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DESORIENTADOS PELA MÍDIA

ANO XIV - Nº 007/14 -

CÂNCERES

Antes de tudo é sempre preciso afirmar, com o máximo de clareza, que para voltar a ser um país com real esperança de prosperidade, o Brasil precisa, com igual intensidade, se livrar de dois enormes e destruidores CÂNCERES: a CORRUPÇÃO e o ATRASO.

 

 

CONDENADOS AO FRACASSO

Livrar o nosso pobre país apenas da CORRUPÇÃO, ainda que seja imprescindível, urgente e absolutamente necessário, não será o bastante. Mais do que nunca, se o povo, através dos governos que elege, não atacar as CAUSAS que levam o país ao fracasso econômico e social, aí continuamos condenados ao fracasso. 

IDEOLOGIA DO ATRASO

É mais do que sabido que quanto menos educado, mais os meios de comunicação ficam à vontade, e tiram proveito, para influenciar a opinião pública. Neste aspecto, infelizmente, o que mais se vê, lê e ouve, é uma contínua pregação de comunicadores formados em ambientes onde impera a ideologia do atraso. 

DESORIENTADOS

O resultado desta objetiva empreitada midiática, como se percebe, é um quadro de preocupante DESORIENTAÇÃO POPULAR, onde a maioria das pessoas repetem, cheias de convencimento, tudo que é dito através dos microfones. Notadamente dos microfones da maior empresa de comunicação do país, que está extremamente focada no Fora Temer.

 

TORPEDEADO

Neste grave momento, o mais importante para o país, além do COMBATE À CORRUPÇÃO, são, inequivocamente, as REFORMAS. Pois, mesmo que as propostas de reformas TRABALHISTA e PREVIDENCIÁRIA sejam tímidas, nem assim recebem atenção e apreciação por parte da mídia. Ou seja, tudo aquilo que pode recolocar o Brasil nos trilhos do crescimento, ou é ignorado ou é torpedeado. Pode?  

ÚNICO OBJETIVO

Confesso que não tenho admiração por Temer. Entretanto, o que está mais do que claro e evidente é que tudo que vem sendo feito não visa a sua saída da presidência. Volto a insistir: o real e único propósito desta forte empreitada é evitar a aprovação das REFORMAS.  

PERIGO

Ainda assim, o que realmente preocupa é que na tentativa de aprovar as Reformas, Temer vem recuando muito no que diz respeito ao controle das despesas. Aí é que mora o perigo. Como bem diz o economista Marcos Lisboa, em entrevista concedida ao Valor,  - “Com a volta do crédito subsidiado, conteúdo nacional, estímulo a grupos de interesses, o Brasil não vai voltar a crescer. Essa foi a rota que trouxe o Brasil à crise. Se essa agenda volta, volta a crise”.
 

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MARKET PLACE

  • IBC-Br

    O IBC-Br, indicador de atividade econômica do Banco Central, considerado proxy do PIB em base mensal, mostrou alta de 0,28% em abril (na comparação dessazonalizada com o mês anterior), em linha com o esperado pelo mercado (0,27%), porém abaixo do esperado por nós após surpresa positiva na pesquisa mensal de comércio (esperávamos +0,6%). Dessa maneira, o IBC-Br começou o 2T17 deixando um carregamento estatístico positivo em 0,45% para o trimestre. 

  • EXUBERÂNCIA DEMOCRÁTICA

    Eis um ótimo artigo escrito pelo pensador Fernando Schuler, publicado na revista Época, com o título A EXUBERÂNCIA DEMOCRÁTICA. Clique aqui (http://epoca.globo.com/politica/fernando-schuler/noticia/2017/06/exuberancia-democratica.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compartilharDesktop) .

  • SOBRE O QUE SCHULER NÃO ESCREVEU

    A propósito, eis o que disse a respeito do artigo do F. Schuler, o pensador e economista Ronald Otto Hillbrecht:

    Muito bom o artigo do Fernando Schuler. Como liberal chato que sou, não vou comentar sobre o que ele escreveu, pois considero irretocável, mas sobre o que não escreveu: o futuro e o sucesso da democracia dependem não apenas dela em si e dos seus eleitores, mas crucialmente das instituições políticas subjacentes. Democracia diz respeito a escolhas coletivas, relativas ao interesse público (exemplos, segurança pública, sistema legal, funcionamento de mercados, etc.) que, mesmo com esta restrição de escopo, pode produzir resultados ruins. O problema é que a democracia pode se tornar um mecanismo de decisão coletiva disfuncional se invadir a esfera de decisões individuais ou privadas, o que acontece quando o poder do estado não é limitado constitucionalmente, conforme preceitos liberais. De acordo com o Índice de Democracia 2016, da The Economist Intelligence Unit, publicado poucos dias atrás, o Brasil é uma democracia em risco (é considerado “flawed democracy”pelo I.U.) e seu indicador vem caindo sistematicamente desde 2006. Problemas como corrupção, ineficiência de governo e falta de cultura democrática estão entre as fontes do declínio.

    Resta ainda mencionar que o Brasil está perdendo posições ao longo do tempo em outro ranking importante, o de liberdades econômicas (como o índice do Frase Institute). Ocorre que indicadores de Liberdades econômicas e de liberdades políticas (como o de democracia) tendem a andar juntos, pois a corrosão de liberdades econômicas é frequentemente causada pela crescente intromissão de governo em atividades privadas. Em termos dinâmicos, há ainda a famosa conjectura de Hayek: a corrosão de liberdades econômicas é seguida pela corrosão de liberdades políticas (a Venezuela é o melhor exemplo desta conjectura). A minha adição, então, ao texto do Schuler, é que é preocupante sob o ponto de vista da preservação de instituições democráticas o crescente cerceamento à liberdade econômica no Brasil. Praticamos uma democracia disfuncional e ela está em risco pela crescente intromissão do governo em esferas de atuação que não lhe dizem respeito.

  • GOVERNO, OPOSIÇÃO E A BALA DE PRATA

    Como estamos no final da semana nada melhor do que ler também o artigo do pensador Percival Puggina, com o título: GOVERNO, OPOSIÇÃO E A BALA DE PRATA

    Há muitos anos, em um dos shows que periodicamente apresentava na linha do "Eu sou o espetáculo", o comediante José Vasconcellos parodiava o ator Gary Cooper subitamente cercado de índios inamistosos. Eram dez mil índios à frente, dez mil à retaguarda, outros dez mil de cada lado. "O que farei?" perguntava, em inglês, simulando o astro hollywoodiano em diálogo consigo mesmo. "O melhor é tornar-me índio também!", concluía.

              Lembrei-me do saudoso comediante e do impasse de Gary Cooper ao ponderar nossa situação como cidadãos no quadro político em que nos emolduraram. Nunca vivi cena assim. Ela está bem expressa na imagem que me chegou pelas redes sociais solicitando marcar com "x" a instituição em que mais se poderia confiar. Apresentava, para isso, quatro alternativas: governo, parlamento, judiciário e ... jogo do bicho. Impossível negar que estamos literalmente cercados!

              Se buscarmos saídas pelo padrão universal, ou seja, dentro do binômio governo/oposição, salta aos olhos a ausência de alternativas. O que acontece no Brasil é inusitado! Sabe-se, agora, fora de qualquer dúvida, que havia uma organização criminosa dentro do governo e outra na oposição. Com o impeachment, uma parte da que estava no governo juntou-se aos quadrilheiros à espreita nas cavernas da oposição e formou o novo governo. Havia gente boa no anterior? Sim, claro; pouca, mas havia. Há gente boa no novo governo? Sim, claro, pouca, mais há. O problema é que os interesses se polarizam em torno da disputa pelo poder, fazendo com que deixe de existir uma alternativa política respeitável, na qual a nação possa confiar.

              Com a cisão da organização criminosa que governava o país foi como se uma cápsula de guerra bacteriológica se rompesse. A peste se alastrou. E o fez com intensidade, atingindo os tribunais superiores, que confundem dignidade com indignação ante qualquer dedo virado para seu lado. Não, cavalheiros, arrogância nunca foi sinônimo de virtude e não é o pedestal que faz o santo.

              No curto prazo, nosso rumo está traçado pelo GPS da Constituição. Seremos governados por uma quadrilha, pelo menos até 31 de dezembro de 2018. A situação também não se altera mudando-se a Constituição, como quer o PT com suas joint ventures para eleger Lula. Oportuna e felizmente, logo ali, em outubro do ano que vem, ou seja, dentro de 16 meses, o poder volta às mãos do povo viabilizando a higiênica faxina eleitoral que poderá encurtar, para muitos, a distância entre a Praça dos Três Poderes e a porta da cadeia. E saneando o quadriênio vindouro. No presidencialismo, dia de eleição é a bala de prata quadrienal. Errou, se ferrou.

              Enquanto não forem melhorados, assim são os passos da democracia e do Estado de Direito dos quais este colunista não arreda pé. Quem quiser alternativa diferente vá beber noutra caneca.

              Somos como Gary Cooper parodiado por José Vasconcellos. Estamos entre dois bandos que se enfrentam. Graças a Deus não precisamos aderir a um deles. Aliás, se me recuso a apontar qualquer um como merecedor de adesão, não hesito em identificar o pior. Muito resumidamente, porque a lista seria imensa, refiro-me ao bando formado por aqueles que:

    · apreciam, reverenciam e apoiam financeiramente os regimes cubano e venezuelano;
    · sonham com um "marco regulatório" da imprensa, com um "marco civil" da Internet e com um Conselho Federal de Jornalismo para cercear quem os incomode;
    · promovem a luta de classes, conflitos raciais, conflitos de gênero, invasões de terra, violência sindical;
    · são contra privatizações e responsabilidade fiscal;
    · se puderem, criarão os sonhados "Conselhos populares" (sovietes) para esterilizar a representação parlamentar;
    · dão refúgio a terroristas, fundaram e comandam o Foro de São Paulo;
    · apoiam quaisquer políticos ou filósofos adversários da cultura e da civilização ocidental;
    · chamam bandidos de "heróis do povo brasileiro", dão nomes de ruas e constroem memoriais a líderes comunistas;
    · têm fobia a órgãos de segurança pública;
    · dedicam preferencial atenção aos direitos humanos dos bandidos;
    · promovem a ideologização da educação e defendem o direito de fazê-lo;
    · são contra a redução da maioridade penal e a favor do desarmamento;
    · apoiam a agenda de gênero nas escolas, criaram o kit gay, defendem a liberação do aborto, financiam a marcha da maconha;
    · criaram, compreendem e utilizam movimentos sociais como milícias a serviço de suas causas políticas.

    Cadeia para todos os corruptos, independentemente das letrinhas partidárias em que estejam acantonados! Toda a atenção para o esclarecimento dos eleitores com vistas ao pleito do ano que vem! Todo empenho por uma reforma institucional com parlamentarismo, voto distrital e cláusula de barreira! O poder não pode voltar às piores mãos! Estamos cercados, mas lutando o bom combate! 

FRASE DO DIA

NÃO HÁ NADA MAIS ANTIRREPUBLICANO QUE A PREVIDÊNCIA DO FUNCIONALISMO PÚBLICO NO BRASIL.

Delfim Netto