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RISCO-BRASIL - UMA MELHORA E TANTO

ANO XIV - Nº 007/14 -

RISCO-PAÍS

Ontem, minutos depois que enviei ao pensador Gelson Castellan a cotação do CDS (Credit Default Swap), instrumento mundialmente preferido pelos agentes do mercado financeiro como forma de medição do RISCO PAÍS, ele retornou dizendo: - -esse dado deveria ser melhor divulgado, para que mais pessoas pudessem ter parâmetros para comparar-.

Então, vamos nessa.

TODOS OS PAÍSES TÊM DÍVIDA

Antes de tudo, portanto, é preciso ter em mente que TODOS OS PAÍSES têm dívida. Uns mais, outros menos, mas o fato é que isto só acontece porque, em geral, os governos gastam mais do que arrecadam. E, por consequência, precisam se financiar através da emissão de títulos públicos.

Como toda dívida precisa ser paga até o vencimento, ou rolada para um novo prazo futuro, como bem refere o economista Vinicius Alves em estudo publicado em 2018, a capacidade de ADIMPLÊNCIA de cada país é medida, mundialmente, pelos agentes financeiros, indicadores que atestam, numericamente, o RISCO-PAÍS.

INDICADORES DE VISUALIZAÇÃO ON-LINE

Para medir o -RISCO-PAÍS-, além dos relatórios produzidos pelas conhecidas -Agências de Classificação de Risco  (RATING), as duas mais conhecidas formas de mensuração numérica, por ser -EM TEMPO REAL- (on-line), são:

o -CDS- (Credit Default Swap)- e

o EMBI+ (Emerging Market Bond Index Plus).

CDS

O mais conhecido e, portanto, aquele que têm maior preferência do mercado, é o CDS – Credit Default Swap – (swap de crédito contra um calote). De forma simples, o CDS é um tipo de -SEGURO- QUE REMUNERA O DETENTOR do título quando o país dá calote. O detentor do CDS está buscando proteção contra o calote da dívida do país.

Exemplo: se um investidor compra proteção contra um evento de crédito para US$ 100 milhões em ativos soberanos brasileiros por 5 ANOS (CDS 5Y do Brasil), com prêmio anual de 200 pontos-base, fará pagamentos periódicos de US$ 2 milhões ao vendedor da proteção.

Isso significa que QUANTO MAIOR O RISCO DE UM PAÍS DAR CALOTE, mais caro as pessoas aceitam pagar por um SEGURO contra esse RISCO. Ou seja, quanto maior o preço do CDS, maior o RISCO-PAÍS. 

EMBI+

O EMBI+ (Emerging Markets Bond Index Plus), por sua vez, também muito utilizado no mercado financeiro, é calculado pelo banco de investimentos JP Morgan.

O EMBI+,  no entanto, é diferente do CDS. O índice expõe a diferença entre os PRÊMIOS pagos pelos TÍTULOS BRASILEIROS em relação aos TÍTULOS AMERICANOS, tidos como os mais seguros do mundo.

Por serem os mais seguros do mundo, os títulos americanos sempre pagarão um MENOR PRÊMIO DE RISCO. 

A lógica é que cada 100 pontos do EMBI+ representam o pagamento de 1% de juros dos títulos brasileiros a mais que os títulos dos Estados Unidos.

Exemplo: imagine que os títulos americanos tenham uma taxa de 3% e os títulos brasileiros de mesmo prazo oferecem uma taxa de 6%. O RISCO-PAÍS, ou RISCO-BRASIL será de 300 pontos ou de 3% (6% – 3%).

CDS 5 YEARS

Pois, o RISCO-BRASIL, medido pelo CDS -5 YEARS-, que no início de 2019, quando o governo Bolsonaro assumiu o país, registrava 187,1 pontos base, hoje, 26/7 está cotado 123,9 pb. Uma boa evolução de melhora, na ordem de 27,3%. Mais: de SETEMBRO/2018, quando a cotação era 307,2, até hoje, a melhora foi de 41,78%.   

Detalhe: em 2008, quando o Brasil recebeu o selo de Investment Grade, a pontuação do CDS- era de 200 pb. 

Comparando com outros países, vejam, por exemplo o seguinte quadro:

Itália:  153,60 pb

Turquia: 344,7 pb

Argentina: 956,63 pb

Venezuela:  72.150,20 pb

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MARKET PLACE

  • CARTA AO LEITOR - REVISTA VEJA

    Na Carta ao Leitor, a revista Veja deste final de semana publica um texto que vale a pena ler. Eis:

    É provável que o leitor mais familiarizado com o jargão econômico tenha ouvido a expressão “voo de galinha” para classificar o ritmo de crescimento do PIB brasileiro nos últimos anos. Embora irônica, dado que o bípede em questão não se mantém no ar por mais que três segundos, a imagem é das mais fidedignas quando se examinam os índices dos últimos anos. Entre algumas levitações momentâneas, o chão (ou até mesmo o subsolo) tem sido a nossa realidade constante. Contribuiu em boa parte para essa estagnação a política econômica implantada pelo governo do PT, em que o Estado assumiu o papel de indutor do crescimento, elegendo empresas e setores que iriam liderar esse processo. Inspirada de forma distorcida nas ideias do economista John Maynard Keynes, tal opção se revelou desastrosa — não apenas porque os cofres públicos não são infinitos, o que leva necessariamente à interrupção da irresponsável farra, mas também por ter servido de pano de fundo para um dos maiores esquemas de corrupção do planeta.

    Eleito com quase 58 milhões de votos, Jair Bolsonaro deixou clara sua intenção de desmontar as estruturas que emperram o espírito animal dos empreendedores brasileiros, reduzindo a presença do Estado na economia e proporcionando condições mais favoráveis ao ambiente de negócios. Um primeiro (e importante) passo foi dado com a aprovação parcial da reforma da Previdência. Mas o que vem por aí é muito mais ambicioso. A reportagem desta edição mostra que está em gestação no Ministério da Economia uma série de ações que podem destravar de verdade o desenvolvimento econômico do país. Se de fato for implementado da maneira como está sendo elaborado, o plano do ministro Paulo Guedes marcará a entrada do Brasil numa nova era liberal. Ao contrário de outros projetos do passado, em destaque nas capas de VEJA abaixo, não se trata de uma medida abilolada como o sequestro das cadernetas de poupança, realizado por Fernando Collor, ou com um objetivo eleitoral, como o Plano Cruzado, de José Sarney. Tampouco está concentrado numa bala de prata, a exemplo do Plano Real, que brilhantemente estabilizou a moeda e derrotou a inflação.

    Sem mágicas nem atalhos, o “Plano Guedes” é um conjunto de iniciativas que passam pela reforma do Estado, por privatizações, reformas constitucionais, automatização de processos burocráticos, alterações na carreira dos servidores públicos e outras transformações necessárias para que o Brasil possa voltar a crescer — em patamares satisfatórios e de forma constante. Um cálculo preliminar estima que essas ações somadas terão um impacto de mais de 3 trilhões de reais na economia, já descontado o trilhão da Previdência, e podem contribuir para dobrar o PIB per capita dos atuais 32?747 reais por ano para cerca de 65?000 reais em 2029. Evidentemente, algumas dessas medidas precisam do aval do Congresso. Mas esta é outra boa notícia. Apesar de uma desavença ou outra entre os chefes do Legislativo e o governo, o Parlamento, liderado pelo deputado Rodrigo Maia, já deu mostras de que atua com responsabilidade e abraça as causas a favor do país. Que saia do papel então a nova era liberal, aquela que fará o Brasil voar de verdade — e deixar para trás os tempos de cacarejo e pousos frequentes.

  • PIB DOS EUA

    O PIB dos Estados Unidos cresceu 2,1% no segundo trimestre de 2019 em relação ao trimestre imediatamente anterior em termos anualizados, de acordo com a leitura preliminar divulgada pelo Departamento do Comércio do país.
    O dado ficou acima das previsões dos analistas, que esperavam alta de 2,0%. O indicador mostra que o crescimento econômico desacelerou em relação ao primeiro trimestre, quando o PIB norte-americano cresceu 3,1% em base anualizada.

  • CONFIANÇA NA CONSTRUÇÃO EM ALTA

    O Índice de Confiança da Construção (ICST) subiu 2,6 pontos em julho em relação a junho, a 85,4 pontos, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), no segundo avanço seguido. O resultado voltou aos níveis registrados em janeiro.

FRASE DO DIA

As pessoas sabem aquilo que elas fazem; frequentemente sabem por que fazem o que fazem; mas o que ignoram é o efeito produzido por aquilo que fazem.

Michel Foucault