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DESINTERESSE PELO MUNDIAL

ANO XIV - Nº 007/14 -

DESINTERESSE PELA COPA

Diz a pesquisa do Datafolha publicada hoje na Folha de S. Paulo, que 53% (recorde) dos torcedores em potencial da seleção brasileira afirmam, categoricamente, não ter interesse pela Copa do Mundo, que começa daqui a dois dias (14/6) na Rússia.

CAIU MAL

Este baixo interesse apontado pela pesquisa, certamente não deve ter caído bem no colo das emissoras que compraram os -direitos de transmissão- do torneio. Da mesma forma, na cabeça das seletas empresas que compraram as cotas de patrocínio do evento.

PORRE

Pois, empenhada fortemente em ganhar telespectadores de todas as idades, a TV Globo, por exemplo, colocou o produto -COPA DO MUNDO- em todos os programas da emissora, da manhã à noite. Ou seja, quem não está ligado no Mundial, ao menos assistiu os comerciais dos patrocinadores. Um verdadeiro porre para quem está desinteressado.

COMPROMISSO

Até aí tudo certo, uma vez que a emissora não pode fugir do compromisso que tem para com seus patrocinadores (que bancam os direitos de transmissão). Afinal, quem anuncia tem como propósito lógico obter não só o retorno do investimento, mas algo mais em termos de faturamento. 

AMOR PELA SELEÇÃO

Este compromisso leva de forma muito clara,  a TV Globo empurrar a COPA DO MUNDO -goela abaixo- dos telespectadores. Para tanto usam o velho e consagrado  poder de -INFLUENCIAR TELESPECTADORES, fazendo com que confundam AMOR À PÁTRIA com AMOR PELA SELEÇÃO. 

POLITICAMENTE CORRETO

Tudo leva a crer que todos os brasileiros que se recusarem a ser catequizados pelas emissoras que vão cobrir o Mundial, serão, infelizmente, considerados como inimigos da Pátria. E para não ser apedrejado, já sabe que deverá se comportar de acordo com o fantasmagórico e nojento -POLITICAMENTE CORRETO-. 

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MARKET PLACE

  • ANDREA BOCELLI EM PORTO ALEGRE

    O Grupo Zaffari traz com exclusividade a Porto Alegre uma das grandes vozes italianas de todos os tempos. Andrea Bocelli se apresenta pela primeira vez na capital gaúcha no dia 23 de setembro, às 20h, no Estádio Beira-Rio, em show que compõe a turnê brasileira do tenor e que é um dos grandes espetáculos internacionais previstos para 2018 no Estado. No repertório, árias clássicas e mais populares dividem a apresentação, que deve contar ainda com hits como as canções Con te Partirò e Per Amore, do disco Romanza. Ao longo de sua carreira, Bocelli gravou nove óperas completas – como La Bohème, Il Trovatore, Werther e Tosca. Os ingressos podem ser adquiridos diretamente no site www.uhuu.com ou na bilheteria do Teatro do Bourbon Country.

    O patrocínio do Grupo Zaffari ao show integra às iniciativas de fomento à cultura e atividades ligadas à arte que marcam a história da empresa no Estado. Entre os projetos que recebem o incentivo do Grupo Zaffari estão a série Concertos Comunitários, que desde 1987 oferece à comunidade concertos de música erudita e popular, e a publicação da Coleção Dicionários, que já está em sua 13ª edição, homenageando grande autores da literatura através de livros de verbetes.

  • ANTES TARDE DO QUE NUNCA...

    Neste bom editorial de 8/6 do jornal Valor, muito do que está ali escrito venho dizendo e repetindo à exaustão nos meus editoriais. O que mais chama a atenção é que só agora o Valor se deu conta. Ainda assim, antes tarde do que nunca... Eis:

    NADANDO NA TERRA DO -WISHFUL THINKING-
    Você só descobre quem está nadando pelado quando a maré baixa. A frase do investidor Warren Buffet é amplamente conhecida e cabe bem para o momento atual brasileiro. O Brasil vinha nadando pelado há muito tempo, mas a maré alta proporcionada pelo quadro internacional de ampla liquidez e a complacência local com a ideia de que quem quer que fosse o novo presidente abraçaria uma agenda de reformas vinha acobertando a nossa nudez, que é evidenciada por um crônico problema fiscal de base Constitucional. O legislador de 1988 não mudou a lógica do Império e a estrutura da Carta seguiu sendo de arrecadar o máximo possível da população para pagar os “direitos adquiridos” da fidalguia pública e privada.
    O Brasil é a terra do “wishful thinking”. E na falta de tradução literal para a expressão, os termos ilusão, autoengano e excesso de otimismo cabem bem e vinham gerando prognósticos descabidos como crescimento de 3%, juros baixos e estáveis por longo tempo e a escolha de um Executivo responsável e de um Congresso capaz de fazer as mudanças necessárias.
    A primeira baixa de maré veio com a constatação de que o chamado “novo normal”, dado por uma estagnação secular do crescimento do mundo desenvolvido garantindo juros baixos e abundante liquidez, está para acabar. Por aqui, alta do dólar, ações do Banco Central (BC) e discursos reafirmando a solidez das contas externas, que não nos deixariam naufragar como a Argentina.
    A maré secou de vez com a greve dos caminhoneiros e a “descoberta” de que o governo Michel Temer conseguiu fazer o Brasil voltar não 20 anos em dois, como dizia a malfadada propaganda, mas sim 30 anos, em dois dias. Direto para os anos 1980, com tabelamento de preços, fiscais do diesel e subsídios para quem consegue gritar mais alto.
    No meio disso, desapareceu aquela percepção dominante no mercado de que o eleito em 2018 faria a coisa certa. Prevalece agora a incerteza, quando se perde a capacidade de mensurar e se proteger de riscos. Candidaturas dispersas sem propostas claras alimentam essa incapacidade de ver alguma coisa adiante e fazem os otimistas de outrora correr em busca de proteção em moeda forte e juro de curto prazo. Os fundamentos não importam mais. BC e Tesouro tentam coordenar a saída, mas, como sempre, a porta é pequena, perdas acontecem e logo alguns corpos ficarão pelo chão.
    Messiânico por natureza, o brasileiro não quer saber de se salvar, mas sim de ser salvo. E os salvadores disponíveis sabem manipular o sentimento mais caro da população: o ódio. Como disse Jânio Quadros, o povo ama odiar. E é sempre bom ter um inimigo, mesmo que imaginário, para colocar a culpa por “tudo o que está aí”. No caso mais recente o inimigo foi a Petrobrás e seu presidente. Mas há outros tantos à disposição, como as elites, os políticos, a corrupção, a imprensa, a esquerda, a direita, e também as reformas.
    Com ódio e ressentimento, o brasileiro segue culpando inimigos imaginários sem enxergar as deficiências estruturais do Estado que o governa e os custos necessários para sanar suas debilidades. O apoio a greve dos caminhoneiros reflete bem isso. A eleição será ganha por quem melhor manipular esses sentimentos e apresentar as promessas que não exijam esforços, nem acabem com os diretos adquiridos de quem já os têm e daqueles que um dia sonham em ter. Não há espaço para reformas e nem sinal de que a maré voltará a subir.
     

FRASE DO DIA

Os homens são como tapetes: às vezes precisam ser sacudidos.

Provérbio Árabe