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MEIA VERDADE, MEIA MENTIRA

ANO XIV - Nº 007/14 -

TEXTO

Na edição de hoje (final da semana), por ser oportuno, publico o texto de autoria do economista Marco Túlio Ferreyro, membro do - Grupo Pensar Econômico, recém criado no RS. Vejam:

DESONERAÇÃO DO IPI

O governo Lula informou que deixará de arrecadar R$3,2 bilhões com a prorrogação da desoneração do IPI. Mas não diz o quanto vai crescer a arrecadação em impostos, tipo IOF (sobre automóveis, materiais de construção e linha branca comercializados com financiamentos), COFINS, PIS, CSLL, CIDE. Isto fora os incrementos em impostos estaduais (ICMS, IPV-A) e municipais (ITBI, ISSQN, IPTU), visto que a venda de materiais de construção propicia reformas em imóveis já existentes mais as construções de novas moradias.

MAIOR COMPENSAÇÃO

Estou convencido de que a desoneração do IPI não implicará em renúncia fiscal, uma vez que o incremento do fisco no âmbito da União, Estados e Municípios, através da movimentação econômica advinda do maior ritmo de negócios, mais do que compensará a União, pela perda da arrecadação inicial.

BOLO TRIBUTÁRIO

Além disso, não pensem que o governo federal está sendo benevolente com Estados e Municípios, que estariam sendo beneficiados sem serem sacrificados. Afinal, o que temos mesmo é uma república federativa às avessas, onde a União detém 61,8% do bolo tributário, enquanto que os Estados ficam com 32,6% de tal bolo, e os Municípios, lugar onde a vida acontece de fato para os cidadãos, ficam com 5,6% do bolo tributário

SÓ NO BRASIL

Diga-se, de antemão, que tais desonerações representam valores absolutos pesados, mas ainda assim, em termos relativos são migalhas tributárias concedidas pelo governo federal, considerando os aspectos já abordados. Além do fato de que o IPI representa apenas 3,74% do bolo tributário. Pergunto: - Por que não desonerar toda indústria nacional desse imposto obsoleto que somente é praticado no Brasil?

PACTO FEDERATIVO

Se no Brasil sobra imposto, no mesmo nível falta um efeito pacto federativo, que defina corretamente o tamanho do Estado brasileiro que a sociedade contribuinte (famílias e empresas) aceita e necessita pagar para custear educação, saúde, segurança, habitação e justiça. E só depois deve promover uma divisão do bolo de forma equânime e compatível com tais atribuições.

CONSULTA POPULAR

Fica aqui, portanto, registrada a sugestão de que se realmente o governo federal deseja ampliar a tal da democracia participativa, que faça uma grande consulta à sociedade contribuinte, que efetivamente paga a conta, através da próxima declaração de ajuste de imposto de renda. Que tal? Se houvesse uma redução do gasto público corrente que, hoje já representa mais de 25% do PIB, o governo federal poderia reduzir a sua carga tributária. E, consequentemente, aumentaria a renda pessoal disponível para consumo de bens e serviços, além de ampliar a capacidade de investimentos das empresas. Com isto haveria uma maior dinamização da economia. O comércio venderia mais, o que faria aumentar suas encomendas à indústria; ampliaria investimentos em bens de capital e plantas industriais, num segundo momento, gerando empregos, renda e impostos, que verteriam para os cofres públicos nas diversas esferas. Tão simples, no entanto tão distante das ações de política econômica. Vejam, por exemplo, que através das migalhas tributárias oferecidas através da desoneração do IPI para automóveis, linha branca e materiais de construção, os governos - federal, estaduais e municipais - aumentaram suas arrecadações mediante a movimentação de negócios advinda de tal política contra-cíclica. Por que, então, não estendê-la para os demais setores industriais, como por exemplo, a indústria de máquinas e equipamentos e moveleira? Ou melhor: por que não acabar de uma vez com o IPI, um imposto atrasado e fora de contexto, que gera distorções na eficiência alocativa dos fatores de produção? Afinal, o IPI representa apenas 3,74% do bolo tributário. Uma migalha do bolo...

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MARKET PLACE

  • NOVO SHOPPING
    A prefeitura de Porto Alegre e a Companhia Zaffari assinaram ontem, 23, termo de compromisso para a implantação de um shopping center na avenida Assis Brasil, 2661, Zona Norte. O ato foi formalizado pelo procurador-geral do município, João Batista Linck Figueira e o diretor do grupo, Airton Zaffari. Serão duas edificações na área onde funcionou a fábrica de fogões Wallig. Inicialmente será construído um shopping center, com hipermercado, lojas e cinemas e depois um centro de eventos e exposições. A primeira etapa, no lado compreendido pelas avenidas Assis Brasil e Grécia, tem conclusão prevista para 2010. A segunda etapa localiza-se entre as ruas Grécia e Umbu (prédios de escritório). Serão 128 lojas e 3,7 mil vagas de estacionamento numa área de 205,6 mil metros quadrados. A estimativa é da criação de mais de dois mil empregos diretos.
  • ALMOÇO DE VAREJO
    A CDL Porto Alegre traz com exclusividade a Porto Alegre, o diretor de negócios para o varejo do Google Brasil, Julio Zaguini. O executivo será o palestrante do Almoço do Varejo e abordará o tema: Internet como ferramenta de marketing.
  • REVISTA FLORENSE
    Onde está o jornalismo cultural? Não nos jornais. Nem nas revistas. Não no mainstream editorial, pelo menos. Se as publicações tradicionais têm de embarcar no crescimento das classes C e D, com capas de atores globais, efemérides de meados do século passado e realizadores do tempo da velha indústria, jornalistas que não querem repetir os mesmos assuntos, nem ceder à pressão dos releases (e das assessorias) e pautar o que há de relevante (e está na ordem do dia), correm para os veículos independentes.Daí a razão para que algumas revistas estejam dando um banho no jornalismo cultural, alquebrado de jornalões e outras publicações acomodadas em banca. Um exemplo é a Revista Florense, editada por Renato Henrichs e Vanderlei Venturin (arte). Na última edição, de inverno (número 22), tem-se Sérgio Augusto sobre Capitão Marvel, Ana Maria Bahiana sobre os novos vampiros no cinema, Luís Antônio Giron sobre Wagner Moura e Ruy Castro sobre a história o disco, entre outros jornalistas.
  • RESULTADO DA ARACRUZ
    O resultado alcançado pela Aracruz, no primeiro semestre do ano, teve como destaque o recorde de vendas, com volume 10% superior ao mesmo período de 2008. A forte demanda da China elevou o mix de vendas para a Ásia ao maior patamar já observado, alcançando 45% do total comercializado pela empresa e compensando a redução das vendas para os mercados europeu e americano. O semestre foi encerrado com um lucro líquido (incluindo 50% da Veracel) de R$ 594 milhões. Esse resultado foi favorecido pela receita de variação cambial decorrente da valorização de 16% do real em relação ao dólar no período, que afeta a parcela do endividamento da companhia contratada em moeda estrangeira (69%).
  • EMPREENDIMENTO
    O escritório de engenharia Joal Teitelbaum lança, durante a Casa Cor, o Príncipe de Greenhill, um empreendimento que será construido seguindo as práticas de sustentabilidade exigidas para a Certificação LEED. As tecnologias e ações adotadas resultarão na redução de aproximadamente 30% no consumo de água e 40% de energia, além de deixar de gerar 30 toneladas de gás carbônico por ano, devido ao seu sistema Integrado de Aquecimento.

FRASE DO DIA

Se você fica esperando, tudo o que acontece é que você fica velho.

Larry McMurtry