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NO BRASIL O MESMO RAIO CAI VÁRIAS VEZES NO MESMO LUGAR

ANO XIV - Nº 007/14 -

SINAIS DE ALERTAS IGNORADOS

A maioria dos brasileiros, infelizmente, ignora por completo quase todos os sinais de alertas que informam, constantemente, quando sérias e evidentes catástrofes estão se aproximando, prometendo enormes estragos de difícil recuperação.

 

 

AGORENTO

Com isto, o que se vê é um forte desinteresse pela prevenção, o que dá a entender, claramente, que tomado por um excesso de otimismo (irresponsável), o povo em geral  não leva em consideração qualquer probabilidade de ocorrências de ondas de destruição, por menor que seja.  O futuro é visto sempre com isenção de nuvens. E quem enxerga qualquer obstáculo a frente é taxado, imediatamente, de pessimista, ou um agorento.

MALES

Tomado por forte sentimento de otimismo sem causa, o povo, desde sempre, não cultiva o importante hábito de consultar quadros estatísticos e/ou econômicos, que à exemplo dos mapas meteorológicos, identificam a aproximação de males terríveis que, normalmente, são criados:

1- por governantes incompetentes; e,

2- por governantes que mascaram a destruição econômica com programas recheados de populismo. 

CORRUPÇÃO ENVOLVENDO EMPREITEIRAS

Quem se interessa minimamente pela história do Brasil vai constatar, com total clareza, que aqui um raio cai várias vezes no mesmo lugar, provocando os mesmos problemas e/ou destruições. Vejam, por exemplo, o que diz a manchete do Jornal do Brasil do dia 2 de dezembro de 1993 (mais 23 anos atrás):  CPI DESVENDA ESQUEMA DE CORRUPÇÃO ENVOLVENDO EMPREITEIRAS E POLÍTICOS. 

PODER PARALELO

No corpo da matéria diz:

Com base em documentos recolhidos pela Policia Federal na residência do diretor da empresa Norberto Odebrecht, a CPI do Orçamento começou a desvendar um esquema de poder paralelo conduzido pelas empreiteiras. Uma -holding- formada por 12 construtoras, comandada pela Odebrecht, garantia a divisão equitativa, entre empreiteiras, das obras realizadas com recursos do Orçamento. As licitações eram fraudadas ou previamente acertadas. 

MAXIMIZAR A CORRUPÇÃO

Ora, as delações atuais, portanto, não podem nem devem ser vistas como algo surpreendente. A rigor, a diferença está no tamanho da coisa roubada. Ou seja, o raio continua sendo o mesmo, o que mudou nestes últimos 23/24 anos foi a intensidade da carga elétrica, que resultou em devastação, tipo GGG, das contas públicas. Nota-se, infelizmente, que da mesma forma como nada foi feito para minimizar a safadeza, muito foi feito para maximizar a corrupção. Que tal?

10 MEDIDAS

Aliás, quando alguém interessado em dar um fim à corrupção,(Ministério Público Federal) tomou a iniciativa de propor as 10 MEDIDAS CONTRA A CORRUPÇÃO através de uma Lei de Iniciativa Popular (PLIP), os deputados federais trataram, como se viu, de sepultar o projeto. O que significa, com todas as letras, que o raio deve continuar caindo no mesmo lugar, para felicidade geral dos bandidos. Pode?

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MARKET PLACE

  • ROBERTO CAMPOS - 100 ANOS

    Comemora-se HOJE, 17/04/2017, o centenário de nascimento do grande estadista e pensador liberal Roberto Campos (1917-2001). Para recordar esta ímpar figura, em sua honra publico o texto escrito por Ricardo Vélez-Rodríguez, que trata de alguns aspectos da sua vida, obra e pensamento. Nestes momentos pelos que o Brasil passa, com o governo e a sociedade tentado fazer reformas para diminuir o tamanho do ineficiente Estado Patrimonialista, a lembrança do pensamento de Roberto Campos é norte que nos deve guiar. Eis:

     

    “O Itamaraty, situado na avenida Marechal Floriano (a antiga rua Larga de São Joaquim), era comumente apelidado de Butantã da rua Larga. São cobras, mas fingem que são minhocas – dizia-me de seus colegas o admirável Guimarães Rosa, que depois se tornaria o meu escritor preferido”.

    Roberto Campos e um grupo minoritário representaram a opção por um conceito de diplomacia afinado com a democracia ocidental e alheio à busca do “democratismo” que terminou vingando no mundo comunista. Como ele mesmo destacava, virou uma espécie de “profeta da liberdade”, à maneira, aliás, de Tocqueville, que se descrevia a si próprio como um “João Batista que prega no deserto”. A respeito da opção liberal, observava Roberto Campos:
    Em nenhum momento consegui a grandeza. Em todos os momentos procurei escapar da mediocridade. Fui um pouco um apóstolo, sem a coragem de ser mártir. Lutei contra as marés do nacional-populismo, antecipando o refluxo da onda. Às vezes ousei profetizar, não por ver mais que os outros, mas por ver antes. Por muito tempo, ao defender o liberalismo econômico, fui considerado um herege imprudente. Os acontecimentos mundiais, na visão de alguns, me promoveram a profeta responsável.
    Nosso autor definia seu compromisso intelectual com a defesa de duas variáveis: opulência e liberdade, que deveriam estar estreitamente ligadas para não degenerarem em populismos irresponsáveis. A respeito, frisava:
    Neste fim de século ressurgem tendências liberais sob a forma do capitalismo democrático. Este se baseia na convicção de que somente através do mercado se alcança a opulência, enquanto que para a preservação da liberdade o instrumento fundamental é a democracia. Ambos, opulência e liberdade são valores desejáveis. O mercado pode gerar opulência sem democracia, e a democracia, sem o mercado, pode degenerar em pobreza. Conciliar o mercado, que é o voto econômico, com a democracia, que é o voto político, eis a grande tarefa da era pós-coletivista – o século XXI.

    Talvez o traço mais marcante da personalidade intelectual de Roberto Campos tenha sido a capacidade de rir de si próprio, estabelecendo uma saudável relatividade nos seus pontos de vista. Definiu-se a si mesmo, no primeiro capítulo de sua autobiografia, como o “analfabeto erudito”. Analfabeto em matéria de especialidades cartoriais que o habilitariam para um concurso público. Mas erudito por uma inegável formação humanística haurida no Seminário, onde cursou os estudos completos de Filosofia e Teologia, além de ter recebido as “Ordens Menores” (hostiário, leitor, exorcista, acólito). Lia com familiaridade o grego e o latim. E, forçosamente, para quem viveu anos a fio em meio às exigências celibatárias, a iniciação sexual começou bastante tarde, já na casa dos vinte e tantos anos — como também está registrado, com humor, na sua obra autobiográfica.
    A formação humanística no Seminário fez com que Campos tivesse como pano de fundo da sua vivência intelectual a compreensão da complexidade das relações sociais, ancorando o estudo destas na meditação aprofundada sobre o ser humano. Algo semelhante ao que motivou o pai do liberalismo, John Locke, a entender as relações políticas sob o pano de fundo mais largo das exigências morais, a partir do imperativo, de inspiração medieval, do controle moral ao poder. Não em vão o maior vulto do liberalismo inglês frequentou os estudos humanísticos preparatórios para a clerezia no Christ Church College, antes de passar pelos estudos da Medicina em Oxford que o levaram, jovem praticante, a tratar do conde de Shaftesbury e virar, pelo seu intermédio, o principal assessor da liderança parlamentar no desmonte do absolutismo monárquico.
    A formação humanística recebida por Roberto Campos o habilitou para entender em profundidade o mundo econômico, ao ensejo dos estudos feitos em nível de pós-graduação em Economia, na Escola de Governo da George Washington University, sob a rigorosa orientação de Edward Champion Acheson. Na mencionada universidade, ele teve contato com os maiores vultos do pensamento econômico da época, como John Donaldson, Arthur F. Burns, Gottfried Haberler, Fritz Machlup, Joseph Alois Schumpeter (que considerou que o montante das pesquisas feitas por Campos para a tese de mestrado “era suficiente para uma tese doutoral”), John Maynard Keynes e o papa da Escola Austríaca, Friedrich A. Hayek.
    Assim, a passagem de Roberto Campos pela divisão de “secos e molhados” (nome jocoso dado pelo nosso autor à área de Assuntos Econômicos do Itamaraty) foi bastante profícua, tendo-o colocado, junto com Eugênio Gudin, na linha de frente da formulação das políticas econômicas que se tornariam, após a Conferência de Bretton Woods em 1944, a peça forte das relações diplomáticas. (Da mencionada Conferência, Roberto Campos participou como assessor da equipe brasileira chefiada pelo professor Gudin).
    Duas etapas podem ser reconhecidas na formação do liberalismo econômico de Roberto Campos: a primeira, onde a influência maior veio de Keynes e a segunda, já derrubado o Muro de Berlim, com uma aproximação maior ao pensamento da Escola Austríaca. Mas sempre mantendo atenta a vista na construção de instituições que conduzissem o Brasil ao pleno desenvolvimento econômico com preservação da liberdade.
    Roberto Campos, crítico do patrimonialismo. Ele foi, ao meu ver, um dos críticos mais sistemáticos e radicais das práticas patrimonialistas com a tendência secular a fazer do Estado negócio de família. Na sua última fala no Congresso, ao se despedir da vida pública, em 1999, frisou:

    Sempre achei que um dos mais graves problemas dos subdesenvolvidos é a sua incompetência na descoberta dos verdadeiros inimigos. Assim, por exemplo os responsáveis pela nossa pobreza não são o liberalismo, nem o capitalismo, em que somos noviços destreinados, e sim a inflação, a falta de educação básica, e um assistencialismo governamental incompetente, que faz com que os assistentes passem melhor que os assistidos. Os inimigos do desenvolvimento não são os entreguistas que, aliás, só poderiam entregar miséria e subdesenvolvimento, e sim os monopolistas, que cultivam ineficiências e criaram uma nova classe de privilegiados – os burgueses do Estado. Os promotores da inflação não são a ganância dos empresários ou a predação das multinacionais e sim esse velho safado, que conosco convive desde o albor da República – o déficit do setor público.

     

    NOTA - Para comemorar o centenário de nascimento do economista e diplomata Roberto Campos (em 17 de abril de 1917), a Fundação Alexandre de Gusmão, com organização do IPRI, promove, em 18 de abril, na sede do Palácio Itamaraty, Rio de Janeiro, o seminário “Roberto Campos: o homem que pensou o Brasil”, com a participação de diversos autores do livro organizado por Paulo Roberto de Almeida, O Homem que Pensou o Brasil: itinerário intelectual de Roberto Campos (Curitiba: Editora Appris, 2017), ademais de outras personalidades que discutirão a importância do diplomata para a vida pública brasileira.
     

  • PÁSCOA

    O entendimento completo das necessidades e desejos dos consumidores para a Páscoa 2017 pelos supermercados gaúchos resultou na confirmação das previsões iniciais de vendas desenhadas pelos empresários do setor para a data. Segundo balanço divulgado neste domingo (17) pelo presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, o setor encerrará a Páscoa 2017 comercializando 6,5 milhões de ovos de chocolate em todo o Rio Grande do Sul, uma queda de 12% nas vendas em relação ao ano passado. 

FRASE DO DIA

No meu dicionário, 'socialista' é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais igual que os outros...

Roberto Campos