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ÍNDICE DE MAL-ESTAR

ANO XIV - Nº 007/14 -

BUSCANDO RESPOSTAS

Quando me preparo, diariamente, para escrever os editoriais do Ponto Critico, antes de tudo tento encontrar uma mesma resposta, sem sucesso, sobre os motivos que levam tantos brasileiros a manifestar uma irrestrita paixão por líderes e/ou partidos socialistas, mesmo depois de tanto escancaramento dos arrasadores efeitos que a todo o momento são mostrados em todos os países que insistiram, e insistem, com a péssima ideia.

O SUPLÍCIO DA RECUPERAÇÃO

Pois, neste último final de semana, de forma quase que obcecada, sempre tentando encontrar a inalcançável resposta, me deparei com um bom artigo escrito pela economista Monica Bolle, com o título -O SUPLÍCIO DA RECUPERAÇÃO-, que a revista Época publicou na semana passada.

ASCENSÃO DE LULA NAS PESQUISAS

Monica Bolle inicia o seu texto dizendo que há pouco mais de um ano escreveu um artigo que foi publicado pelo Peterson Institute for International Economics, no qual tentava explicar, para não brasileiros, a ascensão de Lula nas pesquisas eleitorais e por que ele haveria de se manter na liderança, apesar de tudo em que se metera.

ÍNDICE DE MAL-ESTAR

O argumento era mais ou menos assim: economistas têm uma métrica para avaliar o sofrimento econômico da população. A métrica chama-se “O ÍNDICE DE MAL-ESTAR”, que nada mais é do que a soma da TAXA DE DESEMPREGO com TAXA DE INFLAÇÃO.

TORNAR O BRASIL GRANDE DE NOVO

Argumentei em fevereiro de 2017 que Lula era o único presidenciável que conseguia transmitir a sensação de que seria possível “tornar o Brasil grande de novo”, ou make Brazil great again. Afinal, durante seu governo, os índices de mal-estar foram estáveis e relativamente baixos se comparados às médias históricas. Em 2007, logo antes da crise financeira, a inflação estava na meta (4,5%) e o desemprego andava na faixa dos 9%, ou seja, o índice de mal-estar era de 13,5%.

ATÉ 2014

Permaneceu próximo desse patamar até 2014, embora a composição tenha se alterado bastante. No fim do primeiro mandato de Dilma, a inflação subira para 6,4%, enquanto a taxa de desemprego caíra para 6,8%. Há quem ache — eu, inclusive — que a estabilidade do índice, sobretudo a taxa de desemprego relativamente baixa, garantiu a reeleição. De lá para cá, vimos catástrofe.

2015

Em 2015 o mal-estar brasileiro registrou 19,2 pontos — desemprego de 8,5% e inflação de 10,7% —, caindo para 15,7% ao final de 2017. A composição, mais uma vez, fez a diferença: a taxa de desemprego permanecera elevada (12,7% para a média do ano), enquanto a inflação surpreendera positivamente (2,95%). A queda da inflação e o fim da recessão trouxeram ao país uma onda de euforia nos mercados. Analistas revisaram para cima suas projeções sobre o crescimento de 2018, todos comemoravam a sorte e a fortuna. Sorte, pois, na ausência das principais reformas que haviam passado mais de ano implorando para que o governo fizesse, não houve turbulência ou forte desagrado. Investidores estrangeiros continuavam enviando recursos para o país e tudo caminhava como se os problemas de fundo tivessem desaparecido. Embalados pela ilusão, fizeram pouco caso das pesquisas que continuavam a mostrar a descrença da população, enraizada na popularidade de Lula — o mesmo Lula que havia caído em desgraça.

DIFÍCIL SUSTENTAR A RETOMADA DA ATIVIDADE

No artigo que escrevi em fevereiro de 2017, disse que seria difícil sustentar qualquer retomada da atividade, pois fôlego na economia não havia — a produtividade era demasiado baixa, a recessão deixara sequelas, e o país, como sempre, continuava isolado do resto do mundo. Argumentei, também, que as incertezas que inevitavelmente persistiriam no cenário político acabariam por impedir grandes reformas capazes de propelir o crescimento. Tudo isso foi antes do episódio na garagem do Jaburu. Passado pouco mais de um ano, assistimos ao enfraquecimento da recuperação econômica e à revisão de cenários dos analistas, e vimos que a incerteza não haverá de se dissipar tão cedo. A inflação continua baixa, mais pela incapacidade do país em gerar crescimento do que qualquer outra coisa. O desemprego? Bem, esse infelizmente voltou a subir. Em março de 2018 o índice de mal-estar da economia brasileira estava estacionado em 15,7 pontos, dessa vez com uma taxa de desemprego de 13,1% e com tendência de alta.

INFLAÇÃO ALEIJA, MAS O DESEMPREGO MATA

Parafraseando Mario Henrique Simonsen, a inflação aleija, mas o desemprego mata.
É possível que, para a população que não tem tempo de ficar fazendo exercícios de projeções econômicas, ou mesmo refletindo sobre os rumos do Brasil, o quadro desalentador de 2015 fosse melhor do que este que temos agora. Afinal, a recuperação veio, mas os empregos ainda não estão aí.
Não escrevo essas linhas apenas como economista. Como economista, bem conheço as defasagens que influenciam o desemprego, a inflação, a atividade. Mas o eleitor, esse que responde a pesquisas de opinião, não está interessado nas explicações de por que 2015 na verdade foi pior do que o quadro que se apresenta hoje. Para o eleitor, pouco importam as defasagens. O que realmente interessa é que essa recuperação está sendo um verdadeiro suplício, e o preço será pago nas urnas.

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MARKET PLACE

  • ÍNDICES DE INFLAÇÃO

    O IGP-DI avançou de 0,56% exibido em março para 0,93% em abril.  O IPA, que mede os preços ao produtor, contribui em grande parte a aceleração observada, ao passar de 0,77% para 1,26%, movido pela alta dos produtos industriais (de -0,09% para 0,96%). Por outro lado, os produtos agropecuários desaceleraram da alta de 3,39% para 2,18%.

    O IPC, índice que mede os preços ao consumidor, registrou alta de 0,34% em abril, vindo de 0,17% em março. A maior contribuição para a alta do IPC veio de grupo Saúde e Cuidados Pessoais (0,42% para 1,12%). Também apresentaram avanço em suas taxas de variação os grupos: Alimentação (-0,02% para 0,29%) e Educação, Leitura e Recreação (-0,09% para 0,12%). Entretanto, o grupo Transportes apresentou a principal contribuição negativa (de 0,23% para 0,07%). Por fim, o INCC, que representa os preços da construção civil, passou de 0,24% para 0,29%. Com esse resultado, o IGP-DI acumula alta de 2,24% no ano, enquanto em doze meses a alta acumulada é de 2,97%.

  • ESPAÇO PENSAR+

    Eis o artigo do pensador Percival Puggina, com o título -ESQUIVEL, ESQUIVEL, VAI ARRUMAR ALGO DECENTE PARA FAZER!-

     “Em Cuba se pratica a coerência entre o dizer e o fazer, e ao ser coerente, segue uma linha em que se praticam e sustentam os direitos humanos com uma dimensão integral na qual o povo é o eixo central”. (Adolfo Pérez Esquivel, em maio de 2016, falando a sindicalistas argentinos numa comemoração aos 90 anos de Fidel Castro)

              Não acompanho a vida e obra de Esquivel, Nobel da Paz, mas conheço o arquétipo. Ele integra aquele grupo de militantes comunistas preservados dentro do armário para não desacreditarem suas performances quando convocados a socorrer companheiros em dificuldade mundo afora. Por isso, a rumorosa presença de Esquivel, juntando-se aos que querem transformar a carceragem da Polícia Federal de Curitiba em sala de visita e Comitê Operativo de Emergência do petismo, me fez dar uma olhada em suas atuações. O homem se presta para todas! Procure por ele aqui e aqui, por exemplo. Essa frase que coloquei em epígrafe, bem como o inteiro teor da referida palestra, é quase tão descabida quanto a indicação que fez de Lula para se juntar a ele entre os agraciados com o Nobel da Paz. Ou, sua vinda ao Brasil, em 2016, sempre com a mão esquerda erguida, para se opor ao “golpe”.

              As duas características que mais me surpreendem nesse tipo humano e em suas atitudes é a pressuposição que faz de nossa ingenuidade e a sua infatigabilidade. Não cansam de desempenhar o seu papel diante de nossos olhos incrédulos. Como pode alguém correr mundo como reverenciado atleta dos direitos humanos e ser assíduo bajulador da sexagenária ditadura castrista? Ou declarar, como declarou em 17 de fevereiro de 2014 que "há uma intenção (dos EUA) de desestabilizar não apenas a economia como também a ação social e política" na Venezuela? E mais: quando Macri, recém-eleito, quis usar a cláusula democrática do acordo do Mercosul para expulsar a Venezuela do bloco, Esquivel saltou em defesa daquele regime assassino onde “não só há habitação digna, mas há educação, saúde e médicos nos bairros”.

    A criativa desonestidade intelectual desses verdadeiros charlatões do circo político não tem limites. Vejamos, por exemplo, o cenário do tal “golpismo”. Lula assumiu a presidência em 2003 e já em 2005, constrangido, revirando os olhos para cima, dizendo-se apunhalado pelas costas, dava pinotes para afastar de seu colo o escândalo do mensalão. Anos mais tarde, o companheiro Joaquim Barbosa – relator daquela ação penal – fez um esforço imenso, mas cumpriu seu papel. Livrou a cara de Lula e jogou a culpa no Dirceu. E os “golpistas”, diante do mensalão, pediram impeachment de Lula? Não. Um ano mais tarde, Lula foi reeleito, a irresponsabilidade ganhou novo fôlego; e os “golpistas”? Quietos. Mais quatro anos, o “poste” foi eleito. E os “golpistas” continuaram vendo a banda passar, com cara de paisagem. Veio a Lava Jato, e os “golpistas”, nada. Dilma foi reeleita. E os “golpistas” continuaram como se não fosse com eles. O Congresso Nacional, aliás, durante bom tempo, persistiu como mero observador dos fatos, cada um cuidando da própria retaguarda. Foi perante a opinião pública e o mundo jurídico que a situação do governo ficou insustentável. E o Congresso veio atrás. E o Esquivel chegou correndo, com o punho erguido.

    Estou fazendo esse relato porque o PT vem, há anos, seguindo o mesmo protocolo: fatos inconvenientes exigem versões impostas por repetição. Assim como o “extraordinário desenvolvimento social do Brasil” foi uma versão imposta por repetição, embora desmentida por 14 milhões de desempregados, era imperioso afirmar o “golpismo” do impeachment, apesar de todo o rigor com que foi conduzido no Congresso, sob severa vigilância do STF, ao longo de mais de um ano.

    Agora, a mesma lengalenga se renova diante da carceragem da Polícia Federal com inspeções humanitárias sobre a privilegiadíssima condição prisional que Moro proporcionou ao condenado Lula e que a juíza de execuções criminais tem mantido. E o falsário defensor de direitos humanos está aí, de punho erguido. É com gente desse perfil que o PT conta para seu proselitismo.

FRASE DO DIA

A morfina foi inventada para que os médicos durmam tranquilos.

Jean Rostand