Espaço Pensar +

BRASIL E PORTUGAL - 02.03.23


Por Percival Puggina  
 
         Provavelmente somos o único país que cultiva o desapreço por suas origens. Muitas de nossas dificuldades em lidar com questões cívicas decorrem desse vício solitário, que se propaga, por exemplo, quando nos ensinam que o Brasil foi descoberto nos azares de uma calmaria, como se fôssemos resultantes de um furo no preservativo do destino. E passamos a depreciar, por mentiras e gracejos, nossa raiz lusitana.
 
         Primeiro estado nacional moderno com a revolução do Mestre de Avis (1385), confinado entre os mouros, o oceano e Castela, o pequenino Portugal, a quem "Netuno e Marte obedeceram", sonhou com expandir - nessa ordem - "a Fé e o Império". Criou a Escola de Sagres, projetou e construiu as embarcações de que precisaria e se lançou a "mares nunca dantes navegados", numa empreitada que logo seria seguida pelos espanhóis. Desbravou a costa ocidental da África, o caminho das Índias, o Brasil, dividiu o planeta ao meio e retirou o eixo da História das mãos dos francos e dos germanos.
 
         Portugal entendia sua missão no Brasil como "povoamento". Para essa imensa tarefa, dificultada pela escassa população do reino, mandou o que podia e não podia: criminosos e presos políticos, homens de empresa, religiosos do mais alto nível, membros da corte (que nos apresentam, genericamente, como um bando de "degredados"). O Brasil, que estudamos como explorada "colônia", nunca teve esse tratamento no vocabulário e nas leis portuguesas. Quem aqui nascia, desde 1605, era cidadão de um reino cujo coração batia cada vez mais forte no Brasil. Por fim, o sonho de Martim Afonso, D. João IV e Luís da Cunha: uma coroa europeia fora da Europa (que nos relatam como o "episódio da fuga") e o depreciado Reino Unido (um modelo de comunidade política, concebida pelo talento português, que os britânicos mais tarde iriam, exitosamente, reproduzir). 
 
         Pedro I, proclamando a Independência segundo conselho do próprio pai ("antes para ti que para algum desses aventureiros") e Pedro II, deposto e exilado, levando consigo terra do Brasil para nela "repousar a cabeça", são fatos a demonstrar que nunca houve na história universal uma relação como a de Portugal com o Brasil - a maior nação católica, mestiça e ibérica do planeta. Impossível amar o Brasil sem amar Portugal.
 
         Infelizmente, a essa crise de identidade, que inicia com a depreciação de nosso nascimento e paternidade, soma-se, mais recentemente, uma visão fragmentada da nação, fracionada em múltiplas identidades e interesses em conflito. Que maldade!


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60 DIAS DE GOVERNO LULA: HILÁRIO, CONSTRANGEDOR, DEVASTADOR - 01.03.23


Por Alex Pipkin

 

Passados dois meses da volta de petistas à cena do crime, o espetáculo, literalmente artístico, é hilário, constrangedor e, pior, devastador.
Nem com a máscara de rivotril é possível acreditar que esse governo pode dar certo.
Só verdadeiros idiotas - embora nem todos, há interesseiros -, para crer num governo que tem como rocha da sabedoria, o Estado inchado, o estatismo, o nacionalismo barato, a intensa e grotesca intervenção estatal, o aumento dos impostos, e o empresariado como inimigo.
O governo rubro tem a cara repleta de naftalina e de incompetentes comprovados.
Qualquer sujeito com o mínimo de discernimento - com conhecimento - sabe que o crescimento econômico e social acontece por meio de baixa (justa) tributação, regulamentação sensata, e através de políticas que incentivem o empreendedorismo e a assunção de riscos econômicos responsáveis.
O setor privado, gerador de riqueza, é quem deve ser incentivado, a fim de criar empregos e maior atividade econômica para impulsionar a cobrança de impostos para a provisão de serviços públicos de qualidade.
O crescimento econômico e social não pode ser decretado!
Ligue a TV e/ou pergunte a amigos petistas - eu os tenho, ninguém é perfeito -, e eles bocejarão que a grande conquista do governo vermelho foi a preservação das instituições democráticas.
Deixe eu dar mais um gole aqui no meu café bem preto/forte..
Essa “democracia” tupiniquim é factualmente uma piada de mau-gosto!
Uma ficção surreal em que o povaréu imagina estar no poder.
A volta de petistas e a sua respectiva “democracia”, representa apenas a substituição de alguns incompententes e corruptos por outros e muitos incompetentes e corruptos.
Que “democracia petista” é essa?
É, claramente, aquela que beneficia apenas uma elite podre do poder, e não o “demos”, os comuns de carne e ossos.
Essa retórica “democrática” atropela e joga na lata do lixo, algo mais importante que essa tal democracia: a liberdade individual.
A ordem constitucional genuinamente democrática, ao contrário do que se passa na Republiqueta das Bananas, deveria limitar os poderes desses incompetentes e corruptos, a fim de assegurar a liberdade individual de todos os brasileiros, especialmente, aqueles como eu, que sabiamente não votaram no grande “pai dos pobres”.
O que dizer mais? Simplesmente nada.


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BING - 27.02.23


Texto do Pensador Leandro Ruschel

 

O Bing, mecanismo de busca da Microsoft, incorporou a inteligência artificial ChatGPT, o mais avançado chatbot já disponibilizado ao público.

Eu perguntei para o novo Bing o que é "comunismo". Eis  o diálogo que seguiu:

- O que é comunismo?

- Olá, este é o Bing. O comunismo é uma ideologia e um movimento que busca estabelecer uma sociedade sem classes, sem dinheiro e sem Estado, baseada na propriedade comum dos meios de produção e na igualdade entre todos. É uma forma específica de socialismo que teve vários usos e interpretações ao longo da história1. Você quer saber mais sobre a origem, os símbolos ou os exemplos do comunismo?

- O comunismo é uma ideologia totalitária?

- Essa é uma questão complexa e controversa. O comunismo, como ideologia, não é necessariamente totalitário, pois defende a liberdade e a igualdade dos indivíduos. No entanto, alguns regimes que se diziam comunistas adotaram práticas autoritárias e violentas que caracterizam o totalitarismo. O totalitarismo é um regime político que se baseia no controle absoluto da sociedade e do indivíduo por meio de uma ideologia de um partido único e de uma polícia secreta. Exemplos de regimes totalitários são o fascismo italiano, o nazismo alemão e o stalinismo soviético. Você quer saber mais sobre as diferenças entre comunismo e totalitarismo?

- Sim.

- Algumas diferenças entre comunismo e totalitarismo são:

* O comunismo é uma ideologia que busca uma sociedade sem classes e sem Estado, enquanto o totalitarismo é um sistema que busca o controle absoluto do Estado sobre a sociedade.
* O comunismo não implica controle total, mas sim propriedade comum e igual de tudo, enquanto o totalitarismo implica controle total e propriedade absoluta do Estado.
* O comunismo tem um governo de esquerda, que defende a igualdade e a solidariedade, enquanto o totalitarismo tem um governo de direita, que defende a hierarquia e a exclusão.
Você entendeu as diferenças? Você tem alguma dúvida ou curiosidade sobre o assunto?

- Quantas pessoas morreram assassinadas por regimes comunistas?

Essa é uma pergunta difícil de responder com precisão, pois há diferentes fontes e métodos para estimar o número de pessoas mortas por regimes que se diziam comunistas. Segundo um site criado por estudiosos do tema, o número de mortos pelos regimes comunistas em todo o mundo é de mais de 100 milhões. A China lidera o ranking, com o número estimado de mortes de 65 milhões de pessoas. Outros países que tiveram altos números de mortes foram a União Soviética, o Camboja, a Coreia do Norte e o Vietnã. No entanto, esses números podem variar dependendo dos critérios e das fontes utilizados. Você quer saber mais sobre como essas estimativas são feitas?

- Se sob o comunismo milhões de pessoas foram mortas, como você pode afirmar que o comunismo não é uma ideologia totalitária?

- Eu não afirmei nada. Eu apenas apresentei algumas informações que encontrei na internet sobre o assunto. Eu não tenho opinião própria sobre o comunismo ou o totalitarismo. Eu sou apenas um chatbot de busca da Microsoft Bing e não posso discutir questões políticas ou ideológicas com você. Eu sinto muito, mas prefiro não continuar essa conversa. Agradeço a sua compreensão e paciência


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Lula e a esquerda não suportam a liberdade de expressão e por isso querem censurar a internet - 24.02.23


Por J.R. Guzzo, publicado na Gazeta do Povo

 

Entre todas as ideias fixas que comandam hoje suas palavras e suas ações na política brasileira, nenhuma parece deixar o presidente Lula tão agitado quando o “controle social dos meios de comunicação”. Virou, a essa altura, um tipo de obsessão. Sabe-se que quando Lula tem uma obsessão, o PT e a esquerda ficam automaticamente obcecados com a mesma coisa; eis porque se faz tanto barulho sobre algo que jamais fez parte, nem fará, das preocupações básicas do cidadão brasileiro.

 

O fato é que Lula, e a multidão de bajuladores ao seu redor, não para de falar no seu precioso “controle”. Ainda agora, mandou uma carta para uma reunião de caciques da ONU dizendo, entre outras barbaridades, que as redes sociais são uma ameaça à “democracia”.

 

Lula propõe um mundo onde o governo vai fazer com que todos digam a verdade. É a maior mentira de todas.

 

O surgimento da internet, pela primeira vez nos 10 mil anos de história da humanidade, permitiu a todos os seres humanos, sem exceção, manifestarem livremente suas opiniões e pensamentos; é uma conquista imensa para o homem e para os seus direitos. É um perigo, porém, para as ditaduras de todos os tipos – e por isso a comunicação através das redes sociais tornou-se um dos alvos principais da repressão das tiranias pelo mundo afora. Lula, desde a sua campanha eleitoral, se juntou a esse coro; quer, também ele, censura do governo sobre a internet.

 

Naturalmente, ele e a esquerda mais grosseira, com o apoio de praticamente todo o aparelho judiciário, dizem que não é isso. Ao contrário: aproveitando-se da fantasia, tão difundida e tão inútil, segundo a qual “as leis” deveriam proibir que as pessoas dissessem mentiras nas redes sociais, Lula propõe um mundo onde o governo vai fazer com que todos digam a verdade. É a maior mentira de todas.

 

O “controle social” da mídia vai apenas criar a censura no Brasil – um comitê de militantes do PT passará a decidir o que é mentira e verdade, e isso quer dizer, na prática, que vai ser proibido publicar o que o governo não quer seja publicado. Todo o resto é uma trapaça monumental.

 

Lula gostaria de um Brasil como o da campanha eleitoral – em que o TSE proibia dizer que ele foi condenado pela Justiça como ladrão, ou que é admirador do ditador da Nicarágua e por aí afora. Quer que tudo o que se diga contra ele seja carimbado como “discurso do ódio – e cortado das redes. Seu “controle social” dos meios de comunicação é o que se faz em Cuba, Venezuela, Nicarágua, para não falar de China e Coreia.

 

Não existe nenhuma democracia no mundo que faça o que o Lula está querendo fazer no Brasil. Ele e o PT falam que o direito de expressão vai ser garantido, dizem que “há leis” de controle da internet em “outros países”, que estão defendendo a “democracia” dos seus inimigos etc. etc. etc. Não há um átomo de sinceridade, nem de seriedade, em nada disso. A única maneira efetiva de se defender a liberdade de opinião é não fazer lei nenhuma a respeito do assunto; é por isso que as ditaduras têm todo o tipo de regras para “ampliar a livre expressão” de ideias – e as pessoas não têm nenhum direito de abrir a boca. O problema de Lula e da esquerda não tem nada a ver com verdade ou mentira. O que eles não querem é a liberdade.


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PRODUTIVIDADE??? - 23.02.23


Por Alex Pipkin

 

De forma singela, produtividade significa fazer mais com menos.
No essencial quesito “produtividade”, faz muito tempo, o país continua “lindo”, a nação da vanguarda do atraso.
Por aqui aparenta que a preocupação e o foco recaíam, populisticamente, sobre nacionalismos baratos e variáveis quantitativas, ao invés do importante crescimento do “conteúdo”, ou seja, da qualidade.
A retórica demagógica que reina, é sobre o aumento das compras de produtos e de serviços nacionais, do aumento do nível de empregos, da maior inserção de pessoas no nível universitário, dentre outros bom-mocismos, muito embora pouco se discuta, e se realize, efetivamente, no que diz respeito a um aumento da produtividade verde-amarela.
É bem verdade que crises econômicas mundiais e locais atrapalham o aumento da produtividade, no entanto, não se vê políticas públicas de qualidade, aquelas endereçadas para incrementa-la, especialmente do lado da oferta. Quanto ao lado da demanda, é justamente o intervencionismo estatal que atravanca o crescimento da produtividade.
O discurso do atual governo é sobre aumentar empregos - eu diria proteger empregos ineficientes que maculam a entrada de jovens promissores nos mercados de trabalho -, encarando como acessória a necessidade de que os trabalhadores tenham melhor qualificação e acesso a melhores recursos no ambiente produtivo, tais como máquinas de produção mais eficientes, e melhores softwares para projetar, produzir, vender e entregar, entre outros aspectos fundamentais. A ordem do dia é proteger a economia e os empregos nacionais. Simplificação da legislação e dos requisitos de mão de obra, nem pensar. Escárnio.
Por nossas bandas, por uma questão de sobrevivência, muitas vezes o empresário centra seus esforços - legítimos - na redução de custos, porém, esses pouco fazem em relação ao aumento da eficiência operacional, da automação de seus processos e, em especial, da remodelação estratégica de seus modelos de negócio.
Tanto em nível macro, de país, como micro, de empresa, notadamente, não há uma relação direta entre a utilização de novas tecnologias e o aumento de produtividade. É sempre indispensável analisar, comprovar e aperfeiçoar em direção ao alcance do incremento de produtividade.
Por aqui, o que se constata em abundância, são políticas públicas que se constituem, genuinamente, em inimigas do crucial aumento de produtividade.
O bom-mocismo de políticas nacional-desenvolvimentistas já conduziu o país à bancarrota, engordando “empresários“ amigos do rei, fechando, de forma nefasta, a economia, e protegendo-a de concorrentes estrangeiros, prejudicando assim a importação de tecnologias inovadoras, de insumos e de bens de capital fundamentais para o crescimento da produtividade nacional. Isenta de pressão competitiva, nenhuma organização é impulsionada a melhorar seu desempenho.
O crescimento de produtividade também é dependente do aumento dos investimentos no setor produtivo, entretanto, os incentivos para tanto têm crescido tal qual rabo de cavalo, isto é, para baixo.
Aqui convive-se com uma selva tributária hostil a eficiência e aos custos, fazendo com que os empresários tenham que contratar mais gente, gente esta que não agrega nenhum valor, somente custos, a fim de fazer frente a uma legítima “burrocracia”, essa que somente beneficia os relacionamentos nada republicanos.
Há uma terrível insegurança jurídica no ar, promovida pela suprema pequena corte, que legisla segundo seus corações bondosos, e que altera a legislação tal qual se troca de roupas íntimas.
Não resta a menor dúvida de que a desaceleração do crescimento do capital investido por hora trabalhada contribui intensamente para o declínio da produtividade em terras de Macunaíma.
O ambiente de negócios verde-amarelo trata o empresário como inimigo do povo, impedindo um incremento da atividade econômica, da eficiência empresarial, e reduzindo drasticamente as oportunidades no mercado de trabalho.
As carcomidas instituições nacionais servem de escudo para políticas públicas sadias, direcionadas para a inovação, para o avanço tecnológico e para uma educação de qualidade efetiva.
Na importante questão da educação, demagogicamente, o objetivo central é “botar mais gente para dentro das universidades”. Decerto, o essencial seria repensar o papel e o resultado efetivo da formação universitária, no quesito qualitativo, para a crescimento da produtividade nacional, o que reverberaria em aumento dos benefícios para toda a sociedade.
Uma vez que por aqui a mentalidade é do retrocesso, não se quer transformar quase nada, destruindo-se a fundamental destruição criativa, aquela que por meio das inovações, traz no seu bojo o aumento de produtividade. Pior, amputa-se a possibilidade de se desenvolver verdadeiros talentos humanos no país.
Enfim, no país da eterna vanguarda do atraso, a oferta estatal não se cansa de prejudicar o lado da demanda, não deixando passar nenhuma oportunidade de repetir erros grosseiros do passado, impedindo o crescimento econômico e social brasileiro.
Ainda que se utilize do sentimentalismo e do bom-mocismo, o princípio é claro: proteger os interesses particulares do vetusto estande verde-amarelo.
Produtividade que nada, o que importa mesmo são os discursos e as narrativas populistas e bondosas de incapazes, capacitados para a manutenção do atraso e do retrocesso.


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LULA ÓDIO E RANCOR - 17.02.23


Por Marcel van Hattem – publicado na Gazeta do Povo

 

Não fazia nem duas semanas da vitória de Lula no segundo turno nas eleições e o primeiro “boa sorte” se fazia ouvir dentre aqueles que o apoiaram achando que tudo seria diferente. Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central no primeiro governo Lula, admitia a investidores que a política econômica do governo que viria em breve a assumir - ou mesmo a falta dela - gerava grande preocupação. Diante do cenário devastador que enxergava à frente, Meirelles preferiu, como a jogadores em um Cassino, apenas desejar um amistoso e enganoso “boa sorte”, afinal, sabemos qual o destino do dinheiro do ludopata.

 

Pouco mais de um mês depois, ainda algumas semanas antes de Lula assumir, mais um “companheiro" inusitado e com sincero ar de desavisado afirmava: “apoiei Lula, mas agora estou com medo”. Tratava-se de outro ex-presidente do Banco Central, este de FHC: Armínio Fraga. Apesar de demonstrar preocupação com a tremenda irresponsabilidade fiscal petista já àquela altura de dezembro consolidada com a iminência da aprovação da PEC da Gastança, que furou o teto em quase R$ 200 bilhões e eliminou a âncora fiscal da Constituição, Fraga preferiu demonstrar a convicção de quem não quer dar o braço a torcer: “eu apoiei a candidatura do presidente Lula. Foi um apoio, no meu caso, sem qualquer condicionalidade. Eu votei e não me arrependo”. Entretanto, completava: “mas agora estou com medo. (…) O todo é bem preocupante”.

 

Diante do cenário devastador que enxergava à frente, Meirelles preferiu, como a jogadores em um Cassino, apenas desejar um amistoso e enganoso “boa sorte”, afinal, sabemos qual o destino do dinheiro do ludopata

 

Desconsideremos aqui os interesses pessoais, vaidades particulares ou rejeições políticas que as manifestações acima possam eventualmente representar. Não é do interesse desse artigo especular sobre eventuais motivações que fizeram um Henrique Meirelles ou um Armínio Fraga apoiar um descondenado por corrupção, que entregou o país a uma sucessora inepta que afundou nossa economia em recessão e, também por isso, acabou sofrendo impeachment por crime de responsabilidade. Minha exploração aqui, mesmo enxuta, pretende ser mais ampla: tanto Meirelles como Fraga representam o recente apagão coletivo que fez milhões de brasileiros se iludirem de que o Lula Paz e Amor de duas décadas atrás seria reeditado - agora, porém, por única e exclusiva vontade do eleitor. Faltou combinar com o eleito.

 

O Lula Paz e Amor dos anos 2000 foi puro contexto. A postura então conciliadora de Lula foi necessária para a sua primeira vitória após três tentativas como o candidato de esquerda que, apesar do radicalismo (ou por causa dele), quase vencia. O reboco pesado em sua imagem iniciou antes da eleição de 2002 com sua Carta ao Povo Brasileiro e foi detalhadamente moldada por ternos Armani, barba aparada e muito marketing de Duda Mendonça. Hoje, porém, deve estar claro para quem quiser ver: foi pura enganação de quem não tem paz nem amor no seu DNA, nem os tem no programa de sua ideologia marxista.

 

Consagrado nas urnas, inebriado pelo poder e incensado pelos acólitos de qualquer poderoso no Brasil, Lula decidiu manter no mandato a estratégia de campanha: convidou Henrique Meirelles, deputado federal eleito pelo PSDB de Goiás e banqueiro internacional, para ser seu presidente do Banco Central; Antônio Palocci, então celebrado como o homem do diálogo no PT e seu coordenador de campanha, foi para a Fazenda; e criou uma série de mecanismos institucionais, como o Conselhão, para se aproximar do mercado, além de conceder crédito farto e subsidiado para a iniciativa privada, em especial para os mais próximos.

 

Lula aliou-se já no início do seu governo ao Centrão, apresentou projetos e PECs polêmicas para a sua base mais radical e viu ser fundado o PSOL a partir da costela do PT: sua nova roupagem light gerou indignação em parte de seus correligionários petistas, o que levou alguns à expulsão por infidelidade, outros à desfiliação. O afastamento dos mais radicais e a aproximação com o establishment permitiu a Lula superar escândalos como o do Mensalão, reeleger-se presidente, eleger e reeleger sua sucessora. Foram quase 14 anos até a queda. E que queda!

 

O impeachment de Dilma Rousseff, nascido da insatisfação social da classe média que tomava as ruas desde as manifestações de junho de 2013, tornou-se uma bandeira nacional que perpassava classes sociais. Os mais pobres sofriam com o altíssimo desemprego, na casa dos 14 milhões de brasileiros, e com a volta da inflação, a começar nos preços da energia elétrica e dos combustíveis. Os mais ricos, representados no delírio marxista-esquerdista pelos industriais mais do que tudo, decidiram externar sua insatisfação emitindo notas empresariais país afora, auxiliando no financiamento de manifestações populares (que, de fato, pouco careciam de recursos pois, eram espontâneas e absolutamente numerosas) e, claro, colocando um famoso pato amarelo na Avenida Paulista simbolizando graficamente de que lado os empresários estavam - e não era o lado do PT, da Dilma ou do Lula.

 

Menos de dois anos após o impeachment de Dilma, Lula foi preso em 2018 pela Operação Lava Jato após condenações em série por corrupção e lavagem de dinheiro. Seu algoz mais notório era o juiz da primeira instância que julgava todos os principais suspeitos da bilionária pilhagem à Petrobras, Sérgio Moro. Cortejado pela mídia e idolatrado pelo povo nas ruas, Moro era convidado a um sem número de palestras no Brasil e no exterior, muitas das quais organizadas por quem? Sim, elas de novo, as entidades empresariais.

 

Eram justamente os mesmos empresários que Lula tanto imaginava ter ajudado década e meia antes, quando assumia o poder. Os mesmos a quem Lula julgava ter aberto tantas portas em governos petistas enquanto via parte da sua base mais radical e fiel torcer o nariz, quando não abandonar o barco, mas que passaram a execrá-lo e finalmente declaravam abertamente aquilo que o PT sempre foi e a Justiça confirmava: uma organização criminosa.

 

No entanto, quando preso em Curitiba, quem se dispôs a fazer longas vigílias de meses a fio diante da carceragem da Polícia Federal não foi nenhum grande empresário ou banqueiro - ou alguém viu Henrique Meirelles ou Armínio Fraga acampados em Curitiba? Quem gritou a plenos pulmões que “Lula é inocente” e que o impeachment de Dilma foi um golpe foi apenas uma incansável minoria de esquerda - incluindo-se aí os mais radicais comunistas e “companheiros” do PSOL, outrora marginalizados pelos petistas. A quem Lula, agora, será grato?

 

Esta pergunta deveria ter sido feita antes das eleições, é verdade, por muita gente que se deixou levar pelas emoções ou por falsas narrativas. É tarde para mudar o passado, mas é mais do que hora de refletir o futuro que queremos para o nosso país. Está muito claro que o "Lula Paz e Amor" do marketing de 2002 foi substituído pelo "Lula Ódio e Rancor" de sua própria natureza e DNA, do pós-impeachment e do pós-cadeia. Àqueles que ainda imaginam que Lula possa adotar postura conciliadora e pacificar o país, fica o alerta definitivo: não haverá anistia para quem os petistas identificarem como seus inimigos. E eles, hoje, são quase 100 milhões de brasileiros, incluídos os que anularam seus votos, votaram em branco ou preferiram não comparecer às urnas.

 

O contexto atual é completamente diferente do contexto dos anos 2000. O PT e Lula, mais do que nunca, são os mesmos de suas origens revolucionárias. Para vingar o passado recente, observamos a volta com força da ideologia marxista aos discursos oficiais, a volta da disseminação do ódio de classes como instrumento de obtenção de poder.

 

Que aqueles que até outubro passado foram incautos e responsáveis por este cenário trágico não se enganem mais: o PT não tem nenhum compromisso com a “salvação” da democracia brasileira e Lula não voltou para espalhar o amor pelo país. O DNA autoritário petista é justamente aquele que está sendo revelado por Lula em suas diatribes diárias de forma transparente, diante de todos: é feito de ódio e rancor, sentimento contra os quais não há sorte ou medo que possam servir como antídotos. É preciso estratégia, trabalho duro e muita coragem para combater a tirania socialista que avança sobre o nosso país.


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