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BRASIL: UM PAÍS À DERIVA

ANO XIV - Nº 007/14 -

MAR REVOLTO

Ainda que seja uma tarefa dura e árdua é preciso reconhecer que o nosso empobrecido Brasil guarde enorme semelhança com um barco que está à deriva, num mar que promete ficar cada dia mais revolto.

DESENCANTO

Vejam que até o mês de abril muitos brasileiros acreditavam que a rota do crescimento e do desenvolvimento, mesmo em ritmo baixo, estava mantida. Entretanto, depois que os ventos fortes de maio, emanados pela greve do desabastecimento, deixaram em frangalhos as VELAS do BARCO BRASIL, aí o ambiente foi tomado por grande desencanto. 

ESTRAGO ECONÔMICO

Neste momento até os mais céticos já parecem convencidos de que a GREVE DOS CAMINHONEIROS proporcionou bem mais do que um estrago econômico, o qual, diga-se de passagem, ainda está longe de ser conhecido.

FORMA ENCONTRADA PELO GABINETE

Pois, para desespero geral e ainda maior, a forma que o governo encontrou, ao atender a pauta de exigências dos líderes do movimento grevista, resultou numa demonstração de fraqueza que atingiu por completo a confiança na já claudicante economia.

PORTA ERRADA

Preocupados exclusivamente em dar fim à crise de DESABASTECIMENTO, a saída encontrada para garantir o desconto da parcela dos impostos federais, na ordem de R$0,46/litro, foi a porta ERRADA do lamentável tabelamento de preços do diesel.

TUDO MINADO

Agora, metidos nesta arapuca que eles mesmos (governo e líderes do movimento) criaram, o fato é que  a desorganização geral e irrestrita chegou com força na indústria, comércio e serviços, causando prejuízos fantásticos. Como se vê, não foi só a Petrobrás que foi minada pela desconfiança, mas a economia como um todo.

OLHANDO MAIS A FRENTE

A rigor, o preço do dólar frente ao real e as cotações das ações das empresas brasileiras na Bolsa de Valores é a grande janela que escancara o grau de confiança na economia.

Olhando mais a frente percebe-se que este governo zerou o capital político para fazer as coisas melhorarem até o final do ano (seis meses). E o próximo governante, que ninguém sabe quem será, se for competente e reformista vai precisar de tempo (seis meses) para  fazer algo que dê algum fôlego econômico. Até lá, o que se depreende é que o quadro se manterá triste e preocupante.

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MARKET PLACE

  • IGP-DI, IPA E IPC

    O IGP-DI acelerou de 0,93% exibido em abril para 1,64% em maio. O resultado ficou acima da expectativa do mercado e do que era esperado por nós, com projeções de 1,40% e 1,43%, respectivamente.

    O IPA, que mede os preços ao produtor, contribuiu em grande parte com a aceleração observada, ao passar de 1,26% para 2,35%, movido pela alta dos produtos industriais (de 0,96% para 2,65%). Por outro lado, os produtos agropecuários desaceleraram de 2,18% para 1,50%.

    O IPC, índice que mede os preços ao consumidor, registrou alta de 0,41% em maio, vindo de 0,34% em abril. A maior contribuição para a alta do IPC veio de grupo Habitação (de 0,26% para 0,73%).

  • DO LIBERAL-POPULISMO-BRASILEIRO

    Eis o artigo escrito por Richard Back, analista político da XP, com o título -DO LIBERAL-POPULISMO-BRASILEIRO-: 

    Se no Brasil até o passado é incerto, imagine então convicções. Basta uma crise, ou às vezes só a ameaça dela, para que políticos estrelados, tidos na conta de “liberais econômicos” passem a advogar uma espécie de “liberal-populismo-tupiniquim”, sacrificando até mesmo a lógica matemática em alguns momentos. Assim foi durante esta crise da greve dos caminhoneiros, que terminou derrubando Pedro Parente, e com ele a política de reajustes de preços de combustíveis então estabelecida na Petrobrás.

    Já teci em vídeo considerações sobre a greve e a atuação ruim do governo, não carece de voltar às críticas. Não é este ponto que gostaria de analisar neste texto.

    A coisa que tira o sono é que esta greve produziu alguns efeitos políticos relevantes. O mais evidente de todos é que, junto com Parente e sua política de preços, cai também o nível do debate econômico nas eleições. Seja porque a população diretamente (os caminhoneiros e empresários) ou indiretamente (a dona Maria, que apoiou os caminhoneiros, acha que a culpa é toda do governo, e quer a redução do diesel, da gasolina, do gás de cozinha, da água, da eletricidade mesmo que isso quebre os sistemas e as empresas) mostrou que não entendeu nada do porquê do Brasil chegar aonde chegou, seja porque os partidos do campo do Lulismo enxergaram a oportunidade oportunista – e a usaram – de defender a política de subsídios que especialmente no governo Dilma quebraram a Petrobrás, seja ainda porque vários dos nossos liberais-populistas-tupiniquins estiveram de prontidão para oferecer o acordo pedido pelos grevistas sem muitas contrapartidas. Tivessem os caminhoneiros pedido mais, talvez levassem.

    Pois bem, debate eleitoral rebaixado e com nuances de pouca realidade de múltiplos contendores, teremos postas as condições perfeitas para algum nível de estelionato eleitoral, para usar o verbete tucano, já que ninguém conseguirá vencer tendo como carro-chefe um discurso reformista. Isso causará sim-ou-sim algum nível de contrariedade na população, e oferece pistas para ver através da fumaça um 2019 também difícil.

    Convém neste momento observar a floresta toda.

    O Brasil vem em uma crescente de instabilidade pelo menos desde os protestos de 2013. Uma mistura de crise econômica com governos fracos, corrupção exposta pela lava-jato, e instituições que funcionam pero no mucho, causam esse divórcio entre representantes e representados, o que tem dividido e radicalizado muitos setores no país. Esse tipo de divórcio tem como efeito prático um grande desgaste da própria democracia e da noção que a população tem dela, tornando o ambiente todo frágil, escorregadio. O problema aqui é que democracia é como economia: Você atira no que vê, mas corre o risco de acertar também o que não vê. Tanto para um, quanto para o outro, leva tempo e muito esforço para corrigir e estabilizar uma vez que se desregula.

    Em 2019 teremos em campo então uma democracia sob desconfiança, com um Congresso Nacional garantindo o direito constitucional de ocupar juridicamente cargos aos eleitos, mas não a legitimidade em toda sua essência, uma vez que, dadas as regras do jogo, a renovação tende a ser baixa e o Congresso, parecido com o temos hoje. Não mudam os jogadores, não muda o jogo. Teto de Gastos e Regra de Ouro serão instrumentos que o Congresso fatalmente usará para lembrar ao presidente eleito o quanto ele necessitará sim-ou-sim dos parlamentares e de formação de maioria pragmática, já que programática não haverá. Aqui cabe um parênteses importante, quase um spoiler: É importante não ignorar que o Teto de Gastos estará sob risco do nosso “liberal-populismo-brasileiro”. Basta que as ruas pensem em reclamar dos limites que o teto impõe a gastos sociais e o castelo, que é de cartas, cai.

    Um cenário tão indefinido pode, é claro, melhorar marginalmente de acordo com os resultados das urnas, mas ele também pode piorar substancialmente. Pelo menos três variáveis serão fundamentais para que o próximo chefe do executivo possa tentar começar algum tipo de acordo com os outros poderes e, mais importante ainda, com o povo: legitimidade das urnas que lhe dê capacidade de propor um programa que dialogue com as principais necessidades dos brasileiros, capacidade política de negociação com o Congresso Nacional e o Judiciário, e capacidade de comunicação com as massas.

    Desde junho de 2018, o que se pode ir vendo do próximo ano é que pode até ser escrita nova página na história do país a partir das eleições, mas o livro é rigorosamente o mesmo.

  • JANTAR ÀS CEGAS

    O Dia dos Namorados no Sheraton Porto Alegre Hotel ganha ares de mistério com a primeira edição do Jantar às Cegas. Na noite do dia 12 de junho, o restaurante Clos Du Moulin recebe o evento, cujo cardápio só é revelado aos participantes em seu início, às 20h. Como temática, o jantar explora a qualidade do tempo e a necessidade de se aproveitar cada minuto ao lado de quem se ama. E para entrar no clima de romance, o chef Mauro Sousa utiliza ingredientes de sabores sutis que demandam atenção, como romã, frutas vermelhas e o espumante rosé, que entra como harmonização. O jantar será servido em cinco tempos, reservando surpresas aos casais e envolvendo não somente a degustação dos pratos, mas também a experiência visual, olfativa e sonora do ambiente, que ganha trilha sonora especial criada por André di Napoli, engenheiro acústico formado pela London School of Sound.

    Reservas e informações podem ser obtidas através do email portoalegrebistro.poa@sheraton.com ou pelo telefone (51) 2121.6000.

FRASE DO DIA

Prefiro receber censuras a receber condolências.

Golda Meir