absoluta convicção e todas as provas, que o ROMBO promovido pelas aposentadorias e pensões do setor privado (SEGUNDA CLASSE) e do público (PRIMEIRA CLASSE), apenas da União, totalizou  R$ 264,3 bilhões, em 2016. Que tal? 

COMPARTILHEM

Peço encarecidamente, portanto, que não se deixem levar por informações absurdas e mal intencionadas que normalmente vão embrulhadas em papel de seda perfumado. A verdade nua e crua está nos números, que provam a INJUSTIÇA SOCIAL que impera no nosso país. Compartilhem a verdade ao máximo, meus caros. Digam alto e bom som: SEM UMA REFORMA DECENTE o ROMBO NÃO VAI PARAR DE CRESCER!

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MARKET PLACE

  • REFORMA DA PREVIDÊNCIA: UM IMPOSITIVO

    Aproveito o tema deste editorial para sugerir a leitura do artigo escrito pelo pensador Darcy Francisco dos Santos, com o título -REFORMA DA PREVIDÊNCIA: UM IMPOSITIVO- Eis:

    Nietzsche, filósofo alemão, dizia que não há fatos, só interpretações. E só isso que pode explicar as razões daqueles que dizem não haver déficit na Previdência.

    Vamos aos fatos:

    O déficit do INSS em 2016 foi de R$ 150 bilhões, sendo R$ 104 bilhões rural e R$ 46 bilhões urbano, e cresceu 75% sobre no ano anterior. Quando se acresce o déficit dos inativos da União, na ordem de R$ 77 bilhões (com 7% dos beneficiários do INSS), ele atinge R$ 227 bilhões, só na área federal.

    Na metade dos Estados, incluindo a contribuição patronal, o dispêndio com previdência varia de 16% a 34% da receita líquida.

    Os que afirmam não haver déficit na Previdência ignoram os artigos 40 e 201 da Constituição Federal, que estabelecem que ela deva observar o equilíbrio financeiro e atuarial, o que significa a igualdade entre receita e despesa previdenciárias, no curto e no longo prazo, respectivamente.

    Por outro lado, apegam-se ao art. 195 da mesma Constituição, que estabelece que a seguridade social seja financiada com recursos de contribuições sociais incidentes sobre o faturamento e o lucro das empresas.

    Ocorre que a seguridade social inclui Previdência, saúde e assistência social e em 2016 apresentou um déficit de R$ 257 bilhões e que cresceu mais de 13% ao ano em termos reais entre 2000 e 2015. As exclusões feitas por alguns são meramente contábeis.

    Nos recursos da seguridade, não há separação dos recursos entre as áreas beneficiárias e está havendo uma destinação cada vez maior para a Previdência, em detrimento da saúde, ao passar de 55% em 2000 para 70% em 2015.

    Com isso, os escassos recursos da saúde continuarão cada vez mais escassos, o que é muito preocupante para um país que envelhece em ritmo japonês.

    A expectativa de vida aos 65 anos aumentou 50% desde 1980 e a taxa de fertilidade está menor que nos países do primeiro mundo. Isso tornará a Previdência insustentável sem uma dilatação da idade mínima para a aposentadoria.

    Por tudo isso, só alguém com uma interpretação equivocada dos fatos pode ser contra a reforma da Previdência.

  • ESTANCAR A SANGRIA

    Texto produzido pelo pensador Percival Puggina, com o título ESTACAR A SANGRIA. Eis:

    Na conversa gravada com Sérgio Machado, Jucá registrou a necessidade de um acordo para travar a Lava Jato como forma de "estancar a sangria". Esse era o nome que ele dava ao jorro de denúncias, delações, investigações e prisões que, à época, diariamente, inundavam o noticiário. Para os pichelingues do erário, as seis gongadas do cuco eletrônico marcavam a hora dos horrores. A qualquer momento a Polícia Federal poderia bater à porta... Dá para viver assim? Por isso, aqueles cavalheiros de punhos limpos e alma suja ansiavam e anseiam pelo fim da Lava Jato.

             Para os feirantes nos negócios do Estado, nada pode ser mais prejudicial do que a atividade desenvolvida em Curitiba. Contra ela se mobilizam altíssimos escalões da República e poderosíssimos agentes econômicos, para os quais uma cifra de milhões é fração. Contra a Lava Jato, a peso de ouro, confabulam alguns dos mais astutos e argutos advogados do país. E o STF? Pois é, já vi tantos ministros deliberarem, como queiram, ora com olho na forma da lei maior e contra seu espírito, ora no espírito da lei maior e contra sua forma, que o somatório das incoerências me levou à absoluta desconfiança. Quem devolve às ruas uma pessoa como o goleiro Bruno, ou manda indenizar presos, está, minimamente, preocupado com o bem da sociedade? Não, o meliante Jucá, que precisa de uns poucos votos para ser senador na despovoada Roraima, talvez dê mais importância aos cidadãos. São duras estas palavras? São, sim, eu sei.

             A sangria que precisamos estancar é outra! Faz lembrar um derrame cerebral, um AVC nas instituições. Afeta funções importantes do corpo político deformando ou impedindo sua correta operacionalidade. É por causa dela que só tem base suficiente para governar quem integre ou negocie com a organização criminosa. Essa mesma sangria entrega poder aos espertalhões e afasta os sábios; cria um Estado de parvos e cúmplices; deixa-se roubar em bilhões e despacha os talentos. Não quer gente séria por perto.

             Nosso AVC institucional implodiu os partidos políticos no que neles há de mais precioso e singular - seu programa, seus princípios, seus valores. Ou os partidos nascem disso, por causa disso, com vistas a isso, ou nascem assim como se forma uma nuvem de gafanhotos, voando na direção dos postos de poder. Dirigentes partidários, líderes políticos deveriam ser condutores com ideias na cabeça, ideais no coração e mãos operosas. São ingênuas estas palavras? São, sim, eu sei. Mas só o são porque a sangria nos levou a um realismo hipócrita que tornou ingênua, de fato, a mera normalidade.

             A normalidade não nos faria sangrar 12,5 milhões de postos de trabalho. A normalidade não nos traria a estas pautas que abastecem as conversas cotidianas. Nela, na normalidade, partidos políticos seriam reconhecidos por suas propostas para o desenvolvimento social, econômico e cultural do país e não pelos prontuários de seus dirigentes. Sem essa sangria que nos levou o Brasil, não haveria entre as legendas brasileiras tanto banco de sangue à disposição dos vampiros da política. São duras? Sim, sei.

             Enquanto no mundo civilizado, os países com boas instituições debatem grandes temas nacionais e internacionais, suas perspectivas de desenvolvimento econômico, tecnológico, sua sustentabilidade, sua integração, nós discutimos os humores de Jucá e de Moreira Franco e as delações de Marcelo Odebrecht. Enquanto o mundo civilizado está nas páginas de política internacional, economia, cultura, nós colocamos o país inteiro nas páginas policiais. Enquanto no mundo civilizado, a sociedade faz os debates, nós somos espectadores do Estado e escolhemos alguns personagens para vaiar. Estancar sangria é, também, acabar com isso e criarmos partidos que acreditem mais nas potencialidades da sociedade do que no suposto e fajuto protagonismo do Estado.

FRASE DO DIA

As pessoas querem te ver bem, mas nunca, melhor que elas.