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A INVEJA MATA


Texto do Pensador Percival Puggina - 06.06.20

 

Na encíclica Rerum Novarum, publicada em 1891, época em que o comunismo era apenas uma tese ainda distante um quarto de século de sua primeira experiência, o papa Leão XIII, referindo-se a esse modelo, escreveu: “Além da injustiça do seu sistema, vêem-se bem todas as suas funestas conseqüências, a perturbação em todas as classes da sociedade, uma odiosa e insuportável servidão para todos os cidadãos, porta aberta a todas as invejas, a todos os descontentamentos, a todas as discórdias; o talento e a habilidade privados dos seus estímulos, e, como conseqüência necessária, as riquezas estancadas na sua fonte; enfim, em lugar dessa igualdade tão sonhada, a igualdade na nudez, na indigência e na miséria”. Foi profeta. A história veio lhe dar inteira razão.

 

 No entanto, se as previsões do sábio pontífice foram confirmadas e pouca gente esclarecida rejeita suas afirmações sobre a ineficácia do sistema comunista, tem passado meio despercebida a relação entre comunismo e inveja (e poderíamos acrescentar “entre os totalitarismos e a inveja”) cuja existência ele tão fortemente sublinhou.

 

A inveja nasce da comparação e se afirma como um duplo sentimento negativo: a alegria pelo mal alheio e a tristeza pelo bem alheio. Os moralistas (estudiosos das questões relativas à moral) afirmam que o invejoso é a principal vítima desse sentimento. De fato, a inveja mata. Ela é um canhão que dispara para frente e para trás. Quando força motriz de um modelo político, ela se torna genocida e pode se voltar para a extinção de uma raça, de uma classe social ou da própria nação em nome de quem se expressa. Ao longo da história, centenas de milhões de seres humanos morreram em guerras e campos de concentração por conta do 5º pecado capital.

 

Foi esse pecado que deu causa ao holocausto. Foi ele que explodiu as Torres Gêmeas. É ele que hoje sai às ruas quebrando vitrinas. É ele que não consegue esconder o gozo perante tais fatos. É ele que nutre em tantos o ódio mortal aos Estados Unidos. Não podem os invejosos conviver com tamanha evidência dos equívocos em que se afundaram. O ódio que têm a Trump não guarda relação com humanismo e anseios de paz. Estiveram calados durante a Primavera de Praga, durante a invasão comunista do Tibet, assistiram desolados à queda do Muro de Berlim e só têm louvores aos regimes cubano, venezuelano e outros que tais.

 

Há cerca de 15 anos, uma emissora de TV exibiu reportagem feita com jovens da periferia de Paris protagonistas de arruaças que, de lá para cá, foram mudando a face da capital francesa. Aquela matéria me explicou muita coisa. Inclusive sobre certo jornalismo militante que já ganhara força entre nós. Um dos jovens entrevistados levou a repórter para ver onde vivia. Era um edifício popular, muito melhor do que as moradias de qualquer favela brasileira. Sem muito que dizer, e percebendo a inconsistência das imagens para os fins a que se destinavam, a moça disparou: “Já se nota o contraste entre isto aqui e os palácios de Paris”. Acho que ela queria levar a rapaziada para morar em Versailles. Enquanto isso, seu revolucionário guia apontava as más condições do prédio: paredes tomadas por pixações, a sinalizarem o caráter pouco civilizado dos moradores, e um balde, no meio da sala, marcando a existência de uma goteira, como se fosse dever do morador do Palais de l’Élysée subir no telhado para reparar tão complexo problema. No fundo, é tudo inveja.

 

Explorando esses vícios da alma, alguns governos se instalam. Também assim se corrompem, conduzidos pelos mesmos sentimentos maléficos. É assim que não se conformam com a perda do poder.


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LIBERDADE SEGUNDO A NOVA ESQUERDA


Texto do pensador Hélio Beltrão


Em texto publicado na Folha de São Paulo de 19/5, Pablo Ortellado sugere que o Estado deve controlar o conteúdo disseminado nas plataformas de REDES SOCIAIS, tais como Instagram, Facebook, Twitter e YouTube, incluindo aplicativos de mensagens, como WhatsApp.
 

Essa é precisamente a ideia do projeto de lei dos deputados federais Felipe Rigoni e Tabata Amaral, que obriga as redes sociais a bloquear toda desinformação, definida como "conteúdo enganoso" que "possa causar risco" à "estabilidade democrática", à "integridade moral" de pessoas e grupos por sua "visão ideológica" ou à "saúde coletiva", entre outros.
 

Em descumprimento, a rede social sofrerá multa de até 10% de seu faturamento, suspensão de atividades ou proibição de operar no país. O projeto institui os vangloriosos "verificadores de fatos" (consulte o dicionário de novilíngua), que checarão todo conteúdo em uma contínua batalha contra a "desinformação" no seu celular.
 

Umberto Eco certa vez afirmou que três quartos da narrativa de Orwell não são ficção distópica, mas história. A nova esquerda no Congresso planeja tornar história o quarto faltante, com essa "Lei da Verdade" e seu aparato associado, em essência uma polícia de pensamento para banir pontos de vista alternativos à monocultura intelectual do melindre.
 

As redes sociais são plataformas que fornecem um fórum digital para conectar pessoas e facilitar o compartilhamento de informação e opiniões de seus usuários. Permitem que todos aqueles que tenham acesso à internet criem conteúdo, democratizando a informação. O usuário voluntariamente aceita disponibilizar informações selecionadas (nem sempre há transparência) e se submeter às regras de conduta em troca de usar gratuitamente sua rede de preferência.
 

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO não significa que se possa dizer o que quiser, onde quiser. Em casa, você pode vedar um discurso com o qual não concorda. O mesmo vale para os gestores de uma escola privada ou de um espaço de conferências. Similarmente, os gestores da rede social têm liberdade para determinar as regras de conduta e o discurso inaceitável em seu domínio.
 

No entanto, devido a pressões de grupos organizados e de políticos aos pedidos de remoção de conteúdo, as redes sociais estão censurando conteúdo com valor social relevante.
Em geral, conservadores e liberais são os mais atingidos pela remoção e censura. Em resposta, alguns passaram a apoiar a regulamentação estatal das redes, de mãos dadas, com muito álcool em gel, com a esquerda censora. É um erro. Se a opinião permissível for decretada pelo Estado, apenas a opinião oficial será permitida.

 

A censura mais assustadora é exatamente a governamental, prevista pelo projeto de Lei da Verdade. Para os estatistas elitistas que a apoiam, o brasileiro comum é incapaz de julgar a veracidade e a relevância de um comentário em redes ou de um discurso de um político; é incapaz de defender seus interesses e filtrar aquilo que o engrandece.
 

Para eles, o brasileiro é continuamente manipulado por terceiros, ao contrário deles, sábios elitistas que não sofrem manipulação nem manipulam. Por isso, dizem, é preciso que os donos da verdade proíbam que determinado conteúdo venha à tona e seja discutido abertamente.
 

Não importa que seja uma conversa a dois no WhatsApp. É tudo dentro do Estado, nada fora do Estado, tal qual dizia o fascista Mussolini. Afinal, pensam, o que você tem a esconder? Não estaria espalhando desinformação por aí, certo?
É reveladora e irônica a atitude desses censores: no fundo, devem considerar verdadeiro o que desejam censurar, pois quem se julga correto acolhe com prazer a oportunidade de expor e refutar o oponente. A solução apropriada para a desinformação é precisamente mais informação


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CENTO E SEIS REGRAS “A FAVOR” DA LIBERDADE


Texto do pensador Percival Puggina  - 01.06.2020

 

Tudo indica que o senador Alessandro Vieira (CIDADANIA/SE), conseguirá aprovar seu projeto de lei nº 2630, de 2020, instituindo a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.

 É sabido que a esquerda não conseguiu manter, no terreno da Internet e suas redes sociais, a hegemonia que mantém e preserva no campo cultural. Portanto, controlar o território adversário é uma alternativa estratégica importante, notadamente ao se avizinhar uma campanha eleitoral. Os sintomas da aprovação do projeto são assustadores e reais.

 

• O avulso inicial da matéria, segundo o site do Senado Federal, é do dia 15 de maio.

• O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já avisou que levará a matéria à votação no dia 5 de junho.

• De regra quase geral, autores de projetos só se empenham pela sua inclusão em pauta quando têm certeza da aprovação.

• Com a vida em ritmo de Covid-19, um lapso de 20 dias entre apresentação do projeto e deliberação pelo plenário é evidência de que está tudo sob controle para que ele vire lei federal.

 

Embora o nome do projeto use três palavras “politicamente corretas” é sabido que elas costumam ser politicamente abusadas. E é exatamente isso que sugere o pacotaço de preceitos que passará a reger a Internet no Brasil. Você poderá ler seu texto inicial aqui. Se o fizer, terá de se haver com 12 páginas nas quais se engalfinham 31 artigos contendo 106 preceitos e 6 remissões. Mas saiba: é tudo pela liberdade, responsabilidade e transparência. É tudo para que você se sinta seguro como um bebê na sua cadeirinha deixando que gente grande decida o que você terá em suas mãos.


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CONFESSA VÍDEO! CONFESSA!


por Percival Puggina. Artigo publicado em 26.05.2020 

 

 

 Não é difícil entender o que se passa nos grandes veículos de comunicação. É compreensível seu desalento face sucessivas frustrações que os fazem migrar permanentemente de uma pauta para outra, com esperanças saltitantes em busca de alegrias incertas.

Os eventos pelos quais passeavam ansiosas suas manchetes vinham, sempre, acompanhados do adjetivo “devastador!” porque ali adiante derrubaria o governo e silenciaria a voz na garganta daqueles chatos afeiçoados à bandeira do Brasil. A unanimidade monocromática dos grandes veículos era pouco convincente e seu objetivo... devastador.

Na manhã do dia 24 de abril, quando Moro proferiu seu epílogo como ministro da Justiça, essa mídia bebeu à última gota a taça da vitória. A nação, tanto pelo sim quanto pelo não, quase foi, inteira, para o respirador artificial. E ali ficou até o fim da tarde, quando o presidente expôs sua versão dos mesmos fatos e milhões de brasileiros voltaram a respirar por meios naturais. A mídia, porém, não se deu por achada e desviou sua atenção para o delegado Valeixo, que seria a vítima das soturnas intenções de Bolsonaro. Não funcionou, Valeixo disse que nunca foi pressionado. De Valeixo, os veículos pularam para o inquérito solicitado por Aras e autorizado por Celso de Mello. Os depoimentos, tornados públicos, deram em nada. Mudaram-se para uma presumível reação militar ante a forma como foram tratados os três generais convocados a depor. Mais uma vez nada. Da soma dos depoimentos, nem Celso de Mello achou algo que proporcionasse alento ao tal efeito devastador.

Restava o vídeo. Ali, na íntegra, toda a reunião, face to face, haveria de emergir a devastadora verdade. E foi o que se viu. Até Janaína concluiu que Bolsonaro saiu reeleito daquela absurda sessão de cinema.

Assim, a partir do dia 22 de maio, o dólar caiu, a bolsa subiu e a saltitante mídia disfarça seu inferno astral esquartejando o vídeo e submetendo-o, frase por frase, a um pau de arara analítico, exigindo-lhes a confissão do que elas se recusam a contar.

Com quanto orgulho se dizem comprometidos com a verdade, enquanto assim procedem! No entanto, não é a verdade que buscam, mas uma confirmação da narrativa – devastadora! – que já fizeram e que sumiu dos acontecimentos sob os olhos atentos do seu próprio público.

 


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