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O QUE APONTA O HISTÓRICO DO COVID-19

ANO XIV - Nº 007/14 -

HISTÓRICO

Passados pouco mais de 5 meses desde o surgimento do CORONAVIRUS, doença que teve início em Wuhan, centro político, econômico, financeiro, comercial, cultural e educacional da China Central, ainda que não se saiba como debelar o vírus ao menos já é possível construir um breve HISTÓRICO das consequências obtidas através do universo de pessoas infectadas.   

ITÁLIA

O -HISTÓRICO- informa, com absoluta nitidez, que mais de 90% dos infectados no mundo todo são pessoas idosas, com incidência expressiva para aqueles que estão com mais de 80 anos.  Quem melhor expõe esta realidade é a região da Lombardia, na Itália, onde foi registrado o falecimento de um elevado número de  IDOSOS. Mais: contribuiu, de maneira muito decisiva, o clima frio daquela região, pois em outras, onde o clima é ameno, o número de infectados é ínfimo. 

CLIMA TROPICAL

Ora, considerando que no Brasil, o CLIMA TROPICAL está presente em boa parte do território, especialmente nos estados mais populosos, pelo HISTÓRICO obtido até agora tudo leva a crer que por aqui a incidência do COVID-19 tende a ser muito reduzida. Esta boa notícia, vale registrar a todo momento, não deve, nem pode, servir como motivo para desprezar a preocupante doença.

FALÊNCIAS

Entretanto, no que diz respeito às MEDIDAS DE PREVENÇÃO que estão sendo tomadas, quer no âmbito federal, quer pelos Estados e Municípios, o FATO é que as -DECRETADAS -PARALISAÇÕES DE TODAS AS ATIVIDADES PRODUTIVAS- vão produzir um elevadíssimo número de FALÊNCIAS em todo o território brasileiro.  

QUADRO FÚNEBRE

Assim, o povo brasileiro que sair ileso do COVID-19, a considerar o estrago promovido pelas PARALISAÇÕES OBRIGATÓRIAS, já pode se considerar como  CONDENADO a MORRER DE FOME em curto e médio prazo. Ou seja, o quadro, meus caros leitores, é pra lá de FÚNEBRE. 

ASILAR OS IDOSOS

Ao invés de ISOLAR, ou ASILAR, apenas os IDOSOS, já considerados estatisticamente mais VULNERÁVEIS, como esclarece desde já o  breve histórico, os nossos governantes, sem entender minimamente o problema, estão PROIBINDO OS JOVENS de manter VIVA, ainda que por ajuda de aparelhos, a ECONOMIA BRASILEIRA.  

Pior: nem mesmo as REFORMAS E/OU MEDIDAS INFRACONSTITUCIONAIS o nosso lamentável Congresso Nacional se dispõe a votar, o que dificulta ainda mais a OFEGANTE RESPIRAÇÃO da ECONOMIA BRASILEIRA, que há muito tempo mostra enorme FALTA DE AR. 

FALÊNCIAS E FALECIMENTOS

Volto a afirmar: pelas medidas tomadas, o número de FALÊNCIAS será de tal ordem que ninguém conseguirá lembrar do reduzido número de FALECIMENTOS.  

Mais ainda: ao invés de calcular a queda do PIB, vamos assistir a brutal alta do EIP - EMPOBRECIMENTO INTERNO BRUTO. 

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MARKET PLACE

  • ESPAÇO PENSAR+ 1

    A propósito deste editorial, eis o texto do pensador Mateus Bandeira - O MUNDO VAI  ACABAR, MAS NÃO AGORA. QUE TAL PENSAR NO DIA SEGUINTE? -: 

    Crises inéditas, como a do coronavírus, necessitam de tempo para serem digeridas. Mas arrisco algumas constatações preliminares.

    O mundo está vivendo algo raro na história da humanidade. Talvez só se compare com a gripe espanhola na primeira metade do século XX. Diferente daquela pandemia, porém, a medicina nunca esteve tão preparada para enfrentar desafios.

    Ao mesmo tempo, as autoridades estão se mostrando, de um modo geral, responsáveis com a ameaça invisível. O Governo do Brasil está adotando medidas emergenciais apropriadas na saúde e na economia.

    Entretanto, o ser humano, que se diferencia do restante do mundo animal pela racionalidade, está agindo como manada. O pânico parece estar embaçando nossa inteligência.

    Não, não estou falando de teorias conspiratórias. Tampouco desprezando a gravidade do momento. Eu e minha família estamos adotando medidas preventivas extras. Queremos todos ficar vivos.

    Falo de dados. Até o momento, cerca de 190 mil pessoas foram infectadas no mundo, de acordo com boletim da OMS do último dia 18 de março. O número de mortes, concentradas na China, Itália e Irã, se aproximava das 8 mil. No Brasil, segundo o site do Ministério da Saúde, também atualizado no dia 18, havia 428 casos registrados e 4 mortes confirmadas.

    Algumas comparações com base em dados do portal G1. Apesar da queda de 14%, 3.739 mulheres foram assassinadas em 2019.

    Mesmo com a redução de 19%, 41.635 indivíduos foram assassinados em 2019. Ou seja, houve 5 vezes mais assassinatos no Brasil em 2019 do que vítimas do vírus em todo o mundo.

    Outra gripe recente, a H1N1, ou Influenza, matou em média duas pessoas por dia no Brasil em 2019 – foram registrados 796 óbitos. O Aedes aegypti matou, no mesmo ano, 754 pessoas no País.

    O fato é que outras letalidades, mais agressivas, não decidiram parar de provocar vítimas e esperar o coronavírus desfilar solitário na passarela da morte. O jornalista Leonardo Sakamoto, do UOL, entrevistou quem entende do assunto.

    Um desabafo de um médico socorrista abre sua coluna da última segunda, dia 16. “Acidentes de trânsitos, partos, afogamentos, quedas de laje, infartos não param de acontecer para esperar o coronavírus passar”.

    Na China, onde tudo começou, em novembro de 2019, os casos estão em declínio acelerado. Prêmio Nobel, o biofísico Michael Levitt disse que “o Corona já está em se enfraquecendo, e a humanidade vai sobreviver”.

    A vida continua

    O que a maioria não está vendo é que haverá um dia seguinte. 2020 prometia ser um ano de recuperação econômica – o que, agora, parece muito difícil.

    Uma recessão econômica já é uma possibilidade real. Ou seja, voltarmos aos fatídicos anos de 2015 e 2016, depois que o PT levou o País à bancarrota.

    A vida de cada brasileiro é valiosa, mas o mundo não vai acabar depois que o coronavírus passar. As consequências de uma crise mal gerida podem durar um tempo muito maior do que a fase mais aguda da crise – 4 meses, talvez.

    Se combater o Covid-19 é questão de sobrevivência, minimizar os efeitos deletérios na economia é igualmente necessário. Um remédio aplicado em dose excessiva vira veneno.

    Se não dosarmos a receita, duas consequências são previsíveis. Aumento do desemprego e quebradeira, sobretudo de micro e pequenas empresas. O cenário próximo futuro pode ser o da depressão, com consequências muito mais duradouras.

    O momento deve ser aproveitado para endireitar o País e corrigir injustiças históricas. Para começar, hora de aprofundar as reformas estruturais, como a PEC Emergencial, a 186.

    Ao mesmo tempo, se precisamos de mais recursos para saúde, que tal cortar onde sobra gordura, como os R$ 2 bilhões do fundo eleitoral? Cálculo do professor do Insper, Thomas Conti, aponta que há R$ 4,7 bilhões desperdiçados em auxílio-moradia com a elite do Judiciário.

    Segundo ele, outros R$ 5 bilhões vão para pensões de filhas de militares e R$ 10 bilhões ultrapassam o teto dos supersalários do serviço público. Uma vacina contra o desperdício é destinar esta montanha de dinheiro para quem realmente precisa.

  • ESPAÇO PENSAR+ 2

    Da mesma forma, eis o texto do pensador Paulo Rabello de Castro -A ECONOMIA DO ISOLAMENTO- :

    Em breve - Deus queira - a ciência mundial produzirá uma vacina para rechaçar de vez o coronavírus. Mas continuaremos devendo respostas mais eficazes às terríveis sequelas econômicas do vírus sobre as empresas e as famílias brasileiras. Que o vírus pegou a todos de surpresa, não há dúvida nem discussão. E que a área da saúde no governo federal – ministro Mandetta e colaboradores - tem tido um papel esclarecedor à população, desde antes que o surto da nova gripe aqui chegasse, isso tampouco se põe em questão. O problema da gripe corona está localizado nas consequências do isolamento social requerido para o controle da disseminação do vírus.

    Podemos chamar de “economia do isolamento” ao tema pouco ou nada estudado nas faculdades de economia. Nem mesmo como exercício teórico, para aguçar a imaginação dos alunos, se tem notícia de trabalhos acadêmicos sobre como lidar com situações de trancamento da movimentação econômica. O único superdotado a lidar com essa questão, descrevendo como seria a economia do isolamento, foi Raul Seixas, no seu “O Dia Que a Terra Parou”. Sempre que o ouvia cantar, me perguntava, como economista, sobre como vencer tal situação de depressão profunda , em que as pessoas, isoladas, não saíssem mais de casa para exercer qualquer atividade. Raul falava do isolamento aos pares, pois o professor não ia mais à escola por não ter aluno para ensinar, e vice versa, até chegar ao ladrão, que não sairia para roubar por “não ter mais onde gastar”. Esse verso é essencial na fantástica intuição do nosso grande compositor baiano. Não ter onde gastar, ou seja, a inutilidade do dinheiro para adquirir a mercadoria que não estaria mais na prateleira da loja ou do supermercado, ou a ausência do serviço porque o prestador “também não estava lá”, constitui a chave para se entender a tragédia embutida na decretação oficial de uma economia do isolamento.

    O Brasil tem características especiais: é uma sociedade fortemente urbanizada, portanto aglomerada em cidades (mais de 90% da população na maioria dos estados) e, dentro delas, em comunidades irregulares e adensadas (favelas, áreas invadidas etc). Além disso, nossa gente trabalha na informalidade e “se vira” no grande setor de serviços, que abriga mais de metade da geração de riqueza, isso incluindo o microcomércio, os serviços prestados na rua ou em estabelecimentos meio improvisados. A empregada doméstica “precisa” continuar indo ao trabalho. Para ela, a terra não pode parar. Nem a escola deveria, pois impõe às famílias um desmedido desafio de lidar com o cuidado dos filhos em casa. O isolamento, a seu turno, provoca a antecipação preventiva de compras domésticas, desorganizando a cadeia de suprimento e criando elevação especulativa de preços. As PMEs, empresas pequenas e médias, sentirão o baque da redução de demanda direto como restrição de caixa. Mais uma vez, lembrando Raul Seixas, o essencial é ter onde e como gastar. A vitalidade de qualquer economia depende do gasto regular de cada um. A economia do isolamento perturba e interrompe o ciclo de gasto.

    Mais do que liberar bilhões e trilhões, a rodo e sem critério de impacto, a gestão da economia do isolamento deve ser feita com foco em dois aspectos principais: 1) aumentar o fluxo de gastos em geral e 2) priorizar a velocidade de posta-em-marcha das medidas tomadas. Por exemplo: a liberação de bilhões em recursos retidos da população em contas do PIS ou do FGTS, embora volumosa, é medida burocrática que não põe dinheiro direto na mão de quem mais precisa, além de depender de verificação e liberação prévias, que não é veloz. Muito mais eficaz seria a adoção de um refinanciamento geral de dívidas na rede bancária (Mario Simonsen fez isso, com o “refinanciamento compensatório”). O Banco Central pode promover a medida, convocando os bancos para essa missão. Em compensação, estes podem ter liberados os bilhões hoje retidos como recolhimentos obrigatórios, que são retenções absurdas sobre todos os depósitos, uma jabuticaba bancária nacional.

    Outras duas medidas simples para concluir: retomar a linha do “BNDES Giro”, que emprestava a centenas de milhares de PMEs no País, mas foi injustificadamente fechada em 2019. Idem, em relação ao Cartão BNDES, que poderia funcionar acoplado a um seguro de pagamento gerido por fintechs, sem intermediação de bancos. Por fim, mas longe de esgotar uma lista criativa de medidas, o ministro da Economia deve promover a desindexação geral, desobrigando contratos, inclusive os de trabalho, de cláusula de reposição inflacionária, valendo também para o setor público. Isso seria capaz de trazer os juros bancários para patamares decentes e promover a irrigação do gasto, tão necessário neste momento.

    O País sairá melhor e maior do que entrou nessa terrível crise da gripe corona, se meus colegas, “médicos da economia”, tiverem, minimamente, a competência e a destreza, além da dedicação, demonstradas pelas corajosas equipes da área da saúde. A eles e elas, médicos, enfermeiros, cuidadores, minha calorosa homenagem.

FRASE DO DIA

Muitos homens devem a grandeza da sua vida aos obstáculos que tiveram que vencer.

C. H. Spurgeon