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O QUE ESTÁ POR TRÁS DO FLUXO CAMBIAL NEGATIVO

ANO XIV - Nº 007/14 -

FLUXO CAMBIAL NEGATIVO

Dias atrás o Banco Central informou que o FLUXO CAMBIAL acumulado no ano 2019 ficou NEGATIVO em US$ 44,77 bilhões. Vejam que o recorde anterior de -RETIRADAS LÍQUIDAS- tinha sido registrado em 1999, quando o FLUXO CAMBIAL fechou NEGATIVO  em US$ 16,18 bilhões.

Naquele ano, vale lembrar, o Brasil abandonou a POLÍTICA DE BANDAS CAMBIAIS, passando a adotar a LIVRE FLUTUAÇÃO DO DÓLAR. 

ESCLARECIMENTO

A título de esclarecimento, o FLUXO CAMBIAL (volume de divisas externas que entram ou saem do Brasil) é calculado com base nos saldos do FLUXO FINANCEIRO (investimentos em títulos, remessas de lucros e dividendos ao exterior e investimentos estrangeiros diretos, entre outras operações) e do FLUXO COMERCIAL (operações de câmbio relacionadas a exportações e importações).

MAIOR SAÍDA DESDE 1982

Pois, se esta fantástica RETIRADA LÍQUIDA DE DIVISAS, que perfaz o elevado SALDO NEGATIVO de quase R$ 45 bilhões já é passível de destaque, a atenção dobra quando se percebe que esta é a MAIOR -SAÍDA LÍQUIDA DE DIVISAS- desde o início da série histórica, em 1982.

FLUXO FINANCEIRO FOI O MAIOR RESPONSÁVEL

O que pouca gente sabe é que o MAIOR responsável pelo FLUXO NEGATIVO foi o FLUXO FINANCEIRO. Vejam que  em 2019 o FLUXO COMERCIAL ficou POSITIVO em US$ 17,47 bilhões. Já o FLUXO FINANCEIRO registrou SAÍDA LÍQUIDA de US$ 62,24 bilhões. 

PERGUNTA E RESPOSTA

A PERGUNTA que muita gente está fazendo é a seguinte: - O quê explica esta enorme SAÍDA DE DIVISAS, neste momento em que o Brasil dá sinais de recuperação econômica e de aprovação de importantes REFORMAS?

A RESPOSTA, que a mídia em geral ignora (por motivos óbvios) é a seguinte: - Os investidores que colocaram dólares no Brasil, com o afã de aproveitar as fantásticas TAXAS DE JUROS oferecidas pelo governo, não têm mais razão para continuar aplicando em títulos do governo, pois a SELIC despencou para 4,5%.    

FIM DA DISNEYLÂNDIA

Resumindo: com o fim da DISNEYLÂNDIA DOS JUROS no Brasil,  aos investidores que tinham dedicação voltada exclusivamente para o nosso MERCADO DE CRÉDITO não sobrou outra alternativa senão a de debandar. É isto que está acontecendo, gente.

Mais: quem trouxe dinheiro de fora para aplicar em títulos públicos em 2019 está saindo com PREJUÍZO, pois o fechamento do CAMBIO, para recompra dos dólares, ficou mais caro do que o ganho obtido com a renda fixa.

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MARKET PLACE

  • PIB DA CHINA

    O PIB da China cresceu 6,1% em 2019, seu menor nível em 29 anos e dentro da meta do governo, de manter o crescimento entre 6% e 6,5%. Em 2018, a economia chinesa havia avançado 6,6%. Os dados são do departamento oficial de estatísticas do país.

    No quarto trimestre de 2019, o PIB chinês cresceu 6% ante o mesmo período do ano anterior, mesma alta do terceiro trimestre e mantendo seu menor nível desde o primeiro trimestre de 1992. Em base trimestral, o PIB da China aumentou 1,5% no quarto trimestre.

  • DINHEIRO DA VENDA DA FOLHA

    Em reunião com a diretoria da Caixa Econômica Federal, nesta quinta-feira, 16, o prefeito Nelson Marchezan Júnior acertou a assinatura do contrato de venda da folha de pagamento do funcionalismo por R$ 89 milhões. Uma parte do valor será destinado ao Fundo de Inovação e Tecnologia de Porto Alegre, que vai disponibilizar R$ 20 milhões para incentivo ao desenvolvimento de startups com projetos de interesse público. “Depois que fizemos reformas estruturantes que revolucionaram o futuro da cidade, viabilizar crédito e investimentos é tornar sustentável um novo projeto de cidade”, afirma o prefeito.

    Esta é a primeira vez que recursos da venda da folha de pagamento estarão sendo alocados em investimentos em benefício da população, sem a utilização do caixa único da prefeitura para despesas correntes. A medida foi tomada três vezes em governos anteriores, mas para cobrir despesas de pessoal e custeio da máquina pública.

  • ESPAÇO PENSAR+

    Eis o texto do pensador Guilherme Macalossi - A VERTIGEM DE PETRA COSTA-:

    Festa nas hostes lulopetistas. O filme “Democracia em Vertigem”, que tem como tema o impeachment de Dilma Rousseff, concorrerá ao Oscar de melhor documentário.

    Após o anúncio, figuras proeminentes da esquerda brasileira se apressaram em saudar a notícia como um grande acontecimento do cinema nacional. Curiosamente, aqueles que culpam até os EUA pela queda do PT, agora estão realizados com o prestígio conferido pelos brancos ricos e glamorosos de Hollywood, a Meca da cultura industrial norte-americana.

    A obra de Petra Costa não é um relato da realidade, e sim a ilustração de uma narrativa política plantada por quem foi deposto do poder.

    A própria diretora se admite como uma militante. E talvez essa seja a única verdade ao longo do filme todo. De modo que o roteiro aposta no vitimismo para retratar os petistas, que aparecem como alvo de uma imensa conspiração urdida pela radicalização da oposição. No processo de retalhar o que aconteceu, a diretora pinça o que lhe serve e joga todos os outros fatos no lixo. Acima de tudo, é uma obra de revisão histórica que serve também como peça de propaganda.

    A viabilização de um processo de impeachment sempre é uma construção jurídica, política e social. Dilma havia fraudado o orçamento, o que corresponde a crime de responsabilidade fiscal. Isso, entretanto, jamais possibilitaria a cassação de seu mandato se ela tivesse base parlamentar e popularidade. Ocorre que ela não tinha nada disso. A unidade do governo dentro do Congresso era inexistente e a crise econômica sangrava o povo. Entre 2014 e 2016, o Produto Interno Bruto do Brasil encolheu 8,6%. A inflação e os juros galopavam, o desemprego estava em alta e não havia perspectiva.

    O resultado foram milhões de pessoas nas ruas pedindo a queda do governo. Foram as maiores manifestações da história do país.

    Dilma caiu não apenas por descumprir a lei com medidas temerárias que não passaram pelo crivo do Congresso e foram condenadas pelo Tribunal de Contas da União, mas também porque o efeito dessas ações destruiu a economia. Tudo isso é devidamente ignorado pelo documentário. Os milhões de brasileiros que se insurgiram contra o estado das coisas aparecem como uns poucos reacionários saudosistas da ditadura. Também não há detalhes sobre a natureza das pedaladas fiscais. Petra Costa se esquiva das questões mais espinhosas para se deter em alegorias retóricas e na adulteração do que considera inconveniente.

    Vertigem é a falsa sensação que uma pessoa tem de que ela ou os objetos a sua volta se encontram em movimento quando não estão. O título do documentário não deixa de ser a confissão do estado mental de sua idealizadora, que viu na queda de um governo corrupto e incompetente o fim de uma democracia que continua existindo.

FRASE DO DIA

Aprender é mudar posturas.

Platão