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MOVIMENTO SENOIDAL

ANO XIV - Nº 007/14 -

ONDAS SENOIDAIS

Quem analisa uma série temporal dos preços de produtos e/ou serviços percebe, graficamente, que a flutuação se descreve em forma senoidal, onde as ondas identificam constantes e repetitivos ALTOS e BAIXOS.

CORAÇÃO

Vejam, inclusive, que o até o gráfico que descreve o batimento do nosso coração também mostra oscilação senoidal, registrando curvas constantes e repetitivas, com picos de alta e de baixa.

SENOIDE ESQUISITA

Ora, esta mesma lógica se faz presente através da volatilidade dos preços dos ativos negociados nos mais diversos mercados, ainda que neste momento, considerando o estado crucial que vive a nossa economia, o desenho gráfico do comportamento, tanto dos preços quanto da taxa de confiança, esteja mostrando uma senoide esquisita, com curvas disformes. 

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Este movimento, no entanto, se levarmos em conta o quanto a REFORMA DA PREVIDÊNCIA é tudo que o Brasil precisa para ganhar forças e condições de ir em frente, nada tem de estranho. Assim, quando o mercado percebe que as chances de aprovação da PEC melhoram, este sentimento se manifesta através dos preços dos ativos.

SUSSURRO

Da mesma forma, basta um simples sussurro vindo do final dos corredores da Câmara Federal, ou em qualquer outro lugar,  para o mercado acusar imediatamente o golpe. Como se vê, basta um suspiro e a onda que descreve a senoide política/econômica já aponta para baixo. 

TENDÊNCIA DE ALTA

O que precisa ser considerado, no entanto, é que a aprovação da REFORMA DA PREVIDÊNCIA dará início a uma nova ONDA SENOIDAL no Brasil, onde a TRAJETÓRIA dos ALTOS E BAIXOS vai mostrar, de forma clara, uma forte TENDÊNCIA DE ALTA. Alta de INVESTIMENTOS, que aumentarão a oferta e, por consequência, o crescimento do nosso combalido PIB.

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MARKET PLACE

  • PRODUÇÃO INDUSTRIAL

    A produção industrial brasileira subiu 0,7% em fevereiro em relação a janeiro, apagando a queda registrada no mês anterior (-0,7%, dado revisado), informou o IBGE. O resultado ficou em linha com a previsão, de +0,7%,
    conforme mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA.

     

  • ESPAÇO PENSAR+

    Eis o artigo do economista Gustavo Franco, publicado no Estadão deste domingo:


    Se o Brasil é campeão mundial dos juros, deve haver alguma coisa errada com nosso futuro

    Se fosse apontar uma definição simples, alegórica e filosófica sobre a taxa de juros, essa monumental patologia nacional, diria que é uma espécie de relação de troca, ou preço relativo entre o presente e o futuro. Esse é o teor de um belo livro de Eduardo Gianetti, intitulado O Valor do Amanhã e publicado em 2005, leitura muito atual.

    Para os entendidos em matemática financeira, os juros aparecem como o “fator de desconto” utilizado para “trazer a valor presente” o que está no futuro. Os juros medem a distância econômica entre o hoje e o amanhã. Sendo assim, se o Brasil é o campeão mundial de juros, deve haver alguma coisa muito errada com o nosso futuro. É como se fôssemos também os líderes de miopia, absurdamente enviesados para gastos no presente, totalmente despreocupados em pagar a conta no futuro, pois vai ficar para outro governador, ou vamos descobrir a mina de ouro que foi prometida aos que vieram para cá em 1500.

    A expressão desse estado de coisas, sua causa e seu reflexo, é a montanha de dívidas que já contratamos como nação em dívida mobiliária (títulos) e em obrigações futuras de natureza variada, a mais gigantesca das quais relacionada ao sistema previdenciário.

    Uma conta feita em 2007 para “trazer a valor presente” o déficit da Previdência feita por Fabio Giambiagi chegou a um número da ordem de 200% do PIB, mais que o dobro do valor da dívida mobiliária hoje.

    Durante os anos de inflação alta nada disso era muito claro, pois o Estado pagava suas contas com papel pintado que perdia valor muito rapidamente, tributando os pobres ou os despossuídos de correção monetária.

    Papel moeda não é dívida, e sua fabricação conforme a conveniência dos poderosos funcionava como “acelerador da experiência”, um “dopping”, um “meio pecaminoso” para o desenvolvimento, uma espécie de “pacto fáustico” que se torna insustentável e termina em 1994. A partir daí se estabelece uma dúvida fundamental sobre as finanças públicas: Como se dá o “conflito distributivo” depois da estabilização, quando desejos continuam maiores que as possibilidades, mas as novas instituições não permitem a inflação como solução?

    Simples: dívida.

    O conflito distributivo passa a ser intertemporal, e as vítimas passam a ser as gerações futuras.

    As autoridades mantêm os velhos hábitos e se endividam como se fosse o mesmo que emitir dinheiro, pois quem vai pagar é o próximo governo, e assim vão deteriorando os termos de troca entre o presente e o futuro.

    Os juros estão bem no centro dessas tensões, pois são a forma impessoal de onerar o futuro, o subproduto inevitável da miopia e da irresponsabilidade. Tal como a inflação, não se sabe bem quem é o culpado. É fácil enxergar o usurário, tal como o oligopólio (no caso da inflação), mas se fossem eles os responsáveis, um tabelamento resolvia, e nós tentamos muitas vezes sem sucesso. O problema está onde sempre esteve, nas finanças públicas, mas raramente as lideranças políticas conduzem o assunto para o terreno apropriado. Amiúde se empenham em ocultar o problema e sobretudo em modular seus efeitos.

    Uma prática particularmente perversa é a de preservar alguns brasileiros melhores do que os outros dos efeitos dos juros altos ao inseri-los no mundo do crédito direcionado subsidiado. Assim, os cidadãos mais vulneráveis, mais relevantes e mais poderosos ficam protegidos do problema, tal como a correção monetária fazia, no tempo da inflação.

    Grosso modo, metade do crédito no Brasil é dessa categoria e custa cerca de 9% ao ano. A outra metade, o segmento “livre”, oferece crédito para as pessoas comuns a taxas médias em torno de 35% (algo como 45% para indivíduos e 21% para as empresas).

    Não há spread bancário relevante para o crédito direcionado, portanto, é de se supor que o que existe para o crédito livre seja o necessário para cobrir os custos dessa “meia entrada” no mundo do crédito. É como se existissem dois mundos, a casa e a rua, o espaço do favor, da reciprocidade e do afeto, e, em oposição, a impessoalidade do mercado.

    Antigamente, o Estado definia quem tinha acesso à moeda estável, hoje escolhe quem tem futuro.

FRASE DO DIA

Dificuldades e obstáculos fazem parte do mundo. Se não ultrapassá-los na subida, eles sempre o acompanharão na descida.

P.Ursaia