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INFLAÇÃO NA REGIÃO DO EURO - 20.09.22


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Por Igor Morais

 

E a inflação na região do Euro hein? Mais preocupante do que se imagina. Na semana passada (16/set/2022) foi divulgada a inflação ao consumidor para o mês de agosto. De uma deflação de -0,2% em Portugal e Grécia até uma alta de +2,4% nos Países Baixos em um único mês. Na média, +0,6%. Primeiro ponto de dificuldade na política monetária: o comportamento de preços ao consumidor na região em 12 meses vai de +6,6% na França até +25% na Estônia. Enquanto que em alguns países uma alta significativa dos juros é uma necessidade, em outros, nem tanto. A fonte dessa alta na inflação são os custos de produção, turbinados pela energia que atingiu todos os países. Pois bem, com a divulgação dos preços ao produtor de agosto na Alemanha +8,1% (isso mesmo, em um único mês) hoje (20/set/2022) pode esperar que vem mais alta na inflação ao consumidor em setembro e meses seguintes. Veja pelo gráfico que os custos de produção de eletricidade, gas e água, subiram +23% no mês passado e acumula +161% em 12 meses. A Alemanha tem espaço fiscal para gastar com programas sociais que tenham como foco "aliviar" essa alta nos custos ao consumidor final, em especial para aquecimento das residências com o inverno que se aproxima. Mas isso não é verdade em outras economias do Euro, principalmente para a Itália, as voltas com elevada dívida (152% do PIB) ou então a Espanha com déficit primário de -4,4% do PIB. Em nenhum momento a Região do Euro enfrentou um desafio dessa magnitude, que em muito se difere da crise do subprime. Esse inverno irá testar a capacidade de gestão macroeconômica no Euro e pode esperar pela frente muito ruído na geopolítica mundial.