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FORTE GUINADA PARA A DIREITA

ANO XIV - Nº 007/14 -

GUINADA ELEITORAL

No dia 6 de setembro, a partir do momento em que o candidato Jair Bolsonaro foi brutalmente esfaqueado por um militante político criminoso, do tipo que não admite a possível quebra da hegemonia comunista instalada no nosso país desde a eleição de Lula-Petista, em 2002, a atual corrida presidencial deu uma forte guinada para a direita.

PULO PARA 30%

Vejam que a candidatura de Jair Bolsonaro, que vinha patinando dentro de um percentual de 22% nas pesquisas de intenção de voto, nesta manhã, depois de passados quatro dias do atentado, em levantamento realizado pelo Banco BTG, o que se vê é um salto para 30% das intenções de voto.

PESO DO ATENTADO

Fica evidente, neste momento, que a COMOÇÃO tem um papel muito importante no comportamento dos eleitores. Vejam que boa parte dos eleitores que mostravam grande rejeição à candidatura de Bolsonaro, na medida em que colocaram o peso do BRUTAL ATENTADO no prato da BALANÇA ELEITORAL, acharam por bem mudar de ideia.

PROBABILIDADE DE SE ELEGER NO PRIMEIRO TURNO

Em última análise, depois de tudo que li e assisti até agora, se a campanha for bem conduzida ao longo destes próximos 27 dias, a probabilidade de Jair Bolsonaro vir a ser eleito no PRIMEIRO TURNO é grande e, portanto, deve ser levada à sério.

GENERAL MOURÃO - UM VICE MUITO EQUILIBRADO

Aliás, no meu entender quem tem tudo para levar esta probabilidade a se confirmar é, indiscutivelmente, a presença e/ou atuação do general Hamilton Mourão, candidato a vice de Bolsonaro. Mourão vem ganhando destaque e admiração pelo preparo, inteligência e um excepcional equilíbrio. 

PREOCUPAÇÃO

Deixando de lado a pesquisa do BTG, outra pesquisa, da CNI, realizada em julho deste ano, me deixou preocupado: 45% dos eleitores se dizem pessimistas com as eleições de outubro. O estudo, publicado pela Exame, informa que o principal motivo apontado para o pessimismo foi, de longe, a corrupção (citada por 30%); e em seguida a falta de confiança nos governos e candidatos, com 19%.

O problema é que, diferentemente do que se poderia imaginar, a CORRUPÇÃO NÃO LEVA OS ELEITORES ÀS URNAS PARA MUDAR O QUADRO DE POLÍTICOS ELEITOS ou TIRAR OS CORRUPTOS DO PODER. Os estudos apontam que, na verdade, a corrupção não é levada em conta na hora de votar. 

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MARKET PLACE

  • FOCUS DE HOJE

    Eis o que diz a pesquisa Focus divulgada hoje:

    1- a projeção para o IPCA ao final de 2018 recuou de 4,16% na semana anterior para 4,05%, enquanto a projeção para o final de 2019 continuou em 4,11%. Para 2020, a estimativa do IPCA seguiu em 4,00%, mas para 2021 caiu de 3,92% para 3,87%. 

    2- a estimativa para a taxa de câmbio ao final de 2018 manteve-se em R$ 3,80/US$, e permaneceu em R$ 3,70/US$ ao final de 2019.

    3- a projeção para a taxa de crescimento do PIB em 2018 caiu de 1,44% para 1,40%, enquanto a estimativa para o ano que vem ficou estável em 2,50%. 

    4- a projeção para a taxa Selic, por sua vez, continuou em 6,50% ao final de 2018, bem como permaneceu inalterada em 8,00% ao final de 2019.

  • ESPAÇO PENSAR+

    Eis o ótimo artigo do jornalista J.R. Guzzo, publicado na Veja deste final de semana, com o título - A DEMOCRACIA NO CHÃO-: 


    A democracia no Brasil, se quisermos dizer a verdade em voz alta e sem perder tempo com muito palavrório, está valendo cada vez menos hoje em dia. Esqueça essa conversa de que "as instituições estão funcionando", ou que a democracia brasileira já "está adulta", ou que "não há mais lugar para aventuras autoritárias" no mundo do século XXI. As instituições não estão funcionando coisa nenhuma. A democracia no Brasil pode estar adulta, mas sua idade mental no momento é de 3 anos. Quanto à falta de espaço para regimes não democráticos no mundo de hoje — bom, aí já dá vontade de rir. Se há alguma coisa que existe de sobra neste planeta, nos dias que correm, é terreno para montar qualquer espécie de ditadura — ditadura sob medida, até, em vários modelos e estilos, de classe econômica a première platinum plus. E o que sobrou de democracia no Brasil — quanto tempo ainda dura até ir para o espaço? É difícil dizer. Pode demorar um tanto mais, um tanto menos. Para a maioria dos brasileiros, tanto faz — estão pouco ligando para o assunto, e quando ligam é para torcer contra. Mas parece certo que os demais, os que se dizem democratas ou ganham a vida nos cargos, funções e atividades que a democracia fornece, estão contribuindo o máximo que podem para que tudo vá o mais breve possível para o raio que o parta.
    É claro que estão em vigor os direitos e liberdades mais comuns, e isso precisa de uma ordem democrática para existir. Você pode tomar um ônibus de São Paulo a Goiânia, por exemplo, sem pedir licença a ninguém. Pode falar mal do governo quanto quiser. Pode ir à igreja da sua preferência, ou não ir. A polícia não pode prender uma pessoa sem mandado judicial e é obrigada a fazer um boletim de ocorrência se lhe roubarem alguma coisa. Para tirar um cidadão da casa onde mora, é preciso uma sentença de despejo. Você tem o direito (e a obrigação) de votar, de chamar a ambulância do SUS e de assistir às sessões da Câmara de Deputados, no espaço reservado ao público. Você é dono da Petrobras, do Banco do Brasil e da empresa criada em 2012 para construir o trem-bala, sem contar os canais de transposição das águas do São Francisco, a TV Brasil e a Esplanada dos Ministérios. Mas não são essas coisas que estão faltando na democracia brasileira. O que lhe falta, e põe sua existência cada vez mais em risco, é a lógica comum. A democracia neste país, hoje, é uma geringonça sem pé nem cabeça — e coisas sem pé nem cabeça raramente têm um grande futuro pela frente.

    Honestamente: como é possível o país ter democracia e, ao mesmo tempo, ter o ministro Edson Fachin, um dos onze monarcas que hoje se sentam no Supremo Tribunal Federal? Ou se tem uma coisa ou a outra. Todo mundo sabe que não pode existir democracia em lugar nenhum sem que haja plena segurança jurídica — ou seja, sem a expectativa de que a lei será aplicada conforme está escrita e dentro de um entendimento racional, todas as vezes que for necessário e de maneira igual para todos. Mas o ministro Fachin é o que se poderia chamar de insegurança jurídica ambulante — é o contrário, justamente, do que um regime democrático precisa. Onde está a lógica? Dias atrás, num voto no tribunal eleitoral, Fachin passou duas horas inteiras torturando o português, a razão e a lei brasileira com um alarmante teorema em favor da insanidade. Sim, dizia ele: não há nenhuma dúvida legal de que o ex-presidente Lula é inelegível. Mas uma força superior, segundo nos disse, anula a lei nacional. Que força seria essa? Deus? Não: dois sujeitos que fazem parte de um comitê de dezoito consultores da ONU em direitos humanos. Eles não têm nenhum poder funcional — não são a Corte Internacional de Haia, a Agência de Energia Atômica de Viena ou a Assembleia-Geral. Não têm existência jurídica. Não julgam nada nem decidem nada; só dão pareceres, e acharam que Lula tem o direito de se candidatar à Presidência.

    Se há alguma coisa que existe de sobra neste planeta é terreno para montar qualquer espécie de ditadura

    Mas só dois, entre dezoito, resolveram isso? Só dois. Ouviram os dois lados — os advogados de Lula e o Ministério Público brasileiro? Não. Só ouviram o lado de Lula. O que decidiram representa uma posição oficial? Não; isso eles só vão dar no ano que vem. Em suma: é uma insânia, e por isso mesmo o tribunal eleitoral negou por 6 a 1 o pedido de Lula. O espanto é que tenha havido esse 1 a favor — o voto de Fachin. Nada do que ele disse fez o mais remoto sentido. E se os dois consultores tivessem decidido que o Brasil deveria invadir o Peru, por exemplo, ou restaurar a monarquia? Fachin acha que a gente seria obrigado a obedecer, sob pena de ficar na ilegalidade internacional. Se um ministro da nossa Suprema Corte defende um negócio desses, não é possível ter a menor confiança em nada do que o homem venha a decidir. Argumentou-se, é claro, que ele não é sempre assim; ao contrário, tem votado de maneira sensata. Mas aí é que está o problema: ele pode surtar a qualquer momento, sem avisar ninguém, e dar outro voto igual a esse — e não há absolutamente nada que se possa fazer a respeito. Insegurança jurídica é justamente isso. Outra coisa: Fachin não teria direito à sua opinião pessoal? Não desse jeito, da mesma maneira que você não pode dizer: "Na minha opinião a Terra é quadrada". Isso não é opinião nem democracia.

    É esquisita, nessa e em outras histórias similares, a ligeireza com que se aceita o espetáculo do circo pegando fogo. Os ministros se acharam na obrigação de cumprimentar Fachin pelo seu "brilhante voto"; ele, por sua vez, achou "brilhantes" os votos dos seis colegas que massacraram cada palavra que disse. Todos acharam igualmente "brilhante" a chicana de terceira categoria, amarrada com barbante, que a defesa armou com essa comissão da ONU. Brilhante por quê, se é um completo disparate? Tudo isso causa a pior impressão. Nossos mais altos tribunais de Justiça parecem hoje montepios de ajuda mútua, em que a solidariedade entre os sócios se pratica através da puxação automática e perene de saco. Asinus asinum fricat, poderiam dizer uns aos outros — não são eles que gostam tanto de socar latinório em tudo o que falam, para o público não entender nada? Pois então; eis aí um pouco de latim para verem se está ao seu gosto. O STF, por sinal, é o retrato vivo de uma democracia na UTI. Cada ministro, entre outros espantos, conta com a assistência individual de um funcionário (salário de até 12 000 reais por mês, mais horas extras, chamado "capinha") que lhe puxa a poltrona na hora de sentar à mesa. Pode uma coisa dessas? Nem a rainha Elizabeth II tem um serviço assim — possivelmente, não existe nada parecido em nenhum outro lugar do mundo. Os ministros acham isso normal, como acham normais seu recente aumento de 16% nos salários diante de uma inflação anual de 4%, seus privilégios materiais, seus dois meses de férias por ano, sua aposentadoria com vencimentos integrais e por aí afora. Isso é simplesmente desigualdade — e como acreditar numa democracia na qual a maior corte de Justiça vive abertamente com direitos individuais de seus ministros superiores aos dos cidadãos que julgam? Pior: se o Judiciário está assim, imagine-se o resto.
    Isso não é democracia — é um arranjo provisório, que só fica de pé porque ninguém ainda se organizou para jogar tudo no chão.

FRASE DO DIA

A verdadeira guerra fiscal é entre o governo que consome riqueza e os indivíduos que a criam. Essa guerra enseja uma luta desigual porque o governo usa a coerção e os indivíduos não. Santa Catarina é um exemplo de estado que valoriza quem cria valor. Se não houvesse o governo federal pesando sobre as costas dos catarinenses, poderíamos dizer que SC será uma “Nova Zelândia” dentro do Brasil.

Roberto Rachewsky