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COM O PÉ NA COVA

ANO XIV - Nº 007/14 -

A PÁ JÁ EXISTE

A propalada -RENEGOCIAÇÃO, ou REPACTUAÇÃO- das dívidas dos Estados e Municípios com a União, cujo projeto foi aprovado com muita festa nas comissões de Assuntos Econômicos (CAE) e de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, representa uma enorme pá para o governo cavar a cova da já fragilizada Lei de Responsabilidade Fiscal.

ENTERRO DA LRF

Caso aprovada em plenário do Senado, o que é considerado neste momento como -favas contadas-, os brasileiros (como sempre muito tontos, infelizmente) vão presenciar, sem saber o tamanho do prejuízo, o enterro de uma Lei (Responsabilidade Fiscal) que representou uma das mais importantes conquistas do país.

EXEMPLO PETROBRÁS

Vejam, por exemplo, o benefício que vai representar somente para o Estado de São Paulo a mudança no indexador, caso a lei seja aprovada pelo plenário do Senado: o principal da dívida deve baixar de R$ 100 bilhões para R$ 50 bilhões, a partir de 2027.

DESPROVIDOS DO RACIOCÍNIO

Ora, é mais do que sabido que os nossos políticos, em geral, são totalmente desprovidos do raciocínio lógico. Até porque seria impensável admitir que se tivessem um pingo de discernimento não seriam capazes de festejar o caos. O fato, no entanto, é que desta vez não houve surpresas, pois os líderes governistas vinham se movimentando bastante pela aprovação do projeto.

PREJUDICIAL

Note-se que o nefasto projeto não trata só da mudança do indexador das dívidas. Altera, também, e para pior, a Lei de Responsabilidade Fiscal, uma vez que o governo ganha o direito de usar a margem excedente de arrecadação (acima das receitas estimadas no Orçamento), para fazer uma compensação, sem discriminar de onde exatamente promoverá o reequilíbrio.

EUFÓRICOS SEM CAUSA

No RS, como já foi amplamente divulgado, além do governador Tarso Genro muitos setores ficaram eufóricos com a aprovação do projeto. Ora, todo estaduano é um habitante do país. Portanto, qualquer vantagem que é concedida a um Estado, o brasileiro é chamado para pagar a conta. Se algo (que não vem do crescimento econômico) entra num bolso é porque sai do outro bolso.

NO MESMO CAIXÃO

Poucos sabem que a NEGOCIAÇÃO DAS DÍVIDAS foi um parto enorme. Quando aprovada todos fincaram pé dizendo que se tratava de uma cláusula pétrea. Algo -imexível-, para não dar chance ao perigo. Pois o perigo maior é que o INVESTMENT GRADE está pendurado neste prego. Estamos, conscientemente, querendo a cassação do importante GRAU DE INVESTIMENTO. Penso que para economizar nas despesas do enterro da Lei de Responsabilidade Fiscal podemos colocar no mesmo caixão também o selo do Investment Grade. Que tal?

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MARKET PLACE

  • EMPREGO INDUSTRIAL
    O emprego industrial caiu em 12 dos 14 locais pesquisados pelo IBGE em fevereiro. Houve queda de 2% em fevereiro em relação ao mesmo mês de 2013. Na comparação mensal, o emprego na indústria nacional ficou estável em fevereiro ante janeiro.
  • CHINA
    O governo chinês divulgou que o índice de preços ao produtor (PPI) caiu 2,3% em março na comparação com igual período do ano passado, aprofundando o ritmo de queda em relação ao recuo de 2% em fevereiro. O índice de preços ao consumidor (CPI) chinês subiu 2,4% em março, em base anual, ficando ligeiramente abaixo da previsão.
  • BRASIL OU ARGENTINA?
    Eis a mensagem que recebi de um leitor argentino, assinante do Ponto Crítico: - De acuerdo a los artículos que usted me envía, en vez de leer sobre la ECONOMÍA DE BRASIL, me dá la sensación de estar leyendo sobre la ECONOMÍA DE MI ARGENTINA. Que tal?
  • TÁ NA MESA ITINERANTE
    -Pela primeira vez, em 21 anos, o tradicional evento Tá na Mesa, da Federasul, realizado todas as quartas-feiras, no Palácio do Comércio, em Porto Alegre, acontece fora de sua base, no interior do Estado. A cidade que vai sediar o primeiro Tá na Mesa itinerante é Caxias do Sul, nesta segunda-feira (14), no Centro de Indústria e Comércio (CIC), às 12h. A Federasul escolheu como palestrante nesta estreia, o diretor da KPMG no Brasil, Charles Schramm, que vai falar sobre -Parcerias público-privadas soluções para cidades do futuro-.

FRASE DO DIA

O orçamento deve ser equilibrado, o Tesouro Público deve ser reposto, a dívida pública deve ser reduzida, a arrogância dos funcionários públicos deve ser moderada e controlada, e a ajuda a outros países deve ser eliminada,para que Roma não vá à falência.As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver às custas do Estado.

Citação de Marco Túlio Cícero - Ano 55 Antes de Cristo