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UMA SOCIEDADE APENAS INDIGNADA

ANO XIV - Nº 007/14 -

INDIGNAÇÃO GERAL

Em todas as pesquisas de opinião pública, feitas nos últimos anos em todo o território nacional pelos mais diversos institutos, os brasileiros em geral (imensa maioria) dizem estar fortemente INDIGNADOS. Entre os principais motivos para tamanha manifestação de descontentamento, como se vê com muita clareza nas redes sociais, dois deles ocupam o topo de todas as listas: 
 

MOTIVOS

1- CORRUPÇÃO; e,

2- MÁ ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA, traduzida pela enorme INEFICIÊNCIA e pelo ALTO DESPERDÍCIO do dinheiro dos pagadores de impostos.

 

INQUIETA

O que mais preocupa, no entanto, é que a manifestada INDIGNAÇÃO, ou descontentamento com estes principais motivos, não consegue se traduzir em solução dos problemas, o que, por sua vez, leva grande parte da sociedade brasileira a ficar cada dia mais inquieta e desesperançosa.
 

BEM ANALISADOS E RESOLVIDOS

Sabe-se que em países onde impera um mínimo de democracia, quando o sentimento de INDIGNAÇÃO do povo atinge um número muito grande de pessoas, as instituições governamentais, tratam de tomar as devidas providências para que os legítimos anseios do povo sejam bem analisados e bem resolvidos. 

EXEMPLOS

No nosso pobre Brasil, infelizmente, para desespero de muitos, as instituições públicas, notadamente a maior delas, o STF, que bate o martelo final, tem se posicionado para AUMENTAR A INDIGNAÇÃO do povo.

Vejam, por exemplo, 1- a questão dos nojentos casos das remunerações de inúmeros juízes, que recebem acima do teto, chegando a vários casos onde o valor excede os R$ 400 mil mensais; e, 2- as atitudes do ministro Gilmar Mendes, que distribui habeas corpus como se fossem sacos de pipoca nas festas infantis. 

 

AÇÃO

Pois, quando fica claro e evidente que bater à porta das instituições, além de não resolver coisa alguma os problemas ainda ficam muito mais graves, aí o que resta ao povo é traduzir o sentimento de indignação em AÇÃO.  Caso contrário, ficar indignado não passa de um mero sentimento de descontentamento. Nada mais do que isto.

ARMA DOS INDIGNADOS

Vou mais além: dizer que o voto é a ARMA DOS INDIGNADOS já ficou provado que é uma grande fria. Afinal, para que o eleitor escolha um bom representante é preciso que seja dotado de um grau de escolaridade e esclarecimento mínimo. Como o povo brasileiro é instruído (desde sempre) para eleger populistas, aí não há como construir um bom parlamento e um bom judiciário.

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MARKET PLACE

  • FOCUS

    Na pesquisa Focus, divulgada hoje:

    1- a projeção para o IPCA ao final de 2017 apresentou recuo, ao passar de 3,51% na semana anterior para 3,45%, enquanto manteve-se estável em 4,20% em 2018. Para 2019, a projeção do IPCA se manteve em 4,25% e as projeções de 2020 a 2021 seguiram em 4,00%.

    2- a expectativa para a taxa de câmbio manteve-se em R$ 3,23/US$ ao final de 2017, e recuou de R$ 3,39/US$ para R$ 3,38/US$ ao final de 2018.

    3- a projeção para a taxa de crescimento do PIB em 2017 apresentou alta, movendo-se de 0,34% para 0,39%, enquanto se manteve estável em 2,00% para 2018.

    4- a estimativa para a taxa Selic, por sua vez, recuou de 7,50% para 7,25% ao final de 2017, mas permaneceu estável em 8,00% ao final de 2018. 

  • CONFIANÇA NA CONSTRUÇÃO

    O índice de confiança da construção, elaborado pela FGV, avançou 1,5 ponto entre julho e agosto, para 76,1 pontos, o maior nível desde abril desse ano. Em agosto, a evolução positiva do índice contou com uma melhora tanto do componente que mede as expectativas em relação ao futuro (+2,3 pontos), como do índice que mede a satisfação dos consumidores em relação à situação presente (+0,7 ponto).

  • O BRASIL É INOCENTE

    Eis o artigo do pensador Percival Puggina, com o título acima -O BRASIL É INOCENTE-:

    Instalou-se entre nós uma justificada sensação de que os problemas são maiores do que nossa capacidade de os resolver e de que face os males do corpo social e político nacional, os anticorpos institucionais são insuficientes para combater as células malignas que o acometem.

              Creiam-me, o Brasil é inocente, totalmente inocente. Inapto a qualquer protagonismo, o país, como tal, é vítima e não culpado dos males de que é acusado. Tudo que costumamos dizer sobre o Brasil, deveríamos transferir, por ação ou omissão, à sociedade brasileira. E esse é um dos aprendizados mais urgentes.

              Nossas culpas são muitas e efetivas como nação. Não, não me atolarei no lugar comum de atribuir indiscriminadamente à sociedade o lixo arremessado pela janela do carro, a buzinada no trânsito e a venda sem nota. O que trago é muito mais sério. Refiro-me, entre outros desvios, à infeliz tentativa de criar um humanismo sem Deus porque o "politicamente correto" coíbe toda referência a Ele em espaço público. Refiro-me a uma sociedade que tem o dedo duro para as imperfeições alheias e jamais aponta o próprio peito por considerar mórbido e pernicioso examinar a consciência. Refiro-me a uma sociedade que busca a perfeição nas coisas exteriores, que usa o espelho, os cosméticos e a academia para fazer porcelana do barro de que é moldada, mas teme olhar fundo nos próprios olhos.

              Ora, a qualidade que pertença ao todo de um corpo social se faz da qualidade das pessoas que o compõem; em nenhuma organização humana haverá qualidade que não esteja fundada nos atributos de seus membros, em todos os seus níveis. Não há como nem por que ser diferente em relação a uma nação.

              Todos desejamos um Congresso Nacional composto por pessoas probas, responsáveis, competentes e dedicadas ao interesse público. Se tal anseio fosse atendido, nossas dificuldades institucionais, sociais e econômicas já estariam resolvidas. No entanto, a maior parte dos cidadãos brasileiros, na hora de escolher um parlamentar, busca alguém para cuidar dos seus interesses. E quanto mais privados forem, melhor. É assim que a alguns se creditam e perpetuam privilégios enquanto a conta segue, inexoravelmente, a débito de todos os demais, incluídas as gerações futuras.

              Num viés oposto, salutar, ao escolherem no leque de alternativas proporcionado pelos candidatos a uma determinada cadeira, os eleitores interessados no bem do país deveriam orientar sua opção àquele com cujas opiniões melhor se identifiquem. E não por convergência de interesses pessoais ou corporativos. Para despachante de interesses qualquer um serve.

              A inversão na natureza do mandato parlamentar é, também ela, uma forma de corrupção, problema de natureza moral, que atinge a finalidade mesma da política, corroendo a ideia de representação e originando um paradoxal filho da hipocrisia. Refiro-me ao eleitor - e como ele é típico! - que elege alguém para cuidar de si e fica indignado quando percebe seu parlamentar fazendo exatamente a mesma coisa, dedicado a seus próprios negócios ou negociatas.

              No dia em que tais compreensões alcançarem parcela expressiva da sociedade brasileira, muitos patifes que só causam dano à pátria perderão suas cadeiras.

     

FRASE DO DIA

NO BRASIL AS CONSEQUÊNCIAS SEMPRE CHEGAM TARDE

Delfim Netto