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07 out 2010

O PROBLEMA NÃO ESTÁ NO CÂMBIO


MEDIDAS PÍFIAS

Como já era esperada, a decisão do governo, de aumentar de 2% para 4% o IOF sobre aplicações em renda fixa por parte de estrangeiros, se mostrou insuficiente. Assim, mais duas iniciativas (pífias) foram tomadas:1-a taxação do IOF foi estendida também às aplicações em fundos multimercados;2-o CMN autorizou (mandou, melhor dizendo) o Tesouro comprar os dólares necessários para honrar dívidas a vencer nos próximos quatro anos.>P>Como a maioria das pessoas ainda não entendeu muito bem as razões para a forte desvalorização do dólar frente ao real e demais moedas livres, me proponho a explicar:

DÉFICITS GÊMEOS

Os EUA convivem por muitos anos com dois enormes rombos, chamados de DÉFICITS GÊMEOS, representados pelos resultados negativos da balança comercial e das transações correntes. Diante desta fenomenal encrenca, o mundo vivia se perguntando: - Até quando o mundo vai continuar financiando os EUA?

EM BUSCA DE RENDA

Ora, depois de ter ido praticamente à lona, em 2008, (bolha imobiliária) o governo americano precisou enfrentar os déficits gêmeos. Para tanto o FED usou uma arma super poderosa: reduziu para perto de zero a taxa de juros básica.Com remuneração quase inexistente por lá, os investidores americanos se lançaram mundo afora em busca de renda para suas aplicações.

O BRASIL FOI MAIS UM

Entre inúmeros países que passaram a atrair os dólares, o Brasil foi um deles e não o único, gente. Só para terem uma idéia, a oferta é tanta que até países em maus lençóis econômico-financeiros, caso dos europeus, o dólar não para de se desvalorizar. O euro, por exemplo, só se aprecia.

SEM CULPA

Com taxas de juros atraentes, o interesse dos investidores pelo Brasil só aumenta. Com um detalhe: os investidores não podem ser culpados de coisa alguma. Afinal, quem se dispõe a pagar juros altos deve ter seus motivos. O nosso, por exemplo, é a super gastança pública.

CÂMBIO FIXO?

Ora, diante da oferta abundante e contínua, com uma farta remuneração dos nossos títulos públicos não é tarefa fácil brecar a desvalorização da moeda norte-americana. E, para aqueles que preferem o câmbio fixo, acreditando que o flutuante nos traz prejuízos, é importante esclarecer o seguinte: Caso o nosso câmbio fosse fixo, o dólar estaria com preço mais alto, certo? Assim, além de pagar mais pelos dólares no momento do ingresso, os investidores deixariam de arcar com o risco cambial. O que traria enormes e maiores prejuízos ao Tesouro.

SINUCA DE BICO

O Brasil, em suma, está numa sinuca de bico porque adora esta situação, a saber:1- Caso resolvesse reduzir a taxa de juros para evitar a entrada expressiva de dólares, a inflação explodiria; 2- Para diminuir o ímpeto dos estrangeiros via cobrança de IOF, a alíquota precisaria ficar próxima de 10%, o que seria um absurdo.3- Ao comprar dólares, elevando as reservas cambiais, a operação fica muito cara para o Brasil, pois as reservas rendem quase zero lá fora enquanto os reais emitidos na contrapartida são remunerados pela taxa SELIC.Ou seja: enquanto os EUA tratam de diminuir seus rombos, o Brasil aumenta o seu ao negar a realização das inadiáveis reformas. Cega e surda, economicamente, a maioria da sociedade prefere votar em Dilma. Pode?

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06 out 2010

O TERCEIRO LUGAR


VOTO FACULTATIVO

Nas duas últimas eleições ficou bem claro que o voto já deixou de ser uma obrigação para os eleitores brasileiros. Basta verificar o percentual de abstenções, que vem crescendo a cada pleito.

CONFORTÁVEL

Isto prova que eleitores perceberam que obrigatório mesmo é a justificativa pelo não comparecimento às urnas. Pronto. Caso isto aconteça fora do prazo determinado basta o pagamento de uma pequena taxa. Nada mais. Aliás, bem confortável, principalmente para quem mora longe da sua seção de votação.

ABSTENÇÃO

Vejam, por exemplo, que nesta eleição, de um universo de 135.804.043 eleitores cadastrados, a abstenção foi de 18,1%, ou seja, 24.610.296 eleitores simplesmente não compareceram às urnas. Isto sem falar nos votos nulos e em branco, que atingiram 9,6 milhões. Em 2006, a eleição para presidente já havia registrado 16,7% de abstenções.

MELHOR QUE A MARINA

Considerando que 47.651.434 de eleitores votaram na Dilma (46,91%); 33.132.283 em José Serra (32,61%) e 19.636.359 (19,33%) em Marina da Silva, quem ficou realmente em terceiro lugar foi a ABSTENÇÃO, com 24,6 milhões de votos desperdiçados por falta de comparecimento.

BUSCA DE VOTOS

Tenho observado que tanto a mídia quanto os candidatos que ficaram para o segundo turno estão muito preocupados com os votos que foram para Marina. Como se só aqueles possam resolver a eleição.

GARIMPAR E SEDUZIR

Ora, ainda que a providência seja boa e necessária, se fossem bem mais espertos deveriam sair atrás dos votos de quem ficou com o terceiro lugar nas eleições. Deveriam tratar de garimpar e seduzir aqueles que deixaram de comparecer às urnas.

PESQUISAS

Só para não deixar em branco o assunto - pesquisas eleitorais - creio que há um equívoco geral, quando muita gente diz que os institutos erraram feio. Ora, para confirmar a intenção declarada ao pesquisador é preciso que o voto seja depositado na urna. Com tamanha abstenção, aí pode estar a diferença entre os números da pesquisas e o acontecido.

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05 out 2010

OS REMÉDIOS DE LULA


IRONIA DO DESTINO

Em 2002, quando Lula se preparava para assumir a presidência, a cotação do dólar era de R$ 4,00 e o risco país por volta de 2.400 pontos-base. Hoje, por ironia do destino, Lula está se despedindo do governo com o dólar agonizando abaixo de R$ 1,70 e o risco país na faixa de 220 pontos-base.

ATITUDES DE LULA

Tão logo assumiu, em 2003, para conter a cotação do dólar, Lula foi sensato: bastou manter a política econômica de FHC. Hoje, para tentar elevar a cotação do dólar frente ao real, Lula está fazendo o que mais gosta: aumentar impostos. Para tanto resolveu dobrar a alíquota, de 2% para 4%, do IOF incidente sobre investimentos estrangeiros em renda fixa.

SÓ PARA RENDA FIXA

Preocupado com o problema, o ministro Mantega fez questão de repetir que a medida só atinge as aplicações em renda fixa. O que vale dizer que as aplicações em Bolsa continuam tributadas com a alíquota de 2%.

GUERRA CAMBIAL

Na semana passada, tanto Mantega quanto Henrique Meirelles, do BC, já haviam declarado que o mundo passa por uma guerra cambial internacional, com vários países forçando a desvalorização das suas moedas para tornar seus produtos competitivos no mercado internacional.

COMPETIÇÃO SAUDÁVEL

Ora, antes de tudo é preciso deixar bem claro que é uma grande bobagem, ou mentira, chamar de Guerra Cambial e/ou Guerra Fiscal a saudável competição que os países em geral, e Estados Brasileiros, fazem entre si para atrair negócios e investimentos.

CUSTO-PAÍS

O que o Brasil menos precisa é aumentar ou criar impostos para ser competitivo. Basta reduzir o custo-país. Para tanto as reformas Previdenciária, Trabalhista, Tributária e Fiscal são indispensáveis. Sem medo de errar é suficiente para o Brasil enfrentar qualquer país deste mundo.

INSTRUMENTOS DE COMPETIÇÃO

O caso da chamada Guerra Fiscal (?) entre os Estados, o governo Lula, de forma totalmente equivocada, pretende resolver com a unificação das alíquotas de ICMS. Esta atitude infeliz vai produzir o seguinte resultado:1- Passando a ter uma alíquota única de ICMS, todos os Estados, para não perder arrecadação, vão exigir a aplicação da maior alíquota em vigor, o que implicará em aumento da carga tributária;2- A partir daí, como os investimentos não mais terão estímulo fiscal, o que vai decidir a escolha do local será a facilidade logística. Ou seja: os Estados dotados de melhor infra-estrutura, e melhor situados em relação aos mercados de maior consumo, serão os preferidos. Os demais vão voltar às trevas por falta de instrumentos de competição. Aí sim veremos uma guerra.

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04 out 2010

AS ELEIÇÕES E OS RAIOS


PRIMEIRO TURNO

Encerrado o primeiro tempo das Eleições 2010 para presidente, as esperanças de que José Serra possa derrotar Dilma continuam vivas, embora respirando por instrumentos. Se alguém se dispôs, até ontem, a fazer alguma coisa para evitar o avanço do bolivarianismo no Brasil, até o final de outubro vai precisar trabalhar como nunca.

CONCENTRAÇÃO TOTAL

Antes de ficar discutindo o quanto de avacalhação da política está contida na magnífica votação alcançada pelo Tiririca, o mais importante agora é não perder a concentração no segundo turno, gente. Precisamos, inclusive, aprender com o competente palhaço como podemos chegar lá.

REFORMA POLÍTICA

Depois de encerrado definitivamente o pleito, aí sim devemos pressionar para uma reforma política. Se outros palhaços vierem a ser eleitos, que sejam só eles. O que não pode ser tolerado é que políticos espertos, e definitivamente piores, se aproveitem desses votos para se eleger. Aí é que está, entre outros, o maior erro.

RAIO NO MESMO LUGAR

Quanto às eleições para governadores não posso deixar de comentar o que acontece no RS. Os gaúchos, cujo interesse maior consiste em se apresentar como um povo extremamente atrasado e masoquista, nesta eleição simplesmente excederam: desafiaram a natureza com o propósito de contrariar a lógica da ciência de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

RECADO

Para provar àqueles que se interessam por ruínas, de que a lógica dos gaúchos é bem outra, ao eleger o candidato Tarso Genro no primeiro turno os eleitores deram o seu recado: provaram que um raio pode cair no RS tantas vezes quanto eles desejarem.

PEDRA SOBRE PEDRA

Quando elegeu, em 1999, o petista Olívio Dutra - o Exterminador - o povo gaúcho avalizou o estrago provocado pelo raio destruidor do RS. Pois, ainda insatisfeito com o tamanho da catástrofe, elegeu um segundo raio para que desta vez não reste pedra sobre pedra.

PARABÉNS AOS VITORIOSOS

Dos Estados das regiões sul e sudeste do país, como previ na semana anterior, o RS foi o único que elegeu um candidato do PT. Em SC ganhou o DEM; no PR, o PSDB; em SP, o PSDB; e em MS, o PMDB. Pergunto: qual o povo menos politizado? É preciso responder? No RS, como se vê, pior do que tá vai ficar.Ainda que considere o povo gaúcho um amante das derrotas, sentimento incorporado desde a perdida Revolução Farroupilha, comemorada com pompa a cada 20 de setembro, envio os meus cumprimentos aos vitoriosos nestas Eleições. Tomara que Tarso me contrarie e faça um bom governo.

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01 out 2010

EQUÍVOCOS DA IMPRENSA


ESCLARECIMENTO

Quando as empresas de comunicação se propõem a fazer aquilo que está no seu objeto social, que é informar, tudo o que não deveriam fazer é deixar seus leitores, ouvintes e telespectadores ainda mais confusos e menos esclarecidos.

DEBATE?

Nos períodos eleitorais, por exemplo, mostrando enorme desconhecimento, quase todos aqueles que falam, dizem e escrevem, nos mais diversos meios de comunicação, de forma altamente equivocada chamam de DEBATE os encontros que proporcionam com os candidatos aos cargos de presidente e de governadores.

CURTAS MENSAGENS

Este modelo pífio, de colocar os candidatos frente a frente no mesmo ambiente, adotado em todas as eleições, nada tem de DEBATE. É, isto sim, uma reunião em que cada candidato ganha um tempo definido para emitir curtas mensagens. Atenção: ele é cobrado, exclusivamente, pelo tempo que lhe é concedido. Nunca pela resposta dada.

REUNIÕES NADA PROVEITOSAS

Mesmo assim a imprensa afirma e reafirma a existência de um DEBATE. Será que não percebem que a partir destas reuniões nada proveitosas ninguém pode votar com consciência e convicção? Nos temas que mais nos afligem, caso da Previdência, Impostos, Encargos Trabalhistas, por exemplo, os candidatos dispõem de um minuto para resposta. Aí é duro, gente.

COMUNISTAS SELVAGENS

Entretanto, nas diversas aparições dos candidatos mais performados, quem mais chamou atenção foi a turma do PSOL. Enquanto os demais não dizem -se e como vão fazer o que é preciso-, os radicais de esquerda que saíram do PT para formar o partido com propósito comunista selvagem são sempre muito claros. Repetem, à exaustão, que a dívida pública não deve ser paga. Com um detalhe: há sempre uma claque na roda para aplaudir a estupidez.

TÍTULOS DO GOVERNO

Para o PSOL, a fonte de recursos para resolver os problemas do país está no dinheiro dos credores. Credores esses formados por todos os poupadores. Gente que, em princípio, deixa de consumir para colocar suas disponibilidades financeiras em títulos do governo. Pode?

TÍTULO

Aproveitando que o principal assunto destes últimos dias é Eleições 2010, não posso deixar de manifestar a minha solidariedade com STF, que sepultou, definitivamente, o ridículo Título de Eleitor. Eleitor não deve ter Título, assim como empregado não deve ter Carteira de Trabalho. A única necessidade é a Carteira de Identidade.

VOTO NÃO É OBRIGATÓRIO

Outro equívoco da mídia é dizer que o voto é obrigatório. Ora, votar nunca foi uma obrigação, gente. A única obrigação é de justificar o não comparecimento às urnas.

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30 set 2010

A GRANDE DIFERENÇA


ASSISTENCIALISTAS

Nestes últimos dias que antecedem o pleito tenho lido e ouvido vários comentaristas dizendo que não são diferentes as propostas de governo apresentadas por José Serra e Dilma Rousseff. Em tese eles até têm razão, pois ambos são assistencialistas.

O FURO ESTÁ EM OUTRO LUGAR

A grande diferença, que deveria ser levada em consideração pelos eleitores, não está neste grave defeito que tanto Serra quanto Dilma mostram ter, assim como a quase totalidade dos candidatos que estão se apresentando para todos os cargos eletivos. O furo está em outro lugar, gente. Observem o raciocínio:

DILMA = BOLIVARIANISMO

Com Dilma na presidência é mais do que certo que o PT vai fazer de tudo para levar o nosso pobre país para o poço do bolivarianismo. Aí já não cabe dizer que corremos este risco. Pelo que consta no programa de governo, que está contido no PNDH/3, isto é uma meta. Com grande chance de ser atingida.

MAIORIA NO SENADO

É preciso levar em conta que dos 54 candidatos (2/3) ao Senado que mais despontam nas pesquisas, a maioria apóia Dilma. Somando esta maioria com a parcela que já apóia Lula (entre os atuais 27 que permanecerão no cargo), a aprovação das medidas bolivarianas está garantida.

DESTINO

Chamo a atenção, para quem ainda não sabe, que o PNDH/3 (Plano Nacional de Direitos Humanos - versão 3) nada mais é do que uma nova Constituição. Como Dilma aprovou o Plano, junto com Vaccari e Tarso Genro, ao ser eleita já é sabido o nosso destino. O mesmo que está levando a America Latina para o buraco.

JOSÉ SERRA

Com Serra na presidência, por mais medíocre que possa vir a ser o seu governo, uma coisa ao menos me agrada muito: José Serra não faria do Brasil um Estado Bolivariano. Esta diferença me basta neste momento. O resto eu tolero.

LONGE DO BOLIVARIANISMO

Sei, perfeitamente, que nenhum dos dois candidatos têm coragem para fazer as reformas que o país precisa. Vamos, portanto, continuar culpando o câmbio pela nossa falta de competitividade, quando, a gritante realidade informa que o custo Brasil (tributação elevada, encargos trabalhistas absurdos e déficit público motivado por excesso de gastos, principalmente da Previdência) é o único vilão. Ainda assim quero ficar bem longe do bolivarianismo.

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