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DESORDEM SÃO CADEIAS DE SUPRIMENTOS SEM COMÉRCIO LIVRE - 07.12.21


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Por Alex Pipkin

    

Nenhum indivíduo, nenhuma empresa, nenhuma nação pode ser tudo para todos. Há explícitas limitações e desvantagens em nível de acesso, de qualidade, de custos, de inovação e de outras ordens em relação aos recursos e as capacidades nestas esferas.
    Faz mais de 35 anos que me deparei, pela primeira vez, com a Teoria Clássica das Vantagens Absolutas do grande Adam Smith, esse é o principal fundamento do comércio livre, lógico.
    Interessante que Smith buscava identificar que instituições públicas poderiam satisfazer às aspirações morais e econômicas das pessoas.
    Se um produtor possui maior competência e produtividade para produzir um determinado bem, ele terá uma vantagem absoluta, comparativa e/ou competitiva sobre os demais. Em sua época, basicamente preconizava o custo hora/homem para produzir, hoje sabemos que o que conta são as tecnologias.
    Poucos se dão conta - especialmente os burocratas estatais - que os mercados são redes de empresas, são cadeias de suprimentos que de uma forma ou outra estão interconectadas globalmente.
    Com o surgimento da pandemia da Covid-19, ergueram-se vozes mais altas contra o capitalismo e, em especial, em oposição a globalização e as respectivas cadeias globais de valor.
    Nessa história de Agatha Christie o que não falta são vilões: a globalização dos mercados, a China, às companhias de navegação, os malvados empresários capitalistas, enfim, todos possuem uma parcela de culpa pela presente escassez de produtos e pelo aumento de preços.
    A solução, portanto, na visão - míope - de grandes e renomados especialistas deveria vir do onipresente - e abstrato - Estado.
    Sim, para esses experts os agentes estatais precisariam se agigantar ainda mais a fim de corrigir tais distorções, talvez com mais protecionismo, maiores intervenções e incentivos domésticos, e/ou impondo restrições às cadeias globais de valor.
    Parece-me evidente que as empresas em busca de maior produtividade e eficiência devam acessar recursos, produzir, montar e distribuir em mercados em que existam condições macroeconômicas sistêmicas mais vantajosas para tanto.
    Vejamos o Brasil, nossas indústrias compulsoriamente necessitam importar insumos, componentes e/ou produtos acabados que não são ofertamos no mercado doméstico, e mesmo quando o são, não dispõem de qualidade e de custos/preços competitivos.
    Na verdade, no Brasil, as políticas estatais são exatamente a causa de empresas nacionais não participarem das cadeias globais de valor, do fechamento econômico e das políticas de compadrio que tornam o país o celeiro do rent seeking, da baixa produtividade, onerando os indivíduos e as famílias mais pobres, obrigando-os a comprar produtos de pior qualidade a preços mais altos, ou seja, drenando a renda destes cidadãos.
    Os mais “experientes” devem lembrar da malfadada "política de Substituição de Importações" no Brasil, tão cantada em prosa por muitos, que concebeu uma indústria voltada para o mercado interno e ineficiente para competir globalmente.
    Evidente que em mercados mais desenvolvidos, tais como os EUA e os países europeus, existe o argumento de que algumas indústrias locais poderiam ser incentivadas para que se evitasse o risco de desabastecimento, mas importa saber às expensas e prejuízos de quais outras indústrias e empresas.
    Não, o problema não é a globalização, tampouco as cadeias globais de valor. A internacionalização dos mercados, verdadeiramente, é a razão pela qual milhões e milhões de pessoas no mundo podem acessar melhores produtos a preços mais baixos, aumentando assim seu padrão de vida.
    O grande vilão, de fato, são os governos, que durante a pandemia tomaram decisões equivocadas e desproporcionais, tais como a concessão de auxílios que tornaram atrativo para trabalhadores portuários, por exemplo, ficarem em casa, ou invés de estarem em seus postos de trabalho, resultando em interrupções na cadeia logística global.
    É lógico que as estratégias corporativas se movam em direção àqueles países que possuem e incentivam a manufatura, a logística e a distribuição de maneira mais competitiva, vantajosa e pragmática, enquanto que outros países ficam atolados no patrimonialismo e na “moderna” e progressista retórica das políticas identitárias.
    Concorrência é uma palavra tão singela, embora muitos não compreendam seu significado e sua ação salvadora na vida real.
    Em especial, no caso brasileiro, não resta qualquer sombra de dúvida que as empresas nacionais deveriam ser incentivadas a terem uma maior participação nas cadeias globais de valor, a fim de alcançarem maior eficiência e proporcionarem mais inovações e melhores preços para as indústrias e para as pessoas, sobretudo para as mais pobres.
    Por fim, sem dúvida que a maior interrupção crônica da produtividade e do crescimento econômico e social no país, está justamente nas políticas públicas de Estado.