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NO MUNDO DA LUA

ANO XIV - Nº 007/14 -

DESINFORMAÇÃO

Quem se dispõe a ler o que grande número de brasileiros posta a todo o momento nas redes sociais verá, com absoluta clareza, o grau de desinformação e o desconhecimento que reina por todos os cantos do nosso imenso e empobrecido Brasil.

CONFUSOS

O fato é que bem antes de buscar esclarecimentos a respeito das coisas que acontecem, não apenas no nosso país, muita gente se utiliza das redes sociais para dar palpites furados/ou totalmente desprovidos de nexo. Mais: em praticamente todas as abordagens, o que mais escancaram é o quanto confundem CAUSA com EFEITO.

NA CARONA

Vejam que, neste momento, muita gente resolveu pegar carona na greve dos caminhoneiros e passou a exigir que o -governo- baixe o preço de todos os combustíveis e não apenas o diesel. Só por aí já fica pra lá de evidente o tamanho do déficit educacional que reina no nosso país. Ao invés de atacar a CAUSA, que está, exclusivamente, no GASTO PÚBLICO, a sociedade desinformada exige que o governo intervenha no EFEITO, o que provoca um mal ainda maior para o país.

CAMINHÕES/CARGAS

A sociedade, antes de tudo, precisa entender que o número de caminhões é infinitamente maior do que o volume de cargas disponíveis no mercado. Esta realidade impõe que muitos caminhoneiros, mesmo depois de beneficiados com a queda do preço do diesel, dos impostos e dos pedágios, não conseguirão se manter na atividade.

MUITO CAMINHÃO E POUCA CARGA

A razão para isto é simples de explicar: enquanto o PIB brasileiro caiu fortemente ao longo período de 2010 a 2017, notadamente o setor industrial, a frota de caminhões, que já não era pequena, cresceu mais de 37%. Ora, esta oferta exagerada do número de caminhões diz, claramente, o quanto os caminhoneiros não quiseram enxergar que o mercado de fretes é desproporcional, ou seja, sobra muito caminhão para pouca carga.  E quanto mais as atividades ficarem paradas, menor a demanda por cargas.

HAYEK, MISES E FRIEDMAN

Por certo que ninguém vai querer que os caminhoneiros, assim como os demais desavisados e desinformados, leiam Hayek, Mises ou Friedman para entender que -não existe almoço grátis-. Mas isto não impede que saibam que os reais e grandes responsáveis pela ALTÍSSIMA E NOJENTA CARGA TRIBUTÁRIA que está embutida nos combustíveis são os absurdos DIREITOS ADQUIRIDOS. Nem mesmo com esta tamanha carga de tributos as contas do governo (federal, estaduais e municipais) deixam de ser ALTAMENTE DEFICITÁRIAS.

Em síntese, gostem ou não, de uma maneira ou outra a conta terá que ser paga.

ARROMBAR A PORTA

Como a Constituição PROÍBE que os governos deixem de pagar os DIREITOS ADQUIRIDOS, que consagram privilégios absurdos de todos os tipos, só existe uma forma: ARROMBAR ESTA PORTA. Quem tem a força, a vontade e a disponibilidade para tanto?

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MARKET PLACE

  • IPP

    O Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 1,56% em abril, acelerando-se em relação à alta de 1,05% em março, informou o IBGE. Com o resultado, o IPP acumula altas de 3,54% no ano e de 8,03% nos últimos 12 meses, até o mês passado.

  • IGP-M

    O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) subiu 1,38% em maio, acelerando-se fortemente em relação à alta de 0,57% apurada em abril, informou a Fundação Getúlio Vargas. Com isso, o indicador acumula altas de 3,45% no ano e de 4,26% em 12 meses.

  • ESPAÇO PENSAR+

    O QUE PENSO SOBRE A GREVE DOS CAMINHONEIROS.  - Percival Puggina -

     Engana-se quem pensa que essa greve traz à população algo que não seja caos. Ela é pelo diesel e não reduzirá nem o frete.
     Essa frase, que postei dia 26/05 nas minhas páginas do Facebook, suscitou inúmeros comentários. A maioria expressando desagrado. Era previsível porque pesquisa feita pelo Instituto Methodus informava, na véspera, que 86% da população apoiava a greve. No entanto, não tenho o hábito de auscultar a opinião pública para decidir o que devo escrever ou falar. Se fosse fazê-lo, não teria escrito ou dito coisa alguma quando poucos, muito poucos, combatíamos as ideias de esquerda e o petismo na segunda metade dos anos 80.
     Estou convencido, pela simples aplicação da razão aos fatos, de que é preciso distinguir as motivações. Uma coisa é a greve dos caminhoneiros, com apoio dos transportadores e produtores rurais interessados em reduzir o preço do diesel. Atendida essa reivindicação e isentos do pagamento de pedágio quando vazios, não fica um caminhão no acostamento. Ou alguém acredita que seus condutores continuarão parados até que o país tome jeito, que o Estado encolha, que os impostos diminuam, que a segurança aumente, que as estradas melhorem?
    Outra coisa, então, são as pautas nacionais, sobre as quais muito tenho escrito e das quais poucos se têm ocupado. Quanto mais terrível for a situação no dia 7 de outubro, quanto maior o caos, mais receptiva estará a massa de eleitores a quem lhe oferecer, em 7 de outubro, o conhecido prato feito de mentira, populismo, corporativismo, estatismo e, claro, subsídios públicos. Não vislumbro a menor chance de que em tal situação a maioria do eleitorado decida optar por uma política econômica liberal. Ao contrário, ela se inclinará para o lado de quem lhe oferecer doses mais robustas do mesmo veneno através da mão falsamente dadivosa do Estado. Sou contra o plantio do caos.
    Comece a falar em privatização e fim do monopólio e veja o que acontece. Quais as demandas da greve da Federação Única dos Petroleiros (FUP) programada para quarta feira? Demissão do presidente da Petrobras, retirada das Forças Armadas das refinarias onde garantem o abastecimento dos caminhões, manutenção dos empregos, “não às privatizações” e ao “desmonte da Petrobras”. Ah! Enquanto a empresa era vampirizada pelo governo petista que a transformou em objeto de escândalo e escárnio mundial, a turma da FUP, agora grevista, posava para fotos ao lado de Lula e Dilma. Agora, faz greve e se une aos caminhoneiros... “para o bem do Brasil”. Deve haver apoiador do caos aplaudindo a greve desses hipócritas porque, afinal, ela ajuda o caos, certo?
    A pluralidade de expectativas em relação aos caminhoneiros é uma evidência de que ela está sendo vista como uma espécie de Bombril com usos contraditórios. Ora é uma porta aberta para a “intervenção militar constitucional”, ora uma oportunidade adicional para o Bolsonaro, ora uma chance de criar clima para a volta da esquerda ao poder, ora uma oportunidade de acabar com os males do estatismo e ora uma oportunidade de buscar soluções junto ao Estado, ora servirá para acabar com o monopólio do petróleo e ora servirá para preservar definitivamente o monopólio. Entendam-se, porque eu não entendo.
    Ponderação final: se você está convencido que a greve é boa para o país, que o “Fora Temer” petista que vi em caminhões, vindo ontem de Santa Maria, é uma boa pauta, que o agravamento do caos institucional fará o que até agora não foi feito, responda para você mesmo, a quatro meses de eleições gerais, qual o grupo político que colherá maior vantagem dele com vista aos próximos quatro anos de poder no país?
     

FRASE DO DIA

É MAIS FÁCIL FALAR SOBRE A MUDANÇA DO QUE PROMOVÊ-LA.

A.Toffler