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CADEIA DE CORRUPÇÃO

ANO XIV - Nº 007/14 -

TRECHO OPORTUNO

Ainda sobre o livro -NADA MENOS QUE TUDO- (que recomendo a leitura), no qual Rodrigo Janot descreve a sua passagem no cargo de procurador-geral da República no auge da Operação Lava Jato (2013-2017), separei o seguinte e oportuno trecho:

CADEIA DE CORRUPÇÃO

A Lava Jato teve papel crucial para mostrar a vasta cadeia de corrupção que enreda EMPRESÁRIOS E POLÍTICOS DO BRASIL DESDE SEMPRE. Todos sabíamos de desvios em licitações e financiamentos ilegais de campanhas eleitorais. Mas, quando os atores-chaves dessa trama histórica vêm a público e relatam em primeira pessoa como e quanto embolsaram, isso ganha uma dimensão épica.

A ORIGEM DO TERREMOTO

Aí está a ORIGEM do terremoto político que se seguiu à narrativa dos delatores e a toda a documentação probatória obtida pelas mais diversas frentes de investigação. No curso das investigações, surgiram algumas questões interessantes. QUAIS SÃO OS MAIORES RESPONSÁVEIS PELA CORRUPÇÃO: os empresários que pagam propina para obter contratos com o serviço público ou os políticos que recebem vantagens financeiras em troca de decisões favoráveis a empresários? Quem controla quem nesse círculo vicioso? Marxistas poderiam dizer que o dinheiro sempre fala mais alto. Eu tenho minhas dúvidas nesse caso. Quando questionados sobre o assunto, os políticos jogam a culpa nos empresários e vice-versa. 

SISTEMAS FECHADOS

Se me perguntassem de onde vem essa forma viciada de fazer negócios e política, eu diria que uma possível explicação são os “SISTEMAS FECHADOS”. Ou seja, as regras para preservar a existência dos mesmos grupos no comando da administração pública e dos mercados. Quem está dentro não sai. Quem está fora não entra. Sem a livre concorrência, sem o choque dos contrários, o que prevalece é o ETERNO CONCHAVO, a ECONOMIA DE COMPADRIO, ou o CAPITALISMO SEM RISCO. 

ACORDÃO PERMANENTE

No meu entender, o que existe é um ACORDO TÁCITO, um -ACORDÃO PERMANENTE- entre grupos políticos e econômicos, pendurados no Estado, onde :

1- Os EMPRESÁRIOS TÊM O CAPITAL PARA FINANCIAR AS CAMPANHAS ELEITORAIS;

2- OS POLÍTICOS FICAM COM A CANETA PARA DEFINIR CONTRATOS E RESERVAS DE MERCADO.

Ao longo de nossa história, as DUAS PARTES NEGOCIARAM EM IGUALDADE DE CONDIÇÕES. O resultado sempre foi que os DOIS LADOS OBTIVERAM VANTAGENS EM DETRIMENTO DOS INTERESSES COLETIVOS. Ou seja, quebraram de forma sistemática o pacto elementar, embora não declarado, de toda sociedade, que é viver de forma coesa e solidária.

NATUREZA ESPÚRIA

Aliás, um outro mérito importante da Lava Jato foi mostrar a NATUREZA ESPÚRIA DESSES ACORDOS, porque, até então, só alguns políticos, de forma isolada, eram responsabilizados pela corrupção. Alguém poderia perguntar ainda se, com base nos números superlativos da Lava Jato, seria possível concluir que o brasileiro é mais propenso à corrupção que outros povos. Essa é a mensagem subliminar que vejo em análises apressadas sobre de onde vem esse desejo avassalador pelo dinheiro público, conforme foi explicitado em cada uma das etapas das investigações sobre desvios na Petrobrás e outras empresas na esfera pública.

MECANISMOS EFICAZES

Eu acho que não existem instrumentos seguros para medir níveis de corrupção entre povos, mas é certo afirmar que a corrupção não é uma exclusividade nacional, nem de países em desenvolvimento. Exemplos de desvios de conduta com vistas ao dinheiro público e ao privado são problemas presentes na história dos Estados Unidos, da França, da Alemanha, da Inglaterra, do Japão, da Coreia, da China, enfim, de todos os países, ricos ou pobres.

A grande diferença é que sociedades mais antigas ou mais abertas dispõem de MECANISMOS MAIS EFICAZES DE CONTROLE DA MOVIMENTAÇÃO DO DINHEIRO, DAS RIQUEZAS DE UMA FORMA GERAL. Isso diminui os ralos da corrupção. 

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MARKET PLACE

  • GARANTISTAS E PUNITIVISTAS

    Quanto ao STF, Janot entende que, há tempos, está dividido em dois blocos.

    De um lado estão os GARANTISTAS, como são chamados pela imprensa. São os ministros mais refratários a medidas mais duras, ou seja, aqueles que torcem o nariz quando estão diante de pedidos de quebra de sigilo, bloqueio de bens, condenação ou prisão.

    No outro polo estariam os PUNITIVISTAS (também segundo o batismo da imprensa). São aqueles ministros que, como boa parte do Ministério Público, consideram necessárias ações mais arrojadas para romper o velho ciclo da impunidade no país. Esta é uma divisão simplista, algumas vezes até injusta, mas serve para uma visão panorâmica do STF.

  • OUTUBRO ROSA

    Desde ontem, 1º de outubro, a Campanha Outubro Rosa dá novas cores a prédios e monumentos da Capital. Liderada pelo Instituto da Mama do Rio Grande do Sul, com apoio da Prefeitura, e denominada Ilumina com Rosa Porto Alegre, a mobilização foi aberta às 18h de ontem, em solenidade no Largo dos Açorianos, com a presença do prefeito Nelson Marchezan Júnior e da primeira-dama do Município, Tainá Vidal. A histórica ponte do local, que acaba de ser revitalizado, foi o primeiro ponto da cidade a ganhar a iluminação rosa, como símbolo da campanha de combate ao câncer de mama e de alerta às mulheres sobre a importância de fazer regularmente o exame preventivo, oferecido nos serviços de saúde pelo SUS.

    Serão iluminados também o Paço Municipal, o Edifício Intendente José Montaury (Prefeitura Nova), o monumento em homenagem à cantora Elis Regina (na Orla Moacyr Scliar) e a Travessia Getúlio Vargas, popularmente conhecida como Ponte do Guaíba. O trabalho para dar cor a esses locais é da Coordenação de Iluminação Pública da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSurb).
    "A Prefeitura de Porto Alegre e os Serviços Urbanos somam-se a esta importante campanha, através das iluminações cênicas promovidas pelas equipes da Secretaria, dando ainda mais visibilidade ao Outubro Rosa. Desta forma, estamos abraçando mais uma causa e participando de momentos marcantes para a cidade", diz o secretário municipal da pasta, Ramiro Rosário.   

FRASE DO DIA

No ambiente político não há ingênuos, mas sobram hipócritas.

Rodrigo Janot